Faça-me, Quero Ser Tua.
16 O Mundo Dele. -Cap duplo
Notas iniciais
Adentrei a enorme porta sendo guiada por ele, e logo o calor do ambiente chocou-se com minha pele. Carlos Daniel afastou seu corpo do meu, e esticando-se um pouco, acendeu as luzes do local. Um grande lustre central acendeu-se, revelando uma casa totalmente rústica, mas extremamente chique. Os móveis de madeira escura eram acentuados pelos tecidos de cores claras, nivelando-os. Ao fundo, longas janelas da mesma cor dos móveis, tinham cortinas longas, que iam dos mastros para cortina até próximas ao chão.
O chão... era incrível. Escuro como os móveis, brilhando com as luzes. Tão Lustrado que podia me ver refletida ali.
–Venha. –sussurrou ele envolvendo-me em seus braços outra vez, guiando-me para outra sala. Entramos no outro cômodo e ali, uma bela escadaria de mármore branco mudava tudo. Era tão linda. O tapete em vermelho fazia por merecer, a casa era um espetáculo. Nunca estive em um local tão belo. Carlos Daniel levou-me para a escadaria, sem dar-me tempo para mais nada. Subimos os degraus, e ele me guiou-me para o lado esquerdo do corredor. Passamos por uma das portas, e na próxima, ele parou em frente. Abriu a maçaneta, e entramos no quarto escuro, Carlos Daniel fechou a porta e a escuridão multiplicou-se, deixando-nos sem ver nada frente aos olhos. Ele afastou sua mão de minha cintura, e ouvi o som de seus sapatos de encontro a madeira, afastando-se. Passaram-se alguns segundos, e uma vaga luz apareceu na sala, revelando ali, um imenso quarto.
–Espero que goste. –Disse ele caminhando em minha direção. –Fique a vontade, ele é seu.
O QUE! MEU? Meu? Como assim, ele esta...
–Carlos Daniel, eu... não posso ficar aqui. Por favor, deixe-me continuar assim... como sempre vivi.
Carlos Daniel olhou-me no fundo dos olhos, e desviando seus olhos dos meus, passou os dedos nos lábios. Ele sorriu brevemente com a cabeça baixa, e logo em seguida, caminhou em minha direção, ainda sem olhar-me.
–Paulina... conversaremos mais tarde, agora não. Tem roupas para você no guarda-roupa, ali. –Ele apontou para o local. –Tem toalhas e tudo que precisas no Banheiro.
–Carlos Daniel... por favor.
–Paulina, obedeça-me. Irei buscar algo para comermos. Dentro de 30 minutos irei subir. Não tranque a porta do quarto.
Santo Cristo. Meu coração falhou uma batida.
–Não me olhe assim. Logo conversaremos e já disse que não te farei nada que não queiras. Agora, vá, antes que adoeça.
Carlos Daniel sem dizer-me mais nada, virou-se e saiu porta fora, encostando-a sem ruído algum, deixando-me completamente sozinha.
Santo Cristo, Santo Cristo, Santo Cristo! Tudo isso aconteceu mesmo? Meu Deus. Primeiro o quase sequestro... depois... seus dedos em minha pele, sua boca pedindo para que eu implorasse por seu beijo... meu pedido para que me deixasse sair do carro... A Chuva fria outra vez... O carro seguindo alguns metros, e em seguida parando... ele descendo caminhando em minha direção... seus braços me envolvendo... seu olhar no meu... sua boca na minha... Deus, tudo isso foi verdade. Foi verdade. E agora... como deixei que tudo isso chegasse a esse ponto? As coisas que esse homem é capaz de despertar em mim...
Sai de meus devaneios com o som de uma trovoada ecoando nas paredes da casa. Com meu coração acelerado, observei melhor o ambiente em que eu estava. O quarto tinha os móveis escuros como os da sala, o piso em um marrom também escuro com todas as cobertas e cortinas em vermelho, um vermelho sangue. Exceto... uma caixa sobre uma escrivaninha na lateral do quarto, uma caixa branca. No centro do quarto, um lustre de Cristal iluminava bem o ambiente, deixando-o ainda mais sofisticado. Ao lado da cama, havia um criado mudo de cada lado, ambos com abajures de cúpula. As cúpulas eram de um tecido também claro, parecia... a cor dos móveis da sala. Minha casa na praia –ou casebre como diz a Manu- cabe umas 6 vezes dentro desse quarto... ele é... gigante. Outra trovoada ecoou nas paredes, e pude ver pela janela o clarão de um raio. Parecia que a tempestade queria dizer-me algo.
Como se eu estivesse anestesiada desde o momento em que ele me beijou, parecia que agora o efeito estava passando. Senti minha mão latejar e a dor começou a se espalhar, fazendo-me lembrar do ferimento mais cedo. Eu nunca tinha me ferido dessa maneira, mas lembro de quando pisei em um prego enferrujado, na beira da praia, no inverno. Eu tinha 7 anos.
Balancei a cabeça tentando esquecer das dificuldades de minha infância, mas em seguida as lembranças da noite em que a minha mãe morreu, tomaram meus pensamentos... Foi tão doloroso... uma dor que... não passa.
“-Paulina... não ficarás sozinha... te juro. –Disse-me ela quando cheguei ao seu lado. Ela estava deitada em uma maca, em um dos corredores do hospital. Eu tentava encontrar alguma maneira de atenderem ela. Eu não tinha dinheiro para pagar médicos, mas precisava de minha mãe, ela precisava estar comigo.
–Mãe... mãezinha... Você não vai morrer... você tem que ficar comigo, não pode me deixar...
–Filha...-disse-me com a voz fraca. –Encontrarás alguém que te faça feliz, alguém que te ame como mereces... irá encontrar alguém que te ame, e o amarás tanto quanto ou mais. Não se preocupe filha, quando encontra-lo, saberás que ele é o homem da sua vida...”
Limpei a lágrima que desceu por meu rosto, e tentando não pensar nessa ferida tão aberta, caminhei em direção ao banheiro, como ele havia me indicado. Acendi um interruptor e as luzes se acenderam. Na parede sobre a bancada de madeira, estava um enorme espelho, com lâmpadas fluorescentes. Sobre a bancada tinha um roupão, duas toalhas, e uma pantufa branca, do mesmo material do roupão.
O frio da noite começou a mostrar-se presente, e eu estando encharcada, em nada ajudou. Naquele instante, dei-me conta do sobretudo dele sobre meus ombros, e virando meu rosto sobre a gola, senti o pouco do seu cheiro que ainda estava ali. Hummm... tão... tão ele. Inalei seu cheiro e suavemente afastei o tecido de minha pele, pendurando-o em um dos ganchos cor de bronze na parede oposta ao banheiro.
Tomei um banho rápido, mas completamente relaxante. Tão bom, -ou melhor- do que o que tomei no hotel. Secando meu corpo, cuidando com o ferimento em minha mão, não pude parar de pensar no ponto que as coisas entre meus pensamentos, minha realidade, e ele, se cruzaram. Desenrolei um milhão de resposta, mas nenhuma me satisfez. Nem uma. Enrolei-me em uma das toalhas e enrolei meus cabelos em outra, deixando-o preso pelo tecido. Ainda tentando assimilar o local em que eu estava –a casa dele- vesti o roupão fechando-o com um laço, e assim, abri a maçaneta da porta, saindo do banheiro enevoado.
Meu olhar congelou quando encontrou-se de frente com Carlos Daniel, sentado sobre a cama.
–Fiquei em dúvida: lanche ou jantar? –questionou-me com a voz serena.
–Como preferir. –murmurei tentando não deixar minha voz temblar. Ele.. ah Céus... não consigo pensar. Ele estava com uma camiseta polo azul clara, calça social preta, e os pés descalços... Ah... eu não consigo mesmo pensar desse jeito.
–Venha aqui. –disse firme.
O que? Não consigo pensar, não consigo pensar... ah Deus... o que ele quer? O que ele quer?
–Paulina? Não escutou? Venha, aqui, agora. –disse cerrando os olhos e logo, abrindo-os colocando-os de encontro a mim.
Eu me mantive congelada no lugar, não conseguia me mover, não conseguia andar, não conseguia nada.
–Venha. –disse esticando sua mão em minha direção. –Apenas quero ver seu ferimento.
Olhei para ele, perdendo-me naquela íris tão escura, e assim, sem desviar meu olhar, caminhei até ele. Carlos Daniel moveu-se sobre a cama, sentando-se mais confortavelmente. Parei frente a ele, e estiquei minha mão ferida para ele. Carlos Daniel segurou meu punho, e puxou-me para mais perto dele, deixando minhas pernas coladas aos seus joelhos.
–Está inchado. Temos que cuidar disso. Dói? –perguntou-me olhando o corte.
–Sim. Está latejando. –murmurei com um fio de voz.
Carlos Daniel esticou-se, e o vi abrir a gaveta do criado mudo. Dali, ele retirou uma cartela com comprimidos e de sobre o móvel, pegou um copo d’agua.
–Tome. É Diclofenaco, anti-inflamatório.
Sem hesitar, peguei o comprimido e o coloquei na boca, pegando das mãos dele em seguida, o copo d’agua. Engoli o comprimido e ele esticou a mão para pegar o copo de mim, o entreguei, e ele o colocou no local de antes. Nossos dedos se chocaram, e uma eletricidade correu por minhas veias. Pelo olhar que ele lançou-me, parece que também sentiu.
Com delicadeza, ele puxou-me mais para perto, e acenando com os olhos, pediu para que me sentasse. Assim Fiz, sentei-me ao seu lado, a uma distância bem razoável. Teria tempo de mover-me se ele tentasse algo. Mas a pergunta que não parava de correr em meus neurônios era se eu desejava fugir de seu toque.
Carlos Daniel moveu-se e meus pensamentos se dispersaram. Ele abriu a gaveta novamente, tirando gaze e um rolo de fita micro porosa. Soltando minha mão, ele abriu um pacote de gaze, e logo começou a fazer o curativo.
Distrai-Me, e meus pensamentos voaram para as sensações que seu toque me causava... Seus dedos em minha pele, seus olhares que me fazem viajar a outras vidas, seus beijos... ah, seus beijos que me deixaram sem rumo... A maneira como seu toque ouriça todo meu corpo... Seus dedos quentes por debaixo da minha camiseta enquanto estávamos no carro... Céus...
–Está tão distraída, que poderia te amarar e fazer de ti o que bem quisesse sem que percebesse.
Meus pensamentos sumiram com sua voz rouca mudando o ambiente, e quando suas palavras fizeram sentido dentro de minha mente... Céus! Ele... ele... ele não faria isso! Ou faria?
Rapidamente, levantei-me da cama e caminhei até a janela, ficando de costas para ele. Minhas batidas cardíacas viraram uma escola de samba, e o simples gesto de respirar parecia quase impossível.
–Hey... –murmurou ele caminhando em minha direção. –Estava Brincando.
–Por Favor, se não se importa, eu gostaria de descansar, afinal, queres que eu fique aqui. –murmurei gaguejando entre as palavras, tentando buscar uma saída que me distanciasse dele.
Carlos Daniel caminhou mais a frente, e virando-se ficou frente a mim. Um sorriso brincava em seus lábios, e em seu olhar eu podia ver a escuridão do seu mundo. Ele, -daquele jeito que... oh... – correu o dedo indicador sobre os lábios, e após piscar e suspirar fundo, olhou em minha íris. Sua voz de um jeito tão suave, mas ao mesmo tempo tão rígida, saiu de seus lábios como fogo em direção a mim.
–Sabe, eu adoro o jeito como tens medo de mim.
Pai Amado... O que ele quer dizer com isso?
–Não me olhe assim Paulina... Seus beijos me falam o que suas palavras não dizem. Tua mente pode não querer, mas teu corpo... Teu corpo clama por mais de mim.
Como... Como... Como ele... Ah Meu Deus... Virgem de Guadalupe...
Carlos Daniel deu um passo à frente, e fazendo-me perder o chão, agarrou meu pulso ferido, afastando-o de si. Sua outra mão correu livremente até minha cintura e ali, seus dedos se acomodaram, enviando um milhão de sensações por minha espinha. Seu toque em meu punho suavizou-se e com delicadeza ele apoiou minha mão em seu peito, olhando-me ainda nos olhos. Eu revezava-me em tentar desvendar seu olhar, e perder-me no seu toque. Era tudo tão... Ah, meu, Deus. Com o pouco de sensibilidade que minha mão ferida estava, mesmo assim, eu pude sentir o calor de sua pele contra a minha, e a sensação era... sem explicações.
–Posso dar-te tudo o que quiseres Paulina, tudo e muito mais... Só precisas... Entregar-te. Apenas isso...
Apenas isso? Apenas? Ele quer que eu me entregue a ele... Entregar-me, a ele...
Minhas mãos começaram a suar, e eu não conseguia respirar direito... Tudo tão, confuso... Sensações que me invadem de um jeito desconhecido, uma maneira assustadora.
–Olha, não vou te pressionar, vamos... vamos deixar acontecer. –Disse ele olhando em meus olhos, como se quisesse dizer-me mais que isso. –Só quero que confie em mim.
Como sempre, ele não me deu tempo para responder algo, e correndo a mão que antes segurava meu pulso, levou-a por meu rosto e segurou meu queixo, como se quisesse... ah, o que esconde-me?
Com delicadeza, ele puxou meu rosto para mais a frente, deixando-nos a centímetros. Minha respiração acelerou-se e o ar que entrava por minhas narinas parecia queimar meus pulmões. Minhas batidas cardíacas gritavam seu nome, batendo descompassadas... E sem me dar conta, estava ansiando seu beijo mais do que nunca. Carlos Daniel aproximou-me ainda mais, e quando senti sua respiração quente tocando meus lábios, meus olhos se fecharam e esperei por sentir sua boca contra a minha. Ele, deixando-me sem chão, virou meu rosto, e seus lábios acomodaram-se a minha bochecha, beijando-me carinhosamente. Seus lábios onde tocaram deixaram ali uma chama viva, e tomando conta de mim, aquele calor que só ele era capaz de me despertar, nasceu mais forte do que imaginei ser capaz. Lentamente, ele afastou sua boca de meu rosto, e senti-o pressionar mais forte seu corpo ao meu.
Engoli em seco e tentei controlar-me. Ah... Senhor... Ele outra vez virou meu rosto, e nossas bocas ficaram a centímetros novamente. Minha mente gritava em silêncio, implorando por seu beijo... Mas ele não o fez. Sua testa tocou a minha e a respiração dele que estava acelerada como a minha, começou a acalmar-se. Eu permanecia de olhos fechados, esperando para que ele fizesse algo. Sabia que ele podia fazer coisas que me causariam uma dor tanto em meu coração, quanto em meu corpo. Mas, mesmo assim... Eu desejava mais dele. Um mais que nunca esperei desejar de ninguém. Um mais que apenas ele me faz querer.
–Ainda não Paulina, Ainda não. –Disse-me baixinho, para que apenas eu pudesse ouvir.
Lentamente, ele afastou seu corpo do meu, e obriguei-me a me separar dele. Meus olhos se abriram, e dando-me conta de tudo, dei um passo a trás. Ele, rapidamente, agarrou minha mão sã e delicadamente, a levou até próxima ao seu rosto. Minha boca secou e senti um calafrio percorrer-me. Carlos Daniel levou seu olhar até mim, e assim, depositou um beijo terno sobre minha mão.
–Agora vamos, temos que comer algo.
Mas o que.. eu eu... Céus! Estou apenas de roupão! Ah Meu Deus!
Soltei minha mão da dele rapidamente, e assim abracei-me. Talvez uma forma de proteção.
–O que foi? –perguntou-me caminhando até mim. Dei um passo atrás, e ele parou onde estava.
–Preciso, eu... –Ah, pare de gaguejar Paulina! –Eu... preciso arrumar-me para que... que.. possamos comer. –murmurei temblando mais que o normal.
–Então vá. Por mim... Não precisa. Mas... Se queres, vá. Espero-te aqui.
Ele.. ia... ficar... ali! Deus.
A Passos largos, corri para o guarda roupa, e com pressa, agarrei uma dos primeiros pijamas que vi. Só o que percebi era que era rosa. Rosa, amo rosa. Abri uma das gavetas e meus olhos bateram de frente com uma lingerie também rosa. Agarrei a troca de roupa e corri para o banheiro. Quando fui fechar a porta, vi Carlos Daniel encostado na Janela longa de vidro. Fechei a porta, e a imagem dele de calça social, pés descalços e camiseta polo, invadiu minha cabeça... ah meu Deus! Carlos Daniel, como faço para que essas borboletas parem de voar em meu estômago?!
As pressas, Tirei o roupão e vesti a lingerie, que parecia ter sido escolhida por mim. Serviu em meu corpo de uma maneira incrível, como se tivesse sido feita para mim. O frio começou a tocar minha pele e obriguei-me a acelerar o simples processo de vestir-me. O curativo complicou um pouco as coisas quando fui vestir a lingerie e agora com o pijama, com certeza demoraria um pouco mais. Abri as peças de roupa sobre a bancada do banheiro e quase enfartei quando observei melhor o pijama. Era um... Pijama de verão. E.. Extremamente curto. Eu... não posso sair daqui com uma roupa assim... ficaria.. tão... exposta a ele. Ah Céus, o que faço? Não tive mais solução e acabei por vestir aquele pijama mesmo. Por nada eu sairia dali para buscar outra roupa. Nem pensar. Coloquei o Pijama e vesti o roupão por cima. Pelo menos, era um roupão longo. Coloquei de volta as pantufas macias e destravei a porta, abrindo-a lentamente. Carlos Daniel permanecia do mesmo jeito, encostado a janela, mirando a tempestade escura. Assim que ele me viu parada ali, virou-se e olhando em meus olhos, caminhou até mim.
–O que houve com a roupa? –perguntou-me parando a alguns passos de mim.
–É que... que... –Como iria dizer? –É que.. ficou... Ficou muito curta, e... e esta frio. Acabei por vestir o roupão por cima.
Carlos Daniel olhou-me dos pés a cabeça e quando mirou meus lábios, o vi fechar os olhos por um mísero segundo. Ele retomou ao seu mundo escuro, e esticando o braço, pegou minha mão sã. Uma onda carregada de energia passou por entre nós, e como anteriormente, ele pareceu também sentir. Seu olhar mergulhou em minha íris, e ele parecia buscar algo em mim, parecia perguntar-me alguma coisa... mas o que? Carlos Daniel moveu seus dedos de encontro aos meus e com carinho, segurou minha mão mais forte. Uma carícia tão simples mas com tanto valor.
–Vamos Paulina. Tem um lanche esperando por nós.
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