Exame Final [Hiatus Eterno]
1 Ato I: O Programa.
Notas iniciais

11 de abril, 2006.
O céu nublado e a ventania forte que pairava sobre as ruas de Ambuera eram os sinais da típica tarde de inverno que acabava de chegar. Não havia muitas pessoas pela cidade, apenas um casal de jovens abraçado na praça, um menino passeando com o seu cão na calçada e um gari, que lutava para catar as folhas secas que o vento exigia em arrastar.
Ironicamente, poucos metros fora do município, uma massiva multidão de repórteres acompanhava a aterrissagem de um helicóptero no campo de treino militar. As dezenas de guardas do exército ao redor da aeronave estavam começando a ter dificuldade para conter o povo.
Qualquer um que visse a cena afirmaria, com unhas e dentes, se tratar da chegada de um presidente, cantor ou alguma celebridade internacionalmente conhecida. No entanto, o motivo da algazarra não era esse. Era para entrevistar um simples garoto de 17 anos, um garoto que ganhou uma enorme fama em apenas dois dias...
— Nem sabia que tantos assistiam ao programa... — Disse um dos guardas que cercavam o helicóptero para o colega ao lado. — Vão "engolir" o garoto vivo assim que ele sair.
— Deixe, ele merece a fama... Afinal, fazer o que ele fez não é para “qualquer um”, certo?!
— Tem razão.
A aeronave já havia pousado. Dois oficiais descolocaram-se rapidamente e abriram as portas. Enquanto um deles fez gesto de prontidão, o segundo pegou um jovem pelo braço e o carregou para o mais perto possível da aglomeração. Os repórteres ainda não viam o seu rosto, apenas capturavam suas vestes repletas de sangue e suas pernas com escoriações graves – cortes profundos.
— Cumprimentem Chadd Lexni, o garoto número 04, vencedor do 12° “Exame”. — Assentiu o guarda que sustentava o menino, em fim, colocando o seu rosto à luminosidade.
A multidão foi ao delírio quando o viu. Sua face estava toda suja de sangue. Sua orelha esquerda não mais fazia parte de seu rosto, parecia ter sido brutalmente cortada. Ao centro de sua testa jazia um enorme buraco contornado por sangue seco, praticamente ali fora onde alguém lhe atacou com uma faca de pequeno porte. Um grande corte em sua boca — que estava quase sem dentes — aumentava ainda mais aquele sorriso arrepiante no qual ele se encontrava...
— Ele está sorrindo! — Alegou uma repórter, um tanto surpresa. — O menino de 17 anos, que matou todos os outros 12 rapazes de sua classe escolar nesse Alistamento, está sorrindo!
E no ato de glória por ter sobrevivido, enquanto os flashes ainda sobrecarregavam seu campo turvo de visão, o moleque visivelmente perturbado realçou ainda mais o seu riso aterrador. Lembrava até um animal selvagem num sentimento misto de susto e felicidade...
Todavia, compará-lo a um animal seria pouco.
EXAME FINAL.
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