– Alô?

– Oi Rebecca, tudo bem?

– Tudo sim Victor. Tentei falar contigo ontem, mas não consegui. Onde você se meteu?

– Ah, desculpe. Tive alguns contratempos. Gostaria de te encontrar. Está ocupada?

– Não.

– Daqui dez minutos chego aí então. Beijo.

Rebecca desligou o telefone e correu para seu quarto. Já havia tomado banho e se arrumado. Tudo estava ocorrendo como Nadya previra. Agora era só esperar. Logo Victor ficaria com ela.

Ela pegou um par de colares, colocou um em seu pescoço e segurou o outro firmemente nas mãos.

– Espero que ele aceite o meu presente. – Rebecca suspirou analisando o objeto mais estimado que possuía.

Alguns minutos de espera e lá estava ela, frente a frente com o amor de sua vida.

– Rebecca, eu tenho que te dizer... – Victor engoliu em seco. – Eu amo você...

Rebecca sentiu sua apreensão desaparecer. Tinha dado certo. Sentiu uma euforia tomando seu corpo. Victor a abraçou e ao pé de seu ouvido disse às palavras que ela não estava preparada para ouvir:

– Como amiga. Diga-me que você estava brincando, que era só uma pegadinha...

– Victor, eu te amo. Mas não é como um simples amigo. – Rebecca sentia algo em seu interior. Estava se sentindo rejeitada. Não podia, Victor tinha que ser dela. – Mas tudo bem, eu aceito continuar sendo sua amiga, afinal, eu sempre te amei e fui sua amiga.

– Mas... Mas... – Victor gaguejava. Não podia acreditar.

– Como prova que vou continuar sendo sua amiga, aceite esse colar como presente. Ele pertence a minha família há gerações. Meus bisavós usavam, passou para meus avós... E assim por diante.

– Eu não posso aceitar isso. Faz parte da história de sua família...

– Se você me ama como diz amar, aceite.

Hesitante, Victor pegou o colar.

– Tudo bem. – Sentiu um aperto tomar seu coração ao ver lágrimas escorrerem no rosto de Rebecca.

– Desculpe. Eu não mereço seu amor.

Abraçou afetivamente Rebecca e lembrou-se dos pensamentos que teve na noite anterior. Se ele gostaria de mudar sua vida, por que não ficando com sua melhor amiga? Sim. Ela poderia ajudá-lo na mudança que queria. Então segurou o rosto dela com as duas mãos, olhou no fundo dos olhos dela e beijou-a. Sentiu um calor percorrer seu corpo e sentia como se sua vida estivesse fazendo sentido nesse momento. Percorreu com os dedos as costas dela até chegar onde queria. Ele queria Rebecca, queria ela por completa. Cada parte de seu corpo desejava ela.

Rebecca surpreendeu-se com a atitude de Victor, ele estava indo rápido demais, apoiou a mão em seu peito, e procurou forças para afastá-lo dela, mas ao invés de afastá-lo, começou a abrir os botões de sua camisa esporte social.

Os dois deitaram-se ali mesmo no gramado perto da piscina. Os desejos mais profundos de Rebecca estavam sendo realizados, sempre sonhara com esse momento, a sua primeira vez com ele, o amor de sua vida. Rebecca sabia que ele era dela, dela e de mais ninguém.

As horas correram e eles só deixaram de se amar, após Rebecca olhar no Relógio, que marcava 17:22 e ver que já estava quase na hora de seu pai chegar. E ela ainda tinha que ir para a faculdade.

Eles se vestiram, Victor pegou o colar que estava jogado na grama perto de onde suas roupas estavam e deu um longo e demorado beijo em Rebecca antes de ir em direção a sua moto.

– Te vejo amanhã? – Perguntou Rebecca

– Claro! – Victor mandou um beijo e colocou o capacete.

Rebecca estava feliz, entrou em casa digitando uma mensagem para a amiga.

“Nadya, estou muito feliz. Deu tudo certo. Obrigada pelos conselhos. Você é a melhor amiga que existe!”

〔〄〕

Victor acelerou, cortava os carros e continuava acelerando. Rebecca era insaciável.

– Se eu soubesse que ela era tão ardente, tinha ficado com ela antes. – Ria, estava sentindo-se totalmente satisfeito.

Então, ouviu e sentiu um rugido, era seu estômago. Implorava por algo. Victor se lembrou que não comia há quase 24 horas. Não literalmente.

Estacionou sua moto perto de um McDonalds e foi fazer um lanche.

Seguiu em direção a entrada, onde um garotinho com roupas esfarrapadas lhe chamou.

– Ei, moço. Tem algum trocado pra mim comer um lanche?

Algo que Victor não suportava, além de um garoto folgado, que não sabe dar valor ao dinheiro, é o péssimo português que eles falam.

É, mas nem todos tem a sorte que eu tenho, nasci com dinheiro e vou morrer com dinheiro. Vangloriou-se, em seus pensamentos, claro!

– Tenho sim! – Victor colocou a mão em seu bolso e procurou algumas moedas. Não encontrou nada, só o colar que recebera de Rebecca, puxou do bolso. Antes de ter tempo de reagir o garoto arrancou da mão o colar e correu. Victor ameaçou ir atrás do garoto, mas estacou ao ver o garoto entregar o objeto a um homem carrancudo e forte. Então se virou lentamente e entrou no restaurante.

Rebecca ficaria furiosa ao descobrir que tinham roubado o precioso colar.

Rebecca... Victor imaginou como seria sua vida de agora em diante. Nos dias da semana, ela exigiria que ele começasse a trabalhar, ou no mínimo estudar. Nos finais de semana ela iria querer sair para jantar e assistir filmes no cinema ou então, estourar uma pipoca para assistir os filmes em casa. Sentiu um enjoo ao imaginar que dali alguns meses ela estaria falando de casamento. Victor não podia abrir mão de tudo que ele fazia. Rebecca não aceitaria dividi-lo com outras garotas. Já ele não se importava se ela ficaria com outra pessoa. Percebeu que não podia mais ver Rebecca, tinha que falar para ela, ou mesmo sumir por algum tempo.

Pegou o lanche e seguiu em direção às cadeiras. Antes de se sentar viu passando pela janela uma garota que ele conhecia muito bem. Deu uma mordiscada em seu lanche e saiu atrás dela.

– Oi? – Disse Victor, acompanhando o passo da garota loira. – Aonde vai com tanta pressa?

– Eu? Estou voltando para o meu trabalho? Por quê? Você quem me deixou...

– Desculpe, eu já te pedi perdão mais de um milhã de vezes e você sequer teve a capacidade de me responder. Ontem mesmo você me xingou no telefone e não quis falar comigo.

– Claro. Não podia ser outra coisa. Você mentiu, me enganou e ainda me deixou para ir viajar sem avisar...

– Já te expliquei mais de um milhão de vezes, Larissa. Meu avô, que morava na América morreu e tive que sair às pressas naquele dia... Você sabe disso.

– Mas se fosse verdade, você teria me ligado e avisado. Ficou dias sumido e quando voltou nem me deu satisfação.

– O que posso fazer para compensar o meu erro?

– Nada! Agora me dê licença, tenho que ir trabalhar.

Victor conhecia Larissa melhor que ninguém. Era superficial e comprável, era só prometer algum de seus desejos que ela seria dele.

– Quer ir visitar minha avó comigo nesse fim de semana? – Victor viu Larissa conter um sorriso. Sabia a resposta dela.

– Qual, a que mora nos Estados Unidos? Não. Ela nem me conhece...

– Vai ser uma surpresa para ela conhecer minha futura namorada.

Larissa sorriu ao ouvir a palavra namorada. Victor, por sua vez, abaixou e disse:

– Aceita ser, de novo, e para sempre minha namorada? – As palavras que saíram de sua boca foram sinceras, mas só ele sabia que eram mentirosas. Tinha aprendido um pouco mais cedo, que as garotas são mais fogosas se for prometido o que elas querem. E o que Larissa quer é “status social”. Algo que ela nunca terá. Victor riu por dentro.

Larissa Subiu na moto de Victor que já sabia o próximo rumo deles.