Evolução
3 Ai! Porra! A Gasolina acabou! E agora?
Notas iniciais
Quando abri meus olhos já havia amanhecido, o caminhão ainda andava. Estava com uma horrível dor na coluna, dormi ajoelhado. Os gêmeos dormiam abraçados, Algüs já estava de pé. Aos poucos a velocidade ia diminuindo.
— Chegamos? – perguntei
— Ai! Porra! A gasolina acabou! – Alice berrava na cabine do motorista.
— E agora? – Fernanda que estava ao seu lado indagou.
— Vocês ai atrás, informe da situação! – Alice parecia ate uma profissional.
Juliana e Juliano abriram os portões da carga.
— Naaaaada! – Juliano começou
— Neeeeeeem. – Julia deu continuidade.
— Ummmmmm. – E assim se seguiu
— Zuuuuuum zuuum zuum zuum...
— Ta bom, já entendi! – Alice tem uma paciência linda. – Não existe nem um zumbi por perto. Aqui é uma cidade, é melhor corrermos o mais rápido que pudermos.
O caminhão parou e todos desceram dele. Os prédios estavam cheios de buracos, prédios caídos sobre outros, alguns cortados no meio, inclinados. O chão estava cheio de destroços. Jornais sujos, sangue, pedaços de cimento que cairá dos prédios e etc. Em alguns lugares o chão estava quebrado ou com pequenas elevações. Deste 2012 desastres geográficos acontecem sem mais nem menos. É como se o mundo estivesse afundando para um mundo abaixo.
Alice mandou correr, mas não tinha como. Você não corria, você não andava. Para seguir enfrente, você tinha que subir nos destroços, descer, subir, descer, subir e descer. O chão estava cheio de destroços de prédios, não havia como caminhar. Apenas, esquivar.
Após alguns minutos, fazendo essas esquivas dos destroços para poder seguir em frente, chegamos ao chão liso da estrada, ali sim podíamos correr. Todos corriam como se fossem presos foragidos. Que linda comparação. Todos pararam ao sentir a terra tremer. Estávamos no meio da rua, havia pequenos edifícios de comércio desmoronados ao redor, lá na frente a estrada continuava e uma placa informava: Bem vindo a Fog Hill. Não podíamos ficar naquela cidade. Cidades eram perigosas. Por incrível que possa parecer, ficar naquela estrada sem nada, que ligava Fog Hill com a cidade vizinha, era muito mais seguro.
Novamente sentimos a terra tremer, todos ficaram parados. Alice não falou nada, apenas fez um sinal nos chamando para nos escondermos atrás de algum escombro qualquer. Me escondi junto com Algüs. Sua mão tocou minha cintura e a segurou firme. Fiz de conta que não percebi. Não sabia se aquilo foi medo dele ou se era um assedio. Mas bem que poderia ser um assedio.
O tremor ficou mais forte. A terra não chegava a tremer, mas você sentia um leve tremor, algo bem leve. Atrás de um prédio que ainda resistia para ficar de pé surgiu um robô. Ele possuía a altura de aproximadamente um prédio de doze andares. Possuía três pernas finas, o que lhe dava uma aparência de aranha. Todo o seu tamanho estava nessas pernas, encima delas havia uma bola, branca e redonda. Não era muito grande. Parece um ser meio inofensivo, mas não era. Suas “patas” se dobravam uma a uma fazendo ele se locomover. Após alguns segundos ele parou e sua cabeça, a bola sobre as pernas, abriu uma escotilha e de lá uma espécie de lente, como as das câmeras, saiu.
Ele continuava parado, vigiando. O coração de todos estavam disparados. Todos escondidos atrás de escombros. A maquina continuava parada. Ela estava nos procurando. Ele “sentia” o nosso cheiro. Olhei para Fernanda que estava em um escombro. Fiz um gesto pra ela, seu pé estava fora do escombro. O robô iria ver seu pé. Ela fechou os olhos, igual a uma criança que os fecha esperando levar a vacina, e começou a puxar levemente seu pé. A maquina voltou a andar e Fernanda puxou rapidamente seu pé. Seu joelho bateu contra um ferro e ela não pode conter seu gemido de dor. Novamente a maquina olhou diretamente o escombro onde estávamos.
Sabem... Algumas pessoas não conseguem reagir bem à pressão.
— QUE MERDA! – um garoto ruivo berrou e começou a correr em direção à saída da cidade que estava a poucos metros.
— CORRAM PARA A OUTRA DIREÇAO! – Alice ordenou.
Enquanto o garoto corria para a saída, o resto corria para um pequeno edifício de comercio que ainda estava intacto. O robô olhou o garoto, e simplesmente de sua lente um raio avermelhado fez o garoto evaporar. Sua cabeça se girou e ele tentou acertar os outros que entravam na lojinha.
— Se escondam.
Por sorte a loja era uma livraria. Nas paredes havia estantes de livros, e no centro havia duas estantes de livros, os livros estavam no chão, mas a estante estava lá. Nos escondemos atrás dela. O robô se aproximou da loja e aos poucos ele se agachava. Sua lente, que era seu olho, olhava fixamente o centro da loja procurando por seres que ele poderia matar. Suas patas, que estavam dobradas, se esticaram novamente fazendo ele se erguer. Ergueu uma das patas, a colocou no teto da loja, e pressionou para baixo. Os escombros começaram a cair, e todos se esconderam em outros lugares da loja. Todos sabiam que o robô colocaria seu olho naquele buraco.
Depois de tudo isso o robô foi embora. Todos estavam finalmente a salvos. Yume podia ser mais nova, mas ela abraçava Juliano e Juliana, os dois consideravam ela como uma mãe. Reparei no chão um livro que me chamou a atenção. Divina Comedia. O Inferno de Dante. Bem... se eu criei a mentira que lia, é bom eu ler certo?
...
A estrada que ligava Fog Hill com a cidade vizinha era vazia. Uma estrada normal, e dos lados havia apenas pasto, nada de arvores, só pasto. À medida que andávamos, era como se deixássemos as áreas verdes e entrássemos em uma região desértica. Entre os pastos havia areia.
— Ouviram isso? – Juliana perguntou
— O que?
Todos calaram a boca e aguçaram os ouvidos. Algo como “Ah Wilson vai. Ah Wilson vai.” Podia ser ouvido. A musica vinha de dentro do pasto. Saímos da rua e fomos seguindo o som da musica. No chão havia um alçapão escondido com folhas e areia. Batemos lá pra ver se havia alguém e corremos para trás, apontamos as armas e ficamos esperando a criatura que poderia sair de lá.
A porta se abriu, e um homem magro, porem definido, de terno e um shortinho curto de couro, que usava uma mascara dourada de gato saiu lá de dentro.
— Oh! Sobreviventes. Entrem. Entrem. Sintam-se em casa.
...
É isso que o mundo se tornou. Cidades destruídas, robôs assassinos, humanos infectados por alguma coisa, criaturas obscuras e mutantes. Alguns sobreviventes se sucumbiram aos prazeres, luxuria.
O local era escuro, o que me dava medo de um ataque de criaturas obscuras. Haviam mulheres desnudas amarradas, com piercings espalhados em seus corpos, encima delas outras mulheres e homens as penetravam, as cortavam. Uma luz azul, algo que lembrava uma boate, iluminou todo o lugar. Logo mais a frente havia uma cama, com um homem de longos cabelos vermelhos.
— Vá ate o Beriniscri – Ele falou e apontou para o rapaz que estava na cama.
— Que diabos de mãe chama seu filho de Beriniscri? – Perguntei na cara do rapaz que nos guiou.
Continuamos andando ate o Beri. À medida que andávamos mais era estranho as coisas que víamos. Pessoas vestindo couro e com piercings, todas se cortando ao mesmo tempo que atingiam o orgasmo. Chegamos ate o rapaz de cabelos vermelhos. Ele ergueu suas mãos como se desse um sinal. Do grosso e grande cobertor de pele de urso que o cobria, muitos homens lindos e musculosos saíram. Beriniscri levantou sua coluna, mas continuou na cama. Os outros rapazes beijavam seu corpo e tocavam em seu corpo, o desejavam.
— O que vocês querem? – Ele perguntou, mesmo com aqueles rapazes lhe beijando e tocando-lhe, ele não tirava os olhos do nosso grupo.
— Bem... Precisamos de um... – Alice não conseguia falar direito. – ...de um abrigo?
— Ah! Claro. Vocês podem ficar aqui o tempo que precisarem. – Ainda nos olhando, ele segurou a cabeça de um dos rapazes e a foi abaixando lentamente para sua virilha embaixo do cobertor. – Fiquem o tempo que precisarem.
Fernanda e Yume não largavam da Alice, os gêmeos não se largavam da Yume. Eu... seguia Fernanda, e Algüs me seguia. Os outros sobreviventes se espalharam. Ninguém falava nada, ninguém fazia nada. Na verdade, ninguém queria ficar naquele lugar. Nem um do grupo se sentia a vontade naquele lugar.
— Já volto. Vou ver se conseguimos sair daqui. Eles devem ter um carro, gasolina, ou algo do tipo. – Alice realmente era a líder.
— Eu vou com você. – Fernanda era a seguidora
— NOS TAMBEM... – os gêmeos se manifestaram
— Vocês ficam. Cuidem da Yume.
— Não é mais fácil eu cuidar desses gêmeos? – Yume retrucou.
— Entao... – Fui interrompido antes de terminar.
— Não! – Yume me proibiu
— Você nem sabe o que eu vou fazer!
— Te enxerga. Você é homem, você só pensa nisso.
— Eu não vou fazer isso.
— Ah ta bom. Vai fazer o que quiser.
— Humf. – Olhei para Algüs e terminei. – Então, Algüs, quer andar um pouco?
— Que? Ah. Vamos.
Ficamos andando e conversando sobre varias coisas. Na verdade, sobre assunto que fazíamos antes dessa epidemia maluca. Quando podíamos jogar, ver filmes, cantar, rir, e etc.
— Waa. Olha isso! – ele apontou a uma espada.
— Ah. Uma espada. Legal.
— Não é uma espada. É uma Katana.
A bainha era negra, igual ao cabo da katana. A arma era um pouco maior que as demais katanas.
— Você não vai levar não né?
— Claro que vou. Olha esse povo. Eles devem usar essa arma pra se cortarem e terem orgasmos.
— Você vai matar robôs, criaturas e outros com isso?
— ... Sim?
— ... Você sabe usar uma espada?
- Não. Mas aprendo.
((Autor: pqp, so tem loco nessa historia. -q))
— Deixe-me ver essa katana Algüs. – Yume pediu. Já havíamos retornado.
— Ok. – ele jogou-a a ela.
Por um momento acredito que pude ver uma luz sair das mãos de Yume enquanto ela segurava a espada.
— Conseguimos uma carona! – Alice veio correndo feliz da vida.
— Mas para onde vamos? – eu tinha que acabar com a felicidade dela.
— Para onde o vento nos levar. – Respondeu Fernanda
— Ótimo destino. – Eu estou tão chato, que legal. Acho que sou bipolar.
— Bem, vamos procurar a terra que todos dizem. A terra embaixo dessa terra. Onde não há humanos infectados, mutantes, robôs e criaturas obscuras.
— Então o Acre existe? Alice. Nunca pensei ouvir isso de você. Fernanda ate vai, ela é feliz. Mas você? Você realmente acredita que tal lugar existe?
— Melhor acreditar que existe do que ficar aqui parado. Ou você que ficar aqui?
— Bem... – olhei pros lados. A putaria insana continuava. – Que horas o ônibus mágico pro Acre parte?
...
Estávamos todos nos preparando pra sair, já estávamos nas escadas subindo. O rapaz de terno e shortinho de couro nos guiava, ele tinha as chaves que abriam o alçapão. Chegamos encima e ele abriu a porta do alçapão. Foi só ele fazer tal ato que seu sangue voou em nossos rostos. Ele havia sido degolado. Seu corpo continuou em pé ate alguma coisa que estava lá fora puxá-lo pra fora. O sol ainda estava lá fora, não podiam ser obscuras. Eram mutantes. Fechamos a porta do alçapão e descemos as escadas correndo. A porta que estava lá encima se arrebentou, os mutantes estavam entrando. As pessoas eram atacadas e mortas, elas gritavam pedindo socorro e ajuda.
— Vamos nos esconder aqui – Algüs sugeria apontando a uma porta fechada.
A sorte estava do nosso lado. A porta estava destrancada. Entramos todos e fechamos a porta. Yume puxava os dois gêmeos para o fundo da sala, que era um pequeno armazém de mantimentos. Fernanda, Alice e eu pegamos nossas armas e miramos prontos para atirar na primeira besta que entrasse.
— Mas que diabos é isso? – Alice reclamou olhando Algüs
— É uma katana... Burra.
Ele apontava sua espada para a porta, ele não duraria um segundo com uma espada. Os gritos finalmente se cessaram. Dávamos pequenos passos para trás, nos afastando da porta. O silencio predominou o lugar. Não se ouvia mais nada. Olhei para Algüs e me espantei. Ele segurava a espada firmemente, não tremia, seus olhos demonstravam que ele sabia exatamente o que estava fazendo. Aquilo me passava confiança.
Haviam caixas fechadas com comida e utensílios. As paredes eram um pouco sujas e empoeiradas. Um cheiro característico de lugar abafado e com mofo nos incomodava. A lâmpada presa por uma cordinha balançava em movimentos de vai e vem. Todos estavam calados e dispostos a fazer tudo para sobreviver, eu era o único que tentava conter o medo e a respiração ofegante.
— Dante.
— Sim, Algüs.
— Fique atrás de mim, eu protegerei você.
Fiquei olhando ele alguns instantes e dei um sorriso. Esqueci de todo o medo que eu sentia. E aos poucos caminhei ate ele. Com a outra mão que não segurava a espada, ele me puxou e me abraçou em seu corpo.
Continuamos ali. Parados. A espera que algo acontecesse, mas nada acontecia.
— Acho que foram embora. – Juliana dizia para seu irmão
— Também acho. – Respondia o irmão.
— Vocês dois não acham nada. – Falou Yume olhando fixamente a porta enquanto batia as cabeças dos irmãos uma na outra.
— Yume? O que você tem a dizer? – Alice confiava nos palpites de Yume.
— ... não sinto nada.
Novamente não se ouvia nada.
— Estão aqui... – Yume soltou os gêmeos e continuou. – ...eles estão aqui.
Foi só ela terminar de falar a frase que a porta se arrebentou. Era uma criatura de cor rosada e suja de sangue. Assemelhava-se a um ser humano, possuía dois metros de altura, seus pés e mãos não tinham dedos, seu corpo era forte, como se houvessem músculos. De sua boca afiada, uma língua enorme saia. Em sua cabeça havia algo que se assemelhava a um capacete metálico com pregos, que estavam expostos ou pregados em sua carne. Sua língua se esticou e se enroscou no pescoço de Fernanda, e aos poucos ia a sufocando. De sua mão uma garra surgiu.
Algüs correu em direção aquela mutação e lhe cortou a língua. Alice pegou Fernanda nos braços. A criatura gemia de dor e tentava apalpar sua língua, que aos poucos ia crescendo novamente.
Juliano e Juliana atiravam na besta, mas as balas pareciam não fazer efeito. Yume puxou os dois meninos e passaram por debaixo da fera, entre suas pernas. Sem nem esperar todos seguimos os três. Deixamos a criatura pra trás e fomos em direção a saída.
Meu pé deslizou para frente, Algüs me segurou por trás para eu não cair, o chão inteiro estava repleto de sangue.
— Vocês estão vivos! Esperem, me levem junto. – era Beriniscri.
— Venha logo. – Fernanda o chamou.
Já estávamos subindo as escadas, ele estava saindo de baixo da cama e vinha na mesma direção. Antes que ele pudesse pisar no primeiro degrau da escada, a língua da mesma criatura de antes se enrolou em seu pescoço o puxando. O barulho de ossos sendo quebrados ao mesmo tempo congelou a minha espinha e me fez fechar os olhos. Pobre infeliz. Algüs me puxou para fora daquele lugar.
— Onde esta a carona que você falou Alice?! – Fernanda estava desesperada, ela já estava começando a chorar.
— Ele falou que estava aqui o carro.
— Vai ver é um carro invisível. Um carro MADE in Acre. – Retruquei
— Nossa menino, o que o Acre te fez pra você odiar tanto assim esse lugar? – Alice me olhava com fúria, Fernanda a chamou atenção e lhe falou algo com o olhar. – Ah... é isso então. Enfim.
— O carro esta ali. Estão vendo uma coisinha dourada ali na frente? – E a cega salvou novamente o dia.
Corremos todos em direção ao carro que estava longe. A besta mutante saiu do buraco e começou a nos perseguir, seu peso e suas pernas grosas e curtas lhe fazia correr mais devagar. Só nos afastávamos mais e mais dele. Estávamos salvos. Ou não. Os infectados, zumbis, começaram a correr, e esses corriam mais rápido. Eram uns vinte infectados, todos ultrapassaram a fera e aos poucos se aproximavam mais e mais.
O carro era algo bem discreto. Era um jipe dourado como o ouro, e na traseira dele havia escrito “FIRE ASS” em cores rosa e azul. Alice colocou seus dedos entre os seios e de lá retirou as chaves. Entramos todos dentro do carro e Alice pisou fundo no acelerador. Estávamos novamente sem destino.
Mas antes de seguir o caminho, Alice teve um pequeno e rápido momento de divertimento enquanto atropelava os zumbis.
Notas finais
desculpem ñ ter relido, mas é q to numa preguiça ._. ((sim, sou sem vergonha msm
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