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18 Capítulo 18 — Jim.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 18 — Jim.

—Filho? —Alba o chamou, em meio ao jantar.

—A-Ah, oi?

—Está tudo bem?

—Ah, tá sim... —O garoto respondeu.

—Não é o que parece, nem tocou na sua comida.

—Só estou sem fome...

Theodore empalidecia ao olhar para Sidney, que estava sentado ao lado de sua mãe, sentiu um embrulho se formar no estômago quando seu olhar cruzou com o dele, seu corpo estremeceu.

Não podia deixar de ter calafrios quando a voz daquele homem ecoava, queria sair dali, não aguentava ficar na presença dele. As risadas que sua mãe dava e os sorrisos falsos com que ele a retribuía enojavam o garoto.

Arrastou a cadeira para trás e se levantou sem dizer uma única palavra, ouviu sua mãe lhe chamar, mas não respondeu. Recuperou o ar quando entrou em seu quarto e trancou a porta, só tinha uma coisa que o tranquilizaria naquele momento.

Ao deitar em sua cama e pegar seu celular, ouviu a voz do outro lado da linha que apaziguou todos os seus ânimos.

Mon amour! —A garota atendeu, alegre.

—Treinando o francês, ma chérie?

—Tentando.

—Susannah, tenho tanta coisa para te contar...

—Sério? O que foi mon petit?

—Não sei nem por onde começar...

...♕...

A manhã de sexta-feira chegou para Theodore, ele ainda tinha esperanças de que encontraria Christopher, mas se perguntava se o professor gordinho ainda o substituiria. O garoto sardento caminhava pelos corredores, ansioso para chegar na sala de matemática.

Os passos ficaram lentos conforme se aproximava, tinha medo de passar por aquela porta e não encontrá-lo, não gostaria de receber esse balde de gelo novamente. Engoliu seco, ajeitou sua roupa e sua postura mudou adentrando o local.

Seu coração pareceu falhar uma batida quando seu olhar se encontrou com os olhos esverdeados que tanto amava. Theodore fez menção a um sorriso, mas nada conseguiu expressar.

Para sua sorte, a sala estava vazia e ninguém tinha ocupado o lugar que tanto desejava, na primeira carteira. Ao sentar no rumo do professor, percebeu que ele se levantou, fingindo ter algo mais importante para fazer de frente à lousa.

Nos poucos segundos que o garoto conseguiu observá-lo, pode notar que suas olheiras eram profundas, demonstrando que havia dormido mal. Theodore parou seus olhos sobre sua roupa, reconheceu a camisa de botões, já tinha a usado quando esteve em seu apartamento.

Entretanto, naquele momento as circunstâncias eram diferentes, o tecido de sua roupa estava amarrotado e seus cabelos bagunçados, mesmo não perdendo o charme para Theo, Christopher não exalava a superioridade de sempre.

Mais alunos chegaram, quebrando a chance do garoto dizer algo, mas mesmo que ele se esforçasse, nada conseguia falar.

Olhou novamente para o seu amado, não gostava de admirar a ruína que havia causado em sua vida. Sentiu uma aflição crescer em seu peito, Theodore quis segurar uma lágrima que insistia em descer pelo canto de seu olho.

Limpou a gota com polegar discretamente, percebendo que nesse momento o professor se virou e o encarou, disfarçando em seguida.

Christopher respirou fundo, a presença do garoto tão perto lhe causava arrepios, ainda era difícil olhar para o seu rosto. Ao se deparar com os olhos cor de mel de Theodore, lembrou-se imediatamente de todas as palavras proferidas, o que não o ajudou muito naquele momento.

Sentiu um nó se formando em sua garganta, saberia que seria difícil prosseguir com aquela aula, mas que era necessário.

Deixou um aviso sobre a lousa de quais exercícios eram pra ser feitos, com a página do livro. Ele preferia assim, pois sua voz vacilaria se abrisse sua boca.

Uma garota se aproximou do professor, com o caderno em mãos, perguntava sobre os exercícios que o professor substituto tinha passado. Christopher caminhou até sua mesa, sendo seguido pela menina e assim sentou-se para corrigir os cálculos.

Theodore olhou curioso para Chris, que abria sua mochila, tirava de dentro dela uma pequena caixa e logo depois ajeitou seus óculos de leitura sobre seu rosto. O sardento nunca imaginou que ele usasse, se perguntava se aquilo seria recente.

Observou mais uma vez, se pegou sorrindo em vê-lo daquela maneira, a armação preta e quadrada se encaixava perfeitamente com seu queixo, deixando-o ainda mais atraente.

A junção de seus cabelos bagunçados, barba mal feita e jeito despojado era irresistível. Theodore sentiu o ciúme o invadir quando a garota se abaixou ainda mais para ver o que o professor escrevia em seu caderno, pois ele sabia que ela o olhava com segundas intenções.

Nada poderia fazer, havia deixado aquele homem escapar por entre seus dedos e teria que suportar a dor de vê-lo ao lado de outras pessoas. Por um momento a ideia de fingir uma dúvida somente para o aproximar pareceu ideal, mas viu o quanto era infantil poucos segundos depois.

Theodore percebeu que a menina estava ultrapassando os limites da proximidade, notando sua mão pousar sobre o ombro dele.

Crek

Ninguém mais notou, mas o lápis que jazia na mão do garoto sardento estava partido ao meio. Assustou-se ao ver que usou força demais, o que foi vergonhoso, já que não acreditava que estava com ciúmes de uma garota.

A classe estava silenciosa, todos concentrados no que faziam. Seu coração disparou quando Christopher olhou de relance para frente, procurando de onde vinha o barulho.

Seus olhares se cruzaram novamente, mas a felicidade de Theodore durou pouco, os olhos verdes logo guiaram-se aos papéis. O garoto mordeu o lábio com força, pensando em quanto tempo mais a menina continuaria ao lado dele.

Aliviou-se poucos minutos depois, ao ver que ele já havia acabado e lhe entregado o caderno de volta. A garota voltou ao seu lugar.

O professor tirou os óculos, guardando-os novamente e levantou-se.

—Ei, professor!

Christopher olhou para o fundo da sala, onde uma aluna levantava um braço.

—Pode falar.

—Por que faltou na quarta e na quinta? —Ela indagou, causando um alvoroço na classe.

—Problemas pessoais. —Pigarreou. —Não é da conta de vocês.

Ouviu-se mais um tumulto.

—Pelo jeito que ele está hoje, tenho certeza que está com problemas com a namorada! —Outra garota provocou.

Theo sentiu seu coração disparar mais uma vez. Chris franziu o cenho.

—Já que vocês têm tempo para conversas, então façam a página catorze e quinze também.

Os garotos vaiaram as meninas que provocaram a raiva do professor e Theodore logo se deu conta de que não havia feito nenhum exercício ainda.

...♕...

Ao findar todas as aulas daquele dia, Christopher respirou aliviado ao chegar em seu apartamento, não sabendo de onde tinha tirado forças para enfrentar tudo aquilo.

Ver o garoto sardento ainda abalava seu coração.

“Droga, por que o infeliz tinha que ser tão bonito?!” O professor se perguntava.

Deixou as chaves sobre a mesa de centro, sentou-se no sofá e abriu o cinto da calça. Ligou a televisão, tentava se concentrar no canal de esportes, mas quando sua mente cismava em se lembrar de Theodore, era sempre difícil se livrar de tais pensamentos.

Sentiu o celular vibrar em seu bolso, pegou-o e viu que era uma ligação de Emmet.

—Alô?

—Chris! Adivinha quem vai para o Castro hoje?!

—Deixa eu pensar... Onde será que já vi dois desatarefados e desempregados? Ah é mesmo, você e o Michael?

—Há-há, engraçadinho. Saiba que você irá conosco...

—Quem disse?

—É sua obrigação como homem solteiro, acompanhar seus dois amigos...

—Olha, não tô afim de sair de casa, acabei de chegar do trabalho e estou exausto.

—Não seja chato, Chris...

—Já disse que não.

—Então tudo bem, por hoje passa, mas amanhã estaremos aí para te arrastar, então é melhor que descanse bastante...

Christopher bufou e desligou a ligação, se perguntava como o amigo conseguia ser tão insistente. Ainda estava com o aparelho em mãos quando a curiosidade falou mais alto, fazendo-o enfrentar a galeria de fotos do celular.

Seu coração palpitou, não se lembrava da maioria das fotos que tinha com Theodore e passar por elas ainda era doloroso. Se deparou com momentos íntimos, beijos e sorrisos, não parava de pensar em como tudo aquilo tinha ido por água abaixo em tão pouco tempo.

Esticou seu corpo e assim deitou, apoiando a cabeça no braço do sofá, continuou encarando a tela, vidrado nas fotografias.

Aquela noite passou rápido para Christopher, que adormeceu no sofá, acordou desconfortável no meio da madrugada, mas se recusou a ir para seu quarto. Na manhã de sábado já estava de pé, fazendo alongamentos por conta da dor nas costas.

Decidiu fazer uma caminhada depois de um café da manhã leve, tentaria botar novamente sua vida nos trilhos. Não deixava de refletir o que tinha acontecido nos últimos dias, sempre que colocava os fones de ouvido e começava a andar pelo parque, mais lembranças surgiam em sua mente.

Após algumas voltas retornou ao seu apartamento, um pouco mais aliviado, se sentia bem quando fazia exercícios. Tomou um banho e descansou um pouco mais, pegando no sono enquanto assistia à televisão.

Depois de algumas horas foi acordado por toques na porta, não fazia ideia de que horas eram, no entanto, reconhecia o ritmo daqueles sons na madeira da porta.

—Por que não está trocado? —Emmet o encarou assim que Chris abriu a porta.

—Hã?

—Eu te disse que viríamos te buscar hoje para ir ao Castro, não disse?

—Ah, ainda com esse assunto, Emm? —Christopher apoiou-se no batente.

—Parece que acordou agora... —Michael comentou.

—Mas eu acordei agora.

—Então se apresse!

Ambos empurraram Christopher para dentro do próprio apartamento, enquanto o guiavam até seu quarto.

—O que você tem de bom aqui? —Emmet abriu seu guarda-roupas.

—Vai mesmo fuçar nas minhas coisas?

—Se eu deixar você escolher o que usar, vai parecer um quarentão e ninguém olhará para você.

—O que quer dizer com isso? —Chris franziu o cenho.

—Quero saber se você tem alguma calça apertada aqui... —Emmet abriu as gavetas.

—Não. Só roupas que me servem.

—Terei que fazer um milagre aqui. —Bufou. —Vá tomar um banho, eu escolherei algo para você usar.

Christopher reclamou uma última vez, pegou uma roupa íntima de dentro do guarda-roupas que Emmet vasculhava e caminhou até o banheiro. Não demorou mais do que quinze minutos para tomar uma ducha.

Ao terminar, se enxugou rapidamente, colocando a cueca que havia trazido. Escovou seus dentes, penteou seus cabelos e passou sua colônia. Abriu a porta, seus amigos ainda estavam em seu quarto.

Chris olhou para sua cama, viu milhares de peças espalhadas sobre ela e evitou um comentário mal educado.

—Senhor! O que é isso?! —Emmet se abanou ao vê-lo somente de roupa íntima.

—Isso tudo é falta de rola, Emm? —Christopher rolou os olhos.

—Talvez. —Respondeu, recebendo um olhar reprovador de Michael. —Mas veja o que escolhemos para você!

—Estou vendo, parece que meu guarda-roupa todo está aqui.

—É porque não sabemos o seu gosto, então decidimos organizar assim.

Chris caminhou até a bagunça que estava sobre sua cama, pegou uma calça jeans comum e uma camiseta preta de gola em V. Terminou de se trocar, recebendo mais alguns comentários de Emmet sobre seu corpo, contudo, não deixava de rir com aquilo.

—Está pronto? —Michael perguntou, ao vê-lo terminar de calçar o par de tênis. —Podemos ir?

...♕...

Chegando no local, os três amigos notaram que o ambiente já estava lotado, a música ensurdecedora contagiava-os, convidando-os para a pista de dança.

Antes de tudo, fizeram uma pausa para os drinques, como um ritual, não dançavam sem antes apreciar uma batida. Para Michael era como um remédio que o desinibia, enquanto para Emmet, servia somente para se socializar com os rapazes em volta.

Christopher sentou-se no banco, se apoiando no balcão iluminado, olhando para o barman e lhe pedindo uma dose dupla de vodca pura. Emmet e Michael se entreolharam.

—Nem chegamos e já quer ficar bêbado?

—Não começa, Mikey. —Chris rebateu.

—Tudo bem, como quiser, mas depois dessa você vem dançar, né?

Christopher não respondeu, logo foi servido e entornou o pequeno copo garganta abaixo. Foram mais duas rodadas, mesmo que os amigos tentassem, nada convencia Chris a se levantar.

Alguns homens que estavam escorados sobre o balcão, conversavam, enquanto olhavam na direção dos três amigos e bebiam suas cervejas.

—Olha, no pouco tempo que estamos aqui, já vi uns três carinhas te dando mole, é sério que vai ficar de cara fechada e não vai ir dançar com nenhum deles? —Emmet perguntou, quase perdendo a paciência. —Eu queria ter esse dom, por onde quer que você passe os caras viram a cabeça pra te olhar!

—Os caras daqui me dão tédio. —Christopher rodou a cadeira giratória, encarando a pista de dança e as pessoas dançando freneticamente.

—Só porque você nasceu bonito e bem dotado, não significa que deve esculachar as outras pessoas. —Afirmou Emmet, dando um gole na bebida recém pronta.

—Quer ir dançar, Emm? —Michael o chamou.

—Quero, mas também não quero perder ele de vista. —Cruzou os braços. —Não vou me mexer até o Christopher levantar essa bunda deliciosa do banco!

Emmet e Michael notaram um homem alto se aproximar do amigo, ele vestia uma calça e regata coladas, assim ficou de frente ao Christopher, que não tirava os olhos da multidão. Chamou-lhe a atenção, perguntando:

—Ei, eu sou Jim. —Passou seu braço detrás de sua cintura. —E você seria?

—Chris. —Levantou uma das sobrancelhas, estranhando a aproximação repentina.

—Quer dançar, Chris?

Notas finais
♕ Uma fanfic yaoi maravilhosa que estou lendo no momento: ~> https://fanfiction.com.br/historia/640090/Como_Polos_Opostos/