Fé E Pecado

13 Capítulo 12 - Opa! Uma carta para Edward?


Notas iniciais
Queridas, obrigada pelos reviews!!!
Adoreei tds!

Era final de mês e, como era normal desse período, todo mundo ia para suas casas para passar um final de semana com suas famílias. Já que eu era a única ali que tinha a família a trocentos quilômetros de distância, eu ficaria aqui no castelo.

Alice até que me chamou para ir para a casa dela, mas eu recusei. Esse negócio de família não era a minha... Preferia mil vezes ficar aqui e aproveitar o silêncio para reorganizar meus pensamentos.

-Mas você vai gostar! – Alice garantiu-me tentando, inutilmente, me fazer mudar de ideia. – Meus pais são muito legais!

Pelo o que ela me contava, seus pais eram daquele tipo de pais perfeitos. Carinhosos, bacanas... Deus! Eu me sentiria completamente nostálgica e deprimida ao lembrar que meus pais são o contrário de tudo aquilo. Eu, com certeza, me sentiria um peixe fora d’agua na casa dela.

-Não, amiga. Brigada, mas passo. – Ela fez aquela carinha de cachorro pidão, então complementei: — Quem sabe no natal?

-Ah, amiga. Você vai adorar! Meus pais compram uma árvore e... Blábláblá. –Ela continuou tagarelando feito uma matraca e eu apenas fingi que escutava, enquanto a levava para a portaria principal. – Tchau, amiga. Fica bem e vê se toma juízo!

-Juízo se compra na farmácia? – Brinquei e ela revirou os olhos para depois me abraçar bem apertado. – Tchau, gata. Divirta-se!

Ela acenou um tchau pra mim e partiu.

Fiquei ali mais alguns instantes, até que o ultimo aluno partisse e eu ficasse completamente sozinha. As freiras já estavam entrando, quando eu saí para tomar um pouco de ar puro. O dia estava frio e com um pouco de neve, mas eu não me importei. Eu precisava ficar sozinha um pouco.

Fui até o gigantesco jardim e fiquei ali contemplando a beleza dos galhos congelados. Pena que toda aquela paisagem foi estragada , quando entrou um carteiro todo atrapalhado que escorregou e caiu no chão cheio de gelo, derrubando toda a correspondência.

Fui até ele que estava caído no chão. Não parecia que tinha se machucado muito, mas o tombo tinha sido feio. Ele se sentou no chão e catou as cartas espalhadas, resmungando baixo.

-Está tudo bem, senhor? –Perguntei próximo a ele.

-Tô, que droga! –Falou empilhando os envelopes.

-Quer ajuda? – Perguntei estendendo a mão, ele aceitou.

-Ai, minha perna tá doendo! – Reclamou massageando sua coxa com a mão disponível.

-Como posso te ajudar, moço? –Perguntei tentando, pelo menos, parecer gentil.

Ele me olhou por um segundo, antes de jogar todas as cartas sobre mim.

-Você entrega, por favor? – Pediu fazendo careta quando tocou um machucado no braço.

-Hum, claro... – Falei, mas por dentro eu estava: “Pra que eu fui abrir minha boca?”

-Obrigada, garota. Deus te pague! – Falou indo embora.

-Com juros e correção monetária, ok? – Falei olhando para o céu, enquanto entrava no castelo com aquele peso todo.

Eu pus a pilha num banco e separei as correspondências. A maioria eram contas, anúncios e algumas para poucos alunos, uma pra mim e... Opa! Uma carta pra Edward?

Olhei para o remetente e era de uma tal de Esme Cullen. Cullen. O mesmo sobrenome de Edward, ou seja, ela é parente dele! Ah, meu Deus! Será que era a mãe dele?!

-Acho melhor perguntar a ele, certo? –Perguntei a mim mesma.

Eu deixei lá no banco as outras cartas e fui até o escritório dele. Pelo que eu sabia, fazia anos que ele sequer tinha noticias da mãe... Será que ela morreu? Credo, Bella! Repreendi-me mentalmente. A porta estava fechada e eu bati algumas vezes.

-Entra. – Ele falou numa voz monótona.

Respirei fundo e entrei.

Todas as vezes que eu entrava aqui, eu sentia a mesma coisa. Era ali que eu percebia o quão importante Edward era. Admito que, às vezes, eu esquecia de que Edward era o diretor disso tudo. Era ele quem mandava por aqui. Hum... Nem começa a fantasiar besteira, Bella!

Ele estava lendo alguma coisa na pilha de papéis, seu olhar era compenetrado. Hoje ele estava mais desarrumado que o normal. Usava uma blusa social branca dobrada até os cotovelos, sem aquele troço no pescoço que os padres usam e aberta nos primeiros botões, e seu cabelo não estava todo arrumadinho. Na verdade, ele estava todo desgrenhado e desalinhado, como se ele sequer tivesse penteado o cabelo hoje de manhã. Gostei!

-Edward, eu incomodo? –Perguntei ainda na porta, a carta parecia pesar uma tonelada em minhas mãos.

-Não, Bella. – Falou apontando para a cadeira a sua frente, mas sem sequer olhar pra mim.

-Como sabia que era eu, sem nem me olhar? – Perguntei me sentando, onde ele havia ordenado.

-Sua voz. – Ele falou finalmente me olhando. – Eu a reconheceria de longe. – Explicou. – Além do quê, você é a única por aqui que tem a ousadia de me chamar de Edward. – Sorriu pra mim e eu retribuí. – Mas me diga, o que devo a honra da visita? – Perguntou encostando-se à cadeira e sorrindo brincalhão.

-Por que, não posso mais te ver por nada? — Perguntei o provocando. – Quando eu cheguei aqui, você disse que eu poderia vir a hora que eu quiser...

-Então, só veio aqui pra me ver? – Perguntou com um sorriso lindinho, mas convencido.

-Não. – Disse e ele riu.

-O que foi então? — Eu não disse nada, apenas entreguei a carta. – Pra mim? – Perguntou confuso.

-Sim, chegou agora mesmo. – Respondi meio preocupada, eu não estava tendo uma boa intuição sobre essa carta.

-Desde quando virou carteira? –Perguntou tentando fazer graça.

-É uma longa história. – Fiz sinal de descaso. – Agora me diz. O que está escrito?

-Eu não sei, ainda não li. – Falou abrindo.

-Ai. Essa doeu...

-Brincadeira. – Falou e alguns segundos depois ele ficou completamente calado. Percebi que até sua respiração estava presa. – É da minha mãe. – Disse por fim.

-Presumi pelo sobrenome. – Comentei e ele assentiu, ainda olhando assombrado para o papel à sua frente.

- Ela está muito doente e pediu pra me ver. – Contou-me engasgado. – Deu-me o seu endereço. – Falou virando a folha. – Disse que acha que já está na beira da morte e quer me ver pela última vez...

Senti que ele estava se esforçando para parecer forte. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e sua respiração estava entrecortada. Eu me levantei e fui ao seu encontro.

-Você vai, não é? – Perguntei sentando-me no braço da sua cadeira.

-Eu não sei... Faz mais de uma década que eu não tenho noticias dela. – Contou-me magoado.

-E daí? Ela continua sendo sua mãe...

-Eu sei, mas eu pensava que ela já tinha morrido há um bom tempo. – Explicou respirando fundo para não esmorecer.

-Pode chorar, Ed. – Falei abraçando-o. – Você não vai se tornar um fraco por causa disso. – Garanti-lhe. Senti seu corpo tremer e logo minha blusa estava molhada de suas lagrimas. Ficamos alguns minutos assim, enquanto eu acariciava seus sedosos cabelos e ele me abraçava fortemente. Até que, lentamente, ele me soltou e me olhou bem nos olhos dizendo:

- Você não entende, eu passei anos achando que ela tinha me esquecido... Eu era apenas uma criança quando ela me pôs no seminário, eu sequer me lembro do seu rosto. – Seu tom angustiado e ressentido era de partir o coração. – Ela poderia ter ido me visitar, mas nunca foi.

-Mas ela deve ter tido seus motivos e agora está prestes a morrer. – Repliquei. – É sua obrigação como padre e como filho levar uma palavra de conforto. Você vai se sentir culpado depois se não for...

-Ah, tá... E se fosse Renée que tivesse morrendo? –Perguntou ríspido. – Você iria lá visita-la?

-Não é certo comparar os dois casos, mas sim. Eu iria. — Afirmei com veemência. – Quem tem aversão a mim, é ela. Eu não tenho nada contra a ela.

Ele riu seco.

- Se você ouvisse o veneno que ela soltou pra mim quando você estava no hospital... – Disse. – Teria sim, tudo contra ela.

-Como assim?! – Perguntei dando um pulo.

-Ah... Nada demais. – Falou me puxando para perto, mas eu me desvencilhei. –Ok, se você quer tanto saber, eu digo. Ela falou que você está jogando comigo e que assim que você conseguir o que tanto quer, vai me descartar. Assim como você fez com... Os outros.

-E você acreditou? –Perguntei irritada.

Ele deu de ombros.

-Não há o que acreditar ou deixar de acreditar, Bells. – Afirmou. – Aquilo tudo era veneno e eu não irei me influenciar pelo que ela disse. Eu prefiro fazer meus próprios julgamentos, pois se eu errar, a culpa vai ser de ninguém além minha. E, aliás, minha opinião ao seu respeito já está formada há algum tempo... Muito antes de sua mãe vir com toda aquela ladainha.

-Sério? –Perguntei aliviada.

-Aham. –Assentiu.

-Mas, de qualquer forma, você vai ou não visitar sua mãe? –Perguntei voltando ao assunto que interessava.

-Ah... Eu não sei. Eu pensei que ela fazia parte do meu passado que eu deixei para trás há anos. Tenho medo de reviver toda aquela magoa de novo.

-Você não precisa ter medo... – Disse pensativa, até que eu tive uma brilhante ideia. – Pois eu vou com você. – Disse decidida.

Notas finais
Será que essa viagem vai dar certo? kkkk
Próximo capitulo promete!