Notas iniciais
Espero que gostem.

Scab & Plaster

Os homens haviam dirigido à noite inteira com Marilyn. A garota traçava a sua rota de fuga, isso tudo era loucura o anjo da cracolandia matando todas aquelas pessoas com aquela luz esquisita. Nada fazia sentido na cabeça dela.

Logo na manhã seguinte, sentada num restaurante de um hotel desconhecido, com uma aparência não tão agradável assim, as paredes em um vermelho desgastado, com as mesas típicas de restaurantes da região perto de uma janela se sentaram nas cadeiras que um dia foi completamente acolchoado agora não estão bom em estado se sentia mais deslocada que nunca, pensando em como havia chegado a esse ponto, sequestrada sendo totalmente pobre. As possibilidades estavam na mesa, ela não era tão feia assim ainda dava pro gasto, mas ela não queria dar pro gasto. Tudo que a garota queria agora era estar em casa, serviria até estar na escola, qualquer coisa era melhor do que estar na Geórgia a quilômetros de casa sem saber o que iria acontecer em seguida.

─ O que os senhores vão querer? ─perguntou uma moça morena,olhos azuis pintados cuidadosamente,Seu uniforme amarelo mostarda desgastado em vários lugares e o avental vermelho sujo de café,Dean a olha de cima á baixo, dá seu típico sorriso cínico. Sam como sempre revira os olhos e Marilyn apenas encara os dois, analisando-os no pensamento, imaginando se eram realmente irmão, ou homossexuais, terroristas ou sabia lá mais o que.

─Eu não sei, eu tomava café na escola e sempre era tudo pronto ─Marilyn estava meio constrangida tentando encostar-se à janela para observar o dia, pelo sol percebeu que realmente ainda era cedo, algumas arvores verdes claras ocupavam o longo morro e alguns prédios não muito altos indicavam que havia uma cidade por perto.

─ Quero um x-burguer duplo, com uma cerveja, por favor. – Dean disse, agindo como se fosse à coisa mais normal que se pode pedir em um café da manhã. Enquanto a garçonete anotava seu pedido, rindo de canto para o loiro fazendo a mais nova revirar seus olhos.

─Dean é café da manhã, vai com calma- repreendeu Sam enquanto olhava os itens do cardápio vermelho desgastado, Marilyn fuzilava a garçonete com os olhos estreitos, o mais velho sorria descaradamente para a moça que respondia em igual entusiasmo.

– Eu preciso me abastecer, ainda mais com tanto trabalho vindo pela frente, não vai ser fácil ensinar pra essa garota aí tudo em um dia. ─Dean nem se deu ao trabalho de olhar para Marilyn, ela pretendia deixar os pequenos insultos passarem, mas algo dentro dela se revirava, ela se sentia furiosa desde quando Castiel a tirou de casa, mas estava assustada de mais com tudo aquilo.

─Por acaso, eu estou aqui obrigada, presa por vocês dois, se não quer fazer merda nenhuma ou me ensinar essa droga aí, me deixe ir embora. ─ acusou. Sam ainda escolhia seu café ignorando a garota,e Dean estava explicando a moça levando seu dedo próximo a cabeça e girando,dizendo que ela era louca.Isso a irritou profundamente

─Se eu fosse você ─ela leu o pequeno crachá próximo aos seios avantajados da morena ─Hannah, eu nem encostaria perto dele, ele tem herpes genital.

A moça olhou pra ele assustada, nem mesmo Sam poderia evitar ter rido do tom cínico da garota, O loiro se assustou com a reação da garota, que até agora, ficava quieta e acanhada e de repente isso, herpes genital.

─Eu não tenho isso, ela ta brincando ─ Marilyn segurou o riso de ver o loiro que antes estava tão seguro de si se virando para evitar que uma garçonete qualquer achasse isso dele, a moça apenas se afastou de bochechas coradas sem poder sair de lá, pois não tinha anotado o pedido.

─Por acaso garota, também estou sendo obrigada a te aturar, se for pra ficar com essa ignorância, eu terei o maior prazer em te entregar pra droga dos demônios. — Disse Dean olhando com um nojo mortal para Marilyn.

─Então faça me jogue pra eles eu prefiro ficar com seus inimigos imaginários que vocês seus doidos pervertidos. ─rebateu irritada.

─Me ajude moça, eles estão me sequestrando, eu não conheço esses dois, eles vão me traficar pra Europa pra ser uma criança prostituta. – No momento em que Marilyn disse isso a garçonete arregalou os olhos encarando-os com susto, talvez considerando chamar a policia ou o gerente para chutá-los de lá,mesmo uma espelunca como aquela tinha suas regras.

─Ela está brincando, muito brincalhona essa nossa irmãzinha- disse Sam sorrindo carinhoso para Marilyn, um sorriso meu afetado instruindo a calar a boca.

─ Claro, irmãzinha, eles nem me deram uma escova de dente moça, faz dias que eu não vejo a minha família, eu nem sei onde eu estou, pretendem dominar o mundo usando meu bafo matinal como arma de destruição em massa- Marilyn suplicava á garçonete que ficava cada vez mais sem palavras ajeitando seu uniforme e anotando os pedidos enquanto outro cara barbudo á chamava numa mesa no outro canto da lanchonete.

Dean chutou Marilyn por debaixo da mesa e a menina se aquietou mais até se calar completamente, nutrindo mais raiva ainda por Dean, analisou o lugar vendo se não conseguiria fugir ali mesmo,porem o ambiente só tinha duas saídas, e como estavam no meio da lanchonete não iria conseguir correr mais rápido que eles, nem sair despercebida.

─Ela está brincando, ela vai querer uma maçã.

─Quê? Não, eu quero um hambúrguer também e bacon, ovos eu to com fome!– Marilyn disse emburrada, pensando por que o loiro podia comer que nem um porco e ela não podia nem pedir o que queria.

─Marilyn isso não é café da manhã! – Sam estava realmente começando a se irritar com ela.

─Vocês querem me matar de fome?Já não basta me baterem vão me matar de fome, daqui a pouco vão me transportar no porta malas! ─A garota começou a gritar a plenos pulmões as poucas pessoas que estava lá encaravam a mesa, e o ferimento na cabeça dela realmente ajudava a história do “eles me batem”,Dean tinha vontade de amordaçar a garota.

─Wow,wow, calma aí, é... Hm... Moça vamos levar, por favor, o mais rápido que puder. ─ Sam falou para garçonete que saiu ainda achando que aquelas pessoas tinham graves problemas mentais.

─ Marilyn, por favor, pare de escândalo se chamar mais atenção, vão aparecer demônios aqui. — Continuou Sam gesticulando para ao redor, aonde sim, praticamente todos os clientes e funcionários encaravam a mesa deles.

─Me deixe contar uma novidade, demônios não existem! – Marilyn exclamou como se eles fossem doentes mentais e ela uma professora ensinando-os a contar até 10.

─Olha aqui, Sam, eu vou pegar a droga da minha comida, e vou sair daqui, você que se vire com a patricinha de beverly hills. Não estou nem um pouco a fim de ser a babá de criancinha mimada, eu to cansado dirigi a noite toda.

─ Eu ainda consigo te ouvir sua loira oxigenada!- Disse Marilyn encarando o loiro com fúria ─ Então pare de falar de mim como se eu não estivesse aqui, eu não pedi nada na verdade tudo que eu queria fazer era ir embora, minha mãe está morta eu estou longe de casa não sei o que está acontecendo e eu realmente agradeceria se você parasse de ser um completo idiota.

─Parem agora! — Gritou Sam não se importando se as outras pessoas daquele restaurante estavam prestando atenção. – parem os dois de agirem como crianças, Dean, você é um adulto dê o exemplo e você Marilyn fique caladinha que nem estava ontem.

─Ele começou─ disseram Dean e Marilyn ao mesmo tempo apontando para o outro Sam bufou enquanto olhava para o lado rezando que a garçonete chegasse logo.

─Quando ela chega?Eu to com fome, vomitei todo meu jantar quando o Castiel tava dirigindo ─ Marilyn fez uma pausa para respirar e continuar ─ Seu amigo dirige que nem um louco, ainda bateu o carro─ Marilyn fez biquinho.

─ Marilyn, poderia, por favor, por favor... — Dean foi interrompido pela garçonete com uma bandeja com sacolas de papel guardando as comidas, Dean claro, se precipitou e pegou as comidas logo, fazendo com que a garçonete o encarasse pelo que ela havia presenciado não queria nem falar nada. ─Você paga Sammy,vou levar nossa maninha,Mariazinha,a adorável pro carro.

─ E eu vou mesmo entalar com esse hambúrguer?Não posso nem comer direito eu sou uma criança em fase de crescimento sabia que isso pode me deixar verticalmente prejudicada?

─Dean, por favor, carrega essa garota antes que seja eu á pirar. — Sam suplicou enquanto Dean agarrou a garota pela cintura com uma das mãos e a outra tapando a boca dela, tentando ao máximo evitar mais um show, saiu de mau humor sorrindo amarelo para as pessoas que os encarava.

Sam pagou a conta pegando as sacolas de comida e se direcionou ao carro encontrando, claro, Marilyn e Dean brigando aonde não se ouvia o que nenhum dos dois falava e pareciam que iam se matar a qualquer momento dentro do Impala.No momento que ouviram Sam entrar no carro os dois se calaram automaticamente e se sentaram direito no banco que rangeu um pouco como se Sam fosse a mãe que eles tem medo, talvez a relação fosse um pouco assim.

A Viagem seguiu em silêncio, enquanto o sol ia subindo gradativamente Marilyn encarava a janela vendo as árvores passarem rápido enquanto dirigiam até a cidade mais próxima, Avalon, por em quanto o objetivo era se manter em movimento fugindo dos tais demônios que Mary mal acreditava até que passaram por um posto policial,ela sorriu.

─Vocês sabiam que é crime transportar uma menor sem documentos?E eu sou menor de idade, vocês vão ser presos.

─Marilyn, se qualquer policial parar a gente, temos documentos falsos, mas tente, apenas tente agir normalmente. — a loira apenas revirou os olhos pensando em como eles eram loucos até perceber o que Dean falou.

─Pera ai, vocês já tinham isso em mente? Já tem documentos falsos meus? Que tipo de doentes vocês são?

─Castiel é eficiente, e isso é tudo que você precisa saber Marilyn. — Sam disse mais estressado do que nunca, como daria tudo pra que sua vida fosse só um pouquinho normal, por exemplo, sem ter que fugir de demônios e ouvir uma adolescente de 13 anos e o irmão discutirem o tempo inteiro, até ele já tinha perdido a noção de quem era a criança da relação.

─E por acaso, não somos imprestáveis que nem você, somos profissionais no que fazemos. — Dean falou apenas pelo prazer que tinha me irritar a garota.

─Profissionais em serem idiotas chatos e pedófilos principalmente ─ Gritou Marilyn dando um susto em Dean que perdeu o controle do carro por um segundo.

─Marilyn cala a boca, pedófilos, sério? – Disse Sam e a menina contrariada obedeceu e voltou a afundar em seus pensamentos olhando pela janela vendo a paisagem passar, tentando fazer a retrospectiva pra se acalmar.

─Pode aumentar o som?Não dá pra ouvir nada aqui de trás ─ Reclamou,Dean a olhou pelo espelho.

─Sério?Você gosta de Kansas?

─Sim, gosto dos clássicos.

─Nada de Justin Bieber?

─Prefiro furar meus ouvidos com uma furadeira a ouvir aquele idiota ─Dean sorriu para ela, aumentando o som.

─Agora sim vi uma vantagem.

Ouviram o primeiro álbum do Kansas em silencio Marilyn parecia mais calma depois de comer não só o seu café da manha, mas beliscado o dos rapazes também, deitada no banco traseiro Sam via a garota quase fechar os olhos entregando-se ao sono, ela não havia dormido a noite inteira.

─É... Eu preciso realmente de uma escova de dente e roupa, por favor, me levem em uma WallMart, por favor. — Marilyn implorou tentando parecer mais acordada do que realmente estava.

─ Hmmm, não. ─Dean disse rindo cínico. -Você vai fazer todo aquele showzinho de novo. ─Ela se levantou coçando os olhos,bocejou uma vez antes de voltar a falar.

─Por favor, que prometo que fico calada e faço tudo o que você quiser, por favor, eu obedeço os dois,faço o que mandarem caladinha- Implorou Marilyn praticamente se espremendo entre os bancos da frente pra olhar pra eles de repente com sua idéia o sono passou.

─Você sem falar, uma oferta realmente tentadora. – Disse Dean sem desviar os olhos da estrada.

─Por favor, Sam, por favor, você sabe o quanto eu preciso, meu deus eu vou matar demônios só com o meu bafo daqui a pouco!E eu estou toda suja e fedida. — Marilyn ainda suplicando e Dean conteve uma risadinha pra não se dar a perder pra garota, Sam olhou pra ela e acabou concordando.

─Por que eu tenho a sensação que eu vou me arrepender disso?

─Vocês com certeza não vão! — Garantiu a garota, mal os irmãos sabiam o que estava por vir.

Dean caminhava pela sessão de higiene feminina completamente constrangido, no WallMart a gigantesca loja vende tudo, passava pela sessão toda hora pigarreando e apressando Marilyn em meio aos corredores cheios de produtos que ele não fazia idéia do que a maioria era. Andou e foi pegando o primeiro xampu que viu pela frente jogando no carrinho de compras

─ Você realmente que acabar com a minha vida. – começou Marilyn pegando o xampu nas mãos e olhando para Dean e encarando seus olhos verdes.

─ E o quê que tem esse xampu? E Aliás, você não prometeu parar de falar?- Falou ele bufando e revirando os olhos.

─Eu sei, mas esse xampu não! Meu cabelo é volumoso e ele aumenta o volume eu preciso de um com ceramidas e seja anti-frizz!

─Sério? Sério? Que além de ter que estar junto de você eu tenho que procurar pelo xampu certo?

Marilyn fez biquinho. E ele revirou os olhos se perguntando por que, mas por que justo ele tinha que acompanhar Marilyn e não Sam, que tinha mais paciência com a garota, claro Sam ia comprar comida enquanto ele trabalhava a “convivência” com Marilyn.

─Por favor?

Dean bufou, respirou fundo se controlando e por fim disse:

─ Ok vai procurar pelo menos você tem um nome do xampu que você usa?

─Isso, eu sabia que lá no fundo, bem, mas bem no fundo você tinha uma luz na alma ─ A garota rodopiou ridiculamente na frente de todos tocando no nariz de Dean, os dois acharam aquilo estranhamente gay, mas, prosseguiram.

─Aqui, aquele branco lá em cima─apontou a garota na ponta dos pés apontando para um xampu branco com letras pretas e verdes

–Ok, garota você não é baixinha mesmo pra sua idade não? ─ Perguntou Dean olhando pra baixo, irônico não?

─Eu ainda estou crescendo! ─seu tom aumentou uma oitava e ela encarou emburrada o loiro. (sim, bem mais alto que ela ).

─Ok, contenha-se─ Dean se virou e pegou o xampu na prateleira entregando-o para Marilyn que no carrinho. –Ok, meias, calças novas um casaco, essa linda blusa do Breaking Bad, xampu condicionador, escova de dente, desodorante... – Mary parou de falar e enrubesceu prestes a citar o próximo item. –Ah, tem outra coisa que eu preciso.

─ O Que? – Dean falou confuso.

─Coisa de menina sabe Dean? Mas tá muito alto – Ela falou olhando para o chão.

─ Que coisa? Dá pra adiantar? – Dean falou estressado enquanto olhava para o lugar, no meio de uma sessão feminina discutindo com uma garota, porque não Sam? Ele lida com essas coisas de mulher melhor do que ele.

─Sim, para! Não me olha- Marilyn estava vermelha

─ Ah sim, ér... ok.. Qual, — Ele pigarreou. — Qual você hm... Usa...?

─Eu não sei. – Disse ela olhando pra baixo como se com seu olhar o chão abrisse e ela pudesse se enterrar.

─Você tá de brincadeira? Por favor, diz que tá de brincadeira

─Por favor – suplicou — Isso já é traumático o suficiente não torne isso pior, eu só tive isso uma vez, na escola eles me deram... O que eu precisava! – Ela disse gesticulando freneticamente pensando em como odiava essa parte de ser garota.

─ Puta merda, então quer dizer que eu vou ter que andar essa droga de lugar, procurando um que talvez dê certo.

─Eu quero morrer. – Marilyn se lamentou, como se já não fosse vergonhoso passar por isso na escola, agora com um cara desconhecido, um cara que odeia ela, e ela nutre o sentimento recíproco.

─Me ajudaria muito. – Continuou Dean emburrado.

─Por que você tem que sangrar pela genitália uma vez por mês?

Um som agudo começa a sair da garganta dela, algumas lagrimas caindo pelo rosto Dean ficou constrangido e começou a olhar para os lados enquanto mulheres olhavam com desaprovação.

─ Desculpa, desculpa, para com isso, por favor. ─ Disse ele tentando se redimir e acalmar a loira que chorava soluçando desesperada.

─Não, eu sou uma idiota da sétima série que tem hemorragia interna e arruína a vida dos outros ─ ela começou a chorar mais alto, e Dean começou a se desesperar, pedindo ajuda do além de como acalmar uma garota de 13 anos na TPM.

─ Eu sei, eu sei você é adorável, para, por favor, meu deus você ta chamando atenção ─Falou o loiro querendo sumir também.

─Eu não me importo. – E foi se acalmando mais um pouco agradecendo que pelo menos uma vez, Dean tenha sido legal com ela.

─ Eu, er... Eu me importo com você, por favor, não fique mal. — Disse Dean tentando soar convincente, já não via outra saída enquanto olhava ao redor e as mulheres os encaravam.

Em resposta Marilyn se sentou no chão ainda chorando um pouco. Dean sem jeito se abaixou e colocou o braço em volta do ombro dela mais sem jeito ainda e pigarreando

─ Calma, calma, vai ficar tudo bem. ─ Falou enquanto dava tapinhas nas costas da menina.

─Não vai. ─Contrariou Marilyn.

─Vai sim, o Sam vai te ajudar, o Cass te salvou não foi? O mundo vai melhorar!

─Eu só quero que tudo acabe. – Marilyn se lamentou.

─Vai acabar só precisa ter calma. – Cada segundo que passava Dean tentava acalmar mais a garota.

─Não, não é assim que as coisas acontecem, não pra mim só fica pior.

─ A Partir de agora, tudo vai melhorar... – Dean foi interrompido por uma moça elegante, calças jeans, um regata preta simples, cabelos castanhos cacheados.

─ Desculpe, mas, posso ajudar? – Disse ela com uma voz gentil e calma, Marilyn e Dean olharam pra ela, claro, cada um de seu jeito. Marilyn limpava as lagrimas enquanto Dean falava.

─ Sim... Eu estava procurando uma coisa de mulher pra minha irmãzinha, sabe como são, homens, falta de experiência com isso. – Ele coçou a nuca e a mulher sorriu pra ele, olhando para a garota depois.

─Ah sim, irmãos? Ela realmente parece com você- Ela se ajoelha de frente pra Mary- Quer ajuda lindinha?

─ Sim, sim, por favor, meu irmão─ Marilyn deu ênfase no "irmão" e olhou pra o Dean ─Ele não sabe nada disso.

─Sim, vamos não chore eu sei que é complicado, fui criada minha morreu quando eu tinha cinco anos. – Mary simpatizou com a mulher, que era por sinal muito bonita.

─Obrigada, Moça qual o seu nome?

─Jennifer, Vamos, já aconteceu ou é a primeira vez?

─ Já aconteceu uma vez, na escola, me deram o que eu precisava. — Falou envergonhada e coçando a nuca. Por um momento enquanto Jennifer e Mary caminhavam e pegavam o absorvente entrando em uma conversa empolgante sobre cosméticos enquanto passavam pelas prateleiras e pegavam coisas juntas, Marilyn teve uma ideia mirabolante, um plano...

Despediram-se logo depois de pegarem o absorvente e Marilyn foi atrás de Dean e Sam em um corredor aonde havia itens esportivos por todos os lados.

Já não tão longe da moça, ela caiu no chão gritando e se batendo.

─Me desculpe Dean, eu precisava de ajuda, por favor, não me bate. ─Ela falou gritando esganiçada como se estivesse realmente apanhando. Marilyn se deu um tapa no rosto com muita força deixando a face vermelha

─ Para Dean, por favor, não me bate ─Começou a gritar desesperada enquanto Sam tentou levantá-la e ela deu um chute na perna dele que cambaleou pra trás, começou a chorar e suplicar falsamente.

─Para, para com isso, por favor, não, não me bate. Foi quando duas portas de madeira negra disfarçadas de segurança surgiram se deparando com a cena, uma garota de face vermelha. Sendo erguida do chão por um cara alto, chorando desesperadamente. Imediatamente foram segurando o loiro e o cara alto, enquanto a menina se soltou e começou a corre desesperadamente como se não houvesse amanhã.

─Marilyn volte aqui, agora, Marilyn!- Gritou Sam enquanto era imobilizado pelo segurança negro. Se debatendo nos braços dele.

Sam se virou e olhou para o lado aonde Dean olhava para ele com um olhar de: Eu te avisei. Na sala de seguranças uma sala escura com um computador e um ar-condicionado os dois esperaram até verem o vídeo de segurança aonde Marilyn se batia e se jogava no chão, os seguranças ainda sem entenderem o porquê de a garota ter feito aqui liberou os irmãos. Sam e Dean já estavam estressados, pensando em como iriam contar para Castiel que simplesmente perderam a garota que juraram proteção. Andaram e rodaram em todas as seções procurando pela garota, depois de horas andando, já cansados decidiram rodar com o carro pelas ruas e procurá-la, foram para o estacionamento e ouviram de longe Aerosmith tocando vindo do Impala, correram até se aproximar e verem uma garota comendo torta e dançando com os ombros e cabeça e cantando com a boca cheia.

─ Mas que merda?Marilyn? — Gritou Dean ao se aproximar do carro.

─Olá garotos ─ Disse Marilyn sorrindo cinicamente e imitando um olhar angelical, recebendo em troca um olhar furioso de um Dean suado e um olhar irritado de um Sam arfando.

─ Marilyn por fez tudo aquilo? Você é louca? Você não ia fugir? Passamos horas procurando você por toda essa loja.

─Era meu plano, mas eu estou a quilômetros de casa, não tenho dinheiro nem como consegui-lo, resolvi ficar─ Marilyn tomou fôlego e continuou ─Afinal, trouxeram minha escova de dente? – Falou com um sorrisinho de lado irônico dando mais uma garfada na torta. Dean comprimiu os olhos respirou, sem falar nada saiu, voltou com uma algema, prendeu o pulso de Marilyn no volante e saiu com Sam que foi sem dizer uma palavra.

─Não esqueça o resto das minhas coisas! ─gritou mais uma vez.

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Mais tarde na hora do jantar ainda irritados e cansados, sentados em um restaurante que Marilyn considerou muito melhor do que o último era um pouco elegante com janelas de vidro, paredes brancas com alguns quadros, garçonetes limpas com aventais e realmente, esse tinha bem mais movimento.

─Vocês tem algum tipo de paixão inexplicável por comida industrializada?

─Não temos tempo pra tomar cuidado com a alimentação da madame ─ Dean falou sem encarar a menina, ainda irritado com o ocorrido do WallMart.

─Você disse que eu sou uma anã de circo, se eu continuar comendo assim eu vou ficar desse tamanho pra sempre. – Falou Marilyn um pouco divertida tentando amenizar o clima.

─ Novidade pra você garota, Eu não ligo ─ Falou pausadamente, Marilyn olhou para Sam que também não encarava ela e comia calado.

─Qual o problema de vocês, se me odeiam tanto por que não me deixam ir embora logo?

─Marilyn, hoje você teve a oportunidade de fugir, mas tem que entender que, Castiel tem um plano pra você, eu e o Sam trabalhamos em proteger pessoas, salvar elas, e estamos tentando fazer isso por você, porque se fosse pura escolha minha, teria o prazer de acabar com o meu sofrimento. – Disse Dean e no mesmo instante a menina mudou de tranqüila para alguém em um colapso nervoso.

─ Vocês falam isso, mas vocês não tem uma porra de uma mínima idéia, de como tem sido difícil pra mim, eu vi minha mãe que sempre me tratou como um lixo morrer, uma mãe que mesmo sendo uma drogada filha da puta, que deixava caras estranhos entrar na nossa casa o tempo todo, que tentavam abusar de mim. Eu a amava mesmo ela sendo o que era eu a amava por que ela era a droga da minha mãe, e eu a vi morrer, na minha frente — Marilyn começou a gritar. – e daí vem um cara louco, dizendo que é a porra de um anjo que e me joga dentro de um carro, e me leva embora da minha cidade, me entregam pra dois caras que me odeiam e me mataria se pudesse,me tiram as minhas poucas amizades,tudo o que eu já conheci no mundo.E vocês realmente esperam que eu fique ok com isso?

Enquanto Marilyn chorava e gritava, as luzes começaram a piscar e explodir gradativamente e em um segundo o restaurante com ar calmo e aconchegante ficou louco, as pessoas começaram a gritar, quanto mais gritavam mais Marilyn se descontrolava coisas começaram a levitar, pessoas convulsionaram no mesmo instante em que a cozinha do restaurante explodiu.

─Faça essas coisas pararem Marilyn, agora! ─Disse Sam gritando para ser ouvido no meio dessa bagunça inteira, um vento forte começou a passar pelo lugar como se o local fosse desprender do chão.

─Mary, calma, tá tudo bem o Dean vai parar de ser um idiota, vai tudo ficar bem, sou pare com isso, por favor! – Sam suplicava e tudo que Dean conseguia fazer era ficar pasmo e quieto, sabia que se ele falasse as coisas iam decair se é que poderia ficar pior.

─ Eu não quero que ele pare,eu quero ter uma vida só um pouco normal,minha mãe morreu e o corpo dela deve estar apodrecendo e eu não posso enterrá-la,nem ficar de luto – Gritou Marilyn e olhou ao redor vendo tudo que tinha feito e sentindo uma angustia, se sentindo cansada de ficar mal- eu tenho a droga de uma vida de merda,e ainda sou uma aberração,a porra de uma aberração.

A agitação ao redor deles foi diminuindo gradativamente enquanto Marilyn se acalmava, os rapazes trocaram olhares em forma de frases que não podiam ser ditas em voz alta, era obvio que o aviso de Castiel sobre não irritá-la se dirigia a isso, coisas quebrando luzes piscando e sabe Deus lá o que mais. Dean não tinha ideia do que ela era, certamente nada do que tinha visto nada do que ele já enfrentara era como isso.Uma coisa totalmente desconhecida,aparência humana,poderes de um demônio.Dean chegou a sussurrar “cristo” e um exorcismo durante a crise mas não surtira efeito,certamente teria que olhar no diário de seu pai ou em ultimo caso ligar para Bobby.Ele realmente não sabia o que fazer preso a uma bomba relógio em forma de Pré-adolescente rebelde,protegida por um anjo,perfeito.

Quando Marilyn se acalmou e voltou ao seu estado normal de faminta, os irmãos estavam assustados por que tudo parou do mesmo jeito que começou, num piscar de olhos. E segundo por que a garota agira como se nada tivesse acontecido. Definitivamente estranho.

Dean deixou seu irmão e a pestinha num hotel tirando a noite para destrinchar o diário de seu pai, ele tinha anos de trabalho deveria saber o que era aquilo, Sam tinha decidido procurar na internet sentando-se com seu Laptop na varanda enquanto a loira tomava um banho roubando uma das grandes blusas de um dos irmãos e a vestindo como pijama.Marylin apareceu calamente,na varanda a pele do rosto avermelhada

─Eu não sabia que estava aqui,na verdade eu sabia,me desculpe pela perna. ─disse constrangida.

─Sem problemas. ─Sam sorriu, e olhou para garota e com a cabeça apontou para frente, convidando-a ─ Já passei por piores.

─não sei como eu fiz aquilo, eu estava tão brava por não conseguir fugir─ela disse,ainda envergonhada ─v ocês me lembram uma pessoa,e ela me assusta muito.

─Quem?

─um homem, ele apareceu quando eu tinha uns sete anos, me chamou de algum nome, um insulto não sei o que significava então injetou no meu braço uma coisa, eu não lembro direito, fica meio embasado, acordei no hospital e disseram que foi uma reação alérgica ─ Sam encarou a garota e franziu o cenho.

─Marilyn você lembra da aparência desse cara, alguma coisa estranha? Algo nos olhos?

─nos olhos, não ele parecia normal, entrou na minha casa, como eu já disse minha mãe não se importava muito com o meu bem estar.

─Olha, já percebi que sua mãe não te tratava muito bem, eu sei que é difícil pegar confiança, mas, eu e o meu irmão por menos que pareça, só queremos ajudar. Qualquer coisa que aconteceu com você deixe no passado, porque o presente já difícil demais pra aguentar.

─Olha Sam, você realmente parece um cara legal, eu não contei metade da missa, você francamente não sabe nada sobre mim, eu não confio em gente doida, fala serio fantasmas?Demônios?Você espera que eu acredite nisso?Eu vi as identidades falsas, cartões falsos só pagam em dinheiro, eu sei muito bem o que vocês são vocês dois e seu amigo corretor anjo ─ ela disse com intensidade os olhos comprimidos ─ mafiosos.

─O que? — Disse Sam rindo ─ Você acha que somos mafiosos? Marilyn, isso não é brincadeira, se não acredita, explique como Castiel conseguiu fazer "aquela luz", sobre sua mãe, Castiel me contou o que eu preciso saber ─ Ainda olhando pro céu o grandão se virou e disse ─ Se você não quer me contar, é uma escolha sua, mas o Castiel me pediu, e eu gosto de você, vou te proteger com o que for preciso, mesmo que não acredite, estão atrás de você e vamos descobrir o por que.

─Um tiro, eu ja disse que ele matou a minha mãe!Proteger-me do que?Eu sei muito bem me defender sozinha não preciso de ajuda e seu namoradinho não parece muito feliz em me "ajudar"

─O Dean é complicado, ele não fica satisfeito com poucas informações, Marilyn, o que matou sua mãe foi um demônio. Acha que faríamos um teatro gigante pra nada?

─Por que vocês talvez precisem de cobais humanas? ─disse sorrindo amarelo.

─Marilyn você vai entender, leve o tempo que quiser, mas se lembre, acredite na coisa certa.

─E o que é certo sam?

─Não o que põem na sua cabeça, tem que saber a confiar na pessoa certa Marilyn, se você perceber, querendo ou não somos as primeiras pessoas que realmente te protegem.

─ninguém me protege. ─ela disse segurando algumas lagrimas.

─É pra isso que estamos aqui agora Marilyn, você só tem que "cair na real" ─ ele fez aspas com os dedos ela sorri meio chorando meio debochando e vira de costas indo pra beirada da varanda, já tinha chorado de mais hoje,tinha se tornado humilhante.Ele se aproxima dele a coloca o braço no ombro dela.

─Calma tudo vai se acertar só nos dê uma chance e confie em mim, amanhã vamos a um lugar que vai te ajudar.

─promete?

─Claro, agora vamos entrando, não quero que você pegue algum resfriado ou sei lá o que.

─você age que nem mãe de novela mexicana ─ debochou,adentrando o quarto.