Evil In The Night
14 Memories
Notas iniciais
Chega um ponto em sua vida, em que a única solução aparente é a morte. O único problema, é quando você já está morto. Se você já morreu, como poderá morrer de novo? Essa era a pergunta que mais incomodava Blaine. Ele não queria mais fazer mal aos humanos, mas ele sabia que enquanto vivesse seria um perigo eminente. Não tinha algo que pudesse fazer ele mudar. Ele era assim e ponto final.
Ele sempre soube o que queria, mas chegou ao ponto onde ele só queria poder sumir. Todas as suas perguntas voltavam para a mesma resposta, que seria: Kurt.
Por que Blaine queria deixar de ser o monstro que era? Por causa de Kurt. Por que Blaine queria poder mudar? Por causa de Kurt. Por que ele queria conseguir ser um alguém melhor? Para recuperar Kurt.
Tudo que ele mais queria fazer, era ser um alguém melhor, que pudesse ser o mais humano possível, apenas para poder recuperar Kurt e fazê-lo feliz. Será que isso era pedir demais? Aparentemente sim, mas Blaine iria fazer de tudo para realizar esse grande sonho.
Blaine chegou ao local onde sempre encontrava Elliot um pouco antes da hora marcada. O galpão empoeirado mais parecia um covil de bruxas ou um mausoléu do que qualquer outra coisa. Haviam caixas empilhadas e rasgadas por todos os lados. Alguns retratos se encontravam pendurados na parede, mas todas as imagens neles presentes estavam desfiguradas, tornando impossível a identificação de qualquer que fosse o rosto das pessoas das fotos. Algumas cadeiras de madeira ficavam na volta de uma mesa também de madeira; tanto as cadeiras quanto as mesas estavam quebradas em algumas partes.
O moreno aproveitou que seu “convidado” ainda não havia chegado e resolveu perambular pelo local, vendo o que mais poderia ser encontrado ali. Ele subiu as escadas antigas, que a cada passo dado estalavam em um volume alto. No andar de cima havia o que se podia chamar de quarto do horror. Havia uma cama grande com um colchão fino e algumas cobertas escuras com desenhos macabros; assim como no andar de baixo, haviam quadros, mas eram todos de uma mesma garota, que também tinha o rosto desfigurado; havia também, uma grande cômoda, com alguns objetos de tortura em cima; no final do “quarto” havia um grande baú, que chamou a atenção de Blaine, pois o item estava limpo e brilhoso. Blaine não conteve sua curiosidade e abriu o objeto, mas não encontrou nada dentro.
— A curiosidade mata, sabia? – Blaine tomou um pequeno susto com a presença de Elliot. – Está assustado por não ter escutado meus passos?
— Como se você precisasse caminhar. – O moreno disse com um sorriso falso no rosto. – Você demorou.
— Eu nem deveria ter vindo. Falar com você é sempre uma grande perda de tempo. – Elliot disse com seu famoso ar cínico, o que irritava Blaine. – Por incrível que pareça, estou com um bom pressentimento sobre hoje. Quais os motivos pelos quais estou aqui?
— Estou aqui para você cumprir a sua parte do acordo. – Elliot arqueou a sobrancelha esquerda para Blaine. – Matei quase mil pessoas, Elliot. Por favor, devolva a minha memória.
— Tudo bem. Eu prometi e vou cumprir. – Elliot disse e se aproximou de Blaine, colocando as duas mãos na cabeça do moreno e fechando seus olhos por um certo tempo. – Pronto. – Elliot disse e foi embora, deixando um Blaine confuso no quarto.
O moreno sentou-se na cama e sua mente estava a milhão.
Janeiro de 1511.
Era uma quarta-feira de chuva, um dia onde todo garoto de quatorze anos quer ficar em casa, aquecido dentro de seu quarto, pois o frio lá fora é pesado. Mas claro que todas as regras possuem exceções e Blaine era a exceção de todas elas. Blaine não se importava com o frio. Ele queria estudar, sendo assim, levantou no seu horário de sempre e tomou um banho. Um banho frio, em um cano de onde mal caíam gotas. Ele colocou seu uniforme surrado e foi em direção a escola. O pequeno moreno não tinha uma boa condição financeira, mas nem isso afetava a sua alegria e o sorriso que ele costumava carregar no rosto. Quando chegou ao seu destino, tratou de ir logo para sua sala de aula, ficando lá por um bom tempo, pois faltava um tempo para as aulas começarem.
Ele estava entretido em sua aula de álgebra, quando ouviu um barulho vindo do lado de fora da escola. Ele olhou em direção a janela e viu um homem alto e grisalho gritar com um pequeno garoto. Um garotinho que aparentava ter uns treze anos, com olhos azuis e cabelos castanhos, estava sendo xingado por um homem que aparentava ser seu pai. O pequeno possuía lágrimas nos olhos e estava tentando limpar o vidro da janela da sala de aula. Blaine sentiu pena daquele garoto; o castanho parecia tão doce e delicado para aquele tipo de tratamento. Blaine sentia que o garoto iria se desmanchar completamente por conta dos xingamentos. A turma continuou a prestar atenção na aula, ignorando completamente a cena que acontecia do lado de fora. Blaine foi o único que se prestou a observar, até que os olhos azuis do garotinho encontraram os de Blaine e ambos coraram com o acontecido. O coração de ambos acelerou e eles preferiram ignorar aquilo.
Após as aulas, Blaine andou pela escola inteira à procura do par de lindos olhos azuis, mas não encontrou em lugar algum.
— Hey, você! – O moreno sentiu alguém o cutucando. – Por que você ficou me encarando?
— Eu estava admirando seus olhos. Desculpa. – Blaine admitiu, fazendo o outro corar. – Qual seu nome?
— Você vai ter que descobrir sozinho, Blaine Anderson. – O garotinho disse e saiu correndo, deixando Blaine ali, sorrindo de uma maneira boba.
Mais tarde naquele mesmo dia, um bilhete foi parar na janela do quarto de Blaine com apenas duas palavras escritas: “Kurt Hummel”.
[...]
Abril de 1514.
— Olá, Sra. Hummel, será que eu poderia falar com Kurt? Nós combinamos de sair. – Blaine disse para a mãe de Kurt, uma mulher muito bonita, com os olhos iguais aos de Kurt e um sorriso que agradava a maioria dos homens.
— É claro que pode, Blaine. Ele está na sala, esperando você. – Ela disse simpática. O moreno foi até a sala e encontrou Kurt arrumando sua roupa em frente a um pequeno espelho que ficava no cômodo.
— Você está muito bonito para apenas um passeio pelo parque. – Blaine falou, fazendo Kurt corar, como sempre.
— Você também está arrumado. – O castanho disse sorrindo. – Vamos?
— Claro.
[...]
— Eu me diverti muito hoje. – Kurt disse sentando-se no sofá de sua casa; Blaine sentou ao seu lado.
— Eu também. – Disse o moreno. – Kurt, você já se apaixonou?
— Já. Por que? – Aquelas palavras foram como tiros em Blaine. Essa não era bem a resposta que o moreno procurava.
— Nada não. Só para saber. – Blaine disse tomando um gole de sua água.
— Blaine?! – Kurt falou um pouco baixo, de forma tímida.
— Hum? – O moreno colocou seu copo na mesa de centro.
— Eu posso te beijar? – O castanho perguntou olhando para baixo, por causa da vergonha.
Blaine sorriu com aquilo e os dois começaram a aproximar o rosto um do outro. Eles pararam quando estavam quase colados e ficaram apenas acariciando um ao outro e sentindo suas respirações se chocarem. Blaine acabou com o espaço entre eles, juntando seus lábios em um selinho demorado, que aos poucos se tornou um beijo calmo e cheio de carinho e ternura. Quando os garotos se separaram, eles tiveram um ataque de risos e nem eles não entenderam o motivo. Agora eles teriam que lidar com um grande problema: contar aos seus pais.
[...]
Novembro de 1515.
Kurt e Blaine estavam firmes em seu namoro. Suas famílias não amavam a ideia, mas respeitavam por pensar ser algo inocente, o que de fato era. O namoro dos garotos se resumia em alegria pura. Os pais de Kurt apoiavam mais do que os pais de Blaine, mas isso não mudou na relação deles.
— EU NÃO ACREDITO QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO! – Gritou Anna, a mãe de Blaine. O garoto chegou a se assustar com os gritos.
— EU NÃO TENHO CULPA! – Gritou William, o pai de Blaine.
— EU QUERO O DIVÓRCIO. – Gritou a mulher.
— Você vai ser chamada de um milhão de coisas. Está ciente disso? – O homem baixou seu tom.
— Eu prefiro ser chamada do que for a ter que aguentar você perto do meu filho. Ele não merece ter um pai como você. – Blaine se aproximou dos dois e perguntou o que estava acontecendo, mas um silêncio se instalou no local. A mãe só soube dizer que assim seria melhor e que quando Blaine crescesse ele iria entender.
O moreno saiu da casa e bateu a porta com força, começando a andar sozinho pela noite. Blaine poderia ter escolhido qualquer noite para sair pelas ruas, mas aquela noite não era a melhor.
Ele estava andando por uma rua completamente escura e, para ajudar, nem Lua não havia naquela noite. Ele passou por um beco abandonado e viu uma sombra preta por cima de uma mulher, seu primeiro instinto foi correr para ajudar, mas quando ele tentou se aproximar, a sombra preta o impediu.
— Ora, ora! O que um garoto da sua idade está fazendo uma hora dessas na rua? – Perguntou a mulher.
— Não estou com muita paciência. – Disse Blaine, saindo dali.
— O único problema é que eu não perguntei. – Disse a tal mulher, fazendo Blaine tomar um líquido estranho, que parecia sangue. Logo após forçar Blaine a beber aquilo, ela quebrou o pescoço do mesmo, que ficou ali caído no chão, morto.
Alguns dias depois, a cidade estava um caos. Os assassinatos na pequena cidade aumentavam a cada minuto e ninguém sabia qual criatura era responsável pelas mortes. Kurt estava preocupado, pois seu namorado havia sumido há exatamente uma semana, sem explicação alguma.
O castanho ficou sem reação ao descer as escadas de sua casa e ver uma criatura de preto parada ali. Seu susto só aumentou ao ver que a pessoa era Blaine e o mesmo estava com sangue escorrendo de sua boca, olhos sombrios e os dentes crescidos e pontudos. Sem nem pensar direito, a criatura na qual Blaine se transformou foi para cima de Kurt e cravou seus dentes no pescoço do castanho até acabar com todo o sangue que havia no corpo do mesmo.
Ao perceber o que tinha feito, sentiu seu mundo desabar por completo. Seu amado estava ali, morto e ele mesmo havia o matado. Os pais de Kurt chegaram e viram Blaine com o corpo do castanho em seus braços.
Como já era de se esperar, Blaine não conseguiu convencer seus sogros de que não era o culpado e sua única solução foi matar os dois.
A partir desse dia Blaine passou a ser o mal no mundo, se tornando ainda pior do que o monstro que o transformou podia ser.
[...]
Desde o dia em que Blaine fora transformado, ele havia perdido tudo e todos que um dia conheceu. Ele tentou seguir sua vida, mas ele não conseguiu. A única coisa que ele conseguia fazer, era matar alguém aqui, alguém ali e aumentar sua lista de assassinatos cada vez mais.
Ao longo dos anos, ele conseguiu reencontrar o amor de sua vida. A cada cem anos, ele tinha a oportunidade de conhecer Kurt novamente, de maneiras diferentes, mas sempre havia algo parecido com a primeira vez em que se viram. O único mal nisso, é que Kurt sempre morria quando estava prestes a completar dezoito anos. O responsável por sua morte era sempre o mesmo ser desprezível: O próprio Blaine.
A cabeça de Blaine estava girando. Ele não conseguia entender direito o que estava acontecendo. Durante todos esses anos Scarlett o torturava e Blaine nunca entendeu o motivo. Suas memórias podem ter voltado, mas ainda há algo que intriga o moreno. O que ele fez afinal para Scarlett ter tanta raiva de si?
Já o contrário era aceitável. Blaine tinha todos os motivos do mundo para odiar ela e querer vê-la morta. Scarlett estragou sua vida mais de uma vez.
[...]
— É uma honra finalmente poder falar com você. – Disse o homem, assustando Kurt. O castanho estava em seu quarto arrumando seus materiais para a escola, lugar onde ele precisa estar em menos de uma hora.
— Quem é você? – Kurt perguntou um pouco assustado.
— Oh, me desculpe, eu ainda não me apresentei. – O moreno disse rindo. – Meu nome é Elliot.
— O que você quer comigo? – Kurt perguntou se afastando mais ainda de Elliot.
— Vocês humanos são tão chatos. – Elliot comentou. – Odeio esse monte de perguntas que vocês sempre têm.
— Não vai me responder? – Elliot revirou os olhos.
— Eu vim aqui te dar um aviso. – Kurt arqueou a sobrancelha direita e cruzou os braços. – Quero Blaine, você e toda a sua turminha querida do famoso coral neste endereço aqui daqui dois dias. – Elliot disse entregando um papel para Kurt. – Se alguém faltar, todos morrem. – E assim o mais velho desapareceu, fazendo o pânico se instalar em Kurt. O que ele faria agora?
[...]
Kurt chegou afoito em sua sala de aula e agradeceu por Blaine já estar presente. Ele correu e sentou ao lado do moreno, que sorriu para ele.
— Não leia meus pensamentos. – Pediu Kurt, fazendo Blaine se preocupar com a feição que Kurt tinha.
— Você está com o amuleto, então eu não posso ler. O que houve? Você está estranho, ou um pouco nervoso, ou ambas as coisas. Parece até que viu um fantasma. – O moreno tentou tirar a tensão do ar, mas a única coisa que conseguiu foi um Kurt o repreendendo.
— Vi coisa pior. – Blaine se assustou com as palavras. – Elliot.
— O que aquele desgraçado fez com você? – Blaine praticamente rosnou.
— Ele mandou você, eu e todo o New Directions irmos para este endereço daqui dois dias. – Kurt entregou o papel que lhe havia sido entregue, para Blaine.
— O que acontece se não formos? – Kurt se encolheu um pouco.
— Ele mata todos nós. – Kurt disse com a voz falhada.
— Não se preocupe, meu amor, isso não vai acontecer. – Blaine disse e levantou, indo embora.
— Nós temos aula agora. – Kurt disse indo atrás de Blaine, que parou no meio do caminho e voltou até o castanho.
— Eu preciso encontrar Sebastian, ele é o único que pode me ajudar a acabar com essa palhaçada do Elliot. Eu não vou deixar que ele te tire de mim. Não agora que tudo vai dar certo. – Blaine disse, voltando a seguir seu caminho, Kurt continuou indo atrás.
— Como assim? – O moreno sentiu um frio diferente do normal passar por si.
— Não posso explicar agora, mas eu prometo que mais tarde eu falo tudo para você. – Blaine disse e roubou um rápido beijo de Kurt.
— Arrumem um quarto! – Thomas disse ao passar por eles para entrar na sala de aula, mas, antes que pudesse, foi puxado por Blaine. – O que eu fiz? Estou quieto na minha, Anderson.
— Temos coisas para resolver, Thomas. Você vem comigo. – E o garoto nem mesmo pensou duas vezes, apenas fez o que lhe fora ordenado.
[...]
— Até que enfim vou ter companhia. Não aguento mais ficar aqui sozinho. – Sebastian disse e viu Blaine se aproximar. – Eu ainda quero matar você. Você quebrou o meu pescoço.
— Você vai reclamar disso até o próximo século, já entendi. Você preferia que eu tivesse deixado você matar Kurt? – Sebastian negou. – Foi o que pensei. Preciso da sua ajuda.
— Estou ouvindo. – Sebastian disse cruzando os braços.
— Preciso eliminar a hipnose do Elliot e você vai ter que me ajudar. – Blaine explicou e o outro começou a rir.
— Isso inclui até mesmo matar ele. – Thomas informou, aparecendo do nada e assustando Sebastian.
— Como eu vou matar alguém que já está morto? – Blaine revirou os olhos com a “burrice” de Sebastian.
— Com uma estaca no coração. Não se faça de burro, por favor. – O moreno pediu. – Ele vai fazer um estrago dos grandes se não o impedirmos.
— O que ele tem contra você, afinal? – O moreno ficou sem palavras. Nem ele não sabia a resposta.
— Eu também não sei, Sebastian. Eu já tenho um plano. Você só precisa ouvir e concordar. – Sebastian assentiu, fazendo um sinal para Blaine continuar falando.
[...]
Kurt estava sentado em sua cama, pensando na vida e com seu caderno na mão. Ele tinha uma tarefa da aula de literatura para fazer. A tarefa consistia em escrever sobre alguém que a pessoa amasse, e sim era necessário que fosse um namorado ou uma paixão. Era para ser como se fosse uma declaração e todos iriam apresentar o texto na frente da turma. A única coisa que não era obrigatório era dizer para quem a pessoa estava lendo, mas é claro que a pessoa para a qual Kurt faria o texto saberia rapidamente que era para si.
Kurt pegou sua caneta e começou a escrever, parando logo em seguida. Ele tentou pelo menos cinquenta vezes, mas nada saía.
— Está ocupado? – Sebastian perguntou entrando pela porta de Kurt. – Eu não posso ficar muito tempo por aqui, mas Blaine disse que você podia estar sentindo minha falta.
— Você sempre faz falta. Senta aqui comigo. – Kurt pediu sorridente. – Essa noite eu tive um pesadelo. Alguém tirava você de mim, de novo. – O castanho ficou um pouco triste.
— Agora não precisamos mais nos preocupar com isso, porque eu não vou a lugar nenhum. Eu ficarei sempre ao seu lado. – Sebastian disse dando um abraço apertado em Kurt. Apertado até demais. – O que são esses papeis?
— Preciso escrever uma declaração para a aula de literatura. Simplesmente não consigo. – O castanho disse frustrado.
— Achei que fosse fácil escrever sobre Blaine. – Sebastian disse rindo. – Se fosse ele esse texto já estaria pronto. Ele está cheio de inspiração hoje.
— Você e ele estão se dando bem?
— O amor e o ódio andam lado a lado, então acho que sim. – Ele disse rindo. – Kurt, eu não preciso nem pensar para perceber que você e ele são almas gêmeas e eu não sou o único a ver isso. Você só precisa parar de se limitar nas palavras e deixar fluir. Rapidinho sua tarefa estará cumprida.
— Obrigado, Seb. – Kurt deu um sorriso para o amigo.
— Agora, eu preciso ir. Sua mãe acabou de chegar em casa. Tchau, K. – Sebastian se levantou e deu um rápido beijo na testa de Kurt, indo embora em seguida.
— Oi, filho. – Disse a mãe de Kurt colocando apenas a cabeça para dentro do quarto. – Vou preparar o jantar, quer algo em especial?
— Só sua companhia. – O castanho disse sorrindo para sua mãe.
— O que você está escrevendo? Ou tentando? Parece que vai sair fumaça da sua cabeça. – Ela disse rindo.
— Trabalho da escola. Vou escrever para Blaine, mas as palavras não aparecem em minha cabeça. – Kurt disse novamente frustrado.
— Você sente falta de namorar com ele, não é mesmo? – Kurt assentiu. – Esse é um bom começo. – Ela disse e saiu do quarto. Para muitos as palavras dela poderiam ter sido apenas mais lacunas, mas, para Kurt, eram as soluções de seus problemas.
*NO DIA SEGUINTE*
Kurt foi o primeiro aluno a entrar na sala de aula; Brittany, Quinn e Santana chegaram em seguida, todas de mãos dadas. As três garotas sentaram próximas a Kurt e o encararam.
— Você está bem? – Perguntou Quinn, parecendo simpática.
Isso era um fato interessante: desde os estranhos ocorridos – como a morte de Sebastian e a quase morte de Santana – todos estavam mais amigáveis uns com os outros.
— Estou ótimo. – Kurt respondeu também simpático.
Logo os meninos do time chegaram; Sam e Puck sentaram próximos ao grupo ali formado, enquanto o resto dos garotos foi para o outro lado da sala. Após um tempo, os famosos “nerds” da turma também chegaram: Mercedes, Artie e Mike. Rachel e Tina chegaram reclamando: elas simplesmente se odeiam e ninguém nunca conseguirá mudar isso. Por último e mais importante, chegou Blaine. Ele estava todo diferente: ele estava com o cabelo sem gel, mostrando lindos cachos caindo em seu rosto; usava uma calça preta e um coturno de mesma cor; usava uma blusa branca e uma jaqueta de couro; seu look se completava com um óculos de Sol de cor azul-escuro. Todos ficaram encarando Blaine. Aquele não parecia o garoto que todos conheciam. Ele sentou ao lado de Kurt e sorriu para o mesmo, que estava sem palavras.
— Bom dia. – O moreno disse e roubou um selinho do castanho, que continuou sem palavras.
— Não sou obrigada a ver isso. – Santana disse um pouco irritada, sendo repreendida em seguida por Brittany.
— Bom dia. – Kurt disse quando saiu do choque. – O que houve com você?
— Eu estava muito colorido e, sei lá, sinto que não combina muito comigo. – O moreno disse dando de ombros. – Não gostou?
— Você está lindo. – O castanho disse sorrindo.
— Bom dia, queridos. – Disse a professora de literatura. – Preparados para a apresentação do trabalho? – Todos responderam que não em uníssono, a cena estava até engraçada. – Sei que todos querem se declarar, então que venha o primeiro aluno ou aluna. – A professora tentou, mas ninguém se prontificou. – Tudo bem, por chamada aleatória então. Santana.
A latina se levantou irritada e foi andando até a frente da turma. Todos a olhavam com medo, pois nunca saía nada bom da boca de Santana.
— Eu escrevi isso para a minha namorada, Brittany. – Santana falou e começou a ler o seu texto, que ficou lindo, nem parecia que ela havia escrito.
Rachel leu seu texto e o declarou para seu vizinho, um tal de Finn; Mike escreveu para Tina e vice-versa; Sam escreveu para Mercedes, e ela também escreveu para ele; Puck foi até a frente da turma e falou apenas besteiras, se glorificando por todas as garotas que ele já beijou; Brittany falou sobre sua paixão por unicórnios, vampiros e por Santana.
— Quinn. – Disse a professora. A loira andou até a frente da turma e deu um sorriso fraco.
— Eu não cumpri a tarefa. – Ela disse olhando para a professora. – Eu escrevi uma declaração para alguns amigos. – A professora revirou os olhos, mas mandou ela prosseguir. – Bom, no início desse ano eu era uma garota irritante, atirada, que pensava ter tudo, quando na verdade eu não tinha nada. Eu tinha amizades falsas e um bando de bajuladores que na verdade me odeiam. Até que um dia eu me permiti mudar e conhecer novas pessoas. Eu odiava fazer parte do coral e confesso que só fazia parte porque minha paixão estava lá. Sebastian foi o garoto pelo qual me apaixonei pela primeira vez, mas infelizmente ele não gostava de garotas. – Quinn sorriu para Kurt, que sorriu de volta. – Muitas coisas aconteceram e então eu percebi que não haviam motivos para eu odiar aquele coral. Quando você cai, não são os bajuladores que dizem te amar que te levantam. Quem te levanta, normalmente é quem você menos espera. E foi o coral que me levantou e eu nem precisei cair para isso. Britt e Sant, vocês são as melhores amigas que eu poderia ter encontrado nesse mundo e eu sou muito grata por ter vocês. – As garotas sorriram para Quinn. – Tina, eu acho que você deveria ter mais solos no coral, você até que é talentosa. – Tina revirou os olhos. – Rachel, você é uma das pessoas desse coral que deveria descer um pouco do pedestal, pois você não é a pessoa mais talentosa de lá. Aliás, ninguém é melhor que ninguém. Todos vocês são talentosos e merecem mostrar o seu brilho. Puck, você foi o meu primeiro namorado eu até que gosto de você. – Puck fez um gesto estranho para ela, que apenas riu. – Mercedes, sua voz é ótima e você é linda, não deveria se sentir diferente. Mike, você é o melhor dançarino que eu já conheci, não deixe seus pais dizerem o contrário, vá atrás de seus sonhos. Artie, você é a prova viva de que força de vontade é o mais importante na vida, você é o garoto mais inteligente que eu conheço. Sam, desculpa, não tenho muito o que falar de você. – Sam fez um olhar decepcionado para ela. – Blaine, desde que você chegou aqui as coisas mudaram e você conseguiu transformar o coral em uma família, eu só não sei como, mas mesmo assim, obrigada. Ah, e a propósito, você está mais bonito desse jeito. – Ela disse rindo para ele. – E, por último, Kurt. Eu e você costumávamos não poder olhar um para o outro e hoje eu te cumprimento e pergunto se você está bem. Eu não pergunto por educação e sim porque eu realmente quero saber a resposta. De todas as minhas conquistas eu diria que a sua amizade é a melhor delas. Você pode ainda me odiar, mas eu posso dizer que amo você e eu realmente te considero como meu amigo. Obrigada pela atenção de todos. Se eu continuar a falar, as lágrimas vão me dominar, então é melhor parar. – Ela disse e sentou em seu lugar. A professora limpou algumas lágrimas e olhou para seu caderno de chamada.
A professora chamou mais alguns alunos e depois olhou para Kurt e Blaine, que eram os únicos alunos que ainda não haviam sido chamados.
— Kurt, será que você poderia vir aqui e ler o seu trabalho? – Ela perguntou e Kurt assentiu.
— Bom dia a todos. – Kurt disse um pouco nervoso. – Eu estou um pouco nervoso. – O castanho encarou Blaine que levantou uma folha de caderno onde estava escrito “boa sorte, eu te amo”. Aquilo fez Kurt sorrir como um idiota. Ele segurou firme no papel e começou a falar. – Eu nunca fui uma pessoa fácil de lidar. Eu sempre fui ligado a um único amigo e excluído do resto do mundo. Eu nunca me permiti fazer novas amizades e hoje me arrependo por isso. Eu também nunca me permiti me apaixonar, mas isso mudou, obviamente. Esse ano eu conheci um garoto e, eu me apaixonei na primeira vez em que o vi. Eu não sabia se era o seu sorriso o que mais me encantava ou se era o mistério por trás dele. Blaine, você chegou na minha vida tão de repente, e de uma maneira tão devastadora você fez com que eu simplesmente caísse em amores por você. Foi tudo muito rápido e, quando eu me dei conta, já estávamos namorando. Esse ano eu passei por algumas coisas que afetaram minha vida, de verdade, mas você ficou ao meu lado. Você continuou comigo. – Kurt fez uma pausa, respirou fundo e continuou. – Desde que nós terminamos não há um sequer segundo em que eu pare de pensar em você e no quanto te quero de volta. Eu nunca pensei que se apaixonar fosse tão magnífico. Se apaixonar é a maior maravilha do mundo, mas se apaixonar por você consegue ser melhor ainda. Tudo em você consegue fazer eu me sentir conectado ao mundo, faz com que eu me sinta vivo e amado. Seu sorriso tem o poder de acabar com toda e qualquer tristeza pela qual eu possa passar; seu olhar faz com que eu me derreta por completo; seu abraço faz com que eu me sinta protegido, aliás, seus braços são o lugar mais seguro do mundo. Eu amo tudo em você e... eu não... – Kurt travou, ele ainda tinha o que falar, mas ele não conseguia mais. – Eu amo você. – Ele disse e voltou para o seu lugar. Blaine nem teve tempo de falar algo com Kurt, pois a professora o chamou para apresentar o seu trabalho. Kurt havia acabado de sentar, mas Blaine o puxou pela mão até a frente da turma.
— O trabalho era uma declaração e eu acho que não tem nada melhor do que isso. – Blaine disse e se ajoelhou. O coração de Kurt simplesmente parou naquele momento.
— VOCÊ VAI PEDIR ELE EM CASAMENTO? – Brittany perguntou e Quinn revirou os olhos.
— Santana, se você não quiser ficar viúva antes de casar, por favor, mande sua namorada calar a boca. – Quinn disse, fazendo a turma rir.
— Kurt Hummel, você é a pessoa mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida. A cada dia que passa eu tenho mais certeza de que eu te amo e de que quero passar toda a eternidade ao seu lado. Isso é algo que você também gostaria de fazer? – Kurt assentiu. – Sendo assim, você aceita voltar a ser meu namorado? De verdade, com direito a alianças de compromisso? – Ele disse abrindo a caixinha de veludo.
— Eu aceito qualquer coisa com você. – Kurt disse sorrindo. Blaine colocou o anel em seu dedo e levantou, roubando um selinho de Kurt.
— Isso não é beijo que se preze. – Quinn disse reclamando. – Pode dar um beijo de verdade. – Blaine olhou para a professora, que fez um sinal de “tanto faz, façam o que quiserem”.
Ele selou seus lábios com os de Kurt em um beijo calmo e amoroso, fazendo os dois receberem aplausos da turma e sorrirem durante o beijo. Agora sim, eles estavam completos de novo.
[...]
Mais tarde, naquele mesmo dia, todos foram em direção a sala do coral. Blaine avisou Will que precisava dar um recado importante para o New Directions, então eles trancaram as portas para ninguém interromper.
— Por que tanto mistério? – Perguntou Rachel.
— Eu preciso contar uma coisa para vocês. E é um assunto um pouco delicado. – Blaine disse e todos ficaram confusos. – Sei que ninguém vai acreditar, mas não tem jeito bom de dizer isso, pois não é uma coisa boa, enfim... todos vocês estão correndo sério perigo por culpa minha e amanhã eu vou precisar levar todos vocês para um local e caso alguém falte todos morrem. Basicamente é isso.
— Próxima piada. – Disse Santana.
— Gente, isso não é piada. É coisa séria. – Disse Kurt se aproximando do namorado. – Blaine, você vai ter que contar tudo. – O castanho sussurrou para Blaine, que assentiu.
— Eu sou um vampiro. – Todos começaram a rir, menos Kurt e Brittany, que também se aproximou deles.
— Parem de rir. Ele não está inventando. – Brittany disse e todos começaram a rir mais ainda.
Blaine ficou irritado e tirou o amuleto que ficava em seu pescoço e o entregou na mão de Kurt. O moreno andou até perto da janela, onde tinha Sol e colocou seu braço ali. A mão de Blaine literalmente pegou fogo e todos ficaram espantados; Kurt andou até ele e o puxou, colocando o amuleto de volta em seguida.
— Você ficou louco? – Kurt perguntou a ele, que deu de ombros.
— Era o único jeito de fazer eles acreditarem. – O moreno falou não dando muita importância. Todos estavam assustados e não sabiam direito o que dizer ou fazer.
— O que nós precisamos fazer? – Perguntou Quinn.
— Você vai nos matar? – Perguntou Santana.
— Eu já quase matei você e se quiser eu faço de novo. – Ele disse um pouco irritado. – Eu tenho tudo planejado, mas vocês não vão gostar nem um pouco. Eu não vou machucar vocês, mas que fique bem claro, é muito provável que ninguém sobreviva.
[...]
— Eu pensei que você tivesse perdido a cabeça e que ia ficar lá na frente da janela até queimar por completo. – Kurt disse, fazendo Blaine rir. O castanho estava deitado no colo de seu amado, que acariciava seu cabelo.
— E perder a oportunidade de estar aqui agora ao seu lado? Nunca. – Ele disse roubando um beijo de Kurt.
— Que cena linda. Se eu pudesse, vomitaria agora. – Elliot disse. Ele havia aparecido do nada, fazendo Kurt e Blaine se assustarem.
— O que você quer agora? – Blaine perguntou já irritado com ele.
— Quando vocês iam parar de me enganar? – Perguntou o mais velho.
— O que nós fizemos agora? – Perguntou Kurt.
— Eu já sei que Sebastian está vivo.
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