Faça-me, Quero Ser Tua.
55 Maldito seja!
Notas iniciais
Acabo de limpar um dos quartos as 11:40hrs, decidindo então almoçar agora para mais tarde acabar outros quartos mais. Meu corpo está ali, trabalhando, mas meus pensamentos estão totalmente na quantidade de coisas que eu e o dono disso tudo trocamos nos últimos dias. Repenso todas as frases e com um sorriso no rosto, recordo seu "Te amo." Ele estava dormindo, mas disse meu nome e que...
Antes que eu conclua meu pensamento, um braço puxa-me forte para dentro de um dos quartos. Meu corpo voa contra a parede, e imediatamente sinto meu rosto queimar em desespero.
Olhos que já me observaram com raiva anteriormente, agora encaram-me com fúria. Dedos fortes agarram minha garganta e acabo temendo o que pode acontecer.
—Então ai está você, projetinho de puta. -murmura ele contra minha boca, seus lábios centímetros dos meus.
Meu coração pulsa desenfreado, desesperado enquanto seus olhos me fuzilam. Os meus tentam revidar sua mirada pesada. É praticamente impossível.
—Estava andando por ai, ontem... durante sua maravilhosa folga programada, quando descubro que você é a putinha do chefe. -Diz ele com uma risada assustadora. -Então quer dizer que dar a boceta pro chefe é o teu jeito de subir na vida? Muito bom... aprovadíssimo.
—Me solte... -murmuro quase sem voz, completamente presa pelas mãos dele.
—Olhe aqui, -grunhe ele mordendo forte os próprios lábios. -Ai de você que tente falar algo pra alguém sobre isso, ou sobre qualquer outra coisa. Você e seu adorado estão em minhas mãos.
—Do que você está falando? -sussurro, praticamente sem voz devido a pressão que ele faz sobre meu pescoço.
—É o seguinte, chupadora da rola de ouro, você vai fazer uma coisa pra mim...uma coisa maravilhosa. Mas não no momento. Irei precisar de você no futuro.
—Não vou fazer nada pra ti, me solte! -grito sem sucesso.
—Mas é claro que vai! -Grita ele também, rangendo os dentes. -Sou capaz de matar esse infeliz se você falar algo pra ele, ou pra qualquer outra pessoa. E se acha que estou brincando, tente, e verá o quão longe sou capaz de ir pelo que quero.
O corpo de Henrique se afasta, soltando-me, e imediatamente caio aos pés dele, praticamente sem forças para respirar.
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Manuela segura meu corpo debaixo do chuveiro. A sensação é de que vou desmaiar.
—O que aconteceu Lina? Me conte, por favor... -murmura ela enquanto meus olhos não param de chorar lágrimas que parecem infinitas.
Saio dali com a respiração ainda pesada. Não consigo acreditar nas coisas que ouvi, nas coisas que presenciei, que vivi horas atrás. Seco-me com dificuldade. as mãos parecem gelatinas.
—Você chegou tão bem, o que aconteceu? -insiste ela. -Foi o Bracho?
—Não! -digo imediatamente. -Carlos Daniel não fez nada, pelo contrário.
—Ele veio comunicar minha folga ontem a tarde. Fiquei surpresa.
Suspiro com acúmulo de coisas na cabeça.
—Pois é, ele fez a loucura de presentear-me com um apartamento ontem...
—O infeliz o que?! -diz ela com um sorriso esbaforido.
—Eu sei, eu sei... -suspiro novamente. -Prometo te contar tudo, mas agora, só quero mesmo é sair daqui.
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Uma hora depois, estou jogada entre as cobertas que Carlos Daniel e eu fizemos amor várias vezes noite passada, debulhando-me em lágrimas.
Não pensei que minha vida poderia girar totalmente do avesso desse jeito.
As palavras de Henrique não saem da minha cabeça. O que faço? Não posso contar isso pra Carlos Daniel ou qualquer outra pessoa e colocar a segurança dele em risco. Não posso. O que esse cara quer de mim?
Meu celular toca sobre o criado mudo. Rolo pela cama e então vejo que é Carlos Daniel. Ignoro a chamada, e quando desbloqueio a tela, encontro duas mensagens dele.
"Fui informado de sua saída mais cedo do trabalho. Você está bem? 12:57hrs" e outra: "O que aconteceu? Me ligue, por favor. Não me deixe preocupado. 13:08hrs"
Pressiono em responder. "Está tudo bem. Somente uma dor de garganta, acho que estou ficando com resfriado. Vou tentar dormir. 13:42hrs"
Largo o celular sobre o criado mudo novamente, caindo em seguida em um mundo de pensamentos contraditórios, carregados de perguntas na qual não faço a mínima ideia da resposta. Choro por longas horas sem saber o que fazer.
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Passou pouco mais de uma semana. É domingo, e eu e Manu nos jogamos ao sofá novo do apartamento comendo pipocas e assistindo Uma Linda Mulher. Dizer que não choramos durante o filme inteiro seria uma grande mentira.
Amanhã já é segunda-feira, o dia em que tudo volta a rotina.
Quando o filme acaba, Manu insiste para que mostre a ela as coisas que ganhei de Carlos Daniel em meu aniversário. Quando lhe mostro as jóias, ela fica pálida, sorridente e encantada.
—Ele sabe mesmo como conquistar uma mulher... -murmura ela com um risinho. Ah, se ela soubesse...
Papeamos entre risos até quase 22:00hrs, e então minha grande amiga resolve ir para sua casa. Quando ela sai, tomo um banho quente, aqueço uma sopa que estava no congelador e então me enfio debaixo das cobertas, deliciando-me com a sopa, esperando a chamada de Carlos Daniel.
E não demora. Atendo a ligação.
—Como está a mulher mais linda do Mundo? -diz ele antes que eu possa falar qualquer coisa.
—Hm, que galante o senhor. -murmuro com um sorrisinho. -Como está esse homem das trevas?
—Está descansando. Mas bem. Tive um longo dia, muito longo. E a Senhorita?
—Dormi até tarde e depois Manu veio aqui. Estreamos o sofá com filme e pipoca.
Ele ri, um riso solto e feliz.
—Fico contente em saber que o resfriado está passando...
—É... -murmuro;
Nunca gostei de mentiras, nunca. Mas, não tenho outra alternativa no momento.
—Você está mesmo bem? -insiste.
—Estou sim, querido. Só com sono no momento. -digo com a voz serena.
—Então vou deixar que descanse...
—Descanse também...
—Até amanhã?
—Até.
Desligo a chamada e então termino de comer pedindo aos céus que não encontre mais aquele infeliz no hotel. Não sei o que fazer, como agir, como... deixar tudo bem.
Durmo pensando em como faço para me livrar desse crápula. Não posso contar a Carlos Daniel... não posso arriscar perdê-lo.
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