Notas iniciais
Mais uma vez, olá amigos. Estou muito feliz em ver que algumas pessoas se interessaram pela minha história e estão acompanhando e até comentado, muito obrigado! Resolvi postar o segundo capítulo mais cedo, antecipadamente, para dar-lhes o sabor de conhecer um dos personagens protagonistas da história e um pouco de sua infância. No mais, espero que gostem do capítulo e que sejam pacientes quanto ao próximo. Bjs!

Era noite. Em sumo, a pacata Ambuera estava fazendo jus a sua fama de cidade fantasma – ganhada por causa do baixo número de habitantes, apenas 15 mil. As ruas estavam todas desertas, ninguém sentara na praça da cidade para observar as estrelas cintilantes ao céu, nenhum casal fazia seu passeio noturno pelas vielas estreitas do centro e até mesmo os animais tinham se entocado.

Também pudera. Nenhuma pessoa queria bancar a “corajosa” e pegar um resfriado agudo com aquele clima extremamente frio. Todos deviam estar em casa naquele horário, tomando um bom chocolate quente e assistindo a uma novela em família.

E era exatamente assim se encontrava Paul (Baker, Estudante Masculino No. 09, Colégio São Florêncio de Ensino Médio, Ambuera).

***

Encostado à beira da janela, um pequeno garoto de 7 anos olhava com inocência para as nuvens acinzentadas que cobriam grande parte do céu e quase que totalmente o brilho da lua. Somente um pequeno pedaço esbranquiçado do satélite estava disponível para amenizar a escuridão na terra, por isso, Paul se encontrava emburrado. Não gostava de dormir em noites como essa — nem conseguia direito.

Desde pequeno, ele acreditava que a lua fosse como uma protetora sua — uma guardiã encarregada de afastar todos os monstros que viviam sob sua cama e que poderiam vir a assustá-lo durante seu sono, para que assim ele dormisse em paz. Apesar de ter crescido e deixado de lado sua crença em bicho-papão, Paul ainda se sentia estranho em suas noites sem a lua.

— Ei, Paul... — Ouviu a calma voz de sua mãe. — Saia da janela, querido. Vai pegar uma gripe!

— Tudo bem, mãe.

Paul se virou e seguiu para o sofá, antes dando um breve sorriso para a moça pálida e meiga que se encontrava sentada perante a mesa da cozinha, costurando uma pelúcia, que sorriu de volta.

O menino pulou no sofá avermelhado e se aconchegou num dos ombros, ligando a televisão em seguida. O sorriso carismático que levava consigo se quebrou de repente, dando lugar a uma expressão de curiosidade misturada com uma sensação de medo e de choque.

Ao invés de seu programa favorito, o que era exibido em rede nacional era um garoto cheio de sangue, com um sorriso sádico que fazia o coração de Paul bater mais forte e cheio de feridas. De cara, o menino reconheceu o garoto do outro lado, era o seu "grande vizinho" — como costumava chamá-lo — que sempre vinha brincar com ele depois que chegava da escola.

Era o jovem Chadd.

— Mãe...

— O que foi?

— O Chadd tá na TV! Ele está na TV! Cheio de sangue!

— Hã...?

Desentendida, a mulher se ergueu e tentou ver o que o filho assistia, ficando boquiaberta ao reconhecer o noticiário sobre o vencedor do 12° Exame. Rapidamente, ela largou tudo o que tinha em mãos e correu para o sofá, onde pegou brutalmente o controle das mãos do pequeno e desligou o aparelho.

— M-mãe...? — Paul ficou assustado com tamanha reação. — O-o... o que houve?

— Nada... Não é nada, amor. — Ela se aproximou, respirando mais aliviada, pegou o garoto no colo e se afastou dali. — Vamos, preciso te pôr na cama... Está ficando tarde!

— Mas... “Chaves” ainda nem começou! E... e o que era aquela coisa? Por que... Por que o Chadd estava na TV cheio de sangue?

— Esqueça isso, meu bem... Não era o Chadd.

Em passos apressados, a mulher não demorou quase nada para chegar ao espaçoso quarto de Paul. Soltou o garoto pesado na cama e deu um breve sorriso ao lembrar-se de que agora ele já estava grande, não dava para ficar levando-o no colo para todos os lados, como costumava fazer antigamente.

O cobriu com o cobertor e lhe deu um aconchegante beijo na testa, dizendo:

— Durma bem, querido.

— Obrigado, mãe. — Ela estava prestes a se retirar, então... — Mas o que o Chadd estava fazendo na TV?

— Eu já disse, Paul, não era o Chadd!

— Tenho certeza que era. Eu vi ele! E estava todo sujo de sangue, machucado e...

— Olha, filho, não fica pensando nisso, tá? É só uma brincadeira que acontece com os meninos mais velhos... Não se preocupe!

— Hm... Quando eu crescer, também vou ter que brincar “daquilo”?

— Jamais irei permitir! — Disse, tocando seus lábios com o polegar e impedindo-o de prosseguir com a conversa nada agradável. — Agora, durma. Amanhã você tem aula cedo, esqueceu? Trate de descansar bastante para aproveitar o máximo com seus amigos lá na escola!

— Pode dei... — Paul foi bruscamente interrompido por um bocejo e se entregou de vez ao sono. — Durma bem você também, mãe...

A mulher concordou, sorrindo. E antes mesmo de deixar o quarto, viu o garoto caindo em um cochilo pesado. Andou até o corredor sem fazer barulho, empurrou a porta calmamente e seguiu para o sofá. Procurou o controle e, após acha-lo, ligou a televisão.

— Então, Chadd, como se sente ao estar vivo depois da grande batalha que teve?

— Me sinto... me sinto... um novo ser!

— Em algum momento, você chegou a ficar com “dó” de matar alguém? Até porque, todos que estavam lá com você te conheciam, se conheciam, eram colegas da mesma sala de aula no ano passado!

— Olha, para dizer bem a verdade, não, não tive pena de ninguém! Quando se é sorteado e sabe-se que é obrigado a ir, você precisa ter em mente que só tem duas opções: ou mata, ou morre. E eu fiz o que achei melhor, o que achei certo, o que todos queriam fazer!

E a mãe de Paul desligou a TV mais uma vez.

— Eu jamais irei deixar que te levem, Paul... Jamais!

Notas finais
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