Faça-me, Quero Ser Tua.
8 -...Pelo menos, ainda não.
Notas iniciais
Descemos do veículo negro, e Carlos Daniel no mesmo instante lançou-me um olhar da mesma cor do carro. Escuro. Impressionei-me quando ele colocou outra vez seu braço no entorno de minha cintura. Depois de tudo que havíamos passado no hotel, no hospital, e em seguida, no carro, tive de me controlar para minhas pernas não me traírem. Não ali, no hall do hotel.
Passamos pelas portas longas de vidro, e todos os olhares voltaram-se para nós. Baixei meu olhar, tentando-me esconder dos olhares que as pessoas lançavam para nós –principalmente pela mão dele em minha cintura.
Passamos pela entrada principal, e mantive meu olhar baixo, tentando esquecer o lugar que eu estava e como eu estava: uniformizada, despenteada, com um curativo na mão direita, e toda suja de sangue. Lembrando, que o Dono da Rede de hotéis que eu trabalhava estava abraçado a mim, e ainda –nunca esquecendo- que ele disse ao meu ouvido que queria beijar-me. Apenas isso.
Pensei que ele me levaria a algum canto do hotel, ou para buscar minhas coisas no departamento do segundo piso, onde ficavam os armários das camareiras e as lavanderias. Mas não. Senti a mão de Carlos Daniel pressionar a curva de minha cintura, e meu olhar ergueu-se até ele. Nossas miradas se encontraram e ao erguer meu olhar, o vi desviar o seu. Mirei ao ponto onde ele estava e então, vi meu chefe saindo do departamento pessoal com uma caixa em mãos. O Chefe do Meu Chefe simplesmente tinha demitido meu chefe. E eu, estou apaixonando-me pelo chefe do meu agora ex chefe. Que confusão.
Meus pensamentos conturbados foram interrompidos pela voz de Manu, parando ao meu lado.
–Paulina, você está bem? –sua voz parecia preocupada.
–Sim Manu, estou bem. Foram apenas alguns pontos, nem precisarei parar de trabalhar. –sorri para ela. Minha mão estava dolorida, e as medicações que me foram dadas no hospital começaram a fazer efeito. Eu estava ficando com sono.
–Quem disse isso? –ralhou a voz de Carlos Daniel, ainda abraçado a mim. Meu olhar voltou-se para ele, confusa, e com o rosto serio e a sobrancelha franzida, ele olhou para mim, e em seguida para Manu, respondendo sua pergunta. –Ela ficará 25 dias de licença.
–O QUE! –gritei soltando-me dele, parando ao lado de Manu. Percebi que meu tom de voz foi extremamente elevado quando olhei para os lados e todos que passavam por ali miravam-me.
O que ele estava fazendo? Eu não podia fazer isso! 25 dias é muito tempo, e.. e... eu preciso trabalhar, preciso de dinheiro, as coisas não podem ser fáceis assim! Ele... não pode me dar 25 dias de licença!
Bem, ele pode.
Olhei para ele encarando-o, e minha garganta engoliu em seco quando o vi passar a ponta dos dedos sobre os lábios. Ele olhou para Manu, que permanecia parada em meu lado, completamente em choque.
–De-de... deseja algo mais que os pedidos anteriores Senhor? –murmurou ela mirando-o. Carlos Daniel não desviou seus olhos dos meus. Ele parecia encarar-me em busca de respostas, mas em momento algum disse-me as perguntas.
–Não. –disse ele em tom seco e frio.
–Co-com Licença. –murmurou Manu saindo em direção a seu posto.
–Vamos Paulina. –sussurrou ele amenizando o rosto, e logo em seguida, parou ao meu lado, envolvendo sua mão em minha cintura. Como se tivesse me queimado com seu toque, dei um salto, movendo-me de pressa, sem desviar meu olhar assustado.
–Vou pedir pela última vez, fique ao meu lado.
As palavras saíram lentas e suaves dos lábios dele como se fosse uma frase qualquer. Meus pés cravaram-se ao chão quando ele deu um passo e parou frente a mim. Meu olhar mergulhou em sua íris escura. Carlos Daniel respirou profundamente, e lentamente, sua cabeça balançou-se em negação. Não deixei de mira-lo nem um segundo, tentando compreender as coisas que ele poderia estar pensando de mim naquele momento. Seus dentes cerrados uns aos outros, rasparam-se antes das palavras em tom baixo saírem de seus lábios.
–Afaste-se mais uma vez, e não irei importar-me de fazer tudo que tenho vontade contigo, você querendo... ou não.
Suas palavras foram como um choque, tomando-me complemente. Meus olhos abriram-se mais do que imaginei ser possível, mas meu momento de ficar apavorada, foi interrompida, quando com certa delicadeza –delicado até demais,- ele envolveu minha cintura com o braço e guiou-me –quase arrastada- até as portas do elevador que se abriram para nós.
Minha mente tentava a cada segundo que passava entender o motivo de todo esse jogo que ele estava fazendo comigo. Ele podia ter a mulher que quisesse apenas com um sorriso. Porque tinha que ser eu a escolhida? Logo eu, que sempre sonhei em fazer tudo como minha mãe sempre disse...
Entramos no elevador de portas largas e ele imediatamente apertou o botão do último andar. Minhas pernas fraquejaram e pensei que cairia em ruínas ao seu lado. Ele pareceu ver que algo comigo estava errado, e imediatamente o vi pressionar seus dedos contra minha pele, que sensível, arrepiou-se.
Parecia que os milésimos não se passavam, e os poucos segundos de subida do elevador, pareceram décadas. Eu e ele, presos em uma caixa metálica, com nossos corpos extremamente próximos. Isso parecia uma tortura.
O plim do elevador soou e as portas imediatamente se abriram. Com uma pressa de outro mundo, dei um passo a frente e logo outro, saindo o mais rápido que pude daquele espaço. Meu corpo, mais uma vez traindo-me, ameaçou perder sustentação. Minha visão embaçou-se e logo tentou escurecer-se, mas pisquei rapidamente tentando voltar ao normal. Trazendo-me de volta, Carlos Daniel envolveu meu corpo com seus braços, e naquele exato momento, perdi a sustentação de todo o meu ser, e a culpa, não foi de minha tontura, foi dele.
Uma de suas mãos fez aquele contorno que já conhecia enquanto a outra envolveu minha nuca, firmando minha cabeça. Meu olhar assustado encontrou o seu e prende-se ali, buscando algo... algo que nem sei explicar. Sua mão pressionou minha nuca com um pouco mais de força e como uma ordem, meus olhos se fecharam, como se esperassem ansiosamente pelos seus lábios tocando os meus.
–Droga Paulina, abra os olhos...
Sua ordem adentrou meus ouvidos como veneno, eu não sabia o que estava fazendo, mas não pude obedece-lo. Sua voz rouca e lenta ecoava em minha mente enviando todas as mais estranhas sensações para meu interior. O Ar que adentrava meus pulmões começou a ficar difícil, e tive, quase que por uma necessidade, abrir meus lábios para fazer aquele ritual da vida.
–Abra os olhos! –gritou ele fazendo-me saltar em seus braços e imediatamente abrir os olhos. Sua voz alterada despertou todos os meus poros a sentirem seu toque sobre mim, e acabei levantando meu rosto para poder mira-lo na mesma altura.
–Não faça mais isso, ou não responderei por mim. –sussurrou deslizando seus dedos de minha nuca para entre minhas madeixas soltas. Vi quando rapidamente ele desviou seu olhar do meu, parecendo tentar controlar algo. Seus olhos se fecharam por alguns milésimos; ele respirou profundamente e em seguida colocou nossas íris de cores distintas para conversarem.
–Você está bem? –murmurou com uma voz leve, como se aquele homem que berra e manda não existisse. Busquei em algum lugar desconhecido meu equilíbrio, e encontrando-o, balancei a cabeça em concordância.
–Vamos.
Vamos, vamos... o que ele quer? Pensei, mas obriguei-me a perguntar. As coisas não podiam ser assim. Droga, ele é meu chefe!
–Não... –murmurei tão baixo que pensei que ele jamais iria escutar. Percebi que ele havia me escutado quando seu corpo deu um passo atrás e tocou os dedos em meus lábios. Ele balançou a cabeça em negação, usando um sorriso travesso nos lábios. Deus, que sorriso.
–Não irei te fazer nada. –murmurou olhando-me. Ele deu um passo mais longo e suas mãos grandes e quentes se afastaram de minha pele. Ele cruzou um dos braços por sobre o peito, lembrando-me de olhar para a mancha de sangue. Meu olhar se moveu quando ele roçou a ponta dos dedos nos próprios lábios, e olhando no fundo dos meus, murmurou outra vez. –Não irei fazer nada, pelo menos, Ainda não.
Tremi por dentro, inteira, completamente. E antes que eu pudesse processar algo, ele levou-me para a porta de sua suíte abrindo-a com pressa, levando-me para dentro.
Eu sabia, que ali, naquele quarto onde tantas coisas aconteceram, -inexplicáveis para mim, e sem importância para ele. –eu estava exposta a tudo. Desde sua adoração por ordem, até suas caricias mais intensas. O medo corria por minha espinha, e o desejo por minhas entranhas. E entre esses dois sentimentos distintos, eu tentava fazer o equilíbrio entre minha mente, corpo e coração.
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