Extintos
4 Aonde isso vai parar...
Notas iniciais
Aonde isso vai parar...
“Área infectada, em caso de infecção ativa a Saúde publica imediatamente”
Foi essa a placa que vimos quando o “nosso” Eco Esporte entrou na cidade de Cabo frio, restaurantes vazios com a comida ainda no prato recheadas de milhares de moscas, ruas e avenidas vazias onde o mato crescia no meio fio, sinal vermelho no farol onde não passava nem um carro além do nosso, ainda rimos quando a fiscalização eletrônica fotografou nossa placa, em frente de casas tinha vários caixões, carros quebrados.
“Lixo biológico... Restos humanos”
Essa placa estava colada em um caminhão do lixo, assustados nós viramos para ver o que tinha dentro e era... Mais corpos humanos... Passamos em frente a uma escola.
-É essa a escola. –Disse Marcos apontando o dedo indicador em sua direção.
Estacionamos em frente à escola que parecia abandonada.
“Colégio Aurora... Centro de medicação aqui”.
Isso era outra placa escrita na frente desse colégio enorme de quatro pavimentos, duas quadras e as demais coisas.
Lucas, Marcos e eu saímos do carro já nos aprontando para entrar na escola, Lucas e Marcos colocaram suas armas de fogo na cintura, e no bolso desinfetantes e cloro como eu também fiz.
-Papai... –Era o garotinho olhando para Marcos que saiu do porta malas.
Marcos olhou para seu filho:
-Filho eu só vou entrar para ter certeza se tem monstros debaixo da cama...
-Mas... Se tiverem Pai?
-Não precisa se preocupar, eu vou voltar antes que você diga paralelepípedo.
-Paralelelepí... Pararalele...
Marcos sorriu:
-Vai tentando.
Tina sorriu:
-Eu cuido dele.
Lucas chegou ate ela e puxou-a pelo braço:
-Tina... Não é hora disso.
-Eu tenho que ficar, ele não pode ficar só.
Lucas olhou para o garoto infectado:
-Eu estou falando serio, não é para chegar perto dele.
-Esta bem... Pode ir.
Lucas deu um Celinho na boca dela:
-Esta bem. É assim né? Sempre faz o que quer fazer.
-Por isso você me ama.
Didi, eu, Marcos e Lucas entramos na escola, corredor vazio cheio de cadeiras de rodas, camas de hospitais, além do cheiro horrível.
-OLÁ!- Gritou Marcos fazendo eco.
Lucas olhou para Marcos:
-É amigo parece que o seu hospital esta vazio.
Der repente ouvimos um vulto passando de um corredor para o outro, assustados olhamos um para o outro, eu disse:
-Tem gente aqui!
Todos nós fomos correndo feito loucos pelo corredor tentando seguir o vulto que era muito rápido, ate que chegamos à quadra do colégio e vimos algo inacreditável:
-O que é isso? –Assustou Didi.
-Eles conseguiram. –Disse meu irmão.
Lá na frente tinha um grupo de crianças brincando de bonecos sentados em um tapete, e o que parece um doutor em uma mesa fazendo algo que eu não conseguia ver, ele estava de jaleco branco e tudo.
Todos nós fomos caminhando em direção ao doutor que estava de costas.
Marcos disse:
-Senhor...
-O que é? –Perguntou o doutor.
-É o encarregado? –Perguntou Marcos.
-Não. Você quer o doutor Rodrigues na segunda Ala, mas não vai encontrá-lo lá, ele morreu segunda feira.
-Doutor nós viemos de muito longe, soubemos que aqui existi um soro. – Caminhamos ate perto do doutor que continuava de costas. –Meu filho esta muito doente.
-Há quanto tempo?
-Pouco mais de uma semana.
-Ela já sangrou pelos ouvidos?
Emocionado Marcos disse:
-Não.
-Bom... –O doutor se virou, todos nós vimos que ele estava infectado, metade de seu corpo estava sangrando, veias estouradas tirando os sangramentos nos lábios e na boca além de estar com a metade do corpo deformada. –Traga ele pra cá. –O doutor olhou para as crianças que sangravam pouco, deviam esta no primeiro estagio da doença. –Muito bem crianças... Essas pessoas vão levar vocês ate seus pais que estão lá fora, então bebam logo os seus remedinhos. –Disse o Doutor dando um copinho para cada uma que estava no local.
Assustada perguntei:
-O que você esta fazendo com essas crianças? O que é isso? Onde é que esta o soro?
O doutor sorriu ironicamente:
-Um soro... Nos tínhamos um soro. Por três dias estabilizavam os pacientes, melhoravam um pouco, três dias... Foi o melhor que conseguimos fazer. Ou qualquer outro no mundo que conseguiu fazer. Protelávamos o vírus por três dias, mas o mal estar e a dor continuavam por 72 horas... Não vamos prolongar isso...
Didi olhou para os copinhos:
-O que tem no copo?
-Muito potássio, em grande quantidade, agora se me dão licença...
Lagrimas nesse momento escorreram sobre meus olhos e pingavam no chão daquela quadra, e dor e agonia encheram a minha alma, nos berros gritei:
-Não... Para! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!
Lucas segurou meu braço:
-Amanda... Estão doentes, já estão todos mortos, vamos embora.
- TODOS MORTOS! –Gritou Marcos encarando meu irmão. –MEU FILHO ESTA VIVO! ELE NÃO ESTA MORTO!
Eu gritei:
-Não pode ser assim... Devem existir outros lugares! Por favor... Por favor.
Marcos sacou sua pistola do bolso e mirou na cabeça do medico:
-PARA! PARA! Seu desgraçado PARA! Agora... Pegue os copinhos.
O medico olhou para baixo:
-Olha a sua volta... Sem energia há duas semanas. Deixamos a cidade sem gasolina só para ligar os geradores, não sobrou mais nada.
Marcos chorando olhou para as crianças brincando com os bonecos:
-Por favor... Por favor, NÃO!
-Às vezes escolher a vida, é só escolher uma forma mais dolorosa de morrer.
Em silencio e todos chorando, Marcos deixou sua arma no chão, e foi caminhando em direção ao carro, eu, Didi e Lucas fizemos a mesma coisa atrás dele, todos em silêncio.
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