Fé E Pecado
23 Capítulo 22 - E fui embora.
Notas iniciais
Tanya’s POV
Cheguei ao colégio, alegre e satisfeita, pois hoje consegui o que sempre almejei. Edward. Nossa! Eu realmente não esperava que fosse dar tudo tão certo quanto está dando... Mas como meu pai diz:
-Só conseguimos as coisas, se lutarmos... Nada cai do céu. – Murmurei lembrando-me.
Eu lutei desde o inicio para conquistar Edward, agora ele é meu e foi merecido. Ele sempre foi destinado a ser meu e acabou. Tudo bem que eu dei algumas rasteiras no destino para que ele aceitasse que Edward deveria ficar comigo, mas no fim o meio é justificado.
Tá, que eu escondi o ex namoradinho de merda de Bella numa ilha bem longe, onde nem a SWAT vai acha-lo... E eu sei que dei um “empurrãozinho” em Edward hoje à noite misturando, com ajuda de um garçom que nos serviu, uma droga em sua bebida, fazendo-o assim ficar mais soltinho... Mas quem nunca jogou baixo por amor?
Eu mesma sabia que ele e Bella estavam tramando alguma coisa contra mim! Sério, ela realmente achou que eu não ia perceber sua presença no restaurante? Fala sério... Eu não sabia o que era, mas eu tinha absoluta certeza de que, depois dessa noite, não existe mais Edward e Bella nunca mais!
Fui para o meu quarto e dormi feito um anjo, como Edward me intitulou ontem à noite. Só que algum filho da mãe querendo morrer o interrompeu, batendo na porta, feito louco e me acordando dos meus sonhos dos deuses.
-O que você está fazendo aqui? – Perguntei sonolenta para uma baixinha enraivecida.
-Sua vagabunda! – Gritou me empurrando.
-Ai, obrigada, Alice. Adoro receber elogios logo de manhã cedo, mas a que devo a essa honra? –Perguntei irônica.
-Sua vaca, Bella vai embora por sua causa! Era isso que você queria, não é?! –Acusou-me completamente insana. – Destruir o amor dos dois... Aposto que sequer gosta de Edward de verdade, deve ser apenas inveja de Bella...
-Inveja?! – Perguntei incrédula. – Poupe-me... Pois até parece que eu invejo aquela medíocre. – Revirei os olhos. -Querida, eu tenho a vida perfeita! Agora, com o meu homem perfeito ao meu lado.
-Se é tão perfeita, por que precisa pisar nos outros para ser feliz? –Disparou. – Edward não te ama e você sabe disso... Bella vai embora e ele te culpará! Tomara que ele nunca te perdoe pelo que você fez!
-Há, há, há. Como você tem tanta certeza desse amor dele por ela? –Perguntei superior e ela ficou ainda mais vermelha de raiva. – Sabe com quem ele passou a noite?
-Eu sei que você fez alguma coisa para que ele agisse daquela forma... E eu vou provar! – Jurou indo embora e batendo a porta com violência ao sair.
-Graças a Deus. – Murmurei revirando os olhos.
Era só o que me faltava, ter uma nanica atrás de mim, bancando a heroína de historinha em quadrinho! Argh! Mas peraí... Ela disse mesmo que Bella estava indo embora? Será que eu ouvi direito? Ai Meu Deus, obrigada por ouvir minhas orações!
Bella’s POV
Eu já tinha falado com meu pai e ele – depois de eu garantir que eu estava solteira -, aceitou que eu voltasse para casa e disse que me aguardaria no aeroporto de Seattle. Eu sabia que minha mãe estava morrendo de raiva por eu estar voltando bem antes do previsto, mas ela que danasse, eu queria dar o fora daqui o mais rápido possível.
Enquanto eu fazia as malas, meu peito parecia querer parar bater de tanta dor. Eu segurava com todas as forças as lágrimas, por isso, meu corpo tremia todo. Alice tinha sumido faz tempo e eu queria me despedir dela... Só dela.
Eu não queria ver Edward nunca mais! Pra mim, ele estava mais morto do que aquele miserável do Mike, que me enganou feito um patinho quando eu era mais nova. Minha mãe ainda acha que fui eu a causa do seu suicídio, mas ela não sabe a verdade sobre aquele seu amiguinho idiota.
Argh! Só de me lembrar do que aconteceu, meu sangue fervia! Só que minha mente me mandava imagens e logo um filme passou em minha cabeça e assim, me vi três anos atrás, quando tudo começou.
Minha vida estava um pandemônio. Meu pai não me largava, minha mãe me odiava e eu estava me sentindo um lixo humano com todo esse caos. Eu estava totalmente deprimida e sequer comer eu tinha vontade. Eu queria ter uma família normal, poxa! Não era pedir demais... E foi assim que conheci os Newtons.
Eles eram amigos dos meus pais, só que moravam no exterior há muitos anos, por causa do emprego de Mike em Mumbai, mas finalmente eles tinham voltado para os EUA e num jantar nos conhecemos.
Ele e Jéssica, sua esposa, tinham três filhos: Ângela, que tem minha idade, Erick e Tom, os dois gêmeos, eles eram bebês quando os conheci. Eles sim eram uma família perfeita... Você via o amor de Mike para com as crianças e não era aquele amor doentio e pervertido que meu pai tinha comigo.
No inicio, como eu e Ângela éramos da mesma classe, nós passávamos muito tempo juntas e o “tio Mike” sempre era muito atencioso comigo, pois dizia que me via como uma filha e eu sentia o mesmo por ele. Eu era muito acanhada e tímida, naquela época. Diria até ingênua... E um pouquinho atrapalhada, pois eu não tinha nenhum talento com a coordenação motora e vivia caindo. Por causa disso – e dos grandes problemas da minha família -, eu era uma pessoa bastante sozinha.
Mas enfim, logo nossa relação se estreitou e eu realmente o via como um pai pra mim. Ele me ensinou violão e a jogar vôlei sem acertar ninguém na cabeça. Eu me sentia mais próxima dele, do que já tinha sido de qualquer outra pessoa. Eu contava tudo para ele, menos sobre o lance do meu pai, e ele sempre escutava meus dramas e comédias com todo carinho e atenção.
Porém numa noite, ele me ligou dizendo que tinha brigado com D. Jéssica e que precisava me ver, se eu poderia ir ao seu escritório para que pudéssemos conversar sem que minha mãe – melhor amiga de sua esposa — escutasse.
Eu nem pensei duas vezes e fui lá. Até hoje me pergunto por quê...
Estava chovendo pra caramba e eu cheguei ensopada. Ele, todo gentil, me ofereceu seu terno e pediu que eu me sentasse, pois o que ele tinha pra falar comigo era muito sério. Eu me lembro de sentar em seu sofá de couro, temerosa, pois achava que ele havia descoberto tudo sobre meu pai e eu e, igualmente como minha mãe, agora me odiava.
-Tio Mike, eu tenho como explicar... –Comecei, mas ele me silenciou com o seu longo indicador sob meus lábios.
-Depois que eu falar tudo que eu tenho pra falar, você diz o que quiser, mas, por favor, me escute. – Eu assenti e lentamente seu dedo se afastou, indo para o meu pescoço. Esperei que e continuasse, mas ele passou um bom tempo apenas me fitando. – Você é linda, sabia?
-O-Obrigada, Tio Mike. – Agradeci envergonhada, sentindo-me o rosto esquentar.
-De agora em diante, só me chame de Mike, tá? – Eu assenti novamente, sem dizer nada e ele sorriu: — Boa menina... Ainda está com frio? –Perguntou depois que eu tremi um pouco.
-Um pouco. – Respondi recebendo um abraço quente dele. – Hmmmmm... – Murmurei ao encostar minha cabeça em seu pescoço e sentindo não só o seu perfume, mas também o conforto de se sentir protegida.
-Você gosta de quando eu te abraço? – Perguntou-me um pouco rouco.
-Aham.
-Que bom... Eu também gosto. — Ele pegou meu queixo com o polegar e o indicador e levantou para que o olhasse bem nos olhos. — Gosto muito. E quando eu te toco, você gosta? – Balancei a cabeça na afirmativa. – Que bom... – E Deixou sua mão despencar sobre a minha perna e a acariciou-a, subindo lentamente até a minha calcinha, onde pressionou.
Eu tomei um susto e me afastei. Eu nunca imaginei que ele pudesse fazer uma coisa dessas comigo... Mas assim que eu olhei bem em seus olhos, eu vislumbrei o mesmo olhar que meu pai lançava pra mim.
-Bella, eu te amo. – Começou já se aproximando.
Merda! Eu já sabia onde esse discurso de “eu te amo, você também me ama, agora vamos provar o nosso amor” iria dar e não era em nenhum lugar bom. Tentei me desvencilhar das suas garras, mas ele era tão forte...
Mike me estuprou durante a noite inteira, até amanhecer. Eu pedi para parar, implorei na verdade, mas ele nem sequer me ouvia. Para eu não fugir enquanto dava pequenos cochilos, ele me algemou com seu cinto numa parte de metal do braço do sofá, na qual ele só me soltou quando já era quase seis da manhã.
Meu corpo todo doía principalmente minhas partes intimas, pois parecia que estava em carne viva de tão ardendo que estava... Ele mandou que eu me vestisse, alimentou-me e me levou para casa, onde meu pai me esperava aflito.
-Não se preocupe, Charlie. Ela passou a noite comigo. – Ele garantiu com um sorriso inocente no rosto.
Charlie me mandou entrar e vi que ele estranhou, quando eu não conseguia fechar as pernas nem para andar. Assim que ele entrou, veio logo na minha direção, tentando me despir.
-Hoje não! – Recusei com veemência, afastando-me.
-Por que, não me ama mais? –Perguntou tentando fazer chantagem emocional.
-Não é isso... É só que tá doendo demais. – Falei abrindo um pouco as pernas para tentar subir as escadas até o meu quarto.
-Aí, por quê? – Perguntou confuso, enquanto eu subia.
-Por que Tio Mike me amou a noite toda.
E logo após disso, Mike apareceu morto, enforcado, num motel barato. Minha mãe me acusou de cara, lógico. Ela e D. Jéssica me encaravam feito pitbull no enterro do homem e eu bem sei que, em suas cabeças, a vítima era ele.
Depois dessas todas, eu simplesmente tinha perdido a fé nos homens... Achei que Edward seria diferente, mas eles são todos iguais. Basta ter uma oportunidade para agarrar uma mulher, que aproveita.
Argh, como sou idiota!!
Catei o resto das minhas coisas e escrevi uma carta a Edward, para que, pelo menos, ele não diga que eu fui embora sem nem dizer adeus. Deixei-a em cima do meu travesseiro. Olhei no relógio e faltava apenas duas horas para o meu voo, era melhor eu ir logo para o aeroporto.
Ainda bem que encontrei Alice no caminho. Ela parecia brava e desvairada, mas logo a tristeza se abateu quando viu a mala ao meu lado.
-Não vá, por favor! –Pediu pela milésima vez. – Tudo vai se resolver, acredite em mim.
-Acho que não. Não pra mim e Edward, pelo menos. –Expliquei. – Eu estou muito ferida com tudo o que aconteceu para ficar aqui, sabe? – Perguntei retórica. – Agora, é melhor eu voltar para Forks, onde é minha casa, meu cantinho...
-Mas eu vou sentir tanta saudade de você! – Se jogou em cima de mim e me abraçou chorando.
-Ei, quem sabe você não vem me visitar? –Perguntei entre o choro.
-Daqui a pouco você volta... Você vai ver. – Garantiu positiva e me abraçou mais uma vez, levando-me até o táxi. –Faça boa viagem e vai com Deus.
-Amém. – Falei essa palavra acho pela primeira vez, em toda minha vida.
E com uma ultima olhada no grande castelo cheio mágoas, intrigas e invejas... Fui embora.
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