Fade

2 Coincidência


Notas iniciais
Então. Os capítulos seguem a ser postados normalmente nas segundas e sextas mas como o piloto foi bem pequeno eu decidi postar o segundo capítulo hoje. Espero que gostem amores. Aliás agora também postarei a história no spirit.

Pois é. Primeiro dia de aula. Último ano. O Que significa que daqui há exatos 365 dias eu provavelmente vou estar em Paris tomando chá. Ou em alguma faculdade de medicina. Dá no mesmo. Desde que eu não esteja aturando tanta gente insignificante ao meu redor vai ser um paraiso. Provavelmente a única pessoa que eu amo nesse momento é a Natalie. Ela é a única pra quem eu contei sobre a minha sexualidade. Ou melhor. Não contei né. Com 7 anos ela descobriu um poster da Hannah Montana na minha gaveta de cuecas. Ela aceitou numa boa até. Natalie sempre foi o tipo de pessoa que não se importa com o que os outros façam das suas vidas portanto que não afete a sua e deve ser por isso que nós nos identificamos tanto um com o outro. Meus pais pensam que eu e ela nos pegamos e nós resolvemos nos aproveitar disso pra evitar que eu fosse questionado sobre namoradinhas nas festas de família e então quando eles perguntam sobre a Nat eu posso dizer claramente que ela é maravilhosa sem precisar mentir. Ela não tem muito um estilo fixo. Digamos que ela usa o que se sentir confortável com. O Cabelo dela é quase tão longo quanto as temporadas de Friends. E É Loiro também. No ensino fundamental eu costumava chamar ela de Rapunzel. E Eu acho que a torre dela foi construída pela própria. A Nat nunca namorou alguém. Eu também não mas isso se deve ao fato de que não há muitos gays por aqui. E Sempre que eu pergunto a ela sobre estar envolvida num relacionamento ela me diz que os seus únicos planos em mente são se formar e se tornar a melhor psicóloga da nossa geração. Acho que romance não é a dela. Nem a minha pra falar a verdade. Mas eu gostaria de saber como é se apaixonar. Sei lá. Gostar de alguém e sentir seus pelos arrepiarem quando ouvir algo romantico vindo dele. Mas meu foco é somente em sair daqui. Vivo apenas com meus pais e minha irmã Elise que é mais velha do que eu por duas semanas. Meus pais sempre foram muito religiosos então eu tive uma infância e uma adolescência meio complicada. Eu sempre quis colecionar bonecas e comprar revistas que contiam testes como qual seria seu namorado na Saga Crepúsculo. Mas meus pais me matariam se me vissem com alguma dessas coisas. Porém isso nunca me impediu de passar fins de semana na casa da Nat aonde nós faziamos um jantar pra Barbie e depois maratonavamos o clube das Winx. Minha irmã e eu nunca fomos muito chegados. Quando entramos na mesma escola no ensino fundamental fomos divididos por classes. Os meninos desajeitados que só tinham talento pra matemática e as meninas bonitas que os metidos a jogadores de basquete queriam chamar de namoradinhas. A Propósito eu odeio matemática. Basquete também. Ao contrário da Nat ela nunca curtiu ter o cabelo longo e sempre anda com o seu clássico rabo de cavalo. Uma vez ela me pegou secando o nosso vizinho gostoso e eu fiz ela prometer que não contaria nada aos meus pais. Tive que limpar o quarto dessa chantejeadora por duas semanas.

Já eram 07h da manhã e depois de voltar de uma estranha aventura no Shopping com um garoto desconhecido que quase me fez ser preso eu fui surpreendido pelos gritos da minha mãe ao descer para tomar café.

— ONDE É QUE VOCÊ PASSOU A NOITE? NÓS MORREMOS DE PREOCUPAÇÃO E SEU CELULAR ESTAVA ONDE? NO SEU QUARTO — Gritou
— Calma. Relaxa. Eu só estava na casa da Nat. Nós pegamos a última sessão de um filme qualquer no cinema e como já estava muito tarde ela me convidou pra ir dormir na casa dela.
— E Os pais dela não se importaram com vocês dois dormindo no mesmo quarto?
— Nós não fizemos nada. Ela [...] não tá pronta. Digamos. — Solto uma pequena risada debochada
— E Então? Onde estava? — Perguntou meu pai com sono
— Ele disse que passou a noite com a namorada. Aquela tal esquisitinha lá. Nicole. — Comentou minha irmã
— Natalie — Interrompi
— Esse é o meu garoto — Ele sorriu pra mim
— Josh? Isso são modos de influenciar o nosso filho a fazer uma besteira antes que esteja comprometido com essa menina? — Resmungou minha mãe
— Calma amor. Foi só uma brincadeira. — Ele piscou

Comi um último biscoito amanteigado e corri para a escola chegando lá [...]


— Atrasado. Sabia. — Disse Natalie
— Calma. Nem te conto o que me aconteceu depois que você saiu.
— Não me diga que foi assaltado?
— Se não tem gays por aqui eu devo estar certo de que não tem fãs da Rihanna também.
— Engraçadinho. O Que aconteceu?
— Bom. Digamos que eu fiquei preso no shopping. Não sei o que me deu na cabeça mas eu esperei por alguém sair de um banheiro trancado por 25 minutos.
— C-COMO?
— Pois é. Tinha um garoto também.
— Hum. Um garoto é? Tá querendo dizer que esse shopping era na verdade um clube noturno?
— Não. Que ideia. Era um hétero do time de basquete. Ele estuda aqui também. E Teve a mesma ideia idiota de esperar pelo banheiro. Ficamos presos juntos e [...]
— E Rolou algo? — Ela me interrompeu
— O Que? Não. Acabei de dizer. Hétero. Sabe. Bolas de futebol. Garotas peitudas. Eminem. Ilha da macacada.
— Tá tá. Só estava brincando. Mas enfim. Você tá bem?
— Sim. Até que foi divertido. Acho que eu o julguei precipitadamente. Ele é uma boa pessoa.
— Hum. Sei.
— Cala a boca. — Rimos

Fomos direto para a primeira aula de física e sentamos um ao lado do outro como sempre fizemos

— E Aí bichinha. Como foram as férias chupando pintos? — Provocou um garoto que estava sentado atrás de mim
— Acho que ele tava ocupado demais chupando a vagina da sua mãe. Seu pai não tem mais disposição pra isso né. — Disse Natalie furiosa
— É O Que sua vadia? Olha como fala do meu pai. Ele fez esse pinto aqui que te deixa rasgada numa questão de segundos.
— JÁ CHEGA! — Gritou a professora de física entrando na sala de aula
— Te pego depois de aula seu viadinho. E Se der sorte pego sua amiguinha também. Mas pode ficar tranquilo que eu vou pegar os dois de diferentes maneiras. Sei que você tá louco pra dar uma mamadinha no meu pau aqui. — Sussurou o idiota no meu ouvido

Tentei ignorar a ameaça para não ter um ataque de pânico pois sabia que se aquilo chegasse a diretoria meus pais iriam me matar antes desse troglodita me encontrar na rua. Depois da aula fomos direto a caminho da lanchonete mais próxima da escola e para o nosso azar batemos de frente com o time de basquete e lá estava o idiota que havia prometido me fazer engolir as bolas sujas dele.

— Tá pronta pra me chupar sua vagabundinha? — Disse ele para Natalie
— CARTER. Deixa eles em paz agora seu idiota. Já falei pra não mexer com a porra do meu irmão. Sabe o problema que vou ter se descobrirem que meu irmão levou um soco na cara e eu não fiz nada pra impedir? Que merda — Gritou Elise chegando ali perto
— Calma gata. Só estava brincando com essas mariconas.
— Não sou sua gata. E Quero você longe daqui. Ou então acho que meu namorado vai ter que desclassificar alguém do time no jogo desse sábado. — Ameaçou ele fazendo que todos ali fossem embora
— Nossa. Obrigado. — Disse
— Sei de uma forma que pode me agradecer.
— Vish. Lá vem. Vou indo então. Depois dessa perdi a fome. Falo com você mais tarde Ad. — Disse Natalie
— Ok amore. Até mais.
— Então [...] sobre a recompensa.
— O Que quer de mim Elise?
— Bom. Não é nada demais. Amanhã na terça eu vou organizar um jantar pra que nossos pais conhecem meu namorado e eu gostaria que estivesse presente e fosse gentil com ele. Sabe. Pra causar uma boa impressão.
— E Eu vou ter que fazer algo nesse jantar além de comprimentar sua nova vítima e comer macarronada ou vou ter que beijar os pés dele também?
— Só se entupir de macarronada.
— Beleza então. — Disse me distanciando e voltando pra casa.

Já era terça e finalmente chegou o tão esperado dia. Eu iria finalmente assistir a season finale de Teen Wolf. Ah. E Tinha o maldito jantar da minha irmã também. Ela me pressionou durante toda aquela segunda querendo ensaiar falas pro garoto. Me pediu até pra usar uma gravata borboleta. Quem é que usa uma gravata borboleta na própria casa? Eu vou comer macarrão ou vou jogar um buquê de macarrão no caixão de um enterro?

— Você não tá pensando em descer com essa roupa né Adam. — Disse Elise
— Ué. O Que tem de errado com essa camiseta e essa bermuda?
— Não são nada [...] presidenciais.
— Sinto muito te informar mas eu estou na minha própria casa descendo pra comer macarrão e não indo ao debate do Temer.
— Nesse caso eu acho que não vai se importar de eu pedir pra que o Carter espalhe pra escola toda que você tem um poster do Chris Evans sem camisa debaixo da sua cama né?
— Que merda Elise. Vai se fuder. Sai daqui que eu vou me trocar.
— Maravilhoso. Te vejo lá em baixo.
— Queria que fosse no inferno. — Resmunguei

Desci vestido igual a um dos manequins de principes de festas de quinze anos e finalmente ouço alguém batendo na porta

— Elise. Sua carruagem chegou e trouxe o sapatinho de cristal. Ou uma bola de basquete. — Debochei
— Cala a boca sua peste. Acho melhor tomar cuidado com o que diz.
— Meninos! — Interrompeu minha mãe
— Pai e Mãe. Adam. Quero que conheçam o meu namorado Daniel.

Me senti um pouco gélido naquele momento. Era aquele mesmo garoto do shopping. Fiquei um pouco tímido e sem falas. Acho que nunca senti tanta vergonha em toda a minha vida. Por um momento eu pensei em cumprimentar ele como se nunca tivessemos nos visto antes. Mas no calor do momento a única coisa que fiz foi subir as escadas correndo e ligar pra Nat enquanto ele me olhava um pouco surpreso.

— NAT. TEM QUE VIR PRA CÁ. TIPO. AGORA. TO EM PÂNICO. ME AJUDA. — Gritei no celular
— Tá. Primeiramente. Respira fundo. Eu sei que o Dylan é muito gostoso. Já assisti a season finale.
— NÃO. Quer dizer. Sim. Ele é. Mas não é por issso. Tem uma pessoa aqui.
— Talvez não ter assistido Cavalheiros da Morte ontem tenha sido uma boa. Tá vendo espiríto é?
— Só se for o espiríto do jogador de basquete que dormiu comigo dentro de um Shopping
— MENTIRA. Ele foi te procurar?
— NÃO. AMORE. ACORDA. Ele é o namorado da Elise.
— CARALHO. Aquele que foi aí pra jantar?
— Sim. Meu deus eu sou tão fudido. Não quero descer lá. E O Pior é que eu to tipo morrendo de fome.
— Sinto muito mas não posso ir aí agora. Eu to presa na festa de aniversário da minha irmã mais nova.
— Aquela do jeans roubado?
— Emprestado. Sim. Ela mesma.
— AFF. Eu te odeio sua imprestável.
— Também te amo amore mas tenho que desligar. Amanhã me conta tudo.
— Começando pelo momento em que minha melhor amiga me abandonou pra comer docinho?
— É De morango amore. BYE. — Encerrando a chamada

Eu sei. É Meio idiota da minha parte. Afinal. Não aconteceu nada. Mas algo nele me faz me sentir estranho. Como se eu estivesse feliz e tímido. E Tipo. Isso é muito escroto. Então o melhor que eu tinha a fazer era esperar ele ir embora.

— Ué. O Que aconteceu? Tá passando mal? Exijo uma boa desculpa pra ter feito esse vexame lá em baixo. — Disse Natalie abrindo a porta do meu quarto
— Eu só subi. Não tava me sentindo bem. Me desculpa ok. Depois eu desço lá em baixo pra comer porque minha barriga tá roncando.
— Tá então.
— E Como foi com o [...] é [...] como é mesmo o nome dele? — Disse sonso
— Daniel. Foi ótimo. Os pais dele não estão em casa pois viajaram para Londres num evento e os nossos pais convidaram ele pra passar a noite aqui.
— Que confiavéis.
— Bom. Você passou a noite na casa da Nat sem a supervisão deles e ficou por isso mesmo. E Além do mais eles estão aqui do lado.
— Mas é diferente.
— Diferente como?
— Nada. Esquece.
— Bom. Melhoras. Boa noite. Espero que se encontrem de manhã.
— É. Eu acho que vou sair bem cedo amanhã. Tenho um projeto com a Nat. Mas boa noite.

01h da manhã e eu finalmente parei de ouvir vozes lá em baixo. O Que significa que todos foram dormir e eu finalmente poderia matar essa fome agonizante. Então cheguei lá e me sentei para comer quando ouvi um resmungo.

— MERDA. — Disse Daniel
— Oi? — Disse intrigado
— Eu pisei em algo. Acho que meu pé tá sangrando. — Acendi a luz e olhei o pé dele ensanguentando depois de pisar num caco de vidro
— Meu deus. Senta aí. Eu vou pegar o kit de primeiros socorros. Volto num minuto.
— Não. Não precisa. AI.
— É. Eu acho que precisa sim. — Disse cuidando da ferida
— Você [...] é [...]
— O Garoto do shopping? É. Digamos que sim.
— Adam não é? Um prazer te ver de novo.
— Bom. É Um prazer também. Talvez nem tanto visto que estamos numa situação bem desconfortável. Você está com uma hemorragia no pé e eu estou com um buraco no estômago.
— Vi você subindo as escadas quando cheguei. Por que não se juntou a nós no jantar?
— Digamos que eu não estava muito confortável. E Você? O Que faz aqui essa hora?
— Eu [...] vim [...] buscar um copo d' água.
— Hesitou bastante.
— Pois é. Acho que não estava me sentindo muito confortável também.
— Nunca dormiu fora de casa?
— Várias vezes. Quer dizer. Desde que eu entrei no time de basquete o pessoal do time sempre me convida pra acampar e coisas assim.
— Então?
— Eu e a sua irmã [...] tivemos um contratempo.
— De que tipo?
— Nós iamos [...]
— Jesus.
— Calma. Não fizemos nada. Mas ela queria e eu [...]
— E Você não?
— Eu nunca [...] fiz.
— Tá brincando comigo?
— Não. Eu realmente sou virgem.
— Nossa.
— Deve ser difícil pra alguém que tem namorada há tanto tempo entender isso. Sua mãe me contou sobre a Nat. Eu aposto que vocês já [...]
— O Que? Não. Nunca. Eu não fiz também.
— Então por que ficou tão impressionado comigo?
— Porque tipo você é um dos garotos mais desejados da escola e eu sou. Bom.
— Você é?
— Digamos que eu não faço o estilo dessas garotas.
— Mas você não é nem um pouco feio
— Eu sou gay ok. Por favor. Não conte a ninguém.
— Ah. Sim. Desculpa. Eu realmente não fazia ideia. Seus pais [...]
— Não. Não sabem. E Eu espero que nunca saibam. Seria a maior decepção pra eles que são extramamente religiosos.
— Eu não tenho nada contra só pra você saber.
— Isso é bom não é — Disse enrolando uma faixa no pé dele
— Não tão bom quanto esse curativo. Onde aprendeu?
— Sabe quando me disse que o basquete era seu sonho? Então. Digamos que eu tenho um sonho também. Medicina.
— Que incrível. Eu tenho certeza de que você vai se tornar um grande médico.
— Sabe [...] se serve de consolo eu acho que você deveria ser honesto com a minha irmã. Diga a ela que não tá pronto. Você é incrível e não merece levar um chute por conta de um mal entendido.
— Eu não diria algo diferente de você — Disse ele sorrindo e com os olhos tão brilhantes quanto uma chuva de glitter
— Bom. Então eu acho que vou deitar. Foi ótimo falar com você Daniel.
— Pode me chamar de Dan — Disse ele agarrando a minha mão — Ah. Desculpa. Já não é a primeira vez que faço isso.
— Não [...] tem problema — Disse eu admirando o seu olhar brilhante
— Acho que me sinto confortável quando estou com você. É Meio bobo né. — Solta uma pequena risada — E Segurar sua mão é uma maneira de saber que estou [...] seguro. — Disse ele com o toque mais suáve que eu já senti em toda a minha vida ainda agarrando minha mão
— Sempre que precisar eu estou aqui. — Digo com uma expressão amigável me distanciando dali
— ADAM
— Olá.
— Obrigado.
— Pelo curativo ou pelo conselho?
— Por ter feito com que os boa noite que recebi fossem verdadeiros.

Acho que um boa noite naquele momento não seria nada mais do que falso. Porque boa não chegava nem perto do quão maravilhoso aquele momento tinha sido.

Notas finais
E Aí? Gostaram amores? Confesso que to ansioso as fuck pra saber as reações então se puderem comentem ♥