Everything Has Changed
2 Is green eyes and freckles and your smile
Notas iniciais
Eu não sei o que foi pior: aquele avião pousando ou o nervosismo para sair logo dele. Juro, pensei que iria morrer.
Depois de todo o alvoroço no desembarque e a demora com as malas, finalmente pude respirar fundo. “Vamos, Annabeth, agora só falta você achar a tal representante”, pensei comigo mesma. Como eu estava me mudando sozinha e não teria ninguém para me acompanhar, já que papai teria um voo para a França na manhã seguinte à minha viagem e mamãe estava — mais uma vez — ocupada em uma de suas convenções malucas de arquiteta renomada, a Goode High School mandara uma representante para me buscar e levar até ao apartamento que, a propósito, havia sido decorado por Atena.
Atena, mais conhecida como a minha mãe, havia me impedido de chegar perto até mesmo de seus projetos da reforma da minha nova casa moradia, pois queria que tudo fosse uma “surpresa”. Mãe, já chega disso. Primeiro você e o papai dizem que vão seguir caminhos diferentes e depois inventa de virar a minha vida de cabeça para baixo me mandando para o outro lado do país. Acho que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas.
Por fim, depois de ficar uma meia hora atrás dessas malas malditas e mais dez minutos tentando descobrir quem era a tal da representante que, por sua vez, estaria segurando uma plaquinha com o meu nome escrito assim como o do colégio, eu a encontro. Era uma garota magra, meio baixinha e que possuía um cabelo preto com mechas azuis — incrível, na minha opinião — e vestia uma blusa de alguma banda punk que desconheço.
Ela pareceu aliviada ao me ver, pois logo que segui em sua direção, ela abriu um sorriso e deu um suspiro de alívio.
— Ai meu Deus! Finalmente você me encontrou, fiquei com medo de se perder aqui. Essa coisa — disse ela, apontando para a placa — deixou meus braços dormentes. Ah, eu sou a Thalia. E você é a Annabeth, certo? Não, não, Thalia, ela é o Papai Noel — falou em um tom irônico dando um tapinha em sua testa.
— Bom, é isso mesmo — abro um sorriso e continuo— Muito prazer, Thalia.
Depois disso, a punk perguntou se eu queria ajuda com as malas e aceitei, já que eram três.
— Você nunca veio para Nova York, né? Garanto que vai adorar, acredite. Ainda temos uma semana até as aulas começarem e dá pra se situar até lá — como assim “ainda temos?” Então ela era uma aluna também?
— Espera aí, você é uma aluna? — eu estava confusa, quando me disseram que uma representante viria, não pensei que mandariam um estudante. Não que seja ruim, não é isso. A propósito, adorei a ideia, pois assim já conheceria pelo menos uma pessoa no primeiro dia de aula.
— Sou. Isso de me mandarem aqui foi legal da parte do senhor Paul, o diretor da Goode. Pelo menos não foi uma das velhas que te recebeu. Quando cheguei, uma idosa de uns cem anos que veio me buscar e ela bateu o carro enquanto me levava pra casa. Não foi nada grave, mas também não foi uma chegada muito legal em Nova York. Foi por isso que, há uns dois anos, o careta do senhor Paul passou a enviar alunos para buscar quem chegasse. E aqui estou eu!
Fiquei imaginando de onde ela era, já que disse que também veio de fora. Apesar da curiosidade, decidi esperar para perguntar.
— Graças a Deus, imagine só uma senhora me ajudando a levar tudo isso de malas! Acho que, na verdade, eu é que a ajudaria a andar.
Thalia riu e fiquei feliz, ela estava animada e parecia que quem estava chegando era ela e não eu.
— Ei, acho que você deve estar com fome. Vamos dar uma passada na lanchonete daqui do aeroporto, não é grande coisa mas serve...
Concordei e assim fomos. Eu estava cansada e não muito faminta, mas ela estava sendo tão gentil que fiquei sem graça de dizer “não”.
— Merda, olha pra baixo e vira de costas — mesmo sem entender, fiz o que ela pediu.
— O que foi? — perguntei confusa.
— Depois eu te expli...
E assim, um garoto de olhos verdes e cabelos negros aparece com uma ruiva ao seu lado.
— Thalia! — ele grita e vem em nossa direção. Acho que ele ficou bem feliz em vê-la, mas não posso dizer o mesmo da minha “guia” que, depois de falar alguns palavrões, finalmente se rendeu e virou-se para frente.
— Oi, Percy, o que você está fazendo aqui? — Ela olha para a garota com um olhar seco e uma voz nem um pouco agradável — Oi, Rachel.
Thalia não parecia muito feliz em vê-los.
— Oi para você também, Thalia — e dá um sorrisinho que julgo ser bem falso. Pelo pouco que vi, percebi que elas não se dão muito bem.
— Na verdade, eu vim trazer a Rachel. Ela vai visitar o pai antes de as aulas voltarem — ele olha para mim — Olá, eu sou o Percy — e estende a mão.
Sem graça, respondo um “oi” e o cumprimento. Nossa, esse cara era bonito. “Sem essa, Annabeth, ele já tem dona”, minha consciência me repreende. “Tá bom, só estou dizendo o que é fato”, retruco para ela. Ai Annabeth, para com essas conversas mentais e foca na realidade.
—Essa é a novata? — A ruiva, quer dizer, “Rachel” pergunta.
— O nome dela é Annabeth, e sim, ela é nova por aqui mas dentro de uma semana vai passar a conviver com você, olha que feliz! — Thalia responde ironicamente enquanto eu seguro o riso. Percy coloca o braço sobre o ombro da ruiva e a traz para perto de si — Bom, nós vamos lá comer alguma coisa. Tchau Percy, tchau Poodle, até mais — Poodle? Me segurei, mais uma vez, para não rir.
— Tchau, Annabeth, foi um prazer! — Diz Percy, sorrindo, logo que aceno para ele e seu poodle ruivo.” Isso existe mesmo?”, me pergunto mentalmente.
Enquanto aperto o passo para alcançar aquela punk representante, com um arrepio na espinha, sinto aquele par de olhos verdes me encarando. Olho para trás e confirmo o que havia previsto: mal o conhecia, mas já sabia que ele e seus olhos me trariam grandes problemas no futuro.
Fale com o autor