Everything Can Change All The Time

18 Capítulo18 – Carolina do Norte


- Tem certeza que quer dirigir Bella? Se estiver cansada eu posso levar – Edward disse enquanto eu já assumia minha postura de motorista. Colocando o cinto de segurança e dando partida no trailer.

- Cabeção eu estou super acordada – eu disse me esticando na minha poltrona e lhe dando um selinho. Havíamos ido dormir tarde e acordamos bem cedo pra viajar, iríamos pra Carolina do Norte e faríamos a rota mais famosa da costa leste, a Blue Ridge Parkway. Que havia sido inaugurada em 1983, era uma das rotas mais lindas dos Estados Unidos, se passava pelas Montanhas, e os Montes Apalaches, haviam vários mirantes e diversas trilhas e ligava um parque nacional a outro.

Nós entraríamos na rota em Asheville, nossa primeira parada era o Mount Mitchell State Park, que era o ponto mais alto do país ao leste do rio Mississipi e era possível chegar de carro quase que no topo, a trilha era curta.

Mas ficaríamos lá só pra admirar a paisagem por um tempo mesmo, porque pretendíamos dormir em Blowing Rock, que era uma cidade pequena, tranquila e conhecida por ser um lugar de gente feliz.

- Vamos pela interestadual 26 oeste? – perguntei só pra afirmar, pois já havia uma placa indicando que em 1 km era a entrada pra essa estrada.

- Isso – ele afirmou – Mas pode ir um pouco mais devagar, ok. Você não é nenhum piloto de fórmula 1 – ele disse segurando no apoio ao seu lado.

- Pode deixar comigo – eu disse diminuindo um pouco a velocidade. Às vezes eu me empolgava e quando dava por mim já estava dirigindo muito acima dos limites de velocidade. Mas eu diminuía, porque dirigir um trailer e um carro era um pouco diferente, e eu não tinha muito experiência nem com carro em auto-estrada, muito menos com um trailer. – Quanto tempo daqui lá?

- 5 horas e meia. Vamos precisar abastecer.

- Ok. – eu disse e foquei meus olhos na estrada.

...

- Amor tenho algo pra te confessar – Edward disse de repente, já havia mais de 3 horas que eu estava dirigindo.

- O que? – eu perguntei temerosa, um milhão de coisas passaram na minha cabeça.

- Lembra quando eu fui até o barco onde você estava com aquele garoto, qual é mesmo o nome dele?

- Embry – respondi – Você foi até lá porque Alice disse que precisava falar comigo, algo urgente, e no final das contas era só mais uma lista de compras dela.

- Eu menti, eu fui até você, porque eu estava louco de ciúmes e queria te tirar perto daquele cara que estava dando descaradamente em cima de você. Por isso quando você ligou pra Alice ela no inicio não pareceu saber do que você estava falando.

- Edward porque fez isso? Eu nunca ia querer nada com aquele garoto e você ainda o derrubou na água. Eu amo você.

- Eu tenho certeza disso, mas só agora – ele disse – Eu corri e peguei meu celular e entrei no banheiro e enviei uma mensagem no outro telefone da Alice pedindo pra ela inventar uma desculpa. Por isso não soou tão convincente quando Alice inventou aquela história.

- Bem que eu desconfiei do quanto você ficou esquisito.

- Me perdoa por ter mentido e ter levado você embora?

- Claro, foi só seu ciúme bobo. Já te falei que aquele não é meu tipo de garoto, aliás, só você é o meu tipo de cara – eu disse e ele deu seu sorriso torto.

...

Abastecemos o trailer e aproveitamos pra almoçar também em Asheville, antes de pegarmos a estrada que subia para o Mount Mitchell.

- Está pronta? – Edward me perguntou, havíamos ido com trailer até onde dava e agora pegaríamos uma trilha pra terminar chegar ao Mount Mitchell.

- Só amarrar os cadarços – eu apontei pra meu tênis verde limão da Nike. – Pegou água?

- Sim, pegou a câmera? Acho que agora temos realmente imagens que valem a pena.

- Nossa amor, você é muito implicante – eu disse me levantando e ajeitando minha camiseta e meu short. – Eu gosto de fotografar, registrar os momentos.

- Ok fotógrafa, vamos logo.

...

A trilha era bem íngreme, em alguns momentos Edward me dava a mão pra me ajudar a passar por alguns pequenos obstáculos. Ele fazia a trilha tranquilamente, mas eu já estava ofegante.

- Quase lá sedentária, vamos logo – ele disse tentando me motivar. Eu havia parado e encostado numa árvore para tentar pegar fôlego.

- Essa vista tem que ser a mais fantástica de todas – eu disse voltando a caminhar, Edward ia na frente todo empolgado.

- Vai ser – ele disse e segurou minha mão pra subirmos os últimos metros juntos.

...

- UAU, Isso aqui é incrível – eu disse quando chegamos ao topo e eu apreciava a vista, o vento ali em cima era tão forte, que eu pensei que ia ser até jogada dali de cima.

- Eu disse que ia valer a pena – Edward me abraçou por trás.

- Ponto pra você cabeção, já posso tirar uma foto nossa? – perguntei pegando a câmera em meu bolso.

- Deve – ele concordou e eu estiquei o braço e tirei uma foto de nós dois. – Agora tira aqui porque vou colocar de papel parede – ele me entregou seu i-phone. Ele abaixou seu rosto pra que ficasse da altura do meu e eu tirei a foto.

- Perfeita – eu disse lhe entregando o celular, após eu mesma ter colocado nossa foto como papel de parede. – Me dê um pouco de água agora, por favor – eu disse virando de frente pra ele.

- Ok sedentária – ele disse pegando a garrafa de água que tinha trago em uma pequena mochila e me entregou. Tomei metade da garrafa em uma única vez – Ei não seja egoísta – Edward tomou a garrafa da minha mão.

- Desculpa, é porque eu realmente estava com sede – eu disse e fui admirar a vista e bati algumas fotos. Depois me sentei em uma pedra e fiquei observando o rio Mississipi seguir seu curso lá embaixo. – É nessas horas que eu tenho mais fé, sabia?

- Porque? – Edward se sentou ao meu lado.

- Olha só que coisa mais perfeita – eu disse apontando pra vista – Tudo é como se fosse desenhado milimetricamente.

- Realmente é de tirar o fôlego, mas é difícil ter fé quando as circunstâncias te fazem ir contra isso – ele disse baixo e não olhou pra mim, continuou olhando a paisagem.

- Está aí uma coisa em que somos diferentes. Em momentos difíceis, é quando parece que minha fé se multiplica e eu passo a acreditar que tudo é possível. Tudo mesmo – eu segurei suas mãos entre as minhas.

- Eu não quero que você se encha de ilusão – ele disse com a cabeça abaixada.

- Não é ilusão, é no que eu acredito meu amor – eu disse segurando seu queixo e erguendo seu rosto – Tente acreditar também, por você, por sua família e por mim.

- Eu vou tentar – ele disse meio engasgado – Vem aqui – ele me pegou em um abraço apertado, como se sua vida dependesse disso.

- Eu te amo Edward – eu disse beijando sua bochecha.

- Também amo você – ele me deu um selinho e suspirou fundo – Hum... vem vamos tirar algumas fotos suas, podemos fazer até um book – ele disse me levantando e pegando a câmera, olhei e vi que seus olhos estavam meio marejados, mas resolvi não tocar no assunto.

- Tira uma assim – eu disse abrindo os braços, dando as costas pra paisagem.

- Muito bom – ele disse – Agora senta ali naquela pedra, e finge que está meditando.

- Depois eu vou querer fazer um book seu também namorado, você não vai escapar – eu disse enquanto sentava onde ele havia pedido.

- Prefiro um book só seu – ele disse.

- E eu prefiro um só seu, vê se eu tenho um namorado gato desse e vou perder a oportunidade de tirar fotos dele de todas as maneiras possíveis.

- Depois pensamos nisso, agora faz logo a pose, que estou cheio de idéias pro book da minha namorada.

...

- Nossa pra descer o ânimo é outro hein – Edward disse rindo, eu estava na frente na trilha, ele vinha há alguns passos atrás de mim.

- Doida pra chegar logo no trailer, tomar um banho e deitar. Você vai dirigir até Blowing Rock.

- Nada de deitar, a paisagem é fantástica. Você tem que ir comigo e anda mais devagar, por favor. Você está quase correndo ladeira a baixo – ele disse.

- Ah pelo menos na descida eu vou ser campeã – eu disse olhando pra trás pra fitar seu rosto, mas sem diminuir a velocidade dos meus passos.

O que veio a seguir foi tão rápido que eu nem entendi direito, meu tênis agarrou em uma pedra e eu fui pro chão e senti uma pancada na minha testa. Depois foi tudo tão rápido enquanto meu corpo rolava pela trilha que tudo que ouvi foi a voz de Edward me gritando em desespero, e o resto foi só dor.

- BELLA, BELLA – as mãos de Edward me alcançaram e eu parei de rolar.

- Minha cabeça – foi tudo que eu disse enquanto ele me sentava e todo meu corpo doía – Está doendo – eu levei a mão ao local onde a dor era maior e o senti úmido. Tirei meus dedos de lá e eles estavam sujos de sangue.

- Calma – Edward disse, mas sua voz estava trêmula e quando ele me tocava suas mãos também estavam tremendo – Merda, você se machucou toda. Foi minha culpa – ele disse puxando meu joelho e vi havia um corte ali também.

- Amor não foi sua culpa – eu disse tentando segurar seu rosto entre minhas mãos para acalmá-lo porque ele tinha que se tranqüilizar para nos levar pro trailer, porque eu não estava em condições de ir andando, minha cabeça parecia estar meio zonza e tudo estava doendo.

- Olha – ele pegou minhas mãos antes delas tocarem seu rosto e colocou as palmas pra cima e vi que as tinha esfolado e estava um pouco sujas de terra e sangue. – Merda – ele estava tremendo mais que eu. Nesse momento o sangue da minha testa começou a escorrer e caiu sobre meus olhos e vi Edward empalidecer, ele sempre teve um pouco de problema com sangue.

- Respira, 1...2...3. É só sangue, não passa mal – eu disse e tentei passar a mão pra limpar, mas só me sujei mais de sangue.

- Eu... estou...calmo – ele disse respirando fundo. Ele pegou a manga da sua camisa e a puxou forte a rasgando – Desculpe amor – ele disse pressionando o pedaço de sua camiseta no corte em minha testa, ele continuava pálido. Desde sempre Edward nunca soube muito bem como lidar com sangue, sempre passava mal. Eu sabia o quanto ele estava se esforçando neste momento.

- Se você me pedir desculpa de novo por algo que não foi sua culpa eu juro que vou te bater assim que eu estiver em condições – e dei um meio riso, mas até isso doeu, mas Edward não sorriu de volta, ele estava compenetrado estancando o sangue da minha testa.

- Temos que ir rápido em um hospital, preciso procurar qual é o mais perto daqui, você pode ter quebrado alguma coisa, talvez esse corte precise de dar alguns pontos. – ele disse sua voz extremamente nervosa – Tente segurar isso aqui que vou te carregar – ele disse me entregando o pano que estava contendo meu sangramento na testa e eu voltei a colocar sobre o local.

Edward me pegou no colo e eu não pude evitar um gemido de dor.

- Merda – ele murmurou e começou a caminhar comigo em seu colo, eu tinha quase certeza de que eu não tinha quebrado nada, as dores no corpo eram só por causa das pancadas durante a queda mesmo. Eu não conseguia entender porque Edward estava se culpando desse jeito, eu que sempre fui totalmente desastrada.

- Dois pés esquerdos, lembra? – eu tentei fazer piada enquanto ele me carregava, mas ele estava inteiramente tenso, o rosto com uma expressão de raiva e medo. Ele não me respondeu nada e eu deixei pra lá, depois que eu averiguasse meus machucados eu conversava com ele pra tranqüilizá-lo.

...

- Fica aqui que vou procurar aqui na internet o hospital mais próximo – ele disse me colocando sobre o sofá, ele queria me colocar sobre a cama, mas eu protestei dizendo que estava toda suja e não queria sujar o local onde dormíamos.

- Amor espere um pouco, por favor – eu disse tentando passar tranqüilidade em minha voz.

- Esperar o que Bella? Você pode ter fraturado algo? Não temos tempo a perder – ele disse com a voz elevada e tive que contar mentalmente até 10 pra não perder a paciência porque ele estava nervoso assim só por causa da situação.

- Pega a caixa de primeiro socorros, uma vasilha com água e uma tolha de rosto e um espelho, eu vou limpar e ver se algum machucado precisa de ponto. Eu tenho certeza que não quebrei nada – eu disse calma.

- Nada disso, nós vamos para um hospital.

- Não seja teimoso. E faça o que eu te pedi, por favor. – eu disse alterando um pouco a minha voz também. Que homem mais teimoso.

- Se você não se lembra você por enquanto só conseguiu entrar na faculdade de medicina, não é uma médica ainda – ele disse e eu agora contei até 20 pra não estressar com ele.

- Mas eu fiz um curso de primeiros socorros por um ano inteiro e sei de algumas coisas, faz o que estou pedindo ou eu mesmo faço – eu disse irritada.

- Ahhh – ele passou a mão pelo cabelo e sabia que eu havia o convencido – Ok, mas eu te ajudo com isso.

- Ok – eu disse enquanto ele pegava tudo que eu havia pedido.

...

- Só segure o espelho que eu limpo Edward, eu sei que você não se sente muito bem em ter que lidar com sangue – eu disse.

- Isso não importa agora, eu posso fazer isso – ele disse e molhou a toalha na bacia e começou a passar suavemente no meu machucado da testa, limpando o sangue, felizmente já havia parado de sangrar. Eu tentei conter, mas alguns gemidos de dor escaparam.

- Edward eu consigo fazer – eu disse vendo o quanto ele tinha empalidecido no processo.

- Eu também – ele disse firme e respirou fundo e limpou minha testa. Ele molhou de novo a toalha na bacia de água e limpou as escoriações das palmas da minha mão, dos meus cotovelos, dos meus joelhos, no meu joelho direito não era só uma escoriação e sim um corte de uns três centímetros, grande, mas pelo que eu via não era fundo e não precisaria de ponto.

- Estou sentindo uma ardor no pé – eu disse e Edward pegou meus pés colocando em seu colo e desamarrou meus cadarços.

- Esse aqui já era – ele disse apontando pro rasgado na lateral do meu tênis, exatamente o pé que eu tinha batido e me levado pro chão. Ele tirou o tênis de mim e viu que minha meia branca também estava suja de sangue e com um rasgado.

- Que pedra assassina – eu disse vendo ele tirando minha meia, a pedra havia rasgado meu tênis, minha meia e ainda me ocasionado um pequeno corte no pé.

- Eu disse pra você ter cuidado – ele disse enquanto limpava aquele corte ali também.

- Edward acidentes acontecem – eu disse – Agora pega o soro fisiológico pra terminarmos de limpar esses machucados – eu disse e ele pegou o soro e algumas gazes e limpou cada machucado como se eu fosse uma boneca de porcelana e fosse me quebrar a qualquer momento.

- Esse dá testa eu acho que precisa de ponto – ele disse após já ter terminado de limpar tudo com soro. – Mas você tão teimosa.

- Me dá o espelho que eu vou analisar – eu disse e ele me entregou o pequeno espelho e eu tentei analisar o corte, não era fundo o suficiente para que dessem pontos. Era só passar um remédio e fazer um curativo. – Não vai ser necessário, vai me passando o que vou te pedindo, porque acho melhor eu mesmo fazer os curativos.

- Mas as suas mãos? – ele apontou pra as escoriações das palmas das minhas mãos.

- Vou usar só a ponta dos dedos, fica tranquilo – eu disse e dei um sorriso para que ele se tranqüilizasse.

Edward me ajudou passando remédio em todos os machucados e depois eu mesma fiz um curativo na minha testa, no meu joelho e no meu pé.

- Quase uma múmia – eu disse rindo e Edward ainda não tinha relaxado – Edward eu estou bem, ok?!

- Você não sabe o que eu senti quando vi você caindo e rolando por aquela trilha – ele respirou fundo – Eu não quero perder você – ele disse abaixando o rosto contra seus joelhos. A vida era tão irônica, eu que sofria todos os dias por medo de perdê-lo pra doença, e hoje era ele quem podia ter me perdido. Agora conseguindo raciocinar com mais clareza eu sabia que tinha tido uma queda feia, uma pancada mais forte na cabeça ou na região do abdômen podia ter acabado com tudo.

- Não vai perder meu amor – eu disse pegando suas mãos apenas com a ponta dos dedos, ele levantou o rosto pra me encarar e ele estava chorando – Não chora – eu passei a ponta dos dedos em seu rosto para limpar suas lágrimas.

- Bella se você me amar da mesma forma que eu te amo, eu não quero que você sinta a dor que eu senti hoje quando vi você caindo e eu correndo tentando fazer algo. Porque eu pude fazer algo, mas você, você simplesmente não pode e você vai sofrer, não quero que sofra, mas o que eu posso fazer pra impedir? – agora ele chorava sem tentar esconder e meu coração se apertou.

- Ei você vai conseguir ficar bom, eu não vou passar por essa dor, eu não quero passar – eu disse e o abracei e ele me abraçou forte, e eu detive o gemido de dor que queria escapar dos meus lábios, o meu corpo todo doía.

- Desculpa amor, se eu tivesse na frente ou... ou

- Ou nada Edward, a culpa não foi sua. Não quero que se culpe – eu disse segurando seu rosto entre meus dedos e lhe dei um beijo. – Agora eu vou tentar tomar um banho e depois tomar um analgésico e vou ficar boa. – eu disse me afastando dele.

- Vou te ajudar, você pode tontear, você bateu a cabeça – ele disse me ajudando a ficar de pé.

- Ok, depois nós podemos ir pra Blowing Rock, daqui lá é quanto tempo?

- Umas duas horas e meia, mas primeiro me deixe cuidar de você – ele disse gentilmente me ajudou a tirar toda a minha roupa, eu realmente estava dolorida pela queda e as minhas escoriações ardiam, e eu tinha que confessar que precisava muito da ajuda de Edward porque eu só podia tocar nas coisas com os dedos, porque as minhas palmas estavam detonadas.

Edward abriu o chuveiro e me ajudou no banho, e em nenhum momento houve malícia, naquele momento ele era o homem que me amava muito e que se preocupava demais e queria me ajudar.

- Aqui – ele me entregou o analgésico e um copo de água, eu estava deitada na cama usando só uma calcinha e uma blusa de malha do Edward.

- Obrigada – eu disse engolindo o comprimido e bebendo a água.

- Eu vou dirigir agora, deite, mas tente não dormir porque você bateu a cabeça. Se você não melhorar um pouco, qualquer coisa vamos em um hospital assim que chegarmos em Blowing Rock.

- Eu não bati a cabeça dessa maneira, foi só um corte mesmo. Eu vou ficar bem, não se preocupe – eu disse deitando na cama – Dirige com cuidado.

- Pode deixar comigo – ele se abaixou perto da cama e me deu um beijo. Me ajeitei melhor na cama e nem lutei contra, fechei meus olhos, o analgésico que eu tomei era bastante forte e eu já estava me sentindo sonolenta, só percebi Edward ligando o trailer e depois simplesmente apaguei.

...

Acordei e abri os olhos e notei que já havia anoitecido, por quanto tempo será que eu havia dormido?

Me sentei na cama e percebi que já não estava sentindo tantas dores no corpo, mas não podia dizer que eu já estava cem por cento, talvez eu estivesse 70%. Acendi a luz no interruptor ao lado da cama e me levantei, estávamos parado, abri a cortina e vi uma rua tranquila, algumas pessoas caminhando despreocupada. Estávamos em uma rua totalmente residencial, eu não via nenhum comércio, pelo menos não onde minha visão alcançava olhando pelo vidro.

- Edward – eu chamei, porque talvez ele estivesse na cabine de direção, mas não obtive resposta. Será que ele tinha me deixado sozinha ali enquanto convalescia?

Meio mancando fui até o frigobar pra pegar um copo d’água pra beber e achei um bilhete dele pregado na porta.

“Amor fui a farmácia comprar mais algumas coisas pro seus curativos e vou trazer nosso jantar também. Fique quietinha ai, e nem pense em se aventurar na rua. Ou eu vou esquecer o quão teimosa você é e te arrastarei para um hospital, ainda não estou totalmente convencido que não precisamos fazer um raio-x.

Te amo.”

- Exagerado – eu disse pra o bilhete o colocando sobre a bancada e peguei minha água.

Fiquei com saudades do meu blog, já havia alguns dias que eu tinha escrito ali, peguei meu notebook e abri em meu blog, estava cheio de mensagens. Haviam pessoas ali que realmente pareciam se importar comigo, me aconselhavam e eu até me sentia meio amiga delas. Relatei tudo que havia ocorrido desde minha última postagem e inclusive falei sobre meu acidente hoje. Depois de postar no blog, fui até minha caixa de e-mail e achei um e-mail de Alice com uma lista de coisas que ela queria que comprássemos em NYC.

- Maluca – eu murmurei rindo sozinha da gigantesca lista de Alice, Carlisle iria a falência antes de Alice ter seu primeiro emprego.

- Falando sozinha? – Edward me assustou quando entrou no trailer, eu estava tão distraída que nem ouvi o barulho da porta abrindo.

- Lendo a lista de Alice, ela vai falir seu pai – eu disse e vi as sacolas em suas mãos – E então o que vamos ter para o jantar? Acho que estou com fome.

- Ravióli – ele disse colocando as sacolas em cima da mesa – Mas antes de qualquer coisa me diga se melhorou. Como está se sentindo? E a cabeça está doendo? Eu disse pra você não dormir.

- Calma. Foi o analgésico que me fez dormir. Mas eu me sinto bem melhor. Claro que meu corpo ainda dói, mas nada com o que se preocupar.

- E a cabeça? Dor na nuca? Ou em alguma área da cabeça? – ele perguntou preocupado.

- Porque mesmo você não quis ser médico? – eu perguntei rindo.

- Porque não consigo lidar muito bem com sangue, você sabe muito bem disso. Agora me diz se está doendo ou não paciente mais teimosa de todas.

- Não, só o corte que arde um pouquinho. Nada demais. Posso ir comer agora? – eu perguntei enquanto desligava meu notebook.

- Deve – ele disse e começou a arrumar tudo na mesa – Merda você está mancando – ele disse quando me viu ir caminhando até a mesa.

- Claro Edward, eu cai e sai rolando sei lá por quantos metros em uma trilha. Meu pé tem um corte, não tinha como eu sair ilesa. – eu disse indo mancando me sentando na cadeira e ele riu alto. – Perdi alguma piada?

- Não, só que você é a criaturinha mais teimosa e mais linda do mundo minha anãzinha – ele beijou minha bochecha e foi até o frigobar e pegou um refrigerante.

- Não quero coca, quero de limão – eu disse.

- Seu desejo é uma ordem – ele piscou pra mim e foi pegar meu refrigerante.

- E então como é a cidade? – eu perguntei enquanto comíamos.

- Bem legal, pessoas muito educadas, fiquei sabendo que amanhã no fim da tarde vai rolar uma festa local aqui em um parque, algumas bandas locais de folk vão tocar, boa comida, boa música. Pena que você está machucada e não vai poder ir.

- Como assim você está falando que eu não vou poder ir? Você vai mesmo me deixar aqui e ir se divertir? Você pode ir sim, mas vai ter que me levar junto – eu disse irritada, eu estava me saindo mais ciumenta do que eu sequer pensei que seria, já que meu único namorado havia sido o Jacob e eu quase não sentia ciúme dele.

- Brincadeira amor – ele tentou me dar um beijo, mas eu espalmei as mãos em seu peito e me arrependi em seguida, pois havia esquecido que minhas mãos também estavam machucadas.

- Aiiiii – eu gemi de dor e balancei minhas mãos.

- Ah Bella me deixa ver, tem que prestar atenção – Edward disse segurando minhas mãos para olhá-las, mas eu as puxei dele.

- Não muda de assunto.

- Amor você está toda machucada não vai poder ir e eu não vou sem você, nós vamos ficar aqui juntinhos e podemos assistir um filme...

- Edward eu não estou inválida, amanhã mesmo eu tenho certeza que já não vou estar mais com dor e poderemos ir a festa. Eu não vou ficar saltitando, pode ficar tranquilo.

- Nós até podemos ir amanhã, mas tem uma condição, pra eu poder me tranqüilizar de vez.

- Que condição? – eu perguntei.

- Ir ao hospital que tem aqui pertinho, o médico dá uma olhada nos seus machucados, faz um raio – x e ai eu fico tranquilo e não vou te tratar mais como se você fosse quebrar a qualquer momento.

- Esse vai ser o único jeito de você me deixar em paz? – eu questionei.

- Sim – ele respondeu balançando a cabeça e sorrindo feito um bobo.

- Eu posso pelo menos terminar de jantar pra irmos desperdiçar algumas horas no hospital?

- Deve – ele respondeu e me roubou um beijo e voltou a comer.

...

- Bem os cortes são mesmo todos superficiais, e pelas radiografias que tiramos realmente não há com que se preocupar em relação as pancadas que você sofreu durante a queda, apenas uma pequena luxação no joelho. Mas uma compressa de água quente e essa pomada que vou receitar você estará boa em pouco tempo – o médico que era um senhor gordinho e que já beirava seus 50 e poucos anos disse.

- Eu disse que não era nada demais – eu fitei Edward.

- Mas é bom garantir – Edward respondeu – Muito obrigado Dr. Johnson – Edward apertou a mão do médico.

- Bem eu não posso fazer o mesmo – eu apontei pras minhas mãos – Mas muito obrigada.

- Continue passando o remédio que já estava passando ai, que rapidinho esses machucados irão cicatrizar. E tome cuidado Isabella, pelo jeito que vocês me descreveram, essa queda podia ter matado você. Você teve sorte – o médico disse e Edward se enrijeceu ao meu lado.

- Vou tomar, e obrigada de novo – eu disse e Edward e eu saímos do consultório. Já era o inicio da madrugada quando deixamos o hospital. Havíamos vindo de taxi, mas eu duvidava que agora tivesse algum táxi disponível pra nos levar de volta, a cidade estava calada e não havia ninguém na rua.

- Vou ter que te carregar, são 5 quarteirões, você não pode ir andando — Edward disse.

- Eu posso ir andando sim, é só você ser um pouquinho paciente. – eu disse. Eu não deixaria ele me carregar por cinco quarteirões.

- Nada disso, isso só vai piorar sua luxação. Não seja teimosa.

- Eu tenho uma idéia, pega meu i-phone aqui no meu bolso, por favor – eu pedi apontando pro bolso do meu short. Claro que eu estava de short, porque com o corte e com os arranhões do joelho era muito incômodo vestir uma calça jeans.

- O que você vai fazer? – ele perguntou enquanto pegava meu i-phone.

- Espere um pouco, só segura de uma maneira que eu consiga mexer – eu pedi e entrei na internet no i-phone e procurei por alguma associação de taxistas da cidade – Pronto, pede pra virem nos buscar aqui – eu disse colocando pra discar e Edward foi quem colocou no ouvido, porque era difícil pra mim até segurar o telefone.

- Estão mandando um – Edward disse encerrando a ligação e colocando o i-phone de volta no meu bolso. — Parece que existe uma única farmácia CVS 24 horas aqui, vou pedir pra passar lá que ai eu compro a bolsa térmica e a pomada que o médico receitou.

- Você é mesmo o melhor namorado do mundo – eu disse lhe dando um beijo, era tão desconfortável beijar Edward e não poder entrelaçar minhas mãos naquele cabelo.

- Você também é a melhor namorada do mundo, e a mais teimosa também – ele disse mordendo meu lábio inferior e voltando a aprofundar o beijo.

- Ei vocês que pediram o táxi? – o senhor perguntou de dentro do táxi, nem o havíamos notado chegar.

- Exatamente – Edward disse e abriu a porta pra mim.

...

- Quer mais alguma coisa amor? – ele perguntou pela quinta vez, já havia feito a compressa, passado a pomada e tomado mais um analgésico e já estava com meu pijama e deitada na cama prontinha pra dormir.

- Você – eu disse e tentei parecer sexy, mas devo ter parecida uma retardada porque Edward gargalhou bem alto.

- Só se for pra ficar deitado quietinho do seu lado, você não está em condições de fazer nada além disso – ele disse tirando sua camisa e ficando apenas com aquele short de pijama de seda que eu achava sexy pra caramba.

- Se vai mesmo fazer greve é melhor colocar a camisa, se não já é tentação demais pra mim – eu disse.

- Você é absurda – ele apagou a luz e se deitou ao meu lado – Você sabe que precisa melhorar, então pelo menos por uns dias agüente.

- Posso pelo menos te beijar?

- Claro, mas nada de amassos fortes demais, porque não quero te machucar – ele disse e eu ri do cuidado exagerado de Edward, qualquer outro homem não estaria nem ligando e só ia querer saber de sexo.

- Amo você – eu disse lhe dando um beijo.

- Também amo você – ele me deu mais um beijo e depois beijou minha testa e outra vez pelo efeito do analgésico não demorou quase nada pra que eu apagasse.

...

Acordei e novamente estava sozinha, olhei no relógio e vi que já era meio dia. Eu precisava me levantar e tomar meu remédio, eu já me sentia um pouco melhor, mas ainda assim eu preferia sentir dor nenhuma, e o remédio ajudava nisso.

Me levantei da cama e vi que meu joelho estava meio inchado, depois que tomasse o remédio e tomasse pelo menos um copo de leite eu iria fazer mais uma compressa.

Mas antes de tudo eu precisava saber onde meu namorado havia se enfiado. Peguei meu i-phone e disquei pra Edward e deixei no viva voz, porque eu não conseguia ficar segurando ele com a ponta dos dedos por muito tempo.

- Oi meu amor – ele atendeu a ligação – Como você está? Se sente melhor?

- Sim, acordei sozinha aqui. Onde você está?

- Na lavanderia, vou levar nosso almoço, mas ainda vou demorar um pouco. Come alguma coisa.

- Vou ver aqui, não precisava ter ido a lavanderia.

- Perdi a aposta, lembra?

- Ok, mas aquela aposta não foi válida, eu só montei porque foi com você.

- Depois discutimos isso, agora vai logo comer alguma coisa. E me espere pra te ajudar no banho e te ajudar com os curativos.

- Ok, beijo.

- Beijo – ele disse e eu encerrei a chamada.

Ao invés de tomar leite eu optei por tomar um copo duplo de iogurte, iria me sustentar mais. Depois disso fui no armário procurar meu analgésico, mas parecia que Edward havia escondido pra me sacanear, eu não conseguia encontrá-lo em lugar nenhum. Abri a última gaveta onde poderia aquele cabeção ter colocado e comecei a levantar as coisas pra ver se o achava, mas o que eu encontrei ali me fez esquecer o remédio. Era um pequeno caderno de capa azul, que eu nunca havia visto aqui antes.

O peguei e sentei no sofá, eu não conseguia ficar em pé muito tempo sem que meu joelho doesse. Abri a primeira página e achei algumas anotações apenas de cidades, algumas que já havíamos passado e as que iríamos passar ainda.

- Porque ele não faz isso no computador? – me perguntei vendo as anotações de Edward enquanto eu folheava o caderno. As anotações acabaram e só se seguiram páginas em branco, passei rápido pelas páginas em branco até que vi que havia algumas anotações no meio do caderno, voltei pra ver o que era.

Angústia, é isso que me sufoca quase todos os dias – eu comecei a ler, aquela era a letra do Edward e eu senti um aperto no peito, ele estaria ali desabafando tudo que estava sentindo? Porque ele simplesmente não se abria pra mim, e eu sabia que também estava evitando qualquer tipo de comunicação com outras pessoas. Mas uma hora ou outra ele ia precisar colocar pra fora tudo que estava sentindo, me senti mal por ler aquilo, mas ao mesmo tempo eu precisava saber o que se passava em sua mente pra que eu tentasse ajudá-lo, eu seria capaz de fazer qualquer coisa por ele. Hesitei por alguns segundos, mas depois decidi continuar lendo.

“Angústia, é isso que me sufoca quase todos os dias. Eu tento esquecer que vou morrer daqui há 5 meses, antes eu tinha 6 meses e agora um mês se foi rapidamente. Antes tudo que eu queria mesmo era morrer logo, não ter que esperar 6 meses, assim seria menos angustiante pra mim, menos angustiante pra minha família, pros meus amigos e pra minha Bella. Eu morria logo e eles sofreriam, mas depois tocariam suas vidas. Eu sei que não me esqueceriam nunca, mas a vida deles ia continuar e eu seria só uma boa lembrança, alguém que foi amado por eles e que os amou da mesma forma. Essa noite vendo Bella dormir eu tinha que admitir pra mim mesmo que eu não queria mais morrer rápido pra acabar logo com o sofrimento, eu quero ficar com ela. Eu sempre amei essa garota desde que me entendo por gente, e eu sempre quis que ela sentisse o mesmo. Mas quando eu descobri que estava doente eu realmente achei que o melhor mesmo era ela nunca sentir o mesmo que eu sentia por ela. Ela sofreria por perder um amigo, mas ela encontraria alguém que eu sempre duvidei ser o babaca do Jacob que a amasse assim como eu a amava e ela o amasse de volta e ela seria feliz. Mas no dia que ela me beijou na praia, eu sabia que não podia corresponder, mas eu esperei a minha vida toda por aquele beijo, então eu simplesmente a beijei. Mas depois veio a culpa de fazer o amor da minha vida, a minha melhor amiga passar por uma dor que seria insuportável pra ela se começássemos a ter algo agora. Os dias passaram e foi cada vez mais difícil eu ficar longe de Bella, até que ela se declarou, e eu parei de hesitar e quis amá-la e ficar com ela por quanto tempo eu ainda tivesse. Mas quando eu a vi saindo rolando por aquela trilha toda, quase se arrebentando eu senti uma dor e uma angústia tão grande que eu não quero que Bella sinta jamais. Ela não vai suportar a dor que vai ser quando eu morrer. E eu não quero morrer, eu quero ficar com ela, quero ir pra faculdade, quero me casar com ela, quero ter toda uma vida com ela. Eu não quero aceitar esse destino. Eu preciso lutar contra essa doença que está a cada dia me enfraquecendo, ainda não fisicamente, mas mentalmente, me esforço pra lutar e esquecer o relógio correndo e já é quase impossível esquecer isso. Eu preciso pensar em algo pra que a mulher que eu mais amo no mundo não sofra.”

- Eu não vou te perder Edward, eu não vou – eu disse pra mim mesmo enquanto eu deixava as lágrimas escorrerem por meu rosto.

...

- Você está mesmo bem Bella? Está tão calada. – Edward me perguntou. Eu mal tive tempo de enxugar minhas lágrimas e guardar o caderno no lugar que estava e ele chegou, e toda hora frases do que ele havia escrito vinham em minha mente. Eu precisava ligar pra Carlisle e ver a que pé estava a situação de Edward na fila de transplante e saber se mais alguém tinha feito o teste querendo ser doador dele. Mas eu não podia fazer isso na frente de Edward, só iria fazê-lo se sentir mal.

- Estou, e essa costela com molho barbecue foi a melhor que eu já comi na minha vida – eu tentei mudar o assunto.

- Vou deixar passar, eu sei que está mudando de assunto – ele disse me encarando – Então vai estar em condições de ir hoje a noite na festa?

- Claro, acho que já posso até dançar – eu disse e Edward fez uma cara feia pra mim – Era brincadeira meu amor – eu segurei seu rosto com a ponta dos meus dedos – Me dá um beijo.

- hum...hum – ele balançou a cabeça em negativa.

- Só um beijinho, por favor – eu disse aproximando mais meu rosto do seu. – Vai me negar um beijinho amor? Eu estou acidentada.

- Claro que não – ele entrelaçou seus dedos nos meus cabelos e colou sua boca na minha, a língua dele brigava com a minha nosso beijo era intenso, eu já estava ficando sem ar, mas não ligava.

- Se não vai me levar pra aquela cama agora não me provoca assim – eu disse segurando a mão de Edward que estava em meu seio.

- Perdão amor – ele se afastou – Você ainda não está em condições.

- Até quando você vai me deixar de repouso? – eu perguntei cruzando os braços contra o peito.

- Até você ficar boa – ele beijou a ponta do meu nariz e se levantou.

- Podemos sair pra dar uma volta pelo menos? – perguntei.

- Claro que não Bella, nós já vamos na festa mais tarde. Aproveite enquanto eu ajeito as coisas aqui pra fazer mais uma compressa no seu joelho. Depois te ajudo no banho e trocamos os curativos – Edward disse.

- Vai tomar banho comigo? Gosto de amassos no chuveiro – eu disse e Edward riu.

- Amor não me tenta – ele disse segurando meu queixo – Nós demoramos tanto tempo a ficar juntos, que não é só você que fica nessa ansiedade toda – ele me deu um selinho e depois me pegou no colo e nem me deu tempo de protestar, ele me colocou sentada na cama – Vou buscar a compressa.

- Chato – eu murmurei.

- Também te amo – ele disse rindo.

...

Edward me ajudou no banho e até tentei agarrá-lo, mas era difícil com as mãos daquele jeito, logo eu estava gemendo de dor, machucar as palmas das mãos era o pior de todos os machucados.

Ele me ajudou a trocar os curativos e me ajudou a colocar uma roupa para irmos a festa e só depois ele foi tomar banho.

...

- Confortável? – Edward perguntou, a primeira banda da festa estava começando a se apresentar, havia um grande gramado em frente ao palco e diversas pessoas estavam como nós, sentadas em uma toalha só apreciando o show.

- Muito – eu virei meu rosto e lhe dei um beijo. Eu estava sentada entre suas pernas e com as costas recostadas em seu peito.

- Quer comer alguma coisa?

- Agora não, quero só apreciar a música mesmo – eu respondi.

...

- Cachorro quente com muito catchup e mostarda – eu disse enquanto Edward se levantava pra ir nos comprar algo, já estava anoitecendo e outra banda iria tocar agora, eu estava adorando o clima da festa. Tinha gente de todas as idades e como diziam por ai, parecia mesmo uma cidade de gente feliz.

- Coca cola?

- Isso – eu respondi – Não demore – eu pedi e lhe mandei um beijo antes dele sair em direção as barraquinhas.

- Tudo bem mocinha? – olhei pro lado e vi uma senhora que aparentava ter um pouco mais de 60 anos me perguntando. Claro que todos percebiam que eu estava machucada já que Edward havia me feito vir com o joelho enfaixado, e eu estava de short e camiseta, então era fácil ver meus machucados, sem contar no curativo que ainda estava na minha testa.

- Sim – eu respondi.

- Está sozinha?

- Não com meu namorado, ele foi comprar um lanche – eu disse. Ela fitou o espaço ao meu lado na toalha e depois me fitou – Hum... quer sentar? – eu perguntei.

- Obrigada – ela disse e delicadamente se sentou ao meu lado. – Aqui em Blowing Rock todo mundo se conhece e não lembro de já ter visto seu rostinho.

- Sou só uma visitante, estou viajando com meu namorado e estamos aqui agora.

- E esses ferimentos todos você adquiriu em algum passeio aqui? – ela perguntou. Que velhinha mais curiosa, mas ela parecia ser tão fofinha e simpática que me senti confortável pra responder.

- Cai e rolei pela trilha do Mount Mitchell. Eu sou meio desastrada. – eu disse e ela riu.

- Eu costumava ser assim também, dois pés esquerdos – ela disse rindo e apesar das rugas em seu rosto ela parecia tão bonita e feliz.

- Sempre digo isso – eu disse acompanhando sua risada – Prazer Isabella Swan – eu estendi a mão e depois me lembrei dos machucados e a recolhi – Desculpa – eu disse mostrando minhas palmas.

- Prazer Lisa Dutch – ela disse e pegou na ponta do meu dedo – Você é da onde Isabela?

- Sou da Flórida, West Palm Beach, e pode ser só Bella mesmo.

- Flórida, meu primeiro amor era da Flórida – ela disse suspirando talvez se lembrando deste primeiro amor.

- Sério? Que legal.

- Ele era um surfista, fui passar férias na Flórida e o conheci e nos apaixonamos quase que de imediato – ela disse com os olhos brilhando.

- Realmente os garotos da Flórida são apaixonantes – eu disse e nós duas rimos. – Então você chegou a encontrar essa sua paixão da Flórida outra vez?

- Claro, eu me casei com ele – ela disse sorrindo e pareceu lembrar de algo. – Foi meu primeiro e único amor.

- Nossa que legal – eu estava dizendo quando o meu único amor chegou.

- Com bastante mostarda e catchup – Edward disse e se sentou ao meu lado.

- Amor essa é Lisa, Lisa esse é Edward – eu os apresentei.

- Muito prazer, se a senhora quiser eu posso buscar um pra senhora também – Edward disse referindo aos nossos cachorros quente.

- Muito obrigado, mas eu comi antes de vir pra cá.

- Ela estava me contando que conheceu o grande amor da vida dela na Flórida – eu disse tentando entrosar Edward, eu estava adorando a conversa daquela senhora, me fez sentir saudades da minha avó. Não a mãe do meu pai, a vovó Swan, não que eu não gostasse dela, mas ela era muito má humorada. Senti saudades da vovó Marie, ela era um doce, quem sabe depois desses meses com Edward eu pudesse ir visita-lá, e passar uma semana sendo paparicada por ela.

- Eu conheci o grande amor da minha vida na Flórida também – Edward beijou minha bochecha – Conheço ela desde que nasceu.

- Vocês formam um lindo casal, e se olham de uma maneira apaixonada assim como meu John e eu nos olhávamos. – ela disse feliz e depois um semblante de tristeza passou rapidamente por seu rosto, se ela falou no passado era porque John já não estava mais aqui – Tivemos 45 anos de um casamento feliz, mas ele me deixou no ano passado.

- Meus... sentimentos – eu consegui dizer, apesar de um nó ter se formado em minha garganta. Ela era feliz porque pelo menos viveu 45 anos com o homem que a amava. Mas e eu? Se um milagre não acontecesse eu tinha mais uns 5 meses e nada mais.

- Quer mais alguma coisa? – Edward perguntou com certeza os pensamentos dele caminhavam na mesma linha que os meus.

- Não – eu disse e beijei sua bochecha.

- Vocês também terão um casamento feliz – Lisa disse e o nó na minha garganta só aumentou. Eu e Edward nem sabíamos o que dizer em relação ao que ela havia dito, só nós sabíamos a nuvem negra que estava sempre pairada em nossas cabeças.

- Vovó finalmente te achei – uma garotinha que parecia ter uns 10 anos chegou até onde estávamos.

- Eu estava aqui conversando com Edward e Bella, eles são da Flórida assim como seu avô era – Lisa disse e se levantou com a ajuda da neta.

- A mamãe está te procurando – a garota disse segurando a mão da avó.

- Bem tenho que ir, foi bom conhecer vocês e tome conta da Bella, Edward. Eu sei como é ter dois pés esquerdos – ela disse rindo e Edward sorriu.

- Eu irei tomar – Edward pegou a mão dela e deu um beijo nas costas de sua mão. Me levantei e meio desajeitada dei um abraço nela.

- Até mais – ela acenou e saiu sendo rebocada pela neta.

- Quero mais um cachorro quente – eu disse me virando de frente pra Edward.

- Vou buscar, mas acho que você ainda não me pagou pelo outro – ele sorriu colocando as mãos na minha cintura.

- Deixe me pagar então – eu coloquei meus braços ao redor do seu pescoço e evitei que as minhas palmas encostassem em algum lugar. – Mas eu vou querer muito mais catchup e mostarda no próximo – eu disse rindo e encostando meus lábios nos de Edward.

- Vai ter – ele mordiscou meus lábios me fazendo entreabrir meus lábios e então nos beijamos esquecendo completamente do público ao redor.

...

- Essa noite foi incrível – eu disse deitando na cama ao lado de Edward.

- Já está melhor pra seguirmos viagem amanhã? — ele perguntou me aconchegando em seu peito.

- Sim, mas prefiro evitar paradas que envolvam trilhas perigosas – eu disse rindo.

- Sem trilhas pra você – ele beijou minha testa. – Acho que amanhã podemos ir viajando com calma apreciando a estrada parando em alguns lugares legais, mas a noite já podemos chegar na Virgínia, nosso próximo estado.

- Concordo completamente, apesar de ter acontecido coisas legais como conhecer aquela senhora fofa hoje a tarde, a Carolina do Norte não foi um lugar que tivemos muita sorte, ou melhor, dizendo que eu não tive muita sorte.

- E acho que amanhã a gente já pode ficar mais juntinhos – ele colocou a mão sobre minha barriga. – Você já vai estar bem melhor.

- Fico feliz em saber que eu não sou a única desesperada dessa relação – eu disse rindo e lhe dando um beijo.

- Durma bem, amo você – Edward disse e beijou minha testa.

- Amo você – eu disse beijando seu peito – Isso nunca vai mudar.

Notas finais
Olá... Demorei, mas cheguei com mais um cap.
Queria muito agradecer a danny pattiz e a Elaine Cristina Cordeiro pelas lindas recomendações. Vocês me motivam muito, grata de verdade.
Também queria agradecer a todas que tem divulgado a fic por aí.
Espero os comentários de vocês no cap, sejam sinceros.
Bjs
E qualquer coisa estou no twitter https://twitter.com/bellama02620909