Factory Boy
3 É esperado que tentemos ser reais
Meses se passam como se fossem dias. Eu já fazia parte do grupo, estava lá, rindo, andando nos bastidores dos shows. Percebi que ao passar tanto tempo, começou a existir uma irmandade entre nós, começamos a ficar íntimos. Lembro-me que em uma das nossas viagens, em uma cidade pequena, decidimos fazer uma festinha. Bebemos muito e usamos drogas, cocaína era uma das drogas mais fáceis de ser obtida. Não foi a primeira vez que usei droga, mas mesmo sabendo do efeito, eu sinto como se fosse a primeira vez. Foi formada seis filas daquele paraíso, eu só precisava cheirar para esquecer de tudo e de todos, apenas por um momento, eu conseguia acalmar a minha mente. As horas se passam. Olho para o relógio tentando identificar as horas, mas ele se deforma diante dos meus olhos, tudo está desacelerado, as risadas estão perdendo a velocidade, e o mundo ao meu redor se torna gelo.
Quando estamos na estrada, como qualquer outro ser humano, possuímos necessidades. Sexo, sexo, sexo. É o que estava na minha mente, na mente de cada um. Eles não sabiam que eu já tinha feito sexo com homens e que para mim isso não era problema, para mim não me importo com rótulos, apenas vejo a pessoa, se eu gostar de como é essa pessoa, para mim estará ótimo. Enquanto meu olhar percorria por cada um, eu esperava que alguém se manifestasse primeiro, fizesse algum movimento. Percebi que essa não era a primeira vez que eles ficaram íntimos. Algo me fazia acreditar que alguma coisa já havia ocorrido antes. O Vocalista se levantou cambaleando um pouco, desabotoou a calça, tirou a camisa, mostrando um corpo definido visualmente bonito. Ele se aproximou de mim, ficou na minha frente, abaixou a calça juntamente com a sua cueca box branca, olhei bem para o rosto dele, pude ver que em seus lábios estavam formando um sorriso provocativo... E tudo fica desfocado, e a escuridão possui a minha mente. Não lembro bem do que aconteceu depois, mas acho que muita coisa acabou acontecendo. Acordamos todos na cama de casal que ficava dentro do ônibus que usávamos para nos transportar. Todos estavam completamente nus, alguns acordavam sem saber o que tinha acontecido, mas juntavam as peças e sorria, apenas sorria. Como isso aquilo tudo fosse normal, algo do cotidiano.
O ônibus havia parado para abastecer, aproveitamos esse tempo para fazer uma caminhada, comprar algumas coisas, mas eu preferi colocar uma cadeira de madeira retro dos anos 80 juntamente com uma mesa, que provavelmente faziam um conjunto bonito, do lado de fora do ônibus. O tempo estava perfeito para escrever uma nova música. O vento refrescante daquela tarde estava perfeito, ao longe podia-se ver os pássaros voando e cantando.
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