Evolução
4 Acre não existe, socorro e busca.
Notas iniciais
ps²: Perdoem os MUITOS erros q esse cap tem
ps³: Sorry pelo pessimo cap T__T prometo q o proximo sera melhor
ps4: Adoro vcs *--*
Meus olhos estavam fixados na janela. Enquanto o carro movimentava, eu admirava a paisagem de pasto que dava lugar a areia. Era incrível como uma área urbana do nada virava um pasto, e logo em seguida era algo desértico.
— Dante. – Algüs começou a puxar assunto. – O que você tem contra o Acre?
— Acre... – não retirava meus olhos da janela do carro.
— Então. Precisamos de um abrigo. O sol já esta se pondo. – Fernanda mudava o assunto.
— Não. Tudo bem Fernanda. – agora que eu não tiraria meus olhos da janela mesmo. – Digamos que há alguns anos eu conheci uma pessoa, um rapaz. Ele morava no Acre. Começamos a nos envolver pela internet e namoramos. Depois de um ano de namoro a distancia ele falou que vinha me visitar. Passei horas e horas no aeroporto esperando ele e nada. Não me ligava no celular e nem mensagem explicando ele me mandou. – pisquei os olhos rapidamente tentando espalhar em meu olho a secreção lagrimal que se formava. – Passou alguns dias e não tive mais noticias dele. Então em um ato de loucura insana decidi ir ate a cidade dele. Rio Branco. Eu sabia o endereço dele, pois ele havia me mandado um presente. Chegando lá bati na porta da casa dele, e quem disse que ele morava lá?
— Como assim? – ele perguntou.
— Uma mulher abriu a porta, já estranhei, pois ele morava sozinho. Resumindo. Aquele endereço, que ele me passou, não era o dele.
— Que cachorro.
— Enfim... Acre não existe certo? – fechei meus olhos por alguns segundos, e os abri com um grande sorriso.
— Dante...
Alice dirigia o carro, Fernanda estava no banco ao lado. Eu estava na janela e Algüs na outra, entre nos dois havia Yume com os gêmeos. O sol já estava se pondo, ninguém falava nada. Apenas Fernanda e Alice que debatiam como se fossem nossas mães. Retirei da minha calça o livro que peguei na livraria e o comecei a ler.
— Estou captando uma mensagem. – Alice colocou a mão em seu bolso e retirou o que parecia um telefone residencial apenas com um botão de positivo e um de negativo. Era um daqueles rádios que delegacias, hospitais e abrigos possuem.
— SOCORRO! NOS AJUDEM. – a voz chorosa de uma mulher vinha do fone
— Ond... – Alice olhou o aparelho e pressionou um botão que havia no centro. – Alice. Temos sobreviventes. Onde vocês estão? – ela soltou o botão e pudemos ouvir o chiado da outra linha.
— No Hospital Groove. Eu lhe suplico, nos ajude. Eu quero ajuda. – ela chorava.
— Tem infectados ai? Você esta sozinha?
— Não vimos nem um ainda. Venha rápido. Vem... – o contato caiu.
— Você vai? – Fernanda perguntou.
— Claro. Precisam de ajuda
— É uma cilada Bino! – brinquei com as duas
— Agora os infectados fazem ciladas? Por favor. Yume o que você sente?
— Então vocês estão dizendo que chegou a hora... – respondeu a garota – pensei que demoraria mais.
— Yume?
— Ah! Nada. Vamos. Não me parece uma... – ela me olhou – “cilada.”
Entramos na cidade. Os infectados caminhavam nas ruas e Alice os atropelava.
— Como entraremos no hospital com esse tanto de zumbis? – Fernanda perguntava.
— Deve ter algo que podemos usar para bloquear a porta.
O sol ainda estava se pondo, parecia que ele não queria deixar a noite chegar. Ou queria demorar o máximo possível para pode ver nossa morte. Alice atropelava qualquer infectado que entrasse na frente do veiculo. Estacionamos o carro de qualquer forma na garagem do hospital. Descemos do veiculo e corremos em direção à porta. Encima dela havia um toldo branco feito de cimento sustentado por duas pilastras. Entre as pilastras havia portas gradeadas, como as que existem em algumas lojas de comercio. Era só segurá-las e puxá-las para baixo. Os gêmeos atiravam nos infectados que se aproximavam enquanto abaixávamos aquelas portas. Sobrevivemos. Não havia como eles entrarem no hospital. O sol, como se ficasse desapontado por não ver nosso sangue jorrar nas paredes, se escondeu dando lugar à noite.
— Esses possuídos...
— Dante, eles são zumbis, não possuídos. – Alice me corrigiu.
— Infectados. São infectados. – Yume a corrigiu.
— Assassinos. São loucos psicóticos assassinos. – Fernanda tentava se intrometer no assunto.
Havia sangue no chão. Alguns buracos nas paredes causados por tiros e objetos não identificados. Vasos de flores caídos, papeis espalhados pelo chão. Mesmo com tanta coisa, o hospital estava de certa forma limpo e arrumado, obvio, comparado as cidades. Não estava muito sujo e desarrumado.
— ALGUEM!? É A ALICE, VOCÊS PEDIRAM SOCORRO!
Ninguém respondeu. Demos o primeiro passo e a energia acabou. Ouvimos gritos que vinham do andar de cima. Gritos desesperados de medo. Cada um pegou uma lanterna e correu em direção as escadas. Não enxergávamos nada. Esta tudo escuro, só víamos o circulo de luz feito emitido pelas lanternas.
— Parem. Ouviram isso? – Fernanda falou baixo.
Primeiro não ouvimos nada. Depois ouvimos o barulho do que pareciam correntes balançando. Um pingo de água que caia em uma poça. Um gemido.
— Ali encima. – Yume indicou.
Apontamos as lanternas para cima. Havia um homem gordo, obeso. Completamente desnudo, sua pele era branca e seus mamilos rosados. Ele estava preso no ar por correntes como um leitão em um açougue. Os ganchos que lhe seguravam pelo ombro conseguiam agüentar seu peso extraordinariamente alto. Era um rapaz com uma obesidade extrema. O sangue escorria de seus ombros e caia no chão, encima de uma poça feita de seu próprio sangue. Em sua barriga, um enorme corte estava costurado.
— Meu Deus. Que horror. – Fernanda estava completamente espantada com tal cena.
— Baleia! – os gêmeos gritaram e se esconderam atrás de Yume.
— Ai... que... – Algüs me abraçou antes deu terminar o que diria. Escondi minha cabeça em seu corpo.
— Hey! Ta vivo? – Alice apontava a lanterna no rosto do gorducho branquelo.
— Ah... me... aj-j-j-jude! Ahhh. – ele gemia enquanto tentava falar. – Por-por-por... favor.
— Quem fez isso com você?
Ele não respondeu, apenas, com muita dificuldade, apontou a uma porta onde se podia ver uma fraca luz azul.
— Yume, Juliana, Juliano. Fiquem aqui. O resto vem comigo.
Seguimos Alice ate a sala de onde vinha a luz. Ela segurou na maçaneta e enquanto a puxava de leve dizia: “Vocês pediram ajuda, sou eu. Sim ajudar vocês.” Ela abriu a porta e uma cadeira fora arremessada contra ela. Alice se agachou na hora se esquivando. A mulher que havia lá dentro começou a gritar desesperadamente.
— Ela jogou uma cadeira... em mim? AHHH SUA VADIA! – Alice estava... digamos, possessa. – VEM CA SUA PIRANHA!
— Não, não. Aliceeee. Vai com calma. Ela não fez por mal. Alice. – Fernanda tentava ajudar.
— Que medo.
— Nada Algüs, você acostuma. – Minha lanterna iluminava Alice correr atrás da mulher para lhe mostrar o que é levar uma surra. – Alô? Tem mais alguém aqui? Viemos ajudar vocês.
— Sim. – Uma voz de homem fez Alice parar de correr. – Tem mais seis.
...
A calma finalmente dominou o recinto. A mulher que havia jogado a cadeira em Alice, continha o sangramento de seu nariz causado pelo forte soco que recebera da mesma. Junto com ela havia uma pequena garotinha de rosto redondo e olhos azuis, seu cabelo era claro, loiro. Seu rosto era redondo e cheinho, tinha apenas oito anos. Havia um senhor, provavelmente seu pai. Sua pele era caída, seu rosto mostrava a sua idade, como deve ser triste envelhecer. Manchas, pele enrugada e flácida, problemas físicos e mentais. Ah, sim. Respectivamente são; Helena e Rodrigo. E a mulher... Nathalia.
Estávamos em uma pequena sala, escrivaninha, papeis, e cadeira. Era a sala de algum doutor qualquer ai. A energia ainda não havia chegado, não escutamos barulho de nada, por um momento, o momento em que conversávamos, parecia que aquele era o lugar mais seguro do planeta. Parecia que nada poderia nos machucar ali. Era como se todo o mal estivesse escondido, temendo algo.
— Gente... e as crianças? – Algüs foi o único que lembrou dos pobre miseráveis.
— Ah... estão por ai. Mas então. Ah, sim. Por falar nas crianças, vocês sabem algo sobre o cara gordo que esta pendurado ali no hall?
— ALICE! YUME SUMIU! – Os gêmeos entraram na sala gritando ao mesmo tempo.
— O QUE?!
Saímos todos correndo ate o hall aonde estava o homem gordo. Um cheiro ruim aumentava a cada passo. Direcionamos a luz das lanternas para cima e o gordo não estava mais lá. Alias, ele estava. Na verdade, metade dele.
— Mas que diabos pode ter feito isso? – Rodrigo tampava os olhos de sua filha.
— O mesmo diabo que o pendurou aqui. – Se isso fosse um filme, Alice seria a protagonista, ela tem todas as falas.
— Vamos sair daqui. – Falei enquanto segurava a mão de Algüs, não quero ficar aqui.
- Nos vamos achar Yume. Ela falou que estava tudo bem, não era armadilha. Eu a trouxe pra cá. Eu vou achá-la e tira-la daqui.
Sem nem pensar, Alice começou a se afastar do grupo atrás da garota. Ela era loca, não poderia ir sozinha. Tivemos que seguir ela, ou seria uma a menos no grupo.
— Não podemos ir pelas escadas para o andar de cima. – Nathalia nos advertia.
— E quem te perguntou nariz quebrado?
— ... – ela não respondeu
— Ela tem razão. – o senhor tentou ajudá-la. – Nos bloqueamos as escadas que levam ao terceiro andar.
— E com qual motivo vocês fizeram isso? – Alice continuava indo em direção as escadas.
— Lá encima tem aqueles humanos locos, como chamam? Zumbis. Lá encima tem zumbis, então bloqueamos as escadas.
— Quero ir de elevador. – Alice deu meia volta e foi em direção ao elevador.
— Alice... Alice... fofa. – Fernanda aumentava seus passos pra acompanhá-la – Tipo Alice tesuda. Elevador é elétrico não é?
— Sim.
— Estamos no escuro não é?
— Sim
— Então?
— Então o que?
— O elevador não vai funcionar.
— Eu quero ir pelas escadas mesmo. – ela novamente deu meia volta. – Podemos tirar os objetos que bloqueiam a passagem.
Abrimos a porta da escadaria e subimos a escadas. O pai carregava sua filha, eu ainda estava de mãos dadas a Algüs. Subimos as escadas e nos surpreendemos com a barreira que haviam feito. Eram apenas três cadeiras, ate uma criança conseguiria passar por aquilo. Retiramos as cadeiras que estavam no meio da escadaria e continuamos subindo. Chegamos no terceiro andar.
Estávamos em um corredor, ninguém sabia aonde ir. Fiquei olhando ao redor com a minha lanterna ate ela iluminar um ser sem cabeça correr.
— Eu vi algo.
— O que?
— Sei lá, era um homem, mas não tinha cabeça.
Continuei iluminando o mesmo local, uma criatura de três cabeças em apenas um corpo sem braços saiu do nada da parede. Mutante. Nos viramos e começamos a correr, as luzes do hospital se acenderam novamente. Finalmente funcionou o gerador. Bem, não tenho certeza se era um gerador, mas hospitais eu acredito que possuam. Se não foi um gerador... algo estava nos ajudando deste o começo.
As paredes, o chão, o cheiro nesse andar estava mais limpo que os outros. No terceiro andar havia duas alas, uma ala que tratava de cirurgia e outra que cuidava de repouso. Não olhávamos para trás, apenas corríamos, aquela besta de varias cabeças era algo grotesco. Ele não possuía pele, alguns de seus ossos estavam expostos. De pequenas aberturas em seu corpo o pus escorria em um tom mais amarelado, mais pastoso, que o comum. Suas pernas eram finas e as veias de respectivo lugar eram secas e podres. Seu tom de pele, sua cor, não sei o que revestia ele, era algo beije e amarronzado. Suas três cabeças eram pequenas com bocas largas e globos oculares suspensos que balançavam.
Abrimos a porta de uma sala e entramos. Era uma sala de paciente, o cheiro de podridão, algo cadavérico, me provocou náuseas. Era um corpo sendo devorado. Alice pegou sua arma e sem misericórdia atirou no infectado e na vitima.
— Espero que Yume não... – Fernanda abraçou Alice antes dela terminar de falar.
— Não se preocupe, algo me diz q ela esta bem.
Uma lagrima escorrera de seu rosto, apenas uma.
— Aqui só tem três andares certo? A Energia chegou, vai ser fácil achá-la. – Perguntei
— Ela estava com a gente. – Juliano começou
— Viramos por um segundo para olhar pro lado. – Juliana deu continuidade
— Porque ouvimos um barulho. – os dois amavam completar um a frase dos outros.
— E então quando viramos de volta.
— Ela havia desaparecido.
— Vocês não ouviram nada?
Alice começou a interrogar os gêmeos, eu apenas observava cada pessoa. É incrível como nos não percebemos quando pensam na gente. Fernanda estava triste e preocupada com Alice, mas a mesma não percebia. O pai olhava sua filha com cautela, mas a menina nem conseguia entender o que acontecia. Os gêmeos e Alice estavam preocupados com Yume, mas te garanto que ela naquele momento não fazia idéia do que eles sentiam.
Acho que os únicos que não sentiam aquele cheiro desagradável de cadáver eram; Alice, Fernanda e os gêmeos, estavam muito ocupados preocupados com outras coisas que nem percebiam.
— Dante... – Algüs se aproximou
— Oi – dei um sorriso meio sem graça
— Tudo bem com você?
— É... só queria poder ficar em algum lugar sem nada disso sabe? Poder viver. Sem medo de morrer.
— Ah... também. Ainda mais se tiver uma boa companhia né? – ele riu
— ...
— Mas então. Você...
— Algüs... – abaixei a cabeça e fechei um pouco mais minhas pernas. – Me abraça?
Ele me olhou calado por alguns segundos e não fez nada. Olhei mais para baixo ainda e dei um risinho sem graça. Senti seus braços me segurarem em um abraço, nunca havia reparado em como ele era forte, bem mais forte do que eu.
...
Abrimos a porta e voltamos pros corredores do hospital. Não haviam muitos infectados, uma vez ou outra aparecia algum, mas não abaixávamos a guarda.
Poderia dizer que tudo aquilo havia demorado minutos, horas, mas seria mentira. Realmente nossa busca foi algo rápido. Foi apenas o movimento de andarmos um pouco e nos deparamos com a cena. Uma cena que para Alice creio que foi totalmente chocante.
O corpo de Yume estava caído no chão. Sua pele estava coberta de sangue seus olhos possuíam uma expressão vazia e sem vida. Ela estava morta.
— Yume...
Alice ajoelhou ao lado daquele corpo desprovido de vida e pegou em sua mão fria e pela primeira vez a vi chorar.
Fernanda a puxava chamando para sair dali, no final do corredor aquela mesma besta com mais de duas cabeças aparecera. Ele nos fitava escancaradamente. Rodrigo, o senhor, pai da menina, tinha uma camioneta nos fundos e iríamos usar ela pra escapar.
— Você me quer? VEM ME PEGAR! – Alice gritava para a besta. – VEM E ME MATA SEU COVARDE. – ela retirou uma pistola de dentro de sua calça – VEM E ME PEGA!
Por algum motivo, talvez medo, a criatura deu as costas e tentou se retirar. Tarde de mais. Alice atirou em sua perna o que o fez cair. Não olhei, apenas ouvi muitos tiros ate o cartucho acabar e barulhos de murros e chutes.
...
Voltamos novamente para a recepção, todos estavam calados, ninguém pronunciava uma palavra. Entramos em uma porta que nos levava as um deposito, e esse deposito levava aos fundos do hospital onde havia a camionete.
Me espantei com a cena que vimos ao abrir a porta. Soldados militares estavam lá. Só se passaram seis meses mais ou menos deste que minha família morreu, e AGORA que eles aparecem pra nos ajudar?
— Sobreviventes?
— Si...
— ENTREM NO CARRO!
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