Evil In The Night
20 Is Just Sex
Notas iniciais
— O que está fazendo aqui? – Kurt perguntou. Um pedaço de si estava aliviado por ver Blaine ali, mas outro estava com raiva. Mas raiva de que? Nem ele não sabia dizer, apenas sabia que estava muito confuso ultimamente.
— Eu vim ajudar você, meu amor. – Blaine disse amoroso, capturando os lábios de Kurt, que se sentiu obrigado a aceitar o beijo. – O que houve com você? Achei que fosse matar Quinn.
— Eu não seria capaz. – Disse Kurt.
Ele agradecia por agora Blaine não poder mais ler os seus pensamentos. Só haviam três vampiros que poderiam ler as mentes de outros vampiros. Eles são como os primeiros que existem, e é uma história um pouco bizarra. Um deles já está morto, um Kurt não sabe quem é – mas esse seria Thomas. Só sobrou Scarlett, o pesadelo real de Blaine. Esses três podem controlar os outros vampiros, ler as mentes e manipular pensamentos. – Eu só estava com fome. Eu fiquei tanto tempo sem me alimentar, que acabei me descontrolando.
— Eu entendo. – Blaine disse passando a mão pelo rosto de Kurt. – Vamos embora daqui?
— Vamos. – Kurt disse sorrindo falso. Os dois foram embora dali rapidamente, pois não podiam ser vistos por ninguém.
O local para onde foram, foi a casa de Blaine. Kurt não entrava ali há tanto tempo, que até estranhou volta para lá. Tantas lembranças agora assombravam o castanho. Coisas que ele costumava amar agora o assustavam.
Mas aos que pensam que Kurt havia mudado para pior, é bom citar que não. Ele mudou foi para melhor.
O novo Kurt pode ter se tornado uma pessoa sem alma, mas agora ele achava que isso era uma qualidade. Ele agora podia fazer tudo que quisesse sem se preocupar com as consequências.
— Está melhor por estar aqui? – Blaine perguntou sentando ao sofá e puxando o namorado junto.
— Sim. – Kurt disse frio.
— Eu sei que pode ser algo traumatizante ser internado quando não se tem nada, mas... – Kurt interrompeu Blaine com um beijo, mas não um beijo qualquer, e sim, um beijo cheio de más intenções.
Kurt levantou, puxando Blaine para si e depois o empurrando contra a parede da sala, fazendo um barulho enorme ecoar pela casa. Blaine poderia ter reclamado, caso não tivesse gostado, mas como não foi isso o que aconteceu, ele apenas resolveu aproveitar aquele momento que tinha tudo para ser perfeito.
Blaine colocou sua mão na nuca de Kurt, aprofundando mais o beijo. Ah, como eles agradeciam nesse momento por não serem humanos, pois assim não precisavam ficar se preocupando com ar ou cansaço.
— Vamos lá para cima. – Blaine disse tentando puxar Kurt, que moveu a cabeça de forma negativa.
— Quero você. Aqui. Agora. – Kurt disse pausadamente, empurrando Blaine de volta para o sofá, fazendo a mesa com o abajur virar e o que tinha em cima quebrar. Kurt subiu no colo de Blaine e passou a beijar o pescoço do moreno, enquanto o Anderson passava suas mãos por debaixo da blusa de Kurt.
O castanho parou os beijos para poder tirar a camiseta de Blaine, fazendo o mesmo com sua própria logo depois. Blaine atacou os lábios de Kurt com veracidade, dando uma leve mordida após, fazendo o castanho sorrir.
Kurt fez Blaine se deitar e não se preocupou com mais beijos e beijos, ele não queria nada disso, ele queria apenas se divertir, então pulou direto para a parte onde tirava a calça de Blaine, e aproveitou e já tirou tudo, deixando o moreno nu.
— Por que tem tanta pressa com as coisas? – Kurt queria dizer que era porque queria se divertir, mas sabia que tudo acabaria ali caso ele falasse isso, então pensou rapidamente em outra resposta.
— Senti sua falta. – Uma parte de Kurt realmente havia sentido a falta de Blaine, mas a outra não ligaria caso o moreno desaparecesse.
— Eu também senti a sua. – Blaine trocou de posição com Kurt e até tentou ser romântico, mas Kurt cortava todas as tentativas de Anderson.
Kurt voltou para cima de Blaine, mas antes tirou sua própria roupa e quando voltou, sentou no membro de Blaine, que chegou a se assustar com a rapidez de Kurt.
Algo estava estranho.
Aquele não era o Kurt que Blaine havia conhecido e se apaixonado por.
Blaine não teve tempo de raciocinar direito, pois Kurt se movimentando em cima de si estava o deixando louco demais para poder pensar. O moreno resolveu então apenas aproveitar o momento. Depois ele tentaria descobrir o que aconteceu, mas não havia pressa, havia?
— Oh, como eu senti sua falta. – Kurt disse próximo ao ouvido de Blaine, o deixando enlouquecido.
— Não tanto quanto eu. – Blaine se levantou com Kurt ainda em seu colo, porém com as pernas entrelaçadas em sua cintura e os dois foram se batendo por todas as paredes, sem se preocupar com o estrago, já que estavam derrubando tudo que havia por onde passavam. Os dois foram parar na sala de jantar, Kurt saiu do colo de Blaine e foi indo de costas em direção a mesa da cozinha (uma mesa gigante, apenas para constar). Kurt grudou seus lábios novamente nos de Blaine e o empurrou contra a mesa, que por ser de vidro acabou se quebrando com o impacto, mas nem isso foi capaz de pará-los. Kurt novamente sentou no membro de Blaine, que se movimentava velozmente, provocando em Kurt sensações nunca experimentadas anteriormente.
Blaine começou a passar a fazer os famosos movimentos de vai e vem com a mão no membro de Kurt, sem parar de se movimentar, fazendo o castanho gritar de prazer. Eles estavam por cima de milhões de cacos de vidro por conta da mesa quebrada, mas eles não ligavam. Novamente Blaine estava em pé com Kurt em seu colo, o moreno continuou a andar – para humanos ele estaria correndo – e bater por tudo, fazendo tudo se quebrar ou pelo menos trincar, até que eles chegaram ao quarto, onde quebraram até a cama, já que Blaine atirou seu namorado na mesma. O Hummel começou a provocar Blaine e ficou de quatro na cama (mesmo quebrada), esperando pelo toque do moreno, que não demorou a atender o pedido, entrando mais uma vez em Kurt.
— Eu não quero que isso acabe nunca mais. – Kurt disse, ou melhor, gritou, se movendo junto com Blaine.
— Então vamos melhorar mais ainda. – Blaine disse saindo de Kurt, que o olhou com um olhar de reprovação.
— Onde você vai? – Kurt perguntou confuso, vendo Blaine sair do quarto.
— Vem descobrir. – Blaine disse provocativo e Kurt resolveu ir atrás. Kurt ouviu o barulho de água corrente, então entendeu que o moreno estava no banheiro, mais precisamente na banheira, com a torneira ligada.
— Você vai inundar a casa. – Kurt disse, percebendo que a banheira iria transbordar.
— Vai mesmo reclamar? – Blaine perguntou e desligou a água, logo sendo puxado para um beijo.
Ele e Kurt entraram na banheira, onde ficaram se encarando por um longo tempo, até perceberem que estavam perdendo tempo demais.
Kurt sentou na beirada da banheira e chamou Blaine com a mão. O moreno chegou perto do castanho e o beijou, logo passando os beijos para o pescoço de Kurt, indo pelo peito e chegando em seu membro, o enfiando completamente na boca em seguida. Kurt gemia loucamente ao sentir Blaine o tocando daquela maneira.
— Não... pare... – Implorou Kurt e o namorado o obedeceu, não parando até o castanho chegar ao seu ápice. – Isso foi... maravilhoso. – Disse Kurt sorridente. – Você merece até um prêmio.
— Mereço? – Blaine perguntou sentando na beirada da banheira ao lado de Kurt, que apenas assentiu para o moreno e, em seguida, sentou no colo de Blaine, deixando uma perna de cada lado.
Logo Blaine já estava novamente dentro de Kurt, que o puxou para dentro da banheira, que estava transbordando. Os dois estavam abaixo d’água, já que a banheira era enorme. Para falar a verdade, aquela banheira mais parecia uma piscina, mas isso não importa. Pelo menos não agora.
Os dois chegaram mais uma vez aos seus ápices e resolveram parar por um tempo. Blaine tentou puxar Kurt para um abraço enquanto ainda estavam na banheira, mas o castanho simplesmente saiu do banheiro com uma toalha, e quando Blaine foi atrás, o Hummel já estava vestido, pronto para ir embora.
— Aconteceu alguma coisa? – Blaine perguntou confuso.
— Não. Por que? – Kurt perguntou também confuso.
— Você está estranho. – Kurt revirou os olhos e foi saindo da casa de Blaine. O moreno pegou a primeira roupa que encontrou e foi atrás do castanho.
Kurt chegou em casa e encontrou sua mãe, que o cumprimentou como se tivesse o visto no dia anterior. Logo ele percebeu que alguém havia a hipnotizado, caso contrário ela teria enlouquecido pelo simples fato de que Sebastian estava ali.
— Pensei que não fosse mais voltar. – Sebastian disse seguindo seu amigo, que foi direto para seu quarto e encontrou Blaine já sentado em sua cama.
— Quem hipnotizou minha mãe? – Perguntou Kurt.
— Eu. – Disse Sebastian. – Foi por uma boa causa.
— Eu sei, só queria saber. Sebastian, pode nos dar uma licença? Ao que parece tenho que resolver algo com Blaine. – O mais alto assentiu e saiu do cômodo, deixando o casal a sós. – O que você quer?
— O que aconteceu? – O moreno estava sério e preocupado.
— Não aconteceu nada. Eu já disse. – Kurt falou irritado.
— Aconteceu sim. Você está frio, seu pensamento parece distante. Onde está você?
— Eu estou morto, Blaine. MORTO. – Kurt gritou.
— Então esse é o problema? – Blaine perguntou indignado. Kurt estava sendo ingrato acima de tudo. Blaine não queria ter transformado Kurt, mas não haviam escolhas para se fazer.
— Se você está se referindo ao fato de que VOCÊ me transformou em um MONSTRO, sim, esse é o problema. – Kurt jogou as palavras na cara de Blaine e aquilo machucou profundamente o moreno.
Blaine abriu mão de muitas coisas ao longo de sua vida para ter certeza de que Kurt estivesse seguro e feliz, mas parece que o castanho não agradece nem um pouco pelos sacrifícios que foram feitos por ele.
— Você está sendo ingrato. Está dizendo que preferia ter morrido? – Blaine perguntou incrédulo.
— Eu preferia. – Kurt simplesmente disse. – Para ser honesto, seria melhor morrer do que ter te conhecido.
— Eu não acredito que estou ouvindo isso. – Blaine passou a mão pela cabeça, tentando se acalmar.
— Pois acredite, porque é verdade. – Kurt novamente disse, deixando Blaine com ainda mais raiva e dor.
— O que aconteceu com o meu doce Kurt? – Blaine perguntou observando o olhar vazio do namorado, que desde os últimos acontecimentos estava completamente diferente. – O que aconteceu com o garoto romântico, tímido, divertido e maravilhoso que eu conheci?
— Ele nunca existiu, simples assim. – Kurt disse rindo sem graça.
— É claro que ele existiu, K. – Blaine tentou se aproximar, mas Kurt recuou. – Você disse que me amava. – Kurt gargalhou alto e se aproximou de Blaine.
— Nunca deixe um sorriso enganar você. – Segundos depois de dizer isso, Kurt ria maleficamente vendo o corpo de Blaine atirado no chão. Sebastian entrou no quarto e se apavorou ao ver a cena. Kurt não parecia nem ter pena do que havia feito.
— O que você fez? – Sebastian perguntou ainda mais assustado.
— Coloquei um fim naquilo que nunca foi real. – Kurt disse simples e deu de ombros.
— O que aconteceu com você? – Sebastian perguntou, fazendo o outro revirar os olhos.
— Essa é a única pergunta que vocês têm? – Kurt diz entediado. – Eu amadureci, apenas isso aconteceu. Vocês deveriam tentar também.
Kurt saiu do quarto e Sebastian foi o seguindo. O castanho desceu as escadas e encontrou sua mãe lendo um livro, ela estava de férias do trabalho, então ficaria o dia inteiro em casa, por alguns dias.
— Vou dar uma festa na próxima sexta. – Kurt comunicou.
— Ah, mas não vai. – A mãe de Kurt tentou protestar, mas ele simplesmente se aproximou e olhou nos olhos dela.
— Eu vou fazer uma festa na próxima sexta. Não pedi permissão. – Ela apenas assentiu e viu o filho sair pela porta, ainda sendo seguido por Sebastian.
— Onde você vai? – Sebastian perguntou ainda mais preocupado. Aquele não era o seu amigo.
— Preciso me alimentar. Não venha atrás de mim. – Kurt disse e Sebastian ficou sem ter o que dizer, ele simplesmente travou no lugar onde estava, sem saber o que fazer.
[...]
— Precisamos fazer alguma coisa, Blaine. – Sebastian disse caminhando impacientemente pela sala. – Aliás, o que aconteceu na sua casa?
— Kurt está desligado e eu não percebi. – Blaine disse, mesmo sabendo que o outro não entenderia exatamente o que havia acontecido. – Mas isso não vem ao caso. Eu sei que precisamos fazer algo, mas não tenho a mínima ideia do que fazer.
— Eu pensei que ele fosse matar a mãe dele, Blaine. – Sebastian disse ainda incrédulo. – Ele vai dar uma festa na próxima sexta, precisamos estar lá para garantir que não acabe em uma chuva de sangue.
— Quando falou com ele pela última vez?
— Um pouco antes de chegar aqui. – Respondeu Sebastian. – Ele disse que precisava se alimentar. Quem fez isso com ele? Ele não se desligou por vontade própria.
— Sebastian, ele ficou preso em um hospício, você não achou que ele fosse simplesmente aguentar tanto tempo sem perder a cabeça, não é mesmo?
— Somos vampiros, não enlouquecemos. – Blaine negou.
— Pelo contrário. Sentimos tudo intensificado. Ele deixou que isso o dominasse. – Blaine disse pensando estar certo. O único problema, é que ele não estava.
Três meses atrás...
Tudo estava correndo tranquilamente com a vida nova de Kurt. Era estranho ser um vampiro, mas Blaine estava o ajudando com tudo, o ensinando a controlar seus pensamentos e, principalmente, sua alimentação. Tudo na escola estava diferente após o funeral, todos perguntavam ao pessoal do New Directions sobre o que havia acontecido, mas todos estavam traumatizados demais para responder ao certo, fora que ninguém acreditaria caso eles contassem.
Todos iam todos os dias para a sala do coral apenas para conversarem ou apenas para terem a companhia um do outro. Eles já não estavam participando de nenhuma competição, eles nem ensaiavam. Todos haviam perdido a vontade de cantar, quando a voz principal do grupo faleceu. Sr. Schue fazia falta para cada um daqueles jovens.
Alguns acidentes haviam acontecido, como, por exemplo, o fato de Brittany ter se cortado próximo a Santana. A latina pode ter tentado se controlar, mas acabou machucando a pobre Brittany.
Naquele dia em especial, Kurt havia ido embora ao invés de ficar com seus amigos do coral. Ele estava se sentindo estranho e não sabia definir o motivo exato. Blaine entendeu e deixou o castanho um tempo a sós consigo mesmo.
Kurt chegou em sua casa e foi direto para seu quarto, onde encontrou uma figura envolta em preto. Sua primeira reação foi rir.
— Blaine, isso já perdeu a graça. – Kurt disse rindo, mas parou com a risada assim que percebeu que aquilo não era Blaine. Era um corpo muito bonito, e não aparentava ser de um homem. Seria aquela a.. oh, não. Kurt estava ferrado. – O que você fez com Blaine?
— Por que eu teria feito algo com ele, Kurtie? – A pessoa tirou o pano que cobria seu rosto, mostrando que era uma mulher. Uma mulher muito bonita, com cabelos vermelhos, lisos e compridos, olhos escuros e um sorriso maldoso.
— Ele não é o seu grande alvo ou algo do tipo? – Ela riu com as palavras dele. – Qual a graça? Você não é a grande vilã de tudo?
— Isso não é ficção ou um livro de crianças para existir um vilão, querido. Você deve saber quem sou eu...
— Scarlett. – Kurt a cortou e ela assentiu.
— Percebo que ouviu falar de mim. – Disse Scarlett. – Respondendo a sua pergunta: sim, meu grande alvo é Blaine.
— E por que está aqui?
— Kurt, você precisa aprender como as coisas funcionam. Se eu quisesse machucar você indiretamente, quem eu precisaria matar? Sua mãe, ou seu querido amigo Sebastian, ou Blaine. – Ela respondeu e deu alguns passos pelo quarto.
— Você não vai machucá-los. – Kurt disse e aquilo pareceu um pedido suplicante até demais.
— Não. Meu alvo é Blaine e não você. – Kurt diria algo, mas ela não permitiu. – Deixe-me explicar. Assim como eu machucaria um deles para atingir você, eu vou machucar o que é de maior importância para Blaine.
— E quem seria essa pessoa?
— Não está na cara? – Kurt negou. – Bom, a pessoa está bem na minha frente.
— Eu?
— Você não é burro, Kurt. Você vem comigo.
— E se eu não for? – Kurt perguntou com uma pontada de medo. Ele não era mais humano, mas ainda sentia essas coisas, mesmo que fosse por reflexo ou costume.
— Mais alguém morrerá. – Essas palavras foram suficientes para fazer o castanho ceder.
Kurt acompanhou Scarlett pela cidade, até passarem por um cemitério, o qual usaram de atalho para chegar a um hospício. Kurt estava nervoso, mas seguiu a mulher. Era melhor ele obedecê-la do que ser a causa de mais alguma morte. Eles foram andando pelos corredores, onde ninguém os parou, o que era extremamente estranho. Eles só pararam quando entraram em um quarto.
— Essa é a sua nova casa. Espero que fique confortável. – Disse Scarlett.
— Como assim?
— Assim, vou explicar. Você vai ficar aqui até seu querido namorado vir te buscar, o que vai demorar, pois ele não faz ideia de onde você esteja. Enquanto isso, eu vou planejar a minha vingança por ele ter matado Elliot. Você será muito bem cuidado pelos excelentes doutores que trabalham aqui. Eles todos trabalham para mim e eu trago meus inimigos para cá. – Explicou ela. – Uma última coisa. – Ela se aproximou e encarou diretamente nos olhos de Kurt. – Desligue sua humanidade.
Kurt desligou. Ele não tinha escolha. Scarlett era a vampira mais poderosa existente, o que ele tinha para lutar com ela? Nada. Blaine talvez pudesse, mas ele não estava ali.
[...]
Kurt chegou em casa cedo da manhã e trocou sua roupa para ir para a escola. Ele não gostava dessa rotina de aluno, mas ele queria convidar todos para sua festa.
Ele colocou a roupa mais apertada que tinha, pegou o carro de sua mãe e foi para a escola. Quando chegou lá, todos vieram o cumprimentar e ele fingiu estar preocupado, mas na verdade não estava ligando para ninguém ali. O sinal bateu e todos estavam indo para suas salas, mas Kurt os impediu.
— Sexta eu esperarei vocês lá em casa. Terá festa. – Kurt disse e todos assentiram. Eles precisavam se distrair, então adoraram a ideia.
Kurt ignorou tanto as aulas, quanto os professores e colegas. Ignorou, principalmente, Blaine, que estava sentado ao seu lado.
Quando as aulas terminaram, Kurt foi em direção ao seu armário, o qual quase beijou ao ser empurrado. Por reflexo ele se virou para a pessoa já com raiva e essa só aumentou ao ver que era Karofsky.
— Volte para o seu lugar, bichinha. – Disse o garoto.
— Você vai se arrepender por ter feito isso. – Kurt cuspiu as palavras sobre o outro, que ficou rindo dele.
Kurt ficou aguardando Karofsky sair da escola e o seguiu, para descobrir onde era sua casa. Ele subiu até o quarto pelo lado de fora e entrou no mesmo. O garoto estava atirado em sua cama, assistindo televisão. Um programa idiota, ao olhar de Kurt.
— Se divertindo? – Kurt perguntou parando em frente à televisão, virado para Dave.
— Como entrou aqui? – O garoto mostrou medo em seu olhar. Aquele nem parecia o mesmo garoto que havia atirado Kurt contra o armário.
— Pela janela. – Kurt deu de ombros. – Alguém precisa dar uma lição em você.
— E esse alguém seria você? – Dave gargalhou alto.
— Você se acha o maioral, não é mesmo?
— É o que eu sou. – Agora foi a vez de Kurt rir. O castanho se aproximou mais de Dave. – Vai me beijar agora?
— Eu sei que você iria gostar se eu fizesse isso. Todos sabemos a verdade sobre você. – Dave vacilou um pouco com sua expressão. – Mas não vou lhe dar esse prazer. Você não faz meu tipo.
— E quem é seu tipo? Aquele moreno de gel? – Dave debochou, mas se arrependeu logo em seguida ao ser jogado contra a parede violentamente por Kurt.
— Não ouse falar um “ai” dele. – Kurt disse com raiva.
— Não sei o que você vê nele. – Kurt riu. – Eu sou muito melhor. – Kurt riu ainda mais.
— Ninguém jamais será melhor que ele. Em nenhum aspecto.
— O que ele tem de tão bom? – Karofsky estava com medo e Kurt sabia disso. Kurt sabia que o outro estava apenas mudando de assunto para amenizar o clima que estava ali.
— Ele é perfeito em cada detalhe. É um verdadeiro príncipe, um cavalheiro. Ele tem o melhor beijo do mundo, e na cama... oh, na cama... – Kurt fingiu se abanar. – Você nunca chegará aos pés dele.
— Por que não experimenta? – Karofsky estava mesmo propondo aquilo?
— Porque essa é uma equação da qual já sei a resposta. Não tem nem graça. – Kurt piscou para ele, e Dave tentou agarrá-lo. – Você não tem esse direito.
— Por que não? – Kurt já estava entediado com aquilo.
— Quer ver se seu coração é bonito? – Kurt perguntou e o outro arregalou os olhos.
— Não.
— Mas eu quero. – Kurt disse e arrancou o coração do outro, sem dó nem piedade.
[...]
Blaine andava de um lado para o outro, decidindo se iria para a festa de Kurt ou não. Já era sexta, já era tarde, perto das onze. Já teria dado uma hora de festa quando Blaine chegasse, mas será que ele deveria ir?
Kurt não era o mesmo garoto, o que preocupava o moreno cada vez mais. Com Kurt desligado, seria complicado de Blaine convencê-lo a parar com o que estava fazendo. A morte de Dave tinha dado o que falar dentro da escola, e Blaine sabia que o responsável por aquilo era Kurt.
O moreno decidiu ir à festa. Ele não tinha muita escolha, mas preferia ir, pois assim ele iria poder ficar de olho em Kurt, o impedindo de fazer o que quer que fosse.
Ele colocou uma roupa extremamente colada. Se ele queria provocar Kurt? Óbvio que sim. Ele tentaria ser o motivo pelo qual o castanho iria se ligar novamente, mas sabia que não seria uma roupa justa que faria isso.
Kurt não era burro.
Blaine pegou as chaves do carro e saiu de casa, indo direto para a casa de Kurt. Quando ele entrou na rua do castanho, já conseguiu ouvir a música alta. Ele tocou a campainha e logo Kurt abriu a porta. Ele estava todo de preto e, assim como Blaine, com uma roupa incrivelmente colada ao seu corpo, mostrando cada detalhe que, aos olhos do moreno, eram perfeitos.
— Entra aí. – Kurt disse e voltou para os fundos de sua casa, onde subiu em uma mesa e começou a dançar loucamente.
Todos estavam completamente loucos, até mesmo Santana e Sam, que pareciam bêbados, porém eles não podiam ter esse efeito.
— O que está acontecendo aqui? – Blaine perguntou para Sebastian, que estava sentado com cara de tédio.
— Tentei impedir de todas as maneiras possíveis. Tranquei ele no quarto, mas ele quebrou a porta. – Blaine revirou os olhos.
— Ideia maravilhosa essa sua. – Ele falou debochado.
— Você faria o que?
— Eu não sei. – Blaine praticamente gritou. – QUE DROGA É AQUELA?
Kurt estava agarrado a um garoto, o qual era desconhecido por Blaine. O moreno foi até eles e os separou, empurrando o garoto para longe.
— Nossa, qual o seu problema? – Kurt perguntou irritado.
— Você se agarrando com ele. Esse é o meu problema. – Kurt riu.
— Você não manda em mim. – Kurt piscou para ele. – Por mais que você seja delicioso, o cara que eu matei conseguiu ser mais.
— VOCÊ TRANSOU COM DAVE? – Blaine gritou irritado.
— Ué, não podia? – Kurt perguntou e saiu saltitante.
— Enfie uma estaca no meu coração. Não vou aguentar isso por muito tempo. – Blaine disse para Sebastian, que ficou confuso. – Ele me traiu. Ele foi para cama com Dave.
— Blaine, ele está desligado. Ele mal sabe o que está fazendo. – Sebastian tentou amenizar a situação, mas o moreno se desesperou ainda mais.
— Ele não vai aguentar quando voltar ao normal e lembrar de tudo o que fez. Ele vai ficar tão surtado que vai se desligar de novo e vai ser muito pior. – Blaine sentou na primeira cadeira que encontrou e se colocou a pensar. Ele precisava fazer alguma coisa, mas o que ele faria com alguém que não quer ajuda? Alguém que não quer ordens?
— Blaine, acho que tudo isso pode piorar. – Sebastian disse, despertando o moreno de seus pensamentos.
— Me diz que ele não vai fazer isso. – Kurt estava em cima de uma mesa, tirando seu casaco de uma maneira extremamente provocativa, olhando diretamente para Blaine. Kurt tirou o casaco e estava pronto para tirar a blusa também, mas antes pediu para tirarem a música.
— Eu gostaria de cantar uma música especial para você, B. – Ele falou o “B” de uma maneira debochada, soltando uma risadinha depois. Ele pediu para liberarem o instrumental da música, e logo começou a cantar.
“My life flashed before my eyes
Razor blade lips and daggers up in your eyes
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
My life flashed before my eyes
Bombs over Broadway, f-fire in the sky
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
Danger by day, but you're evil in the night
Bombs over Broadway, f-fire in the sky”
Kurt cantava de cima da mesa, apontando para Blaine cada vez que falanda “evil in the night”. Kurt podia pensar que Blaine era o mal na noite, mas Kurt havia se tornado ainda pior.
O moreno não sabia o que fazer perante àquilo. Seu doce Kurt havia se tornado uma pessoa completamente sem coração, sem alma, sem sentimento algum. Agora, Blaine era apenas mais um na vida de Kurt, o que machucava imensuravelmente o moreno.
“(Hey!)
You lit up like a full moon
Yeah, I heard you were the baddest on the street
(Hey!)
You work it like there's no rules
Little criminal, I'm calling the police”
Kurt ficava dançando na intenção de provocar Blaine e o pior é que estava dando certo. O que o moreno podia fazer? Ele amava Kurt e vê-lo daquela maneira era bom e ruim ao mesmo tempo.
Ele estava pensando em milhões de coisas e, por mais que aquele não fosse o momento, uma dessa coisas era ele rasgando todas as roupas de Kurt e se aproveitando do garoto do qual tirou toda a inocência existente possível.
“Keep me on a leash tonight
There's nowhere for me to hide
See you on the other side”
Blaine mudou Kurt, isso é fato, mas agora ele estava irreconhecível aos olhos de Blaine. Kurt estava mais maduro, isso era visível, mas havia algo muito maior do que aquilo.
Kurt desceu da mesa e foi até Blaine, o puxando pela gola da blusa. Kurt passou a mão pelo rosto de Blaine e começou a dançar de uma maneira ainda mais provocante. O Anderson já estava perdendo o controle da própria mente naquele momento. Ele não conseguiria mais segurar sua vontade de agarrar Kurt por muito tempo. Ele teria que saciar a sua vontade de ter Kurt para si, ou iria acabar enlouquecendo.
“My life flashed before my eyes
Razor blade lips and daggers up in your eyes
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
My life flashed before my eyes
Bombs over Broadway, f-fire in the sky
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
Danger by day, but you're evil in the night
Bombs over Broadway, f-fire in the sky”
Kurt voltou a subir em uma mesa, diferente da outra que estava anteriormente. Ele continuou a cantar loucamente, mas aproveitou o espaço de tempo entre uma estrofe e outra e tirou sua blusa, deixando Blaine ainda mais perturbado com os pensamentos que estavam em sua mente.
Blaine não deveria estar pensando o que estava. Para ele, Kurt ainda era um garotinho inocente. O único problema é que Blaine estava errado. Kurt não era mais aquele garoto.
O moreno resolveu então, esquecer de tudo, até mesmo de seu nome, apenas para não repreender a si mesmo por ter pensamentos como os que estava tendo.
“(Hey!)
I can tell your heart’s cold
Like a fallen angel walkin’ in you sleep
(Hey!)
I guess you’re just a lost soul
But when the moon comes out you turn into a beast”
Vendo aquele corpo perfeito de Kurt que Blaine tanto idolatrava, o moreno quase perdia a noção da vida. Ele só conseguia agora imaginar ele e Kurt se amando loucamente em uma praia ou quebrando a casa, como haviam feito naquela semana.
Ele queria o castanho para si. Até voltar a pensar que aquilo estava errado.
Mas por que era errado? Talvez se ele entrasse no jogo de Kurt ele conseguisse ajudá-lo, não é mesmo? Então por que não aproveitar, certo?
“Keep me on a leash tonight
There's nowhere for me to hide
See you on the other side”
Blaine se aproximou da mesa onde Kurt estava dançando e o castanho se jogou em seus braços, ficando com as pernas presas na cintura do Anderson, que sorriu com aquilo, o largando no chão em seguida.
Kurt começou a dançar agarrado em Blaine, cantando de uma maneira incrivelmente sexy, olhando profundamente para Blaine, como se os dois estivessem sozinhos ali.
“My life flashed before my eyes
Razor blade lips and daggers up in your eyes
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
My life flashed before my eyes
Bombs over Broadway, f-fire in the sky
Baby, your love is a crime
Danger by day, but you're evil in the night
Danger by day, but you're evil in the night
Bombs over Broadway, f-fire in the sky
Bombs over Broadway, f-fire in the sky”
Todos aplaudiram a performance de Kurt assim que ela havia sido concluída e o castanho não perdeu tempo para atacar os lábios de Blaine com veracidade. Se eles fossem humanos, teriam morrido por falta de ar.
— Gostou da minha performance? – Kurt perguntou com a mesma voz provocativa de antes.
— Gostei. Gostei muito. – Blaine disse sorridente.
— Que bom, pois você só me terá em seus pensamentos. Espero que eu tenha alimentado sua imaginação com essa performance. – Kurt disse e foi andando. Ele avisou que iria fazer algo dentro de casa e se foi para dentro da mesma. Ele chegou em seu quarto e foi atirado na cama, tomando um susto. – Achei que tivesse sido claro quando...
— Dane-se o que você disse. – Blaine disse atacando os lábios de Kurt, ficando por cima do mesmo em cima da cama.
— Quem disse que eu quero isso? – Kurt disse tentando escapar dos braços de Blaine.
— Seu corpo. – Blaine voltou a beijar Kurt, que ficou por cima dele em segundos.
— O que está tentando fazer?
— Me divertir com você, só isso. – Kurt assentiu e voltou a beijar Blaine.
[...]
Blaine havia ido embora quando já estava amanhecendo e Kurt continuou deitado em sua cama, pensando no que havia acontecido. Kurt tentava encontrar a si mesmo, mas sabia que o seu “eu” com o qual estava acostumado havia ido para longe, sem destino e sem data para voltar.
Kurt estava arrependido de ter mandado Blaine ir embora, porque agora ele tinha medo de ficar sozinho. Ele tinha medo do que era capaz de fazer. Uma parte dele amava ser louco dessa maneira, mas outra parte queria Blaine de volta, queria que tudo voltasse a ser como era, mas sabia que não iria.
— Quando você vai arrumar a bagunça da festa? – A mãe de Kurt entrou no quarto e se aproximou da cama, continuando em pé e observando seu filho, que a olhou com cara de tédio.
— Quando eu estiver afim. – Kurt disse, sendo repreendido em seguida.
— Não é assim que as coisas funcionam. – Kurt sentou na cama.
— Se está achando ruim, por que não vai lá e arruma? – Kurt levantou, se destapando e mostrando que estava sem roupa.
— Você me respeite. Eu sou sua mãe. Por que está sem roupa? – Kurt vestiu a primeira roupa que encontrou e encarou sua mãe.
— Você está mesmo me perguntando isso?
— Estou.
— Sendo honesto, estou sem roupa porque passei a noite inteira fazendo...
— Oh, meu Deus. Você não tem respeito, não? – Ela perguntou incrédula.
— Ai, mãe, não enche. – Ela iria começar uma discussão e foi se aproximando mais de Kurt e apontando o dedo para o rosto dele. – Pedi para parar de encher. – Kurt gritou e empurrou sua mãe com força demais.
Uma força desnecessária, que fez a mulher bater a cabeça na parede. Kurt correu até ela apavorado pelo que havia feito. Uma enorme poça de sangue se forçou em volta da cabeça da mãe de Kurt, fazendo o castanho começar a chorar.
Ele nem acreditava que estava chorando, mas, o mais impressionante, é que aquilo realmente estava o machucando. Como era possível?
Ele pegou seu telefone e ligou para a única pessoa que poderia ajudá-lo naquele momento.
“Se ligou para me xingar é melhor desligar agora”.
— Blaine, eu preciso de ajuda. – O castanho praticamente implorou.
“Espera, você está chorando, Kurt? O que aconteceu?”
— Eu matei a minha mãe.
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