Extinção
94 Jacob - Mãe e Filha
Povoado de comerciantes clandestinos- Wichita, Eastborough.
Parti para Eastborough, enquanto a noite caía sobre o pequeno povoado. A escuridão trouxe um certo conforto, escondendo-me nas sombras enquanto caminhava pelas ruas movimentadas. O vilarejo estava cheio de humanos e vendedores clandestinos, um lugar onde sobreviventes trocavam mercadorias por suprimentos. As luzes fracas dos postes e das barracas iluminavam rostos cansados e olhos vigilantes. A atmosfera era carregada de uma tensão silenciosa, uma constante lembrança dos perigos que todos ali enfrentavam.
Com o capuz puxado sobre a cabeça para evitar ser reconhecido, caminhei entre as pessoas, observando as trocas rápidas e as negociações sussurradas. Finalmente, encontrei o estabelecimento que procurava. A fachada era discreta, quase despercebida entre os outros edifícios desgastados pelo tempo.
Ao entrar, o cheiro de madeira velha e tabaco me envolveu. Atrás do balcão, um velho levantou os olhos, sua expressão passando de surpresa para preocupação ao me reconhecer.
— É bom vê-lo de novo, Sr. Thompson. — Disse, usando o sobrenome americano que ele adotara.
Ele franziu a testa, claramente não esperava me ver tão repentinamente.
— Black, o que o traz aqui tão de repente? — Perguntou, sua voz carregada de preocupação.
— Preciso de informações. — Respondi, aproximando-me do balcão. Foi então que senti o cheiro dela. Doce, com um toque metálico, inconfundível para alguém como eu.
O velho Thompson olhou para o lado, e das sombras surgiu Annabelle. Ela parecia uma jovem de vinte anos, com a pele pálida e os olhos vermelhos que brilhavam na penumbra.
— Olá, Black. — Disse ela, sua voz suave e melódica, mas com uma ponta de malícia.
— Olá, Annabelle. — Respondi, mantendo minha voz firme, mas sentindo um turbilhão de emoções dentro de mim.
Ver Annabelle ali, tão perto, trouxe uma mistura de sentimentos. Havia uma parte de mim que ainda se lembrava do amor que tínhamos compartilhado, da vida que tínhamos antes de tudo mudar. Mas agora, tudo era diferente. Ela não era mais a mulher que eu conhecia; havia algo mais sombrio e perigoso nela.
Annabelle deu um passo à frente, seus olhos vermelhos analisando-me com interesse.
— O que você quer, Black? — Perguntou ela, inclinando a cabeça ligeiramente, como se já soubesse a resposta.
— Que bom ver você, Annabelle. E quero que Sara te veja. — Disse, tentando manter a calma enquanto o velho Thompson nos observava, preocupado.
Annabelle sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos.
— Por um momento acreditei que nunca me procuraria para isso, que nossa filha já tinha outra mãe, afinal de contas você sofreu seu imprinting.
Olhei para Annabelle, por um breve momento senti que havia uma gota se ciúmes em suas palavras— Sabe que jamais faria isso com você e Sara.
— Vamos ver o que podemos fazer, então. — Respondeu ela, seu tom enigmático.
A tensão no ar era palpável. Eu sabia que essa noite seria crucial para nosso futuro. Precisava estar preparado para tudo, mas por enquanto, um passo de cada vez.
Annabelle se aproximou de mim, e por um momento, a tensão no ar pareceu se dissipar. Seu sorriso era genuíno, algo que eu não esperava ver. Ela estendeu os braços e me abraçou, um gesto que me pegou de surpresa. O choque do abraço fez com que durasse apenas alguns segundos antes de nos afastarmos. Ela olhou para mim com um brilho nos olhos.
— Você fede a cachorro molhado. — Disse ela, franzindo o nariz de forma teatral.
Seu pai riu, uma risada curta e rouca, e eu retribuí com uma resposta irônica.
— Obrigado pelo elogio, Annabelle.
Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo.
— Sonhei por anos em ver Sara. Mas precisava me preparar. — Disse, seu tom ficando sério. — Nunca me alimentei de sangue humano. Não queria ser um monstro.
Havia algo admirável nisso, e pela primeira vez, senti uma onda de respeito por Annabelle. Ela não tinha se deixado corromper completamente pelo que se tornara.
— Onde está minha filha? — Perguntou ela, a ansiedade evidente em sua voz.
— Ela chegará em breve. — Respondi, mantendo minha voz calma. — Sara é uma criança incrível.
Annabelle suspirou, uma mistura de alívio e nervosismo.
— Temo que ela sinta medo de mim. — Disse, mordendo o lábio inferior.
— Isso é impossível. — Respondi, convicto.
Ela me olhou com uma mistura de esperança e dúvida.
— Como pode ter certeza disso?
Antes que eu pudesse responder, Annabelle olhou assustada para a porta. Eu segui seu olhar e sorri ao ver Sara de mãos dadas com Renesmee, entrando no estabelecimento. Sara parecia tão pequena ao lado de Renesmee, seus cabelos castanhos caindo em ondas sobre os ombros, a tiara brilhando à luz fraca do local.
Annabelle sussurrou o nome da filha, com uma voz quase inaudível.
— Sara...
Sara olhou para Annabelle, seus olhos se arregalando em reconhecimento e surpresa.
— Mamãe?
O momento era carregado de emoção. Podia ver o brilho de lágrimas nos olhos de Sara, e o amor incondicional nos olhos de Anna. Ver minha filha chamar Annabelle de "mamãe" trouxe uma sensação de esperança e alívio. O reencontro estava acontecendo, e por um instante, tudo parecia estar no lugar certo.
Sara soltou a mão de Renesmee de repente, e a visão dela correndo na direção de Annabelle fez Nessie prender a respiração por um instante. Mas eu a tranquilizei mentalmente, assegurando-a de que estava tudo bem, que era seguro. Nessie respirou fundo, caminhando até mim enquanto observávamos o reencontro de mãe e filha.
Annabelle se ajoelhou e abraçou Sara, levantando-a no colo com facilidade.
— Você é linda, Sara. — Disse Annabelle, com a voz embargada. — E eu te amo tanto.
— Eu senti sua falta, mamãe. — Respondeu Sara, com os olhos brilhando de emoção.
— Prometo que nunca mais vamos nos separar. — Disse Annabelle, beijando a testa da filha.
O lobo Seth entrou no local, suas orelhas levantadas e o corpo tenso, preparado para qualquer eventualidade. Quando Annabelle o viu, um sorriso sincero apareceu em seu rosto.
— Olá, Seth. — Disse ela, reconhecendo-o imediatamente.
Seth relaxou um pouco, mas manteve a postura protetora.
— Anna, é bom ver você. — Respondeu Seth, sua voz baixa mas amigável.
Annabelle se virou para o velho que estava atrás do balcão, seu pai, Thompson.
— Sara, este é seu avô, Thompson. — Disse Annabelle, com um sorriso carinhoso.
Thompson se aproximou, seus olhos brilhando com emoção.
— Olá, Sara. — Disse ele, a voz tremendo levemente. — É um prazer finalmente te conhecer.
— Oi, vovô. — Disse Sara, timidamente, mas com um sorriso nos lábios.
Nessie, ainda abraçada a mim, observava a cena com um sorriso. — Anna está indo bem. — Disse ela suavemente, o alívio evidente em sua voz.
Após apresentar Sara a Thompson, Annabelle se voltou para nós. Seus olhos se fixaram em Renesmee, avaliando-a com uma curiosidade intensa.
— Então você é o imprinting? — Perguntou Annabelle, olhando diretamente para Nessie.
— Sou Renesmee. — Respondeu ela, estendendo a mão em um gesto de cumprimento.
Annabelle pegou a mão de Renesmee, apertando-a levemente enquanto avaliava cada detalhe.
— É um prazer finalmente conhecê-la, Renesmee. — Disse Annabelle, com um tom respeitoso. — Tenho ouvido muito sobre você.
— O prazer é meu. — Disse Renesmee, com um sorriso cordial.
Observando mãe e filha juntas, senti uma onda de emoções. Havia esperança, amor e uma sensação de que, apesar de todos os desafios, estávamos no caminho certo. A reunião de Annabelle e Sara era mais do que apenas um encontro; era um símbolo de que, mesmo em um mundo cheio de perigos, a família e o amor poderiam prevalecer.
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