Evidências

4 Observações


No carro, a caminho do laboratório, ambos permaneciam em silêncio. Catherine pensava em tudo o que havia acontecido. Grissom estava diferente, mas conhecendo ele há anos, não acreditava que conseguiria tirar de sua boca uma explicação razoável para tudo aquilo. Olhou-o de canto. Ele parecia entretido em seus pensamentos. Aí estava o velho Gil que ela conhecia.

- E então, quer conversar? – Tentou ela.

- Não – respondeu ele, rápido e objetivo.

Ela não pôde deixar de sorrir. Gilbert Grissom, o cara mais inteligente, racional e fechado que já havia conhecido. Não teve muitas mulheres em sua vida. Ao menos, não até onde ela tinha conhecimento. Seu jeito fechado o impedia de maiores aproximações e quase nunca admitia algum sentimento que tivesse, seja ele qualquer que fosse. Poucas vezes havia confidenciado alguma coisa, como quando fez a cirurgia pela perda de audição.

Apesar de todas as qualidades, era um “cabeça dura” e teimoso. Quando cismava com alguma coisa, ninguém o convencia do contrário. Entomólogo de renome, preferia muitas vezes lanchar com seus amigos insetos do que reunir-se com o resto do pessoal afim de comemorar o encerramento de um caso. E agora não seria diferente. Ele acreditava que ela corria perigo e não deixaria isso passar despercebido.

Pelas circunstâncias, ela não era imparcial aos fatos e sabia que ele poderia afastá-la do caso por isso.

- Posso trabalhar só no laboratório – disse ela. – Não há a necessidade de me afastar do caso – completou, lançando-lhe um sorriso torto.

Ele não respondeu de imediato e permaneceu a observá-lo. Conhecia-o tão bem que em muitos momentos não precisava que ele proferisse palavras para saber de algo. Não lhe escapou o biquinho que ele fazia. Ela sorriu. Ele estava tendo um conflito interno.

- Tudo bem. No laboratório estará em segurança, mas não tem autorização para sair a campo – disse ele, olhando-a de relance.

Bom, era melhor do que nada.

Warrick havia acabado de chegar à cena do crime. Varreu o local a procura de Grissom, mas não o encontrou.

- Oi, Sara – cumprimentou ele. – Você viu o Grissom?

- Ele acabou de sair daqui levando Catherine com ele – respondeu ela. – Houve um disparo e todos entraram em estado de alerta. Ele acha que foi para ela. Estava um tanto esquisito, nem sequer passou nossas tarefas para este caso. Acho que voltaram para o laboratório.

Warrick franziu o cenho, pensativo, mas depois de um breve momento deu de ombros.

- Acho que estamos por conta – concluiu ele. – Precisa de ajuda aqui?

- Ah, não. Estou bem – respondeu ela. — Mas acho que Nick está um pouco sobrecarregado com os corpos.

Warrick olhou por sobre os ombros para onde se encontravam os corpos. Nick trabalhava em um. Fez em aceno para Sara e foi ajudá-lo.

- Ei, Nick – disse, se aproximando – Acho que está precisando de ajuda aqui, certo?

- É o que parece – brincou Nick. – Está afim?

- Grissom não distribuiu tarefas, então acho que posso ficar por aqui – respondeu, dirigindo-se ao próximo corpo.

- Hm, Warrick? – Chamou Nick – Você percebeu algo de diferente no Grissom? – Perguntou ele, como quem não quer nada.

- O fato dele não estar aqui agora pra mim já é estranho – comentou Warrick. – Por quê? Está sabendo de alguma coisa?

- Não – respondeu. – Apenas observando.

- Parece que você não é o único – disse, pensando no que Sara havia falado.

A equipe processou as evidências e coletou o que podia de amostras. Estava na hora de voltar ao laboratório.