Evil In The Night
18 Elliott - Part 3
Notas iniciais
— Mas o... – Blaine simplesmente travou. Ele não esperava que isso acontecesse. É como se o seu aliado tivesse se tornado o seu inimigo e ele não soubesse mais que atitude tomar.
— Você demorou. – Elliot disse cumprimentando Sebastian. Todos estavam de boca aberta, ninguém esperava por aquilo.
— Eu sei. Estava resolvendo alguns problemas que tive. – Sebastian deu de ombros. – Nossa, você fez a limpa por aqui. – Disse se referindo aos corpos no chão.
— Eu deixei a melhor parte para você. – O mais velho disse rindo.
— É bom mesmo. – Ele disse sarcástico. – Olá, K. – Ele disse se aproximando de Kurt e o puxando pela mão, fazendo o mesmo se levantar.
— SEBASTIAN, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Gritou Blaine.
— O que você não tem coragem. – Sebastian mandou uma piscada para Blaine, que se desesperou um pouco mais. Se ele matasse Sebastian, Kurt nunca o perdoaria, mas o que ele iria fazer caso fosse o contrário? Ele não sabia dizer. – Como você está, irmãozinho?
— Seb, o que você está fazendo? O que houve com você? – Sebastian virou Kurt de costas para si e prensou o pescoço do castanho.
— Sebastian, vamos com calma, vamos deixar ele se despedir do namorado. – Elliot disse. Sebastian revirou os olhos e largou Kurt. O castanho se grudou em Blaine e começou a chorar.
— B, eu estou com muito medo. – Kurt disse com a cabeça escorada na curva do pescoço de Blaine. O moreno segurou no rosto do namorado, o forçando a lhe encarar.
— Eu te amo. – Blaine disse dando um selinho rápido em Kurt.
— Eu te a... – Kurt não consegui completar sua frase, pois Thomas chegou antes disso e quebrou seu pescoço.
— NÃO! – Blaine gritou empurrando Thomas para longe. – COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE SIMPLESMENTE MATAR O SEU GRANDE AMOR? VOCÊ É DOENTE. VOCÊ É PIOR QUE ELLIOT.
— Para de frescura, ok? Ele morreu. Acabou. – Thomas disse dando de ombros.
— Minha vida acabou. – Blaine choramingou.
— Você já está morto há quinhentos anos. Isso foi apenas um complemento. – Elliot disse.
— ISSO É TUDO CULPA SUA. – Blaine gritou para Elliot, que começou a rir de uma maneira maníaca.
— Pronto. – Santana disse, quebrando o pescoço de Elliot em seguida.
— Obrigado, Sant. Mas não está acabado ainda. Ele é imortal, você acha mesmo que ele vai simplesmente morrer desse jeito? Óbvio que não, precisamos de uma estaca de madeira no coração dele.
— Fiz o que pude. – A latina se defendeu. Todos ficaram olhando sem entender. Agora tudo estava ainda mais confuso. Blaine começou a rir e abraçou Sebastian.
— Obrigado. Pensei que você não fosse chegar nunca. – Disse o moreno.
— Eu gosto de um drama. – Sebastian deu um enorme sorriso e em seguida deu um soco no rosto de Thomas. – Isso foi por ter matado o meu melhor amigo.
— Sr. Schue e Puck estão mortos, Seb. – Anderson se lamentou. – Depois você volta com a sua intriguinha com Thomas, ele nos ajudou e é isso que importa.
— Sem volta?
— Sim.
— Blaine, preciso ir embora, eu recebi um recado da Scar e tenho que tentar mantê-la o mais longe possível daqui. Desejo sorte à vocês, nos vemos a qualquer momento. – Avisou Thomas, recebendo um abraço de Blaine e de Sebastian e logo indo embora.
— Oi, meu amor. – Santana disse abraçando Brittany, que começou a rir e chorar ao mesmo tempo.
— Sant, é você mesmo? Eu não estou sonhando? – Brittany perguntou, fazendo sua namorada sorrir. – Pensei que você tivesse ido morar com os unicórnios.
— Eu até conheci eles, e eles são extremamente lindos, mas eu precisava voltar para dizer que te amo. – Elas trocaram um beijo rápido, sorrindo em seguida.
— Temos que ir embora daqui, mas eles vão demorar para levantar. – Blaine disse. – Ok, todos ajudam, precisamos levar Sam e Kurt embora. Will e Puck infelizmente não vão levantar. Vamos para minha casa, pois lá é o único lugar onde talvez estejamos seguros agora
Todos saíram rapidamente de dentro do galpão e foram para a casa de Blaine. Eles logo chegaram a residência de Anderson e se acomodaram na sala, colocando Sam em um dos sofás e Kurt no outro.
— Agora você pode explicar o que está acontecendo, pelo amor de Deus? – Suplicou Quinn.
— Tudo bem, sentem-se todos. – Blaine pediu. – É bem simples, eu dei o meu... – Um grito seguido de um corpo caindo ao chão interrompeu Blaine. Todos preferiam não ter olhado na direção do barulho para averiguar o motivo: Elliot estava com um coração na mão e Rachel estava atirada no chão.
— Que reunião linda. – Disse Elliot.
— Você disse que estaríamos seguros aqui. – Disse Sebastian.
— Eu não contava com isso. – Murmurou o moreno.
— Sebastian, eu pensei que podia confiar em você, mas pelo visto eu me enganei. – Falou Elliot.
— Nunca confie em um vampiro. – Sebastian mandou uma piscada para o mais velho.
— Você já causou muita dor por um dia só, não acha? – Blaine disse, fazendo o mais velho rir.
— Eu nem comecei ainda. – Elliot falou sarcástico. – Vocês dois traíram a minha confiança.
— O que você tem contra mim? Eu tentaria entender você se você me explicasse, mas parece que vai cair sua boca se você fizer isso. – Disse Blaine.
— Ok, eu vou te contar. – Elliot disse se dando por vencido. – A verdade é que eu tenho inveja de voc... – Ele começou a rir loucamente. – Desculpa, eu tentei, mas não dá. A verdade é que eu não sou uma boa pessoa. Nunca fui e gosto disso. Quando eu tinha treze anos eu vi matarem a minha irmã e ao invés de ficar triste, eu achei legal. Eu gostava de maltratar as pessoas e fazer elas sentirem dor. Aos meus dezoito anos eu cometi meu primeiro assassinato. Matei a garota com a qual meus queriam que eu casasse. Fui parar em um hospício, eles disseram que eu sou um psicopata, e eu adoro esse nome. Aos vinte e oito eu matei um dos médicos e fugi. Eu vi um homem tomar o sangue de um menino e achei incrível. Fiz amizade com ele e ele me levou até sua irmã, a qual me transformou. – Ele deu de ombros. – Essa é a verdade. Eu gosto de matar. Sinto um prazer enorme e divino com isso.
— É, você realmente é doente. – Disse Santana.
Além de Blaine e Sebastian, ninguém mais sabia que Elliot estava apenas hipnotizado. Ele não era assim tão cruel, mas Scar mexeu tanto com sua mente e o torturou tanto, que o mal que havia nele se propagou por todo o corpo e ele simplesmente sucumbiu às trevas, acolhendo-as como se fossem melhores amigas há anos.
— Eu não tinha matado você? – Perguntou ele.
— Pessoas ruins não morrem tão facilmente. – Comentou Tina, sendo repreendida por Blaine em seguida.
— Nenhum deles está morto, não é mesmo? – Perguntou o mais velho.
— Santana e Sam estão vivos. Rachel, Will, Puck, o garoto da banda e Kurt estão mortos. – Disse Blaine um pouco triste. – Parabéns por estragar a minha vida de novo.
— E agora você está condenado. Não tem para onde fugir. Nós somos a maioria. – Disse Sebastian.
— Mas não são mais espertos que eu. – E, pegando Quinn em seus braços, Elliot desapareceu.
— Sem pânico. – Avisou Blaine ao ver o fuzuê que começou na sala. – Sebastian e Santana, vocês vão atrás dele. Temos seis horas para encontrá-la, até o sangue sair do corpo dela. – Eles assentiram e foram rumo a sua missão. – Vocês fiquem aqui e cuidem do Sam, qualquer coisa que acontecer lembrem-se de falar ou gritar. Eu vou escutar o menor sussurro que seja, mas é bom garantir.
— E você vai fazer o que, B? – Perguntou Brittany.
— Vou levar Kurt lá para cima e vou cuidar dele. – A loira assentiu e viu o amigo subir as escadas na velocidade da luz com Kurt em seu colo.
Blaine colocou seu namorado deitado na cama e deitou ao seu lado, fazendo um carinho de leve no rosto de Kurt.
— Eu prometi que não ia permitir que isso acontecesse, mas eu permiti. Me desculpa, meu amor. – Ele depositou sua cabeça no peito de Kurt e o abraçou de lado. Ele se sentia destruído. Tudo que havia acontecido era sua culpa. – Eu queria que tivesse sido diferente e que você tivesse tido a chance de viver uma vida normal. Casar, montar uma família, envelhecer e não precisar tomar sangue para sobreviver. A situação saiu completamente do controle e eu não tenho desculpas a dar, apenas posso dizer que sinto muito. Não era isso que eu planejava, eu juro. Eu espero que um dia você seja capaz de me perdoar.
— Minha cabeça está doendo. – Disse uma voz doce, a qual Blaine mais amava. – Onde eu estou?
— Na minha cama. – Disse Blaine, sentando e observando Kurt.
— O que aconteceu? Sinto que bebi a noite inteira. – Blaine riu da colocação do namorado.
— Beba isso. – Blaine entregou um copo para Kurt, que nem se preocupou em ver o que era, ele simplesmente tomou.
— Isso é bom. O que é isso? – Blaine começou a rir mais ainda. – Qual a graça?
— Isso é sangue. – Kurt fez cara de nojo. – Eu não queria que isso tivesse acontecido.
— Tem que ter algum lado bom nisso tudo. Eu vejo um bem na minha frente. – Kurt deu de ombros. Blaine ficou pasmo, pois Kurt nem ligou para o fato de agora ser um vampiro e estar tomando sangue.
— Qual? – O moreno perguntou confuso.
— Eu vou poder passar o resto da minha vida ao seu lado. – Kurt disse sorrindo. – B, eu sei que você não queria que isso acontecesse, mas aconteceu.
— Eu sei. Eu só... bom, vamos esquecer isso, pelo menos por enquanto, ok? – Kurt assentiu. Um silêncio se instalou no quarto e Blaine começou a encarar Kurt, que não sabia onde enfiar o rosto.
— Por que está me olhando assim? – Kurt perguntou com um pouco de malícia na voz.
— Digamos que meus pensamentos são impróprios para o momento. – Kurt atirou uma almofada em Blaine, mas não sabia medir sua própria força e o moreno acabou caindo da cama.
— Me desculpa, B. – Kurt disse todo preocupado, enquanto o outro apenas ria. – Por que você está achando graça de tudo? – Blaine voltou para a cama e grudou seus lábios nos de Kurt, deitando o mesmo na cama.
— Eu estou rindo de felicidade, meu amor. Agora eu não preciso mais me preocupar em te perder, porque você é meu para sempre. – Ele disse juntando novamente seus lábios aos de Kurt.
— Não quero estragar o clima nem nada, mas... você disse que não podia nos dar seu sangue. O que aconteceu?
— Kurt, eu não posso te dar meu sangue. – Blaine disse cautelosamente.
— Por que não? – Ele perguntou confuso.
— É complicado.
— Esse é o amor que você diz sentir por mim? Você sabe que eu vou morrer e não pode me dar uma segunda chance? – Kurt começou a gritar com Blaine, que queria que o castanho entendesse que aquilo era para o seu próprio bem.
— Kurt, não fala isso.
— Eu estou cansado. Quero dormir. Vá embora. – Kurt disse frio, o que fez o moreno se destruir por dentro. Ele apenas assentiu, levantou e foi embora.
De certa forma Kurt havia feito um favor a Blaine, pois o Anderson realmente precisava sair dali e ir em direção a casa de cada um do New Directions para salvá-los. Ele esperou algumas horas, e quando já eram seis horas da manhã, ele foi em direção a casa de cada um, começando por Brittany.
Ele entrou direto no quarto dela e viu que a mesma já estava acordada.
— Você me assustou, B. – Ela disse inocente. Ele mordeu seu próprio braço e encarou ela.
— Você precisa tomar meu sangue. – Ele disse olhando fixamente nos olhos dela, que fez o que lhe foi mandado. – Te vejo mais tarde, você não lembrará que estive aqui. – Ele disse dando um beijo na testa da garota e saindo do local. Ele olhou as horas e viu que precisava se apressar. Ele não poderia andar como um mero humano, pois senão não conseguiria cumprir seu objetivo antes do tempo certo. Então foi rapidamente para a casa de Santana, repetindo o processo que fez na casa de Brittany. Ele fez isso em todos os integrantes do New Directions e por último foi para a casa de Will.
— O que você está fazendo aqui? – Perguntou o professor.
— Você não vai lembrar disso depois, mas, eu não posso deixar vocês morrerem sem fazer nada. Você precisa tomar o meu sangue. – Respondeu o moreno.
— Não vou fazer isso. Não quero me transformar em um...
— Um monstro? – Blaine perguntou, interrompendo o professor. – Pois saiba que é esse monstro que está garantindo que vocês fiquem a salvo. Eu não queria que isso estivesse acontecendo, muito menos queria que vocês se transformassem na aberração que eu sou. Eu odeio a mim mesmo e não desejo isso para ninguém, mas se você quiser continuar cuidando da sua família é bom que faça o que estou dizendo.
— Não vou. – Will relutou. Blaine revirou os olhos e olhou diretamente nos olhos de Will na ideia de hipnotizá-lo.
— Toma a droga do meu sangue. Agora. – O professor fez o que lhe foi mandado. – Diga que ama sua família, pois não sabemos o que acontecerá. Esqueça que estive aqui.
Blaine saiu da casa de seu professor e foi em direção a sua casa, onde ficou esperando todos chegarem. Quando Kurt entrou Blaine foi até o mesmo, que sorriu sem graça.
— Desculpa pelo meu surto. Eu juro que não foi de propósito. – Kurt disse, abraçando Blaine em seguida.
— Tudo bem. Você estava certo. Kurt, você precisa do meu sangue, eu não vou perder você. – Blaine disse, mordendo seu próprio pulso como já havia feito diversas vezes naquele dia, e fez Kurt tomar. Kurt ficou em receio, mas fez o que era necessário. – Prometi que não ia mais te hipnotizar, mas eu preciso fazer isso. Esqueça o que acabou de acontecer.
— Oi, B. Desculpa por ontem. – Blaine acabou sorrindo com o que acabara de acontecer. Ele não queria ter que mexer com a mente do namorado, mas aquilo era mais do que necessário.
— E foi isso o que aconteceu. – Blaine disse, puxando Kurt para um abraço. – Eu sabia que você ia ficar bem, mas ainda assim me machucou ver você morrer. De novo. E em relação as suas memórias: tudo que eu apaguei vai voltar em breve.
— Por que você teve que nos hipnotizar? E por que você disse que não podia nos dar seu sangue?
— Elliot estava ao nosso lado quando eu disse que não podia te dar meu sangue. E eu tive que dizer para vocês que não podia mesmo já tendo dado, porque se Elliot descobrisse ele teria arrancado o coração de cada um e acabou. Não teria sobrado nenhum de vocês. – Respondeu o moreno, fazendo Kurt assentir.
— E quanto aos outros? Elliot está morto? – Kurt perguntou esperançoso.
— Ele está com Quinn. – Blaine disse um pouco receoso.
[...]
— O que você vai fazer comigo? – Quinn perguntou apavorada. Elliot tinha amarrado a garota loira em uma cadeira no mesmo galpão em que eles estavam anteriormente.
— Vou esperar o sangue de Blaine sair do seu corpo e depois vou te matar. Mas se te consola, você é só uma isca. – Ele disse dando de ombros.
— SE AFASTA DELA. – Gritou Sebastian com uma estaca de madeira na mão.
— Além de tudo você é muito burro. Você não imaginou que nós iríamos vir atrás de você aqui? – Santana perguntou e Elliot riu.
— Essa era a ideia. Eu já disse que sou mais esperto que vocês e eu sempre estou um passo à frente. – Elliot disse confiante.
— Não dessa vez. – Elliot foi se virar para ver de quem era aquela voz, e quando virou viu Blaine enfiar uma estaca de madeira em si.
— Você vai se arrepender por isso. – Blaine riu com a frase de Elliot.
— Duvido muito.
— Scarlett está vindo aí. – Essas foram as últimas palavras de Elliot.
— Acabou. – Disse Blaine, desamarrando Quinn e recebendo um abraço forte da loira. – Está tudo bem agora.
— O que faremos agora? – Perguntou Quinn.
— Para começar precisamos fazer um funeral. – Santana disse meio triste e Blaine assentiu.
— Sim. Isso é um bom começo. – Falou o moreno.
[...]
Todos acordaram cedo no dia seguinte e trataram de vestir o preto básico e comum de funerais. Blaine colocou um terno preto e foi em direção a casa de Kurt para buscá-lo para o funeral. Ele chegou e tocou a campainha. Kurt logo abriu a porta e deu um meio sorriso para Blaine, que o abraçou.
— Estou dividido entre alegria e tristeza. Isso é normal? – Kurt perguntou.
— No início todas as suas emoções estão alteradas, então sim, é normal. Você vai sentir raiva e do nada vai começar a rir. É bem estranho. – Blaine disse dando um sorriso.
— Eu fico feliz por pensar que tudo acabou, mas eu fico triste por pensar em todas as mortes que tiveram que acontecer para estarmos aqui agora. – Kurt disse um pouco triste. Ele foi puxar Blaine para um beijo, mas acabou puxando demais e os dois caíram em cima do sofá.
— Você precisa controlar um pouco a sua força. Vai acabar me matando. – Kurt riu e ficou encarando Blaine, que o puxou calmamente para um beijo. – Mesmo que eu já esteja morto. – Completou ele.
— Agora você não precisa mais se controlar. – Kurt disse e o outro assentiu.
— Sebastian, o que você quer aqui? – Blaine perguntou um pouco irritado, levando em consideração de que Sebastian estava interrompendo o momento.
— Eu não queria atrapalhar, me desculpa. – Sebastian disse rindo sem graça. Kurt se ajeitou no sofá e Blaine levantou.
— Vou esperar vocês no carro. – O moreno disse mostrando indignação.
— Como está se sentindo? – Sebastian perguntou quando viu Blaine sair do local.
— É estranho. Eu não dormi essa noite e acho que nunca mais vou dormir, não é mesmo? – Kurt perguntou meio confuso.
— Pelo que eu entendi você pode dormir, mas não é algo que seja necessário. – Kurt assentiu.
— Blaine prometeu que vai me ensinar a controlar minhas emoções e tem o lance da alimentação também, que eu preciso aprender direitinho. – Kurt disse levantando. – Vamos? – Sebastian assentiu e os dois foram em direção a porta, saindo e indo para o carro em seguida.
O caminho foi silencioso, o que incomodou os três garotos. Todos queriam dizer algo, mas nenhum sabia como falar o que queria. Quando chegaram ao cemitério saíram do carro, ainda sem falar nada. Caminharam até o local necessário e sentaram nas cadeiras que estavam espalhadas em fileiras por ali.
Blaine sentou ao lado de Kurt, que estava ao lado de Sebastian, que tinha Brittany e Santana ao lado. Havia um padre também no local. Todos iriam fazer algum depoimento para os falecidos, inclusive Blaine, que se sentia o culpado de tudo aquilo.
[...]
— Agora nós vamos pedir para Blaine Anderson vir aqui e falar algumas palavras. – Disse o padre. Emma, esposa de Will, olhou para Blaine e começou a chorar mais ainda.
— Olá a todos. Eu já fui a muitos funerais, mas eu nunca sei o que preciso falar aqui. A verdade é que ter que estar aqui é motivo de dor o suficiente e ver os familiares daqueles que eu vi morrer dói ainda mais. Vamos por partes. – Blaine fez uma pausa. – Eu e Puck nunca fomos próximos. Até pelo fato de que na maior parte do tempo ele não era a pessoa mais agradável do mundo, e ele maltratava a pessoa que eu mais amo, então isso me faz ter uma antipatia ainda maior por ele, mas, nem isso faz com que ele seja um merecedor da morte. Ninguém é merecedor dela, aliás. Meus pêsames aos familiares de Noah. Bom, Rachel e eu não nos falávamos muito, pois ela tinha uma certa raiva de mim por eu ser chamado para ser solista mais vezes do que ela, mas eu sei que longe de toda a ambição que ela possuía ela até era uma boa pessoa. Meus sentimentos aos familiares dela. – Ele fez outra pausa, agora vinha a parte mais difícil para ele. – O Sr. Schue era um excelente professor e uma excelente pessoa. Ele era do tipo de homem que inspira a todos com quem convive. Ele sempre tentou proteger aos seus alunos e sempre nos incentivou a irmos atrás de nossos sonhos e aproveitarmos nossos dias como se fossem os últimos. Eu não sou a pessoa mais cheia de certezas, mas uma eu tenho: ele amava sua linda família. Emma, você e seu filho eram os bens mais preciosos do Sr. Schue, eu sei o quanto ele amava vocês, aliás, ele sempre vai amar. Eu sinto muito pela sua perda. Seja lá onde estiverem agora, espero que vocês tenham ido em paz e que sempre saibam que sua vida valeu a pena e que cada um de nós têm uma lembrança boa de vocês. Obrigado pela atenção. – O moreno saiu dali e voltou a sentar com Kurt, que segurou a mão do namorado.
— Muito obrigado, Senhor Anderson. Agora vamos receber aqui o namorado de uma das vítimas, Finn Hudson. – Disse o homem. Um garoto bem alto andou até o palanque e segurou firme o microfone. Ele estava tremendo e com os olhos vermelhos, mostrando que havia chorado.
— Bom dia. – Disse o garoto grandão. – Eu não sei se vou conseguir falar tudo que eu quero, mas eu vou tentar. – Começou ele. – Eu já sabia como era perder uma pessoa, mas eu não sabia como era essa dor. Eu perdi meu pai quando eu tinha dois anos de idade e eu não era acostumado a ter ele por perto, então... Rachel era minha namorada, mas mais do que isso, ela era minha amiga. Todos falam que a fama que ela nem tem ainda subiu à cabeça, mas será que vocês pararam para conhecer a verdadeira Rachel? Se tentaram eu aposto que continuaram com a mesma opinião, porque eu sempre vi ela com as outras pessoas e ela só conseguia ser uma adolescente normal quando estava comigo. Ela era uma parte de mim e eu sinto que essa parte não poderá ser recuperada ou substituída. Eu vou passar o resto da minha vida amando e sentindo falta dela. Ela é o amor da minha vida. Desculpem, não consigo prosseguir com isso. – Ele disse saindo do palanque e, mais do que isso, indo embora.
[...]
O resto do funeral foi praticamente em silêncio. Os alunos estavam sofrendo mais por causa de Will do que por causa de Puck e Rachel, mas dentre os alunos não poderíamos colocar Blaine junto, pois o moreno se sentia a pior pessoa do mundo. Aquilo era culpa dele e nada nem ninguém iria tirar dele a culpa que ele estava sentindo.
— B, será que você poderia me levar para casa? Eu não aguento mais ficar aqui. – Kurt pediu e o moreno assentiu, levantando e indo até o estacionamento de mãos dadas com o namorado. Os dois entraram no carro e logo chegaram na casa de Kurt.
— Você está bem? – Blaine perguntou quando eles entraram na casa de Kurt.
— Digamos que minha cabeça começou a girar vendo tanta gente. – Kurt disse confuso.
— Tudo que você enxergava eram seus dentes cravados no pescoço de cada um deles?
— Como você sabe disso? – Kurt perguntou mais confuso ainda, fazendo o outro rir.
— Porque isso é totalmente normal. Eu também passei por isso e vou te ajudar a controlar todas essas vontades e emoções, ok? – Kurt assentiu.
Blaine aproveitou o momento e puxou Kurt para um beijo, não era um beijo muito do cuidadoso, não. Era cheio de desejo e pressa. Blaine deitou no sofá por cima de Kurt e continuou a beijá-lo.
— Eu sinto que você quer me dizer alguma coisa. – Kurt disse parando para observar o namorado.
— Na verdade eu quero, mas acho que isso pode esperar. – Blaine disse olhando malicioso para Kurt.
— Então eu acho que estamos no lugar errado. – Kurt sussurrou safado no ouvido de Blaine, que agarrou Kurt pela cintura e fez o mesmo entrelaçar suas pernas em si e, literalmente, correu para o quarto de Kurt e quando entrou jogou o mesmo na cama. – Então era a isso que você se referia ao dizer que tinha que se controlar?
— Também. – O moreno disse com a voz meio fraca. – Kurt, você é a coisa mais deliciosa desse mundo.
— Eu acho que esse cargo é seu. – Kurt disse puxando Blaine para si. Os dois se beijavam loucamente e foram rolando pela cama, até que caíram no chão, mas isso não os parou, eles não se importaram e continuaram a se beijar. Em um movimento rápido Kurt empurrou Blaine e o atirou em direção a parede, fazendo um sorriso brotar nos lábios do moreno, que tratou de começar a tirar a roupa de Kurt e vice-versa.
[...]
— Agora eu entendi. – Kurt disse rindo.
— Kurt, você quebrou a parede do seu quarto. Tem noção disso? – Blaine disse também rindo e afagando o cabelo do namorado que estava escorado em seu peito.
— Eu te amo. – Kurt disse se escorando em seu braço e encarando Blaine, que lhe deu um beijo rápido.
— Eu também te amo. – O moreno disse sorrindo. – Sua mãe está em casa. – Kurt se desesperou.
— E agora? O que faremos? – Blaine começou a rir da cara de pavor de Kurt.
— Nos vestimos?! – Ele disse óbvio. – Lembre-se, ela não pode saber o que você é.
— Eu sei disso, mas estou me referindo a parede quebrada. – Kurt disse e viu Blaine dar de ombros. – Obrigado pela ajuda.
— Ninguém mandou você ser tão bruto. – Blaine se defendeu.
— Vai dizer que você não gostou. – Kurt disse, fazendo o outro rir. Blaine prendeu Kurt contra o guarda-roupa e o beijou.
— Isso responde a sua pergunta? – Disse dando mais um beijo em Kurt.
— Até que sim. – Kurt disse rindo. Os dois arrumaram a cama rapidamente e se sentaram na mesma. Logo eles ouviram alguém bater na porta do quarto. – Pode entrar.
— Oh, olá garotos. – Disse a mãe de Kurt.
— Oi. – Os dois disseram juntos.
— Eu vou arrumar o jantar, querem algo em especial? – Os dois negaram nervosamente.
— Você precisa de ajuda, mãe? – Perguntou Kurt.
— Não. O que houve com a sua parede? – Ela perguntou olhando horrorizada em direção a parede quebrada. Blaine segurou sua vontade de rir e pensou em uma resposta rápida.
— Kurt estava com um pouco de raiva e acabou descontando na parede. Eu ajudo ele a arrumar. – Respondeu Blaine, recebendo um olhar mortal de Kurt.
— Tudo bem. Chamo vocês quando o jantar estiver pronto. – Os dois assentiram e viram a mulher sair do quarto.
— Eu descontei minha raiva? Sério? – Kurt perguntou indignado.
— Você queria que eu dissesse o que? – Blaine perguntou. – “Desculpe, é que eu e Kurt estávamos nos agarrando loucamente e ele é um vampiro recém-criado que não sabe medir sua força, então me atirou contra a parede e depois nós fizemos amor por pelo menos seis horas”. Era isso que você queria que eu dissesse?
— Não. – Kurt encolheu os ombros e logo riu. – Mas seria engraçado.
— Ela não iria acreditar.
— Você acha?
— Tenho certeza. – Disse Blaine. Os dois ficaram ali em silêncio apenas se encarando e rindo.
— Você ainda tem algo para me contar. – Disse Kurt calmamente.
— Eu vou precisar fazer uma viagem e ficar fora por um bom tempo.
— Oh. Quanto tempo? – Kurt perguntou um pouco triste.
— Digamos que existe uma pessoa pior que Elliot a solta e eu preciso garantir que ela não venha atrás de você. – Blaine procurava palavras amenas para explicar, mas era uma situação complicada.
— Mas você volta, não é? – Sim, Kurt realmente tinha medo de Blaine não voltar, e o moreno achou adorável esse medo.
— Você acha que eu tenho coragem o suficiente para me afastar de você? – Ele perguntou segurando o rosto de Kurt e passando o polegar pelo queixo do mesmo. – Você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado.
— Eu também quero, B. Eu amo você demais. É um amor tão grande que quase não cabe no meu peito. – Kurt disse e selou seus lábios nos de Blaine de novo.
— MENINOS, O JANTAR ESTÁ NA MESA. – Gritou a mãe de Kurt do andar de baixo.
— JÁ VAMOS. – Os dois gritaram de volta. Os dois levantaram e foram sair pela porta, mas Blaine virou Kurt para si e ficou apenas o observando.
— Que foi? – Kurt perguntou sorrindo, colocando suas mãos em volta do pescoço do namorado.
— Depois de tudo pelo que eu passei para ficar ao seu lado eu não consigo acreditar que finalmente consegui. – Blaine disse ainda sem acreditar.
— Mas eu estou aqui ao seu lado e vou ficar para sempre. Nada vai nos separar. Nunca mais vamos nos perder. – Kurt disse dando um selinho no moreno. Os dois se deram as mãos e desceram as escadas para o jantar. – B, eu posso comer normalmente, né? – Kurt sussurrou para Blaine, que apenas assentiu. Os dois sentaram à mesa e se serviram.
— Vocês estão bem? – Perguntou a mãe de Kurt.
— Bom, apesar dos apesares, acho que sim. – Disse Kurt.
— Me refiro a um com o outro. – Os dois olharam para baixo envergonhados.
— Estamos. – Disse Blaine. – A verdade é que seu filho me mata de amores. Eu realmente amo o Kurt.
— Eu também amo você. – Kurt disse sem conseguir mais parar de sorrir.
Depois de tantos anos lutando para finalmente ficarem juntos, eles conseguiram. Mas será que isso realmente será para sempre? Será que o mal realmente foi embora com a morte de Elliot? Será que Elliot realmente morreu? Será que não há alguém que ainda possa estragar o relacionamento dos dois? Eles são almas gêmeas e merecem ficar juntos, mas será que todos pensam assim?
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