Extintos
3 Escolhido?
Notas iniciais
Escolhido?
Eu estava no banco de trás junto com Tina, por enquanto Lucas dirigia o carro ao lado de Didi, estávamos todos ouvindo rádio, um pregador falavam sobre ervas curadoras, Didi ao ouvir isso comentou:
-Hum... A gente tem que pensar nisso, nunca mais vi erva ultimamente.
Lucas abaixou o volume do som:
-Muito engraçado...
Didi olhou para ele:
-O que foi?
-Você tem que ter respeito.
Marcos ouvindo tudo sentado no porta mala pergunta:
-Pelo que? Por Deus castigando a minha filha? Quem ele esta premiando? Quem? Você?
-Não é isso que eu estou dizendo... –Falou meu irmão em um tom de sério, pois nem olhava para nós, só para aquela imensa estrada onde nós estávamos passando.
Tina ouvindo a conversa abre a janela do carro sentindo o vento frio que passara sobre nós:
-Esta dizendo o que?
-Algumas pessoas ficaram trancadas, não comeram comida, e nem tocaram no telefone... Vão morrer em uma semana... Eu trabalhei em um estádio cavando sepulturas de infectados por 10 reais a hora... Podem rir mais eu me atolei ate o pescoço nessa porcaria... E ainda estou aqui.
Marcos curioso diz:
-Esta dizendo que é imune? Um escolhido? Ou o que?
Olhei para Lucas também curiosa com o que ele ia dizer, e só ouvi as palavras:
-Eu estou aqui, e eles não.
-Então poderia dar um beijo no meu filho de boa noite por mim? –Disse Marcos, mas... Lucas não disse nada. –Sabia que não. Não é bom ser o escolhido não é?
Eu sorri um pouco, Lucas me agrediu com suas palavras:
-Risadinha ridícula, em universitária.
-Onde você estudava Amanda. –Perguntou Marcos.
-Ela tinha uma bolsa na UNICEUB. –Disse Lucas por mim.
Eu o corrigir:
-Na UNB. Era UNB na verdade...
-E faz diferença? –Perguntou Lucas agredindo com suas palavras mais ainda. –A UNB fechou antes de aceitar você.
-Lucas se liga. –Gritou Tina.
- O que é?
Tina começou a dar-lhe uns tapas, Lucas para se defender soltou a mão do volante, e nesse momento o carro derrapou no asfalto parando no meio da estrada, eu com lagrimas nos olhos abri a porta do carro após ver que mais um pouquinho a lona tinha soltado espalhando o vírus pelo carro todo.
Ainda ouvi Lucas gritando para Marcos:
-Não sai do carro não!
Marcos agarrando seu filho na colo gritou:
-Se você estivesse prestando atenção na estrada.
Eu meia nervosa fui caminhando pelo asfalto ate que ouvi a voz de Didi que via por trás de mim:
-Amanda... Amanda... A lona agüentou. Não tem que se preocupar.
Eu parei de andar e olhei para o céu que agora tinha umas nuvens escuras:
-Esta tudo bem? –Perguntou Didi olhando para meus olhos.
-Agora esta... –Eu disse para tranqüilizá-lo.
À noite...
Paramos o carro escondido atrás de umas arvores ao redor da estrada, e como se fossemos acampar fizemos uma fogueira abrimos uma tenda para dormir, Marcos e seu filho ficaram no porta malas mesmo, rapidamente entrei no carro para pegar mais fósforo ate que ouvi a voz do garoto:
-O que é isso?
Olhei para ele, ele apontava o dedo em direção a uma foto minha com meu irmão na praia após temos feito um castelo de areia:
-Isso... Eu e o Lucas tínhamos um Pai. Parecido com o seu, e ai todo o verão ele levava agente para essa praia das águas vivas, a gente nadava, surfava, e... Comíamos sanduiche de camarão lotado de maionese.
-ECA!
Eu sorri.
-Tinha um monte de tartaruga? –Perguntou o garotinho.
-Tinha. –Disse eu. –Tantos que não dava para andar sem pisar em um.
-Isso é impossível.
-É verdade, tinha tantos que tinha vezes que um ate subia no outro.
O garotinho olhou para seu pai:
-Papai a gente pode ir junto com eles?
-Não filho... Vai dormir. –Marcos olhou para mim. –Por vocês acham que podem estar seguros lá?
-Por que... Lá tem um velho motel. O lugar foi deixado à anos. A gente vai fazer uma faxina, ficar de quarentena, ate que a gente saia e não tenha... Mais nada... Ate que essa doença acabe de vez...
-A doença ou as pessoas?
-No fim... Acaba dando no mesmo.
Meio nervosa sai do carro, e me sentei em um tronco ao lado de Didi, nós dois vimos lá na frente Lucas e Tina se beijando, sorrimos um pouco, ate que Didi me perguntou:
-Você pensa na UNB?
-É... Claro... –Eu disse olhando para o fogo. -Nisso e nas coisas que eu pretendo fazer um dia.
Ate que todos nós ouvimos barulhos de tiros e de carro na rua, Lucas gritou:
-Apaguem o fogo rápido!
Didi rapidamente apagou o fogo jogando um tapete por cima, e todos nós vimos um caminhão atrás de um Gol antigo na rua, vimos o Gol parando e um asiático saindo correndo do carro, ouvimos vozes no caminhão que dizia:
-Aonde pensa que vai garoto?
E um tremendo estalo de tiro e o asiático trombando morto no chão, um homem saiu do caminhão, pegou o corpo e deu jóia para seus companheiros dentro do caminhão:
-Tudo OK vamos.
De manha, com o carro na estrada, passamos por uma placa, onde aquele mesmo asiático estava amarrado morto com uma placa escrito:
“A Ásia nós trouxeram isso”.
Aterrorizados Lucas aumentou a velocidade do carro para que o pequeno garoto não visse.
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