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11 Capítulo 11 — Descobertas.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 11 — Descobertas.

Narrado por Theodore

Meus olhos curiosos acompanharam Christopher até sua porta de entrada, fiquei receoso em ir até lá. Ouvi algumas conversas e logo dois rapazes adentraram sua sala de estar.

Christopher me chamou e Susannah me seguiu.

Ele me apresentou aos seus dois amigos: Emmet e Michael; embora eu havia criado uma imagem para eles em minha cabeça, eles eram totalmente diferentes do que eu havia imaginado.

Por Christopher dizer que Emmet era o mais “alegre”, pensei que ele usasse roupas chamativas, coladas, ou coloridas, mas se vestia normalmente, e mesmo sendo mais alto, aparentava malhar como Christopher, seus cabelos castanhos ondulados combinavam com ele; porém Michael era um pouco mais baixo, de cabelos negros e tinha um olhar realmente cativante.

—Esta é Susannah, melhor amiga do Theodore, ela está nos visitando por um tempo, logo voltará para sua cidade natal... —Christopher sorriu. —E este é Theo, meu namorado...

Ao ouvir a última frase, meu coração quis pular para fora do meu corpo e dançar oppa gangnam style.

Um sorriso involuntário dominou meu rosto.

—Ele é uma gracinha! —Emmet escandalizou.

—Não é? —Chris apertou minha bochecha.

Como se não bastasse, todos olharam para mim e riram, senti minhas bochechas fervendo, como se todo o meu sangue subisse para o meu rosto.

Em compensação, aquele clima estranho foi quebrado por uma pergunta de Michael:

—Mas então, você é de onde, Susannah?

—Roseville¹!

—Nunca ouvi falar, é perto?

—São cento e setenta quilômetros daqui, isso dá algumas horas de viagem, principalmente quando se vem de ônibus... —Ela riu. —É cidade vizinha de Sacramento²!

—Ah, Sacramento eu conheço!

—Ei, querem comer alguma coisa? —Christopher indagou.

—Tem cerveja, aí? —Emmet caminhou até a cozinha.

—Tenho sim, na geladeira!

Observei aquele comportamento, Emmet abriu sua geladeira sem pedir permissão, e Chris não se incomodou. Eu tinha vergonha de absolutamente tudo que era relacionado ao Christopher, mas seus amigos pareciam tão à vontade...

Estariam habituados a visitar seu apartamento?

Uma pontada de ciúmes me invadiu, mas aquilo era infantil, eu não poderia pensar coisas ruins de pessoas que Chris gostava tanto, seria egoísmo de minha parte.

—Amor, o que foi? —Christopher me despertou.

—Hã?

—Que cara é essa?

—N-Nada! —Gaguejei.

—Mesmo? —Ele se aproximou, colando sua testa na minha, segurando nas laterais do meu rosto.

Desviei o olhar, não conseguia olhar no fundo de seus olhos.

Foi então que recebi um beijo delicado, com gosto de menta, senti a língua de Chris massageando o interior da minha boca; mas não demorou muito para que eu sentisse o sabor ainda mais forte, foi então que reparei que ele chupava uma bala, e passou-a para mim.

Christopher se afastou quando o chamaram, e por um momento, quis agarrar a camiseta que ele usava, e pedir por mais.

—Deixa o garoto respirar! —Emmet brincou. —Vocês terão muito tempo para brincadeirinhas quando formos embora...

—Nossa, como você é inconveniente... —Michael passou a mão na testa, em reprovação.

—Poderia pelo menos fingir que você é educado? —Chris franziu o cenho. —Theodore ainda não está acostumado com essas brincadeiras...

—Então é melhor que ele acostume desde já, quero levá-lo ao Castro!

—Castro? —Perguntei, curioso.

—Não queira saber... —Christopher suspirou. —Emmet, cala a boca.

—Nunca ouviu falar?! É o bairro inteiramente gay aqui de São Francisco, você tem que ir!

—Eu não sei se gostaria... —Murmurei.

—Como assim?! Christopher adora! Você tem que ir dançar com a gente para mudar de ideia!

—Emmet, já chega. —Chris fechou a cara, parecendo realmente irritado.

—Ah, faz tanto tempo que você não sai para dançar, temos que combinar um dia, pelos velhos tempos...

“Velhos tempos?”

Meu coração apertava dentro do meu peito, não estava gostando de ouvir tudo aquilo, e mesmo que fosse verdade, eu não queria acreditar que Christopher frequentasse esses lugares...

Mordi a bala que estava na minha boca com tanta força que meus dentes doeram.

Susannah me olhou, parecendo não entender absolutamente nada do que estava acontecendo. Michael parecia incomodado com aquilo também, mas Emmet não percebia os olhares indiscretos dos amigos, ou simplesmente não queria ver.

—Sabe o que eu mais gosto no Castro? O Café Flore! —Emmet continuou, se exaltando. —Lembra que a gente ia lá? Aqueles caras lindos nos servindo só de roupa íntima era realmente excitante!

O que era para ser uma agradável reunião de amigos, estava se tornando insuportável. Meu peito apertava demais, mas eu não tinha coragem de fazer aquele cara parar de falar, principalmente porque eu queria ouvir um pouco mais da história de Chris.

Por que ele não havia me contado isso?

Tudo bem que eu não era o cara mais sincero do mundo, mentindo de uma coisa tão importante, mas ele também escondia coisas de mim, e ainda dizia que não gostava de lugares movimentados! Que babaca!

Senti os olhos de Christopher sobre mim, e ele ao ver minha expressão abatida, se levantou, e caminhou até Emmet.

—Cala essa boca...

—Chris, se acalma. —Michael se aproximou, preocupado.

—Fica fora dessa, Mikey.

—O que eu fiz de tão errado? —Emmet ironizou.

—Está fazendo meu namorado se sentir mal, e eu quero que pare agora mesmo.

—Se sentir mal? —Ele soltou uma gargalhada estrepitosa, que me irritou ainda mais.

Christopher não teve coragem de avançar em seu amigo, eu também não queria que ele fizesse aquilo. Deu dois passos para trás e veio em minha direção, mas nada disse, seus os olhos mostravam uma agonia imensa.

Se ele havia ficado tão incomodado, então significava que aquilo tudo era verdade?

Uma agulhada invadiu meu coração, o ciúme crescia...

—Espera, quer dizer que você realmente não sabia dessas coisas? —Emmet indagou, um tanto cínico.

—Não, ele não sabia. —Christopher afirmou.

Michael se afastou e tomou uma cerveja de dentro da geladeira.

Eu continuei parado, sem saber o que falar, muito menos como agir, Chris me puxou, para que eu me sentasse ao seu lado, no sofá.

Eu esperava que ele se abrisse comigo naquele momento, mas ele não fez isso, e também não me deu explicações, somente passou o braço em torno do meu ombro e aproximou nossos corpos.

—Senta aí, Susannah!

Ao pedido de Christopher, ela caminhou até a poltrona e se acomodou. Seus amigos ligaram a televisão, e se sentaram no sofá do outro lado da sala.

Logo conversas dominaram o silêncio de minutos atrás, todos pareciam ter esquecido o escândalo que aquele tal de Emmet havia feito.

Eu não havia gostado dele de início, mas percebi que ele não estava em sã consciência, e antes mesmo que eu tirasse mais conclusões, Michael revelou que o amigo havia bebido um pouco antes de irem ao apartamento.

Chris também parecia não ter guardado rancor do que tinha acontecido, então pensava se aquilo o que eu sentia, seria infantilidade da minha parte.

Tentei ao máximo relevar aquilo tudo, mas meu peito ainda doía, eu queria que Christopher me dissesse o que estava acontecendo.

As horas se passaram, e ainda assim não tive um tempo a sós com Chris, pois os amigos dele não deixaram. Emmet e Michael dividiam um salgadinho, e eu já havia perdido a conta de quantas garrafas de cervejas eles já haviam tomado.

Não estava me sentindo bem naquele ambiente, porque Chris também havia bebido, e eu não conseguia conversar direito com ele, pois ele ficava me acariciando em lugares indevidos, e me puxando para sentar em seu colo, tudo isso na frente de seus amigos.

Eu olhei para a Susannah, que compreendeu o que eu pensava sem que eu precisasse dizer nada. Ele estava bêbado.

Embora a consciência de Christopher não tivesse sido afetada, e ele ainda falasse normalmente, estava mais desinibido que o normal, e eu não queria continuar ali.

Levantei-me e Susannah me seguiu, Chris me olhou confuso, e perguntou:

—O que foi?

—Estamos indo. —Respondi.

—Já? Mas é tão cedo...

—Prometi para minha mãe que jantaríamos em casa hoje, desculpa.

Christopher caminhou em minha direção, parecendo chateado, e sem dizer nada, me acompanhou até a entrada de seu apartamento.

—Tem certeza que precisa ir? —Ele perguntou, destrancando a porta.

—Tenho sim. —Olhei em seus olhos, que estavam tristes.

—Então tudo bem...

—Ei, vou deixar vocês se despedirem, tá? —Susannah abriu a porta. —Theo, vou te esperar no hall...

Chris olhou-a sair e encostou a porta em seguida.

Sem pensar duas vezes, atacou meus lábios com força, puxou meus cabelos, e prendeu-me contra a porta, encostando seu corpo no meu. Grunhi pela força que suas mãos me agarraram, eu não conseguia me mexer, e me esforçava para tentar levantar meus braços, pois queria abraçá-lo.

Quando finalmente consegui, levei minhas mãos até suas costas, e apertei o tecido de sua roupa. Sua boca sorveu minha língua, mordendo-a e se deliciando de minha saliva, e ele esfregou mais uma vez seu corpo contra o meu.

—Eita! Chris! Assim você engole o garoto!

Christopher mordeu meu lábio com força pelo reflexo do susto que Emmet nos deu, e nos afastamos.

—Ai! —Gritei.

—Theo, te machuquei?! —Chris pareceu preocupado, e logo voltou-se para Emmet. —Tá vendo o que você fez, infeliz?

—Eu não fiz nada! —Protestou.

—Ah, bom... Eu já vou indo. —Falei, constrangido. —Até mais.

—Espera, Theo.

—Hum?

—Deixa eu ver isso... —Christopher me puxou, segurando minha cabeça. —Abra a boca.

Obedeci, e logo me lembrei de quando estávamos no bosque, e ele mordeu minha língua, mas não deixou de se preocupar comigo.

—Não é nada demais, viu? —Falei.

—Desculpa mesmo, não vai acontecer de novo, eu espero. —Ele riu.

—Eu não me importo se acontecer. —Sorri para ele. —Mas eu tenho que ir agora, Su está me esperando...

—Quer carona?

—Eu vou de táxi, além do mais, você sabe que acabou de beber.

—Ei.

—O quê?

—Eu te amo.

—Eu também...

Nos despedimos com um beijo rápido e um abraço. Olhei para ele uma última vez, e assim saí de seu apartamento, sorrindo.

Ainda com a cabeça nas nuvens, fui procurar Susannah, e ao encontrá-la, saímos do residencial e caminhamos para o centro da cidade.

Assim que pegamos um táxi, não demorou muito para que minha mãe me ligasse, e fiquei receoso em atender, estava com medo de ela estar nos procurando no shopping.

—Alô?

—Theodore, o que você tá fazendo?

—Voltando pra casa, em um táxi, não vou demorar muito.

—Mas porque não me avisou antes?! Eu teria ido buscá-los!

—Não era necessário, mãe...

—Mas é claro que era!

—Não tem mais volta agora, quer que eu desça, por acaso?

—Não demorem. —Ela bufou.

Desliguei a chamada.

—Ela ficou muito brava? —Susannah perguntou.

—Só contrariada.

—Você não presta. —Ela sorriu. —Theo, é só impressão minha ou Christopher estava estranho?

—Não é impressão, ele bebeu demais.

—E o que foi tudo aquilo que Emmet disse? Você não sabia mesmo?

—Não. —Suspirei. —Eu só queria que Chris tivesse me dito algo, não queria descobrir coisas sobre ele pelos seus amigos...

—E o que você vai fazer agora?

—Eu não sei, de certo modo, não estou bravo, mas queria saber o porquê de ele ter escondido aquilo de mim.

—É verdade, você não pode ficar bravo com ele por esconder isso, sendo que você esconde algo maior.

—Obrigado por jogar isso na minha cara, acha que eu não sei?

—Desculpa...

—De qualquer maneira, você está certa.

Conversamos por pouco tempo e logo chegamos em casa, paguei o taxista e entramos em casa. Senti um cheiro gostoso vindo da cozinha, eu e Susannah caminhamos até lá, e vimos minha mãe arrumando a mesa.

—Tia Alba, quer ajuda?

—Não se preocupe Susannah, Theodore me ajudará a ajeitar a mesa.

—Eu vou? —Perguntei.

—É claro, termine isso pra mim.

Susannah segurou a risada, mas por fim, ela acabou me ajudando. O jantar foi servido sobre a mesa, e nos sentamos todos juntos.

—O que vocês fizeram de bom no shopping? —Minha mãe perguntou.

—Fomos ao cinema. —Menti. —E depois comemos na praça de alimentação.

—E eu fiquei atolada de trabalho. —Ela riu. —É a minha diversão.

—Não sei como você pode ser tão viciada em trabalho... —Falei.

—Querido, quando você entender que você é capaz de provar os crimes de alguém, e ver pessoas culpadas indo pra cadeia, ficará viciado tanto quanto eu, como naquelas séries de tribunal.

—Você assiste essas séries? —Ri debochado.

—Assistia nos meus tempos livres, mas no momento não consigo mais.

—Eu gosto muito de assistir séries também, ou filmes inspirados em livros. —Susannah afirmou.

—Nós poderíamos fazer uma matinê aqui em casa. —Minha mãe falou.

—Isso ainda existe, mãe?

—Você está cheio de gracinhas hoje, hein?

O jantar prosseguiu normalmente, e por fim, a ideia de fazer uma “matinê” em casa, foi aceita por Susannah, e não tive escolha, a não ser ficar calado e ouvir aquelas duas escolhendo quais filmes assistiriam em casa.

...

No outro dia, como era domingo, minha mãe não se preocupou tanto com trabalho e finalmente fez a matinê que ela queria tanto. Ao menos tinha pipoca doce e salgada, e ela também comprou balas e chocolates.

Ficamos todos na sala, assistindo a maratona de filmes que elas tinham escolhido, e mesmo que eu me esforçasse para prestar atenção, estava com a cabeça longe, pensando em Christopher.

Ele não deixava de me mandar mensagens, mas eu não conseguia respondê-las, ele agia como se nada tivesse acontecido ontem, nem mesmo tocou no assunto, e isso me deixava chateado.

O domingo todo foi monótono, e durante os filmes, ficava relendo as mensagens de Christopher em meu celular.

Se passaram dois dias desde então, eu não tinha falado mais com Chris, embora ele ainda me mandava algumas mensagens, eu não as respondia, ainda estava pensativo com tudo que tinha ouvido em seu apartamento.

Estava combinado que Susannah ficaria em minha casa até o próximo fim de semana, mas seus pais ligaram, e insistiram para que ela voltasse mais cedo.

—Mas ainda não entendi, por que eles querem tanto que você volte? —Perguntei.

—Minha mãe disse que cinco dias já está mais do que suficiente, ah, que bruxa...

—Não fica assim, logo eu apareço por lá.

—Promete?

—Vou tentar!

Era terça-feira, e eu a ajudava com as malas; mas eu estava um pouco triste porque ela estava indo e não havíamos aproveitado muito bem o nosso tempo juntos.

Minha mãe a levou para o terminal, e nos despedimos dela. Durante o caminho todo, olhei para a janela do carro, pensando se ela retornaria até o final das férias, mas era praticamente impossível.

Senti meu celular vibrando dentro do bolso da calça, peguei-o e era uma ligação de Christopher, meu coração disparou, eu não podia atender dentro do carro, então recusei a ligação, torcendo para que minha mãe não reparasse.

Ele tentou ligar quatro vezes seguidas, e quando foi a quinta vez, já havíamos chegado em casa, então eu corri para o meu quarto, e finalmente pude atender.

—Alô?

—Theo! Graças a Deus! Eu estava quase desistindo! —Chris se exaltou. —Por que está me evitando?

—Eu não estou te evitando... —Murmurei.

—Faz tempo que tento falar com você, mas você nunca me responde, o que tá acontecendo?

—Eu estive ocupado, não é nada pessoal.

—Theodore, é sério, precisamos conversar...

Notas finais
Roseville¹: é uma cidade localizada no estado norte-americano da Califórnia, com quase duzentos mil habitantes. Sacramento²: é a capital do estado norte-americano da Califórnia, com quase quinhentos mil habitantes. Observação: O bairro inteiramente gay de São Francisco, que se chama Castro, existe, e Café Flore fica dentro dele. ─▪▪▪─ - - - ─▪▪▪─ - - - - - - ───▪♕▪─── - - - - - - ─▪▪▪─ - - - ─▪▪▪─ Daqui uns dias, na quarta-feira, 15/07 será meu aniversário! Yay!