Faça-me, Quero Ser Tua.
29 Confusão Alucinante.
Notas iniciais
Ele me agarrou pelo braço, levando logo em seguida suas mãos para minha cintura. Não sabia o que estava acontecendo, só o que sabia é que estava confusa e um tanto assustada. Droga! Ele me arrastava com seu corpo firme ao meu lado enquanto nos guiava para fora do bistrô. Apressadamente ele pagou a conta, e assim que estávamos dentro do carro, caímos no silêncio. Eu não sabia o que dizer, ele parecia confuso, preocupado, com raiva... tinha a expressão formada por uma mistura de sentimentos. Ajeitei-me no banco, levando meu olhar para as ruas escuras da cidade, e então com um ruir do silêncio, ele suspirou, levando sua mão até minha coxa.
–Sei que estou sendo um canalha contigo, mas não sei ser de outro jeito. –disse-me quase em um murmúrio.
Não me virei para mira-lo. Não queria encarar seu olhar, muito menos buscar palavras que não existiam para dizer.
–Não sei o que fazer contigo. –Ele suspirou fundo, deixando o som sair de sua garganta e então prosseguiu. –Na Verdade sei o que tenho vontade, só não tenho a certeza de que é realmente isso que quero.
–E o que você tem vontade Carlos Daniel? –questionei intrigada, virando-me para vê-lo. Ele não me mirou, ficando em silêncio, mirando a frente.
Depois de alguns minutos de estrada, ele dirigiu até a beira da praia, a apenas alguns passos da areia. Ele desligou o motor, e então saímos do carro. Caminhando até mim, segurou em minha mão e levou-me até a beira da praia.
Não o questionei. Sabia que algo não muito bom estava por vir, mas tinha que o deixar agir, deixar falar.
Ele puxou-me para a areia, sentando-se ali mesmo, e então sentei ao seu lado, puxando meus joelhos, abraçando-os. Ele fez o mesmo, e então caímos no silêncio outra vez, agora mirando as ondas agitadas do mar.
Sabia que ele estava confuso. E bem, eu também estava. Mas sabia que nossos sentimentos eram distintos, só que queria descobrir o que o deixava tão preocupado. Droga, ele só tinha que me levar para a cama e tudo ficaria bem. Não é assim que funciona com ele?
–Você sabe que quero transar contigo, não sabe? –disse quebrando o som do mar, fazendo-me engolir em seco.
–Sim. –murmurei atravessando o nó pesado em minha garganta.
–Paulina, Nunca falei a nenhuma delas o que pretendo te dizer, mas não sei, contigo as coisas são estranhas.
–Digo o mesmo. Para mim, as coisas contigo também são estranhas.
Continuamos ali, sem nos mirarmos, olhando a imensidão do mar. Eu, tentando entender o que se passava, e ele, eu não fazia ideia.
–Lina, Promete que não vai sair correndo e que será franca comigo? –disse com um tom estranho.
–Sempre fui franca contigo. E o que me faria sair correndo? –perguntei sentindo um calafrio percorrer minhas costas.
–Você disse que confiava em mim. –murmurou, e pude ver que ele movimentou-se e que agora me olhava.
–Confio em ti. Mas isso não me impede de sentir medo. –desabafei.
–Entendo... –murmurou.
Essa conversa toda estava me deixando agoniada, e o que ele tinha para dizer que precisava de tanto esforço? Se ele ia dizer, “olha, vamos transar e fim” eu já sabia, o que tinha de errado?
–Paulina, sabe qual foi a primeira coisa que pensei quando entrei na suíte e te vi de joelhos, recolhendo minhas roupas, limpando aquela grande bagunça?
Não o respondi, apenas continuei ali, esperando que ele continuasse.
–Queria te ver naquela cama, de bruços, nua.
Senti minha pele corar inteira, e agora sim que não podia mira-lo, de forma alguma.
–Queria posicionar-me em suas costas, me enterrar em ti, ouvir você chorar, implorando para que eu parasse, ouvindo você dizer o quanto aquilo doía, e o quanto aquilo estava te machucando, e o quanto você queria que eu parasse. Queria te ver sangrar, te ver sofrer. Era isso.
Oh. Não...
Droga...
Não...
–Lina...
–Espera. –murmurei virando-me de frente para ele. –Você quer me machucar?
–Sim. –respondeu-me de pressa. –Não... -virou-se para mim. Olhei em seus olhos, e não podia acreditar nas palavras que ele acabou de dizer.
–Não acredito que... droga! –gritei. –Você disse que... queria me ver sangrar! Isso não é machucar?
–É, eu sei! Mas me escuta, eu...
Ele se calou, perdendo-se nas palavras, e eu me perdi em uma confusão alucinante.
Ouvir-me pedindo pra parar.
Droga!
–Lina, sei que o que estou te dizendo é absurdo, mas você é a primeira para o qual conto isso.
–É Claro que isso é absurdo! Você quer me machucar!
–Não Lina! –ele disse-me assustado, virando-se e segurando meus braços. –Queria, mas não é mais isso que quero.
–Não? –murmurei incrédula, como se suas palavras tivessem me anestesiado...
–Não sei! –disse-me cerrando os olhos.
–Como não Carlos Daniel? Você esta me assustando, me confundindo... eu não sei mais o que queres de mim! –exclamei sentindo as lagrimas ameaçando a brotar... não, não, não....
–Juro, que sim, era isso que eu queria, mas não é mais! Quero te sentir, e sim, te fazer implorar as coisas a mim... –disse-me exaltado, segurando em meus punhos. -mas quero que implore para que eu não pare, que implore para que eu te faça gozar, que implore por mais de mim. Quero te ter, pele com pele, te sentindo!
–O que você quer de mim!? –gritei apavorada, assustada, apaixonada, morrendo de medo.
Ele olhou-me nos olhos, e vi que ele também estava confuso. Ele estava sendo franco comigo, e droga, ele disse-me antes de me fazer mal... isso... oh céus.
–Eu... –ele murmurou-me com os lábios trêmulos. –Quero tudo que possa me dar.
Nossas miradas travaram uma na outra, procurando por respostas, implorando por ver algo que as acalmasse.
–Escuta... –ele murmurou desviando nossos olhares, segurando meu rosto em suas mãos. –Eu sei que tudo isso deve ter te deixado apavorada, mas... confie em mim.
–Eu confiei e você quis me machucar! –falei soltando-me de seus braços, levantando-me de um jeito estranho, saindo pela areia em direção ao lado oposto a ele.
–Entenda... não é mais isso! –ele gritou agarrando-me pelo braço, virando-me para si. –Era, era... não é mais. Quero muito te tocar, e não te escondo isso. Quero sexo? Sim, é isso que quero. Apenas... –Ele me envolveu em seus braços, espalmando minhas mãos sobre seu peito. -...Mas não quero te machucar, não mais. Só tenho medo de perder o controle.
–Perder o controle?
–Sim... tenho medo de... –ele segurou-me firme, como se tivesse medo de prosseguir. –Tenho medo de acabar não conseguindo te ouvir, e te machucar.
–Confio em ti! –falei firme, fazendo-o erguer o olhar e mirar meus olhos.
–Confia o quanto? –perguntou-me com um vibrar estranho na voz.
–O Suficiente para ter ouvido dezenas de loucuras e ainda estar aqui. –disse ainda mirando em seus olhos. Droga... como posso quere-lo tanto?
–O Suficiente para ir comigo agora para minha casa? –ele se aproximou, baixando seu rosto sobre o meu. Sua respiração batia contra a minha, e o seu cheiro se misturava ao das ondas do mar.
–O suficiente para ir contigo agora. –respondi ciente de tudo o que ele havia me falado.
Ele sorriu-me carinhoso, e sorri para ele, ainda confusa e trêmula. Sua boca se aproximou da minha, e então levei minhas mãos para seu pescoço, apoiando-as em sua nuca, puxando-o para mim. Ele travou, sem mover-se um milímetro a mais, encarei seus olhos, e ele estava serio. O que eu fiz?
–O que houve? –questionei baixinho, ainda com nossas bocas a centímetros de se tocarem.
–Peça.
–o que? –como assim, peça?
–Peça para que eu te beije.
Ele sorriu-me parecendo convencido –parecendo não, agindo como o tal- e então mordeu o lábio, deixando-me sem estruturas.
–Não. –falei seria... oh não... não tão séria... acho que foi aquele negócio com gosto de laranja.
–Não? –repetiu em forma de pergunta, fazendo uma carinha de coitadinho.
–Não... não irei pedir. Eu irei beijar você.
Carlos Daniel sorriu, mirando meus lábios, e então o puxei, forte, firme, batendo nossas bocas de encontro uma da outra, implorando por mais, gritando por aquele sabor que juntos criávamos, necessitando de mais toque, de mais de tudo. Ele puxou-me em seus braços, afundando suas mãos em minha cintura, empurrando seu corpo contra o meu. Sentia minha pele me traindo, queimando, acendendo-se mais e mais, e eu não conseguia parar... não podia parar. Deixei que meus dedos vagassem por seu cabelo, e o puxei entre meus dedos, sentindo-o sugar minha língua com sua boca doce e atrevida. Ele me ergueu em apenas um segundo, e acabei por gemer em sua boca quando envolveu minhas pernas em sua cintura, juntando-me mais a si. Caminhando comigo pela areia, ele mordeu minha boca e então o senti largar-me sobre algo, empurrando meu corpo para trás, deitando-me ali.
Oh Céus... O capô do carro. Minha santa mãe.
Gemi em sua boca, quando ele empurrou seu sexo completamente duro contra meu jeans, e sim... eu queria. Ele tomou minha perna em um forte puxão, empurrando mais forte seu quadril, e então deslizou a boca por minha pele, chupando meu pescoço até a parte onde o moletom fechado permitia. Oh... tão bom. Minhas mãos correram por suas costas, temblando, mas querendo mais. Ele empurrou mais forte seu quadril, fazendo-me sentir a necessidade dele, e em segundos ele enfiou a mão entre nós, abrindo os botões do meu jeans.
–Não... por favor, não. –murmurei apavorada, sentindo o medo me tomar. Queria... mas não ali, não agora.
–Sh... –ele sussurrou em minha pele, mordendo meu pescoço, enfiando seus dedos em minha roupa.
–Carlos Daniel... me escute, por favor. Não, aqui não... por favor... –implorei tentando afasta-lo.
Ele travou seu toque, afastando a mão rapidamente de meu corpo, apenas segurando minha cintura com os dedos firmes. Seu rosto se ergueu, mirando em meus olhos, e então acariciei seus cabelos.
Oh Céus...
Ele me ouviu.
Afastando-se de mim, ambos ainda ofegantes, ele fechou minha roupa e abriu a porta do carro, me fazendo entrar. Entrei trêmula, ofegante, suada, e completamente louca por mais daquilo tudo que ele me provocava.
–Você tem certeza do que está fazendo? –perguntou-me segurando o volante, com uma das mãos na ignição do veículo.
–Eu? Nenhuma. –sorri, divertindo-me.
–Isso não é o álcool falando, é? –sorriu-me.
–Espero que não... –prossegui.
–Paulina, estou falando sério. Sei o que quero, mas você sabe o que quer?
–Nunca tive tanta certeza.
Movimentei-me no acento, enquanto ele continuava a me mirar, e sorrindo atirei meu corpo em direção ao seu. Ele se surpreendeu, mas logo me correspondeu, beijando-me faminto, gemendo em minha boca, me mordendo, me chupando.
–Droga Lina... quero te tocar! –murmurou pesadamente contra minha boca.
–Toque... toque-me... –respondi perdida, entregue.
–Não aqui. Te quero na minha cama, nua e assim, minha. –sussurrou mordiscando meu lábio e o puxando. Gemi em resposta, sentindo um calafrio me percorrer.
–Mas e se eu não conseguir? –questionei me afastando, mirando seus olhos. O terror me dominou.
–Se não conseguir, terei o prazer de te fazer querer tentar de novo.
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