Everything Has Changed
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Notas iniciais
Três horas. Já havia passado três horas desde que deixara a minha vida toda para trás. “Oras, pare de ser dramática, Annabeth, não é bem assim”, pensava. Está certo, eu só estava mudando de cidade. E de casa. E de escola. E de um monte de outras coisas, não era nada.
Se minha mãe estivesse aqui, provavelmente estaria passando a mão sobre meus cabelos loiros e dizendo para eu ficar tranquila, pois apesar de Nova York ser imensa, ela é uma cidade bem acolhedora. Claro, para ela deveria ser fácil dizer algo do tipo, já que passou a maior parte de sua vida na área para a qual estou me mudando. Mas como ela não está aqui, acho que tenho o direito de surtar. Meu pai também disse, antes de eu partir, que isso tudo seria algo bom para mim. Ô pai, se suar frio e não sentir seus próprios pés for algo bom, está funcionando.
Já se imaginou chegando num lugar completamente desconhecido e, ainda por cima, sozinha? Pois é, eu também não. Mas parece que meus pais gostam de me colocar em encrencas. Estava tudo bem lá em San Francisco, até que resolveram que era hora de eu “seguir meu próprio caminho”. Quer dizer, não foi bem assim. Em um de nossos jantares de domingo à noite, a única hora que a mamãe está disponível durante a semana, a velha — estou brincando, mãe — começou a falar sobre escolas de Nova York e sobre como eram boas e blá blá blá. Quando ela disse que estava pensando em me matricular em uma delas, eu quase cuspi a comida na parede. Isso só não aconteceu pois eu já havia engolido. E, bom, aqui estou eu: sã — e não totalmente — salva.
Isso aconteceu há uns seis meses atrás, numa época meio ruim para mim. Por isso, acho que naquele momento nem liguei muito para essa mudança. Meus pais estavam em processo de divórcio, já que mamãe raramente para em casa e o papai já estava farto disso. E também havia aquela coisa toda com Travis, a qual estava dividida entre paixão e amizade mas que logo acabou porque ele e a família se mudaram para a Austrália, dias antes de eu fazer a matrícula. Quer dizer, ele foi o meu primeiro amor, meu melhor amigo e ainda dói lembrar dele, porém é hora de seguir em frente. “É ISSO MESMO, MULHER! QUAL É O TIME? ANNABETH! QUAL É O TIME? ANNABETH!”, penso comigo mesma e dou um sorriso.
Ainda faltam, tipo, umas duas horas para eu chegar na tal Nova York monstruosamente grande. Acho que ela está pronta para me receber, mas será que eu estou pronta para ela? Não sei, provavelmente não. Mas quer saber? Daqui a 120 minutos eu te respondo.
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