Fade
1 A casa
Notas iniciais
O portão range quando a pequena garota o abre, suas mãos tremendo devido ao terror que aquela casa transmitia. Queria fugir, correr dali, porém era o único lugar que sabia que aqueles dois não a procurariam. Tentando controlar sua tremedeira, abre a porta quase destruída, dando uma última olhada para a rua deserta e o céu estrelado, sem lua alguma.
Engolindo em seco, adentra a casa, fechando a porta. Vários móveis estavam revirados, cobertos por uma camada espessa de pó, porém nada de aterrorizante como a pequena imaginava.
Aliviada, começa a caminhar pela casa lentamente, olhando cada canto escuro. Com certeza não seria encontrada ali.
Chega até uma escada, estava curiosa, queria subir e ver se haviam fantasmas nos quartos. Sim, fantasmas eram menos assustadores do que havia visto naquele dia. Após subir a escada, vê um longo corredor com diversas portas. Hora de explorar.
A cada passo que dava, notava que o ambiente estava esfriando, porém não deu muita bola para isso, até que o frio era tanto que começou a tremer. Abraça a si mesma em uma tentativa de se aquecer, que foi em vão.
O piso atrás de si range.
Uma respiração pesada soa.
Assustada, se vira, entretanto não havia nada. Deveria ser sua imaginação.
Até que se vira para retomar sua exploração e encontra apenas escuridão. Assustada e confusa, olha para todos os lados, encontrando apenas aquela escuridão.
E olhos vermelhos a encaram de volta de dentro da escuridão.
Com um grito estrangulado, a pequena tenta correr, porém tropeça nos próprios pés e vai ao chão. Tentando se levantar, vê que os olhos estavam se aproximando cada vez mais. Tinha que fugir dali, não podia deixar que ele a pegasse.
Engatinhando, tenta se distanciar dele, todavia parecia que estava apenas se aproximando ainda mais.
—Haku…—uma voz melancólica soa, fazendo-a paralisar de medo. Conhecia aquela voz –Não quero que me odeie, mas esse é o único jeito…
Antes que pudesse sequer abrir a boca, ela sente algo agarrar seus braços, os olhos vermelhos ficando a um palmo de distância de seu pequeno rosto. Era o seu fim.
Algo brilha na escuridão e atinge seu olho direito. Com um grito de dor, sente o sangue jorrando, descendo por seu rosto.
Aos poucos a escuridão começa a retroceder, largando-a, que vai ao chão, rapidamente formando uma poça de sangue.
Não, aquilo não podia ser real, ele não podia ter feito aquilo. Não ele.
Com estes pensamentos, vai perdendo a consciência, ouvindo os grasnar de corvos ao redor.
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