Extintos
2 Carona para o inimigo...
Notas iniciais
Carona para o inimigo...
O carro estava parado no meio do acostamento, Tina e Didi conversando dentro do carro, Lucas com sua arma 38 atirava em uma placa que estava escrito “Lula para presidente”, e eu estava procurando no porta malas algo para nos ajudar, encontrei uma chave de fenda, olhei para Lucas e comentei:
-Olha só o que eu achei!
Lucas olhou para mim:
-Que beleza! Agora se você achar um pneu novo sem nenhum tiro me avisa esta bem?
Inquieta olhei para o pneu furado:
-Não da mesmo para consertar?
-Deixa de ser ingênua Amanda, o pneu já era!
Lucas acertou dois tiros na testa do ex- presidente olhei para meu irmão e cheguei ate o lado dele:
-Lucas...
-O que é? –Disse ele sem ao menos olhar para mim.
-Aquele carro só precisava de gasolina.
Didi ouvindo a conversa saiu do carro:
-O que? Não... Não... Nem pensar... –Disse o garoto passando a mão sobre a testa molhada.
Observei seus cabelos lisos e loiros, mas não era a hora de falar nada:
-Se ficarmos aqui vamos morrer.
-E voltando não vamos? –Perguntou e gritou Didi ao mesmo tempo. –Você viu o garoto. Você viu o sangue, as erupções... –Didi meio nervoso olhou para Tina dentro do carro. –Ô Tina você viu, fala ai vai.
-Didi não temos muitas alternativas... –Comentou Tina.
-E as regras?
Lucas olhou para mim:
-Amanda fala para seu namoradinho se conter ai...
Eu e ele falamos ao mesmo tempo:
-Não somos namorados.
Lucas deu um sorriso irônico, e caminhou ate eu sentir sua respiração:
-Que maravilha! Então me diz Amanda, o que ele esta fazendo aqui? Em? Por que ele não ficou na casa dele esperando os infectados?
Ouvi a voz de Tina atrás de mim:
-Olha só! Vamos ficar calmos... E tentar usar a cabeça. – Disse ela e com a mão leve começou a empurrar Lucas para trás. –Por favor...
-Você esta certa. –Concordou Lucas guardando sua arma de fogo na cintura.
Eu perguntei:
-E o lance do carro?
Lucas olhou para mim:
-Eu não sei Amanda, estou pensando.
-Precisamos daquele carro.
Aos berros ouvi sua voz:
-EU SEI DISSO! DROGA!
Minutos depois...
Nós quatro caminhando, levando em cada mão barris de desinfetantes, cloro e gasolina chegávamos cada vez mais perto do Eco Esporte, ouvi a voz de Lucas que viera da minha frente:
-Coloquem as mascaras.
Todos nós obedecendo colocamos mascaras iguais aos médicos quando vão fazer cirurgia em alguém, o homem do carro nos avistando deu dois passos à frente do carro:
-Marcos Paulo. –Disse ele estendendo as mãos para nos cumprimentar.
Lucas gritou:
-Precisamos do seu carro. –Falou nem triscando no homem.
O homem recolheu o braço olhando para nossas mãos que agora estavam com luvas:
-É... Eu já imaginava.
Lucas sacou sua 38, o homem deu dois passos para trás e se sentou no banco da frente do carro:
-Vai querer derrubar sangue de um cara que parece infectado em seu carro novo?
-Nós temos muito cloro. –Comentou meu irmão. –Limpeza não é o problema.
Tina segurou seu braço:
-Lucas você esta chegando muito perto.
-Peguei uma transmissão de rádio. –Comentou Marcos. – De uma escola perto de Cabo Frio. Pessoas de todo o estado estão indo para lá.
Curiosa com essa novidade perguntei:
-Pra que?
-Parecem que descobriram um novo soro.
Lucas deu mais um sorriso irônico:
-Essa é uma historia nova, parece que não tinha ouvido ela ainda.
-Conseguiram resultado? –Perguntou Didi.
-Ninguém esta conseguindo resultado Didi. –Comentou meu irmão olhando para ele.
-Eles têm um tratamento novo, e eu estou levando meu filho para lá, se quiserem ir comigo ótimo, mas se não... –Falou Marcos pegando sua arma do porta-luvas do carro.
Lucas ficou aos berros:
-Isso é conversa afiada e ele sabe disso! É a mesma coisa da vacina em São Paulo, não serviu para bosta nenhuma.
Tina apontou o dedo em direção ao cara:
-Então atira logo na cabeça dele.
Nesse momento algo estranho aconteceu ali, como se Deus me desse uma idéia então eu disse:
-Calma aí! Eu tenho uma idéia.
A idéia foi essa. Colocamos o homem que aparentava se chamar Marcos e seu filho no porta malas do Eco esporte que é grande e confortável, onde dar para ver tudo do lado de fora, e com uma lona e uma fita isolante transparente impedimos que eles invadissem a outra parte do carro que íamos estar ou contaminassem, lavamos o carro todo com cloro de desinfetantes matando os vírus que se peregrinavam no local. Didi viu o garotinho moreninho e falou:
-Oi...
O garotinho que sangrava pelo nariz por causa do efeito do vírus olhou para ele:
-Oi...
-Você quer saber um segredo...
-Quero.
-As mulheres latem mais do que mordem.
Ouvindo isso sorri e falei com o garoto:
-Não liga para ele não... Ele é um boboca.
Didi sorriu. Com o carro novo e andando pela estrada passamos pelo Vectra quebrado:
-Vectra e seu carro de merda. –Comentou Lucas dirigindo e olhando para nosso antigo carro. Paramos um pouco para pegar nossas coisas do Vectra e passar para o Eco Esporte. Com a gasolina do Vectra fomos andando pela estrada naquela tarde ensolarada.
Eu brincava de andoleta com o garotinho por enquanto o resto conversava. Pois sabíamos que ia ser uma longa viagem.
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