Factory Boy
4 Em nossa vergonha mútua. Nós escondemos nossos olhos.
A inspiração estava abundante em mim. Eu estava parecendo um rio que ia em direção a uma cachoeira que desaguava em um belo lago. Quando já estava terminando a letra, o vocalista se aproximou por trás de mim, lendo por um momento o que já tinha escrito. Não dei muita atenção, pois esse era um hábito não apenas dele, mas de toda a banda. Senti a mão dele descer pelo meu corpo e ir até meu pênis que no mesmo instante se enrijeceu. Ele sussurrou em meu ouvido “Não conte a ninguém sobre a noite passada. Mas caso queira repetir, será so você e eu. Ninguém irá precisar saber. Será nosso segredinho. Não quero dividir você”. Não sei bem como eu poderia interpretar tudo isso, o que eu poderia fazer para sair dessa situação. Esse pequeno monologo, foi o suficiente para acordar o demônio que vivia dentro de mim. Um sádico e cruel demônio que não se importa com mais ninguém. E a sua especialidade são jogos.
Todo o plano já estava arquitetado em minha cabeça antes mesmo que eu pensasse sobre ele. Eu iria fazer ele se apaixonar por mim, fazer ele ficar correndo atrás de mim e depois, iria quebrar o coração dele. Mas não iria fazer algum teatrinho barato, e sim algo realmente pensado, que fizesse ele se sentir como se o “nada” fosse melhor que o “tudo”. O porquê disso tudo? Não sei. Acho que a sensação de ser amado por outra pessoa me desperta isso.
A noite se aproximava juntamente com uma nova cidade. Meu tempo com a banda estava acabando, os dias de correria estavam chegando o fim e isso me deixava um pouco cabisbaixo. O penúltimo show aconteceria nessa noite. Dessa vez fiquei dentro do ônibus esperando todos voltarem, mas mesmo dali eu conseguia ouvir todas as pessoas que estavam no show. Gritando, cantando junto. Era uma mistura de sentimentos.
Já era tarde, estávamos partindo para outra cidade. Todos já estavam dormindo, inclusive eu mesmo, mas fui acordado subitamente pelo Vocalista. Ele estava sem camisa, era como geralmente costumava dormir. Levantei rapidamente pensando que algo de errado tinha acontecido, mas ao olhar em volta percebi que todos ainda estavam dormindo profundamente. Fui até o quarto dele, estava mal iluminado, apenas um abajur iluminava um canto do quarto. O Vocalista fechou a porta atrás de mim e sussurrou no meu ouvido “Eu te falei que você era so meu...”. Eu já sabia qual era o jogo dele, então decidi jogar.
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