Evidências de um relacionamento proibido
4 Capítulo 4 - Evidências
Notas iniciais
Pouco antes das duas da tarde, Grissom e Sara acordaram famintos. Dormiram pouco, mas conseguiram repor as energias para encarar mais algumas horas de trabalho.
—Boa tarde, querido… -Sara desejou acariciando sua barba por fazer.
Ele respondeu lhe dando um beijo terno nos lábios que se intensificou em uma velocidade alarmante. Com destreza, Grissom girou sobre a namorada e cobriu seu corpo com o dele. As mãos passeavam pelos corpos conhecidos um do outro acariciando e provocando os pontos mais sensíveis.
Sara já estava entregue ao calor do momento e beijava o pescoço dele sensualmente. Por outro lado, Gil retribuía com leves mordidas em seu colo desnudo. Estavam quase chegando às vias de fato quando a campainha começou a tocar.
Os dois param os beijos e carícias e se entreolharam.
—Está cedo pro pessoal chegar… -Sara disse. -E não ligaram da portaria…
—Vamos ignorar e logo vão embora. Deve ser o síndico querendo arrumar algum problema… -Ele murmurou e voltou à ação.
Mal os lábio se reencontraram e a campainha voltou a tocar, mas dessa vez insistentemente.
—Eu não posso atender assim… -Grissom murmurou bravo, apontando para sua evidente excitação.
Sara riu e assentiu com a cabeça. Se levantou e colocou um robe em seu corpo e seguiu até a sala. Antes de abrir a porta, porém, resolveu olhar pelo olho mágico… O que foi sua salvação.
Catherine aguardava impaciente do lado de fora.
O coração da morena disparou e ela correu para o quarto alarmada.
—É a Catherine! -Disse num sussurro nervoso. -E agora???
Grissom se sentou rapidamente e qualquer vestígio de animação se dissipou naquele quarto. Ele esfregou seus cabelos nervoso e vestiu seu pijama com rapidez.
—Fique aqui quietinha, vou tentar despistar a… Estou indo!—Gritou quando ouviu a campainha novamente. -Droga! Já volto, querida.
Ele saiu nervoso até a sala e abriu a porta. Catherine olhou seu amigo de cima abaixo e soltou uma risada.
—Não acredito que estava dormindo, Gil!
“Eu definitivamente não estava dormindo, Catherine Willows” pensou, mas optou por não responder. Deu passagem para que a amiga entrasse .
—Achei que tínhamos combinado às seis… -Ele começou confuso.
Catherine se sentou no sofá sem cerimônias e respondeu:
—Pensei que estivesse com insônia como eu e quisesse trabalhar antes dos meninos chegarem…
Não era bem verdade, e Grissom percebeu, mas não conseguiu decifrar sua amiga. Catherine realmente estava sem sono por conta do caso, mas queria pegar o entomologista desprevinido e sozinho para continuar a investigação sobre sua vida amorosa.
—Quer café? -Grissom ofereceu resignado.
A loira aceitou e seguiu com ele até a cozinha. Grissom ligou a cafeteira e colocou duas fatias de pão na torradeira. Programou o timer e foi arrumar a mesa. Apesar do horário, um café da manhã parecia bem mais apetitoso do que um almoço.
—Gil… -Catherine começou com cautela, ajudando-o com a mesa. -Como a Lady Heather está? Com toda a história da filha…
Ele franziu o cenho pelo assunto inesperado, mas respondeu com naturalidade:
—Nos falamos pouco. Ela está bem abalada e um tanto reclusa… -Ele suspirou. -Mas ela é uma mulher muito forte, tenho certeza que ficará bem.
Mal sabia ele que a namorada ouvia tudo atentamente com a orelha colada à porta.
—Ainda bem que ela tem um amigo como você para consolá-la… -Catherine insinuou. -Ela vem bastante aqui?
A cafeteira apitou, o que deu a Grissom alguns segundos para pensar. O que sua amiga queria dele, afinal?
—Heather não vem aqui, Cath… -Respondeu com o semblante confuso. -Por que esse interesse nela?
—Oras, Gil… Me preocupo com você. -A loira se abriu. -Achei que tinham se reaproximado, você parece diferente, bem…
Grissom colocou as torradas e o café na mesa, tentando maquinar um modo de sair daquela situação, livrar sua namorada da prisão no quarto e tirar a loira questionadora de sua frente. Aproveitando o silêncio dele, ela continuou:
—Heather é intensa, bonita, inteligente… Charmosa. Sei que vocês têm uma química e por mais que ela tenha uma profissão duvidosa, não acredito que seja um empecilho para vocês dois ficarem juntos.
Grissom parou o que estava fazendo e se virou nervoso para a amiga.
—Catherine, Heather é uma amiga e eu não quero falar da minha vida amorosa com você.
A loira revirou os olhos e se serviu de uma generosa xícara de café.
—Ah, vamos, Gil… Você está muito diferente. Tem alguém na sua vida… Se não é a Heather, vou começar a pensar que é do trabalho. Sofia?
O palpite dela deixou o CSI mais nervoso. Decidiu que era hora de sair da sala, ou acabaria sendo grosseiro com a loira.
—Vou trocar de roupa e já venho. Fique à vontade.
Antes que a loira pudesse protestar, Grissom foi rapidamente em direção ao quarto. Assim que abriu a porta, se deparou com Sara sentada na beirada da cama, completamente vestida e com uma expressão profundamente desgostosa.
—Vou sair pela escada de emergência e tomar um café na padaria. -Ela disse antes que ele pudesse falar alguma coisa. -Segure a Catherine na cozinha por alguns minutos e me avise quando os meninos chegarem.
Grissom tirou seu pijama e jogou num canto do quarto. Estava muito frustrado. Colocou uma roupa qualquer e se aproximou da namorada.
—E se abrirmos o jogo com a Catherine? -Ele sugeriu.
Sara riu baixo e respondeu no mesmo tom:
—Já estamos com problemas demais por hora. -Seus ombros cederam. -Vamos resolver isso depois.
Eles trocaram um beijo rápido e ele seguiu para a cozinha disposto a distrair sua amiga enxerida. Ouvindo uma conversa amena sobre o caso, Sara viu a deixa para sair pela escada de incêndios. Quando faltavam três degraus, ela pulou e seguiu em direção ao seu carro. De lá, foi até uma padaria próxima.
Na cozinha, Grissom conseguiu distrair Catherine o suficiente. Guiou a atenção da amiga para o caso e ali se aprofundaram. Não tinham notícias de mais nada, nem mesmo se a criança havia sido encontrada… Estavam completamente isolados e por conta própria.
Pouco depois das seis da tarde, Greg e Nick chegaram juntos ao apartamento de Grissom. Sara demorou-se um pouco mais e esperou a mensagem do namorado para retornar à sua casa. Encontrou com Warrick na portaria.
—Boa noite. Vou ao apartamento do Grissom… Warrick Brown.
Carter anotou o nome do visitante e sorriu para a porta ao ver Sara chegando.
—Bom dia, senhorita Sidle. -O porteiro sorriu. -Pode subir, senhor Brown. O senhor Grissom já deixou uma autorização.
Warrick agradeceu com um aceno de cabeça e cumprimentou Sara. Os dois seguiram pelo elevador. Logo foram recebidos por Grissom e entraram na bolha de trabalho.
Grissom e Nick organizavam uma linha do tempo no painel de cortiça, enquanto Warrick e Greg pesquisavam possíveis locais. Sara e Catherine, por sua vez, montavam o perfil psicológico do suspeito.
As duas mulheres debatiam e registravam suas observações concentradas até que, em certo momento da noite, Hank acordou de seu cochilo e se deitou nos pés de sua mãe, com a cabeça confortavelmente posicionada em seus pés.
—Ele realmente gosta de você. -Catherine comentou com um sorriso.
Sara concordou com a cabeça e se abaixou para afagar a barriga lisa do cão. Com o gesto, seus cabelos caíram sobre o seu rosto, o que a fez prendê-los atrás da orelha. Esse movimento fez com que uma corrente com pingente de borboleta ficasse pendurado em seu pescoço.
—Sara… -Catherine não se conteve. -Esse seu colar…
A morena se endireitou e mostrou o pingente para a loira.
—Ah… Ganhei há tantos anos, ainda em São Francisco. -A morena comentou. -Ele é meu preferido.
“Em São Francisco, hein?” Catherine pensou, mas nada disse.
—Ah, que droga! -Greg reclamou quando sua bebida caiu parcialmente na mesa. -Onde encontro um guardanapo?
—Segunda gaveta no gabinete da pia. -Sara respondeu sem tirar os olhos do laptop e a mão da barriga de Hank.
O silêncio momentâneo a fez levantar os olhos. Todos a encaravam.
—Que foi? -Perguntou confusa.
—Como sabe que os guardanapos ficam na segunda gaveta do gabinete da pia? -Warrick quem indagou.
Sara engoliu em seco e improvisou:
—Grissom nos disse ontem. Boa memória é um dom.
Warrick trocou um olhar com Catherine, mas ninguém comentou mais nada. Sara voltou a atenção para seu trabalho como se nada tivesse acontecido.
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