Fúria

15 Capítulo 14 - Marcos (2005)


"I would've stayed on my knees
And I damn sure never would've danced with the devil
At nineteen
And the God's honest truth is that the pain was heaven"

Marcos acordou confuso, sem saber exatamente onde estava. Ele logo reconheceu as paredes escuras do quarto de Penélope, mas demorou a entender porque estava lá. Ao virar o rosto para lhe procurar pelo quarto, sentiu seu rosto latejar de dor, e então se lembrou.

Onde estava Marina? Ele sentiu o desespero lhe consumir, e tentou se levantar. Sua cabeça doía muito, e o espelho na parede lhe revelou um olho inchado, completamente roxo, e o corte na lateral da cabeça, com pontos. Penélope entrou no quarto quando ele estava de pé, procurando seu sapato.

— Deita, Marcos. — sua voz estava esquisita, parecia receosa. — Você não tá bem.

— Marina... Ele tentou agarrar Marina.

Penélope parecia querer chorar, mas disfarçou. Ela se aproximou, lhe empurrando delicadamente de volta para a cama. Onde estava a sua irmã?

— Eu levei ela pra casa da Débora. Ela tá bem, é você quem não tá.

Marcos respirou fundo, aliviado e envergonhado. Há anos já não apanhava daquele jeito, não estava mais acostumado. Esperou que Penélope se deitasse ao seu lado na cama apertada, mas ela parecia nervosa, os vermelhos como se tivesse chorado. Ele odiava lhe fazer se sentir assim.

Ela se sentou no chão ao lado da cama, em silêncio, mas começou a passar os dedos pelo cabelo dele. Marcos fechou os olhos, não tinha nada a dizer.

Ficou aliviado que Marina estivesse na casa da namorada, pois pelo menos assim ela ficava longe do radar do pai enquanto os pais de Débora não achassem ruim ter ela por perto. Marcos sabia que Débora não era assumida para os pais, mas eles estavam começando a desconfiar das duas, especialmente depois que Marina começou a passar mais tempo na casa da namorada que na dos pais.

Desde que sua avó tinha morrido, Marina tinha voltado para casa e isso tinha causado mais estresse do que Marcos jamais tinha sentido. Quando o seu pai estava em casa os dois saíam, mas isso tinha ficado complicado depois que Rafael foi demitido. Além de vigiar os passos de Marina para que ela nunca ficasse sozinha com os pais, Marcos também estava sempre atento à Penélope, que parecia não entender os riscos que corria quando estava com ele.

Marcos morria de medo que algo acontecesse com ela, que ela fosse sugada para a violência da sua família. Ela se recusava a ter medo de Rafael, discutindo com ele sempre que o via, e Marcos não sabia se era coragem ou estupidez. O que quer que fosse, ele também não gostava de deixar ela andando sozinha. O seu pior pesadelo era lhe ver machucada, especialmente por culpa dele e dos seus problemas.

— Cadê a sua mãe?

— Ela saiu. A gente discutiu, ela foi pra casa da minha tia. Levou o Rodrigo, é claro.

— Não briga com a sua mãe por minha causa — pediu, não pela primeira vez.

— Eu brigo com ela por um monte de motivos, Marcos. Você é o que mais vale a pena.

Ele procurou sua mão, entrelaçando os dedos nos dela e deixando um beijo neles com seus lábios machucados. Marcos tinha certeza que nunca deixaria de se sentir um estorvo. Uma garota como ela, tão brilhante e tão perfeita, no chão do quarto cuidando dele... Era o maior dos desperdícios.

— Amor...

— Fala.

Mas ela não disse nada, suspirando e subindo na cama para ficar ao lado dele. Precisavam ficar espremidos, a cama era pequena demais para os dois, mas Marcos não se importava. Ele sonhava, é claro, com uma vida longe dali. Longe do apartamento pequeno demais, da falta de dinheiro e da violência do seu pai. Mas em todas as suas fantasias Penélope lhe acompanhava, e a sua irmã estava em segurança. Parecia um sonho muito, muito distante.

Ela deixou um beijo no seu pescoço, provavelmente com medo de machucar seu rosto, e Marcos sentiu as lágrimas dela molharem o seu ombro.

— Vai ficar tudo bem — afirmou, e Marcos achou estranha a positividade dela, mas não reclamou.

— Vai sim.

*

Quando ele acordou novamente, estava sozinho. Podia ouvir gritos do corredor do prédio e não demorou para identificar como os gritos da sua mãe. Ele saiu do quarto e o apartamento de Penélope estava escuro, ela estava olhando pela janela.

— Vocês não podem! — sua mãe gritava, em desespero — Isso é um erro! Ele não fez nada! Ele é inocente!

— Não encosta em mim, porra! Eu já disse que isso não é meu!

Ele abriu a porta do apartamento para encontrar o pequeno corredor cheio de policiais, seu pai algemado e sua mãe tentando chegar até ele, mas sendo impedida. Os policiais pareciam entediados, querendo apenas acabar logo com aquilo. Os olhos de Sônea se arregalaram ao ver o filho, e por um segundo Marcos pensou que fosse pelos machucados, mas ela logo disse:

— Marcos, eles querem levar o seu pai! Faz alguma coisa!

— O que... O que tá acontecendo? — perguntou, confuso e incrédulo.

Tinha passado a vida inteira denunciando e ligando para a polícia, mas nada nunca tinha sido feito. O que era aquilo agora, a grande operação que parecia ter como alvo Rafael. Não conseguia acreditar.

Um dos policiais o olhou feio, talvez pelos machucados ou talvez por ser filho do homem que prendia.

— É da sua conta, moleque?

— É o meu pai.

— Pois o seu papai vai passar um bom tempo na cadeia, quer se despedir? — deu um sorriso debochado que teria lhe afetado se ele se importasse com o pai — Tráfico de drogas.

— O meu marido não fez nada disso! — Sônea gritou novamente, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Ele é inocente! Inocente! Marcos, fala pra eles!

Marcos encarou o pai uma última vez, o rosto odioso que mesmo naquela situação lhe encarava irritado, como se fosse culpa dele toda a situação.

— Foi aquela vagabunda — rosnou, tentando alcançar Marcos e sendo impedido pelo policial. — A sua namoradinha vagabunda. Ela ameaçou, foi ela que fez isso. Eu vou quebrar as pernas dela. Eu vou quebrar as suas pernas, tá ouvindo?! — gritou.

O policial bateu na têmpora de Rafael, parecendo já estar sem paciência, e então chutou seu joelho para que ele andasse. Sônea correu escada abaixo até eles, pedindo que não o levassem e então implorando para que não fizessem nada com ele.

Marcos ouviu a gritaria diminuir conforme desciam as escadas, e então fechou a porta.

Penélope ainda olhava pela janela, e Marcos se aproximou a tempo de ver seu pai entrando na viatura, gritando mais ameaças quando olhou para cima, vendo os dois jovens ali. Sônea seguiu o olhar do marido e se virou para eles, furiosa. Marcos até pensou que ela fosse subir, mas sua mãe fez sinal para um mototáxi e seguiu a viatura que levava o seu marido.

— O que você fez?

— Eu me livrei dele, Marcos. — sua voz estava tão determinada, decidida. Como se o desafiasse — Foi isso que eu fiz.

Ele não sabia o que responder. Quando Penélope se virou para lhe encarar ele viu aquela menina de dezoito anos, a menina mais bonita do mundo, e apesar dos quatro anos juntos, naquele momento ela poderia ser uma estranha.

— Penélope, o que você fez?

Ela cruzou os braços, ainda com uma expressão desafiadora. Penélope sequer piscou quando lhe disse, numa voz calma:

— A polícia nunca vem aqui, Marcos, não por violência. Eu coloquei três quilos de cocaína no caminhão dele, e então fiz uma denúncia de tráfico de drogas. Eles apareceram em menos de uma hora. Você pode ficar com raiva, pode brigar comigo... Eu faria de novo. Ele não vai ter dinheiro para pagar a multa ou um bom advogado, ele vai ficar longe daqui por um bom tempo.

— Ele não é traficante — foi tudo que Marcos conseguiu falar. Sua cabeça doía com todas as informações, com a imagem do seu pai entrando na viatura.

Ele tinha sonhado com aquilo muitas vezes, mas nunca daquele jeito... Nunca por algo que, ironicamente, ele era inocente.

— Se ele não pagar pelo que fez com você, então ele vai pagar por outra coisa. O que me importa é que ele pague.

A voz de Penélope estava fria, uma raiva gelada que ele não tinha ouvido antes. O fez pensar nas palavras da sua mãe, sobre garotas como ela nunca deixarem de ser psicopatas elitistas. Era besteira, é claro que era besteira. Penélope não era nenhuma psicopata, era sua namorada e ele a amava. Ela só queria lhe proteger, e ele reconhecia que não da maneira mais honesta possível, mas ainda assim...

Ele se sentou no sofá gasto, passando a mão na cabeça. O que diabos estava acontecendo? Seu rosto ainda doía, seu pai tinha sido preso.

— Onde... Onde você conseguiu essa quantidade de droga? — Marcos perguntou, mesmo com medo da resposta.

— Um amigo. Você está com raiva? — Penélope se sentou ao seu lado.

— Não. Eu não sei como eu tô me sentindo, mas eu não tô com raiva. Não de você, pelo menos. Eu preciso ligar para Marina.

— Vai se deitar, você precisa descansar — Penélope segurou seu braço, mas Marcos sentiu algo diferente naquele toque.

Era pelo que ela tinha feito? Ele sabia que algo tinha mudado entre eles. Odiava aquilo, mas ele sabia que tudo estava diferente. Nunca imaginou Penélope como alguém capaz de cometer um crime. Claro, ela era impaciente, rebelde, mimada... Mas ela não era uma criminosa. Não até aquele momento, pelo menos. Marcos não sabia o que pensar.

— Penélope... Penélope se alguém descobrir isso você pode ser presa.

— Ninguém vai descobrir.

Odiou a maneira como ela revirou os olhos, como se fosse tão óbvio, tão fácil, como se aquilo não fosse um problema tão grande quanto era. Ele segurou seus ombros, preocupado.

— Você não devia ter feito isso. Não devia, entendeu? Ele pode vir atrás de você, pode falar que a droga era sua, pode... Porra, Penélope. Você não devia ter feito isso.

— E o que eu deveria fazer, Marcos? — a voz dela se alterou, irritada, e ela o empurrou para que se afastasse. — Deixar que isso continuasse? Eu deveria ter mandado matar ele, isso que eu deveria ter feito! Me livrado do problema de uma vez por todas.

Ela parou, parecendo se arrepender das palavras, mas não voltou atrás no que tinha dito. Penélope suspirou, passando as mãos pelo rosto e respirando fundo. Quando falou novamente, sua voz estava baixa.

— Você acha que eu gosto disso? De te ver machucado, de ouvir ele gritar com você? E Marina... Ela vai passar o resto da vida fugindo dele, se escondendo pelos cantos? Ela merece mais, você merece mais. Eu te amo e eu cansei de te ver passar por isso.

— Eu tô preocupado com você! Isso é crime, Penélope. E se alguém descobrir? Você enlouqueceu?

— Ninguém vai descobrir! — repetiu.

Penélope segurou seu pescoço, seu toque muito gentil.

— Marcos, acabou. Acabou, entendeu? Se você não quiser, não precisa ver o seu pai nunca mais. Você e a Marina estão livres disso.

Ele tocou a sua cintura, encostou a testa na dela. Os olhos de Penélope estavam receosos, preocupados, mas a sua voz era reconfortante. Ele pensou no que ela tinha dito, sem conseguir acreditar.

— Acabou?

— Sim.

Mas as coisas pareciam diferentes para ele, de um jeito que Marcos não sabia explicar. Talvez ele precisasse de tempo para pensar, para assimilar tudo que tinha acontecido. Ele se sentia aliviado como se finalmente pudesse respirar, mas seu coração estava acelerado com medo por ela, com medo de seu pai.

Ele se levantou.

— Eu quero falar com Marina. E a sua mãe deve chegar logo, eu...

— Marcos, se você ficou com raiva, fala de uma vez — Penélope tinha um olhar traído, mas manteve a cabeça erguida — Eu já falei que eu fiz o que eu tinha que fazer, e eu não me arrependo.

— Eu só preciso... Eu não sei. Eu não sei, Penélope, eu só preciso pensar um pouco. A minha cabeça tá doendo, Marina não sabe ainda sobre... Bem, sobre nada.

Ele se afastou, pensando no olhar furioso da sua mãe para ele, antes de seguir a viatura. Era exatamente o que ela tinha feito a vida toda: ficado ao lado do marido, não importava o quanto os filhos estivessem precisando. A frequência com que isso acontecia não diminuía a dor, no entanto.

— Você não tá pensando em ir na delegacia, né?

— Não. Eu não sei. Acho que preciso falar com a minha mãe.

Penélope se levantou, irritada, com as mãos na cintura.

— Isso só pode ser brincadeira, Marcos. Olha pra você! Olha o que eles fizeram com você!

— E você acha que eu não sei, Penélope? — de repente eles estavam gritando e Marcos odiava isso — Eu não quero brigar, eu só não acredito que você consegue ficar tão tranquila sabendo que cometeu a porra de um crime!

— Eu fiz o que eu tinha que fazer pra livrar você desse pesadelo! Como você tem coragem de ir até eles de novo, agora que finalmente nós nos livramos do seu pai? Você pode ter tranquilidade agora!

— Você tá sendo demais, ok? Demais, demais!

— É, e foi eu sendo demais que finalmente colocou Rafael onde ele merece!

Marcos sabia que ela estava certa, mas ele não conseguia relaxar, não conseguia ficar tranquilo. Uma sensação de desastre iminente não o deixava relaxar. Se acontecesse alguma coisa, ele sabia que o pai de Penélope não deixaria que o nome da família fosse manchado. Ele podia não ligar para a filha, mas Marcos sabia que ele era narcisista o suficiente para não permitir nenhum escândalo em seu nome. Ela ficaria segura, mas ele não sabia o que esperar da sua própria família.

— A gente se fala depois, amor. Eu quero ficar sozinho agora.

— Marcos — a voz dela estava chorosa quando o chamou, e ele não conseguiu não olhar para ela. — Você me odeia agora?

Mesmo com a tempestade na sua mente, ele não conseguiu evitar um sorriso ao ouvir o absurdo daquela pergunta. Marcos voltou para perto dela, deixando um beijo na testa.

— Eu não te odeio, nem agora nem nunca. Eu só preciso ficar com a minha família agora.

Penélope assentiu, parecendo não acreditar muito, mas Marcos foi embora mesmo assim. Ele entrou em casa apenas para pegar a chave do carro, ignorando a bagunça e todos os objetos revirados. Ainda tinha sangue na almofada do sofá, mas ele não sabia se era dele ou do pai. Marcos se concentrou, se obrigando a colocar a cabeça no lugar antes de sair.

Primeira parada: buscar Marina. Segunda parada: encontrar a mãe na delegacia, tentar descobrir se a armação de Penélope estava em risco de ser revelada ou não. Mesmo achando que ninguém acreditaria no seu pai, ele ainda assim queria ter certeza.

Ele pensou em bater na porta de Penélope antes de sair, arrependido por lhe deixar sozinha e porque queria que ela fosse com ele, mas não era uma boa ideia. Sabe Deus o que sua mãe faria com ela se a visse.

*

Quando Marcos voltou para o apartamento, tarde da noite, Penélope não estava. Marina tinha ido com ele até a delegacia, mas o depoimento dos dois apenas adicionou crimes à ficha de Rafael e fez com que sua mãe gritasse com eles, deixando bem claro que não os queria mais em casa.

Apesar de tudo, Marcos se sentia aliviado. Com horas para pensar, ele concluiu que Penélope era tão intocável quanto ele pensou que ela fosse: absolutamente ninguém se preocupou em checar as acusações de Rafael ou acreditou nele além da esposa.

Marina estava exultante, mais feliz do que Marcos jamais tinha visto, e ele pensou que talvez toda aquela confusão valesse a pena, sim. Ela estava em casa quando Marcos saiu, pensando que encontraria Penélope na casa do pai apesar dela não estar respondendo suas mensagens ou atendendo suas ligações. Ela costumava se esconder lá, brigando com as irmãs, a madrasta e o pai, sempre que eles discutiam. Deixar todos naquela casa com os nervos à flor da pele a deixava mais relaxada.

Ele esperava lhe encontrar na piscina, e quando a empregada abriu a porta para ele Marcos foi direto para lá. Detestava ir até ali, onde todos sempre o olhavam da cabeça aos pés, e onde o pai de Penélope sempre deixou claro que ele não era bem vindo, mas Marcos costumava fazer o esforço se fosse para ver a namorada.

Nenhum esforço no mundo o prepararia para a cena que encontrou, no entanto. Penélope estava no chão, mas parecia ter sido empurrada, porque Iago estava em cima dela, sem camisa e tentando abaixar o vestido tomara-que-caia que ela usava.

— Eu já disse que não! — a voz de Penélope estava furiosa, mas com uma pontada de pavor — Sai daqui agora!

— Não? Você torra dois mil reais em material e depois me diz que não?! Não fode, vai, Pê.

Iago se inclinou sobre ela, tentando lhe beijar enquanto esfregava seu corpo no dela, puxando sua roupa com mais violência. Foi o suficiente para que Marcos saísse do transe em que se encontrava. Penélope finalmente o notou, com um olhar apavorado, mas não foi necessário porque Marcos já estava avançando em Iago, o arrancando de cima da sua namorada pelos cabelos.

— Não encosta nela!

Marcos nunca tinha ficado com tanta raiva em toda a sua vida, nem mesmo durante as surras que levou do pai. Penélope estava chorando, arrumando a própria roupa, e parecia enojada, envergonhada, com raiva... Tudo ao mesmo tempo. Ela se afastou de Iago, ficando atrás de Marcos.

— Sua putinha — cuspiu para Penélope, ignorando Marcos — Então você...

Marcos avançou sobre ele, descontando toda a sua raiva em uma confusão violenta de socos e chutes, sentindo o nariz de Iago quebrar sob os seus punhos, sentindo a dureza dos ossos dele sob suas mãos. Ele não queria admitir, mas era bom poder descontar em alguém, especialmente em alguém que merecia. A empregada gritou, e ele ouviu Penélope gritar com ela, a ameaçando para que não fizesse nada.

— Ela pediu, ela me provocou... — Iago balbuciou, cuspindo sangue, e Marcos deu um soco mais forte para que o infeliz parasse de falar.

Marcos só parou de bater quando os seguranças apareceram, lhe tirando de cima do rapaz. Tudo ao redor dele estava vermelho com o sangue de Iago: suas mãos, sua blusa, o chão da piscina, o rosto de Iago.

— Vocês não vão levar ele! — Penélope se colocou na sua frente, descabelada, a maquiagem manchada, o olhar furioso, e ela era uma visão tão poderosa que os homens se entreolharam, como se estivessem se perguntando se respondiam para ela ou não. Ao fundo, Marcos podia ouvir o barulho de uma sirene. — Ele estava me defendendo, seus imprestáveis! Onde vocês estavam, que outra pessoa teve que fazer o serviço de vocês? Não encosta a mão em mim!

— Penélope — Ela se virou para ele, uma expressão perturbada quando viu os policiais entrarem em casa. Marcos sabia que tinha segundos antes de o levarem dali. Ele queria dizer tantas coisas... — Você tá bem?

Ela assentiu, não se importando com as mãos ou roupa ensanguentada dele quando o abraçou apertado, como se isso pudesse impedir que o levassem.

— Vai ficar tudo bem — mentiu, esperando que ela acreditasse.

Um dos seguranças levantou Iago do chão, e Marcos lhe abraçou mais apertado, vendo os policiais se aproximarem com cara de poucos amigos.

— Marina ficou no meu apartamento, minha mãe se recusou a sair da delegacia. Avisa Marina, ok? — pediu, e Penélope choramingou, o apertando mais forte — Eu te amo, eu te amo, eu te amo.

Marcos a soltou, levantando as mãos por ordem dos policiais, mas Penélope se recusou a se afastar. Ela ficou por perto mesmo quando o algemaram, o empurrando em direção à viatura. Os vizinhos estavam em frente às suas casas, olhando e filmando, e Marcos pensou na ironia: o seu dia começou com o seu pai sendo preso, e terminou com ele mesmo sendo levado para uma delegacia.

Mas Penélope não imediatamente atrás dele, como sua mãe tinha feito. Ela parecia furiosa o suficiente para tocar fogo no mundo enquanto olhava o carro se afastar, e Marcos não conseguiu evitar pensar que, para defender ela, ele iria para a cadeia mil vezes se fosse preciso.

Notas finais
Genteeeee o que vocês acharam? O Iago 100% mereceu, mas o pobre do Marcos vai acabar pagando por isso E sim, foi a Penélope quem colocou o pai do marcos na cadeia. De um jeito não mt correto, mas admito que esse pano eu passo. O que vocês acham?