Evil In The Night
17 Elliott - Part 2
Notas iniciais
— Feliz? – Perguntou Blaine, fazendo Elliot rir alto.
— Só de ver o pavor nesses rostinhos lindos eu já fico mais do que feliz. Então, sim, estou feliz.
— Você é doente. – Disse Santana.
— Sinto prazer em matar e não sou o único aqui dentro a sentir isso. Pode se dizer que é uma doença, mas eu não estou muito preocupado com rótulos, então eu apenas digo que aprecio a graciosidade na morte. – Falou Elliot. – Santana, abra o seu envelope e veja o nome que tem dentro.
— E por que eu iria te obedecer? – A latina perguntou desafiadora.
— Porque se você não obedecer alguém irá se machucar. – Elliot falou se aproximando de Brittany. – Levante-se. – Ele ordenou para a loira, que levantou já chorando. – Você quer ver sua namorada se machucar?
— O que tem nesses envelopes? – Perguntou Puck.
— Uma palavra que define vocês. – Elliot respondeu. – Cada envelope é referente ao dono do mesmo. A palavra pode ser algo do qual vocês se arrependam ou algo pelo qual vocês são julgados. Ande, Santana! Abra!
A latina começou a tremer só de ver Elliot com o braço prensando o pescoço de Brittany. Ela abriu o envelope e deixou uma lágrima cair.
— Eu sou mentirosa? – Santana perguntou ainda mais nervosa.
— Sim. – Elliot disse óbvio. – Você fingiu que não era lésbica e que não tinha nada com Brittany. Agora vem a grande pergunta: você se arrepende de tudo que já fez de mal para as pessoas?
— Dependendo do que, sim, eu me arrependo. Principalmente por ter fingido que não tinha nada com Britt. – Confessou a latina. – Era isso o que você queria ouvir?
— Na verdade, não. – Elliot disse quebrando o pescoço de Santana. – Parece que perdemos mais um integrante. – Ele falou rindo maniacamente.
— Elliot, para com isso. Nada disso é necessário. – Blaine pediu de novo.
— Não. – Ele disse fingindo tristeza e rindo em seguida. – Brittany, pode abrir o seu envelope?
— Acho que sim. – A pobre loira abriu cuidadosamente, lendo o que mais doía nela. Todos a chamavam de burra, mas isso ainda machucava. – Burra. – Ela disse baixinho, novamente derrubando algumas lágrimas.
— É, isso não é algo que você fez e sim algo pelo qual você sofre. Algo para falar? – A loira balançou a cabeça negativamente. – Certeza? – Ele disse ameaçador e ela não se moveu.
— Eu amo a Santana e você tirou ela de mim. Eu nunca fiz nada para você, por que fez isso comigo? – Ela perguntou ainda mais triste. Elliot apenas riu.
— Você me lembra muito uma garota que conheci. Acredito que ela já esteja morta agora, mas ela era exatamente igual a você. – Ele disse colocando a mão no queixo e caminhando até Mike. – Bom, Mike, Mercedes e Artie não tem nada escrito dentro de seus envelopes. Vocês não são muito importantes, então acho que vou precisar me livrar dos três. Primeiro as damas, pois eu ainda sou um cavalheiro. – Ele fez uma pausa. – Um cavalheiro do mal, é claro.
— NÃO! – Gritou Quinn.
— Não o que? – Elliot foi até Quinn, que agora já estava em silêncio. – Abra o seu.
— Abro. – Ela disse abrindo seu envelope. Ela engoliu em seco ao abrir. – Falsa.
— Ah, sim. Esses envelopes são bem verdadeiros, não acham? – Ele riu. – Algo a confessar?
— Já que eu provavelmente vou morrer, sim, tenho algo para confessar. – Ela disse nervosa. – Kurt, eu já paguei para os meninos do time jogarei raspadinha em você, assim como já paguei eles para baterem em você e te jogarem na lixeira.
— O que? – Kurt quase se engasgou com a própria saliva.
— Eu não aguento mais isso. Eu vou embora daqui. – Sam disse se levantando e saindo andando, mas foi parado por Blaine. – Sai da minha frente.
— Sam, se você sair daqui todos morrem. – Blaine avisou.
— Eu não ligo. – O loiro disse tentando passar.
— Blaine, deixe-o ir. Eu já estou cansado disso. Quero matar todos, depois eu mato Kurt e faço você sofrer por mais alguns séculos. No envelope de Sam diz que ele é insignificante, e eu concordo plenamente com isso. – Elliot disse como se não tivesse sido ele que tivesse escrito o que havia nos envelopes. Ele realmente gostava de torturar as pessoas e isso já estava irritando Blaine, que apenas tentava entender onde Sebastian estava, já que ele prometeu que ajudaria o moreno, assim como Thomas.
— Ninguém vai se machucar por culpa dele. Chega de mortes. – Blaine pediu, apertando o braço de Sam para o mesmo não ir embora. – Nem que eu precise te hipnotizar, você vai sentar no seu lugar e não vai sair.
— Mate-o. – Elliot ordenou e o moreno riu.
— Não vou matar ninguém. – Elliot pegou Kurt e pressionou seu braço contra o pescoço do mesmo, ficando por trás do castanho e colocando sua boca perto do pescoço.
— Me diga, Blaine. O sangue dele é bom? Você já deve ter perdido o controle alguma vez. – Blaine foi dar um passo, mas Elliot não permitiu. – Um passo e ele morre.
— Elliot, eu te imploro: deixa Kurt fora disso. – Blaine só faltou se ajoelhar e chorar ali.
— Mate-o. – Elliot se referiu a Sam. Kurt estava implorando com os olhos para que Blaine não fizesse isso, mas o moreno não podia desobedecer Elliot. Ele precisava fazer de tudo para proteger Kurt, e para o seu plano funcionar, isso era necessário.
— Desculpa. – Blaine disse, e segundos depois Sam estava atirado no chão. Mais uma vítima estava ali, jogada no piso frio. Kurt fechou os olhos, pois não queria ver aquela cena.
— Isso é tão delicioso. – Disse Elliot. – Tudo bem, garoto. Sente-se. – Kurt sentou de volta e Blaine voltou para o seu lado. – Rachel, o que diz no seu envelope?
— Não estou interessada. – Ela disse um pouco desligada do mundo. Ele arrancou o envelope da mão da judia e abriu, lendo em voz alta.
— Egoísta. – Comentou Elliot. – Faz sentido.
— Você só parece mais maluco a cada segundo. Você mesmo fez essas porcarias de envelopes, você sabe o que está escrito. – Disse Puck.
— Sim, eu sei. Abra o seu. – Elliot ordenou e o garoto de moicano abriu.
— Morto. – Ele disse confuso. – Como assim?
— Assim. – Elliot disse, arrancando o coração de Puck em seguida. – Mais um.
— Elliot, já chega. Ninguém aqui tem culpa de nada. – Blaine tentou convencer Elliot novamente, mas o mais velho apenas deu de ombros e foi até Kurt.
— E o seu envelope, Kurt? – O castanho já parecia uma máquina ao invés de um humano, então sem se importar muito ele abriu o envelope.
— Eu não sou iludido. – Kurt disse confuso.
— Vou provar como você é. Blaine, abra o seu. – O moreno contragosto abriu o envelope.
— Assassino. – Ele leu triste. – Por que não me surpreende que você colocou isso?
— Eu só coloquei verdades. – Elliot se defendeu. – Kurt, essa é a prova do quão iludido você é.
— Não entendi onde você quer chegar. – Kurt disse.
— Você acredita que Blaine te ama, isso é uma ilusão.
— É porque eu amo. – Anderson afirmou.
— Que tipo de amor é esse onde você fere as pessoas que seu namorado mais ama? – Elliot perguntou e Kurt arqueou a sobrancelha direita.
— Por favor, não faça isso. – Blaine pediu cautelosamente.
— Não posso contar para o Kurt que você matou os pais dele quinhentos anos atrás? – Elliot perguntou com um sorriso vitorioso nos lábios.
— Me diz que ele está brincando, Blaine. – Kurt pediu.
— Kurt, me desculpa, ok? – Kurt começou a chorar sem parar. Um silêncio se instalou no local, e o mesmo continuou por um longo tempo.
[...]
Seis horas já haviam se passado, e a única coisa que se ouvia eram as lamentações dos jovens e o barulho de chuva que caía freneticamente no lado de fora. Elliot deu um lanche para eles, porque não aguentava mais eles reclamando de fome. Todos comeram e continuaram a se encarar.
Os alunos foram obrigados a cantar músicas que não queriam, apenas para o entretenimento doentio de Elliot.
— Kurt. – Blaine tentou abraçar o namorado, mas o mesmo se afastou.
— Por que você não me contou isso? – Kurt perguntou o encarando.
— Que diferença iria fazer? Eu acho que estava tentando prolongar o tempo ao seu lado. Eu sabia que você iria me odiar se descobrisse.
— E não é o certo? – Kurt perguntou óbvio.
— Kurt, eu recém tinha me transformado. Fazia exatamente uma semana, para ser mais exato. Eu fui até sua casa e vi você morrer, seus pais chegaram e viram você morto nos meus braços. Eu estava completamente sem forças, te perder não foi fácil, mas naquela época eu não conseguia controlar nenhuma emoção. Era como se tudo estivesse misturado, então eu matei eles na intenção de esquecer da minha vida. Não preciso dizer que foi por causa disso que eu me desliguei, porque acho que está bem óbvio. – Blaine explicou, ocultando a parte de ele ter sido o assassino que matou Kurt. – Eu não lembrava disso, e quando eu lembrei eu pensei em me afastar, mas eu não consigo ficar longe de você. Eu te amo, Kurt. Eu te amo desde os meus quatorze anos de idade, quando eu vi seus lindos olhos azuis pela primeira vez. Quando eu vi um pobre garotinho de treze anos ser obrigado a trabalhar com o pai e ainda por cima ser ofendido pelo mesmo em frente a todos os alunos da escola. Eu te amo desde o momento em que te vi naquela escola, quinhentos e quatro anos atrás. Eu já passei por muita coisa e eu te perdi muitas vezes, eu não estou disposto a perder de novo. Eu não me importo se você me odeia, porque eu sei que mereço seu ódio, mas eu prometo que você vai ser feliz, com ou sem mim. Você pode duvidar o quanto quiser, mas tudo que eu faço desde que te conheci, é te amar.
— B, você está chorando. – Brittany disse, encarando Blaine para ter certeza de que não era uma ilusão.
— Eu nunca vou te perdoar. – Kurt disse ainda mais irritado.
— Que comovente toda essa história. – Elliot disse voltando para o círculo.
— Kurt, por favor, você precisa me perdoar. – Blaine pediu pegando a mão de Kurt e a segurando. O castanho encarou o Anderson e começou a chorar, balançando a cabeça negativamente.
— Não consigo. – Kurt disse, tirando sua mão da de Blaine e tentando secar suas lágrimas.
— Quanto drama desnecessário. – Comentou Elliot. – Será que mais alguém pode vir aqui cantar algo? Eu estou esperando mais um convidado, mas ele está extremamente atrasado.
— Eu canto. – Blaine disse, indo novamente até a banda e dizendo a nova música. – Kurt, essa música é para você e só você.
“I saw a picture of you (Eu vi uma foto sua)
Hanging in an empty hallway (Pendurada em um corredor vazio)
I heard a voice that I knew (Eu ouvi uma voz que eu conhecia)
And I couldn't walk away (E eu não podia ir embora)
It took me back to the end (E isso me levou de volta para o final)
Of everything (De tudo)
I taste it all I taste it all (Eu provei tudo, eu provei tudo)
The tears again (As lágrimas de novo)”
Kurt não conseguia parar de chorar. Ele estava devastado. Descobrir que Blaine matou seus pais foi provavelmente a pior dor que ele já sentiu. O castanho sabe que tem que avaliar os dois lados da situação e, Blaine provavelmente está sendo sincero, pois se ele quisesse apenas machucá-lo, ele teria machucado todas as pessoas que ele se preocupa com. Mas aconteceu bem o contrário, Blaine sempre tentou proteger a todos. Kurt sabia que tinha que parar de ser orgulhoso e tinha que aceitar as desculpas de Blaine. Ele só conseguia ficar com mais medo ao pensar em morrer sem dizer o quanto ama seu namorado.
“Outside the rain's fallin' down (Lá fora a chuva cai)
There's not a drop that hits me (Não há uma gota que me atinja)
Scream at the sky but no sound (Gritou para o céu, mas nenhum som)
Is leavin' my lips (Está saindo por meus lábios)
It's like I can't even feel (É como se eu não pudesse nem sentir)
After the way you touched me (Depois da maneira que você me tocou)
I'm not asleep but I'm not awake (Eu não estou dormindo, mas não estou acordado)
After the way you loved me (Depois da maneira que você me amou)”
Blaine estava destruído. Ele nunca pensou na possibilidade de magoar Kurt dessa maneira. Ele sempre souber que precisaria contar todas as verdades para Kurt, mas não pensou que fosse ter coragem e ele realmente não teve. Ele não queria magoar Kurt, mas ele magoou.
O moreno queria voltar no tempo e nunca ter saído por aquela maldita porta. Ele poderia ter vivido uma vida maravilhosa ao lado de Kurt, mas ele desperdiçou sua oportunidade e talvez agora ele nunca mais tenha outra chance.
“I can't turn this around (Eu não posso virar esse jogo)
I keep running into walls that I can't break down (Eu fico correndo entre paredes que não posso quebrar)
I said I just wander around (Eu disse que apenas vago por aí)
With my eyes wide shut because of you (Com meus olhos fechados por causa de você)
I'm a sleepwalker walker walker (Eu sou um sonâmbulo)
I'm a sleepwalker walker walker (Eu sou um sonâmbulo)
Let me out of this dream (Me deixe sair desse sonho)”
Quinn apertava firme a mão de Brittany, as duas estavam chorando sem parar, pensando que seriam as próximas a morrer. Mike, Artie, Tina e Mercedes já não sabiam mais o que fazer. Todos estavam confusos e não sabiam se queriam continuar naquela angústia ou se queriam acabar logo com aquilo, fossem vivos ou mortos.
Kurt começou a mentalizar coisas boas, para Blaine perceber que ele estava de certa forma perdoado. Sim, ele ainda estava magoado e provavelmente iria ficar por muito tempo, mas ele não sabe quanto tempo tem de vida e precisa aproveitar cada segundo como se fosse o último.
“Everywhere that I go (Onde quer que eu vá)
I see another memory (Eu vejo outra memória)
And all the places we used to know (E todos os lugares que conhecíamos)
They're always there to haunt me (Eles estão sempre lá para me assombrar)
I walk around and I feel so lost and lonely (Eu ando por aí e me sinto tão perdido e sozinho)
You're everything that I want (Você é tudo que eu quero)
But you don't want me (Mas você não me quer)”
— Eu quero você. – Kurt apenas moveu a boca, sem emitir algum som, respondendo ao que Blaine havia cantado. Blaine não pôde evitar de dar um sorriso.
Blaine se ajoelhou na frente do namorado e segurou em suas mãos, cantando diretamente para ele. Agora os dois estavam sorrindo, mas era de uma maneira triste, eles ainda estavam com medo.
“I can't turn this around (Eu não posso virar esse jogo)
I keep running into walls that I can't break down (Eu fico correndo entre paredes que não posso quebrar)
I said I just wander around (Eu disse que apenas vago por aí)
With my eyes wide shut because of you (Com meus olhos fechados por causa de você)
I'm a sleepwalker walker walker (Eu sou um sonâmbulo)
I'm a sleepwalker walker walker (Eu sou um sonâmbulo)
Let me out of this dream, dream (Me deixe sair desse sonho, sonho)
Let me out of this dream (Me deixe sair desse sonho)”
A música foi interrompida e todos preferiam não ter olhado em direção a banda para averiguar o motivo. Sebastian estava parado e um dos meninos da banda estava caído morto no chão.
— Desculpem, mas essa música estava me deprimindo. – Disse Sebastian.
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