Extinção
95 Jacob- Seja bem vindo, Ephraim Black
Eu corria pelos corredores do abrigo, meu coração batendo acelerado. Tinha acabado de ser avisado que meu filho estava prestes a nascer. A urgência em meus passos só aumentava enquanto eu me aproximava da enfermaria. A cada passo, a ansiedade e a expectativa se misturavam com o medo e a esperança.
Quando finalmente cheguei à enfermaria, entrei rapidamente, atraído pelos gritos de Nessie. Lá estava ela, deitada em uma cama improvisada, com suor na testa e um sorriso cansado mas feliz quando me viu. Segurei sua mão, tentando transmitir toda a força e coragem que eu tinha.
— Estou aqui, amor. — Disse, apertando sua mão.
Liah estava ao lado de Leah, ambas ajudando Nessie a trazer nosso filho ao mundo. Leah olhou para Nessie, com um tom encorajador.
— Falta pouco, Nessie. Você consegue! — Disse Leah, sua voz firme e cheia de apoio.
Os gritos de Nessie encheram a sala novamente, mas dessa vez havia uma determinação feroz por trás deles. Eu continuei segurando sua mão, sentindo cada aperto, cada onda de dor e força que passava por ela.
Finalmente, o som que todos esperávamos encheu a sala – o choro de um bebê. Meu coração quase parou de tanta emoção. Leah colocou a criança nos braços de Nessie, um sorriso orgulhoso em seu rosto.
— É um menino. — Disse Leah, sua voz suave mas cheia de alegria.
Olhei para o pequeno rosto em seus braços, mal conseguindo acreditar no que via. Nosso filho. O primeiro híbrido dos híbridos. Ele era especial, e eu faria qualquer coisa para protegê-lo.
Beijei a testa de Nessie e depois a do bebê, sentindo uma onda de amor e proteção inundar meu coração.
— Bem-vindo ao mundo, Ephraim Black. — Disse, com a voz embargada pela emoção.
A enfermaria do abrigo estava humilde, com paredes de concreto e luzes suaves. Mas naquele momento, parecia o lugar mais especial do mundo. Nessie olhou para mim, os olhos brilhando de felicidade e cansaço, e eu sabia que, apesar de todos os desafios, estávamos prontos para enfrentar qualquer coisa juntos. A partir daquele momento, nossa família estava completa, e eu não poderia estar mais orgulhoso ou grato.
O bebê começou a chorar, o som ecoando na pequena enfermaria. Nessie olhou para mim, dúvida e preocupação nos olhos.
— Jake, o que vamos alimentar ele? — Perguntou ela, a voz tremendo ligeiramente.
Liah, que estava ao lado, sugeriu calmamente.
— Nessie, talvez você deva amamentá-lo. Pode funcionar, considerando que ele é um híbrido.
Nessie assentiu, ainda incerta, e afagou a criança em seu seio. Quase imediatamente, o choro cessou e ela sorriu, aliviada, ao vê-lo sugá-la pela primeira vez. Era um momento íntimo e maravilhoso, cheio de uma paz que eu não sabia que precisava tanto.
Quando o menino finalmente adormeceu, Liah se aproximou.
— Vou limpá-lo e colocar roupas limpas no bebê. — Disse, estendendo os braços.
Nessie assentiu e entregou Ephraim a Liah. Mas no momento em que Liah segurou o bebê, ela paralisou, os olhos fixos na criança. Eu a chamei, preocupado.
— Liah? — Disse, tentando chamar sua atenção.
Nessie ergueu as sobrancelhas, um semblante de desgosto e irritação surgindo em seu rosto. Eu imediatamente entendi o que havia acontecido. Liah tinha se ligado a Ephraim.
Liah olhou para Nessie, percebendo que Nessie havia lido seus pensamentos. Nessie ficou ainda mais irritada, sua voz firme e possessiva.
— Esse é meu bebê. — Disse, a voz cortante.
Liah tentou acalmar a situação.
— Calma, Nessie. Não vou tira-lo de você, eu...
Eu intervi, tentando manter a calma.
— Liah, por favor, cuide de Ephraim. Vou conversar com Nessie.
Liah saiu da enfermaria com o bebê, e eu me voltei para Nessie, que ainda estava com um semblante de irritação.
— Meu amor , nós vamos resolver isso. Eu prometo. — Disse, tentando tranquilizá-la.
A sala parecia mais fria agora, a tensão pairando no ar. Eu sabia que precisaríamos de muita paciência e compreensão para lidar com essa nova dinâmica, mas estava determinado a fazer o que fosse necessário para que tudo ficasse bem.
Nessie parecia irredutível, seu olhar ainda duro. Eu suspirei, tentando encontrar as palavras certas.
— Nessie, você viu algo que faça mal ao nosso filho? — Perguntei calmamente.
Ela balançou a cabeça, ainda tensa.
— Não, Jake. Ela o vê como um irmão mais novo.
Eu sorri, tentando aliviar a tensão.
— Pense em Sara e Seth. Ele é capaz de qualquer coisa por ela.
Nessie suspirou, ainda enciumada, mas havia uma suavidade em seus olhos agora. Eu me aproximei, selando seus lábios com um beijo suave.
— Nessie, você e Liah são amigas. Ela nunca faria nada para machucar nosso filho. — Disse, olhando nos olhos dela.
Ela percebeu que estava sendo injusta com Liah e assentiu lentamente.
— Acho que você está certo, Jake.
— Está tudo bem. — Respondi, sentando-me ao lado dela e beijando sua testa. — Além disso, agora temos uma babá gratuita.
Nessie riu, finalmente relaxando.
Novo refugio subterrâneo- White Mountain National Forest- Setor 12.
Horas depois, estávamos no nosso quarto no abrigo subterrâneo, um espaço pequeno, mas acolhedor, decorado com móveis simples e toques pessoais. As paredes de pedra davam uma sensação de segurança, enquanto as mantas coloridas e fotos de família adicionavam calor ao ambiente.
Nessie estava sentada na cama, com Sara ao seu lado. O olhar de Sara era de puro encantamento enquanto observava o irmãozinho nos braços da mãe. Seus olhos brilhavam de curiosidade e amor, e era evidente que ela já adorava Ephraim.
— Nessie, eu posso pegar o Ephraim no colo? — Sara perguntou, sua voz cheia de expectativa.
Nessie sorriu e assentiu, sua voz suave e encorajadora.
— Claro, meu amor. Vamos ajudá-la.
Com cuidado, Nessie ajudou Sara a segurar Ephraim. Sara se acomodou na cama, olhando para o irmãozinho com uma expressão de adoração que me encheu de orgulho e ternura. A visão deles juntos, sob a luz suave da lâmpada a óleo, fez meu coração se encher de uma felicidade indescritível.
Eu me levantei e abracei Nessie por trás, envolvendo-a com meus braços. O toque dela sempre me trouxe uma sensação de paz e força, e naquele momento, estávamos unidos em um vínculo ainda mais forte pelo nascimento do nosso filho.
— Sara vai ser uma ótima irmã mais velha — Nessie sussurrou, a voz carregada de emoção e um sorriso tocando seus lábios.
Beijei sua testa, sentindo uma onda de orgulho e amor por essa mulher incrível que era minha parceira.
— Com certeza. Ela já é incrível.
Ficamos em silêncio, apenas observando a interação entre Sara e Ephraim. A alegria no rosto de Sara ao segurar o irmãozinho, a suavidade com que ela o tratava, mostrava que ela já tinha um coração grande e protetor. Nesse momento, senti uma felicidade que nunca havia experimentado antes. Tinha a minha família ali, inteira, unida, e a esperança para o futuro parecia mais brilhante do que nunca.
O ambiente ao nosso redor, com suas sombras suaves e a tranquilidade que o abrigo proporcionava, apenas reforçava a sensação de segurança e amor que nos envolvia. Sentia-me um homem realizado, grato por cada momento, por cada sorriso e por cada nova memória que estávamos criando juntos.
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