Everything Can Change All The Time

7 Capítulo 7 - I can’t believe...


Aquela frase rodava em minha mente “Eu vou morrer”. Vamos tentar por partes porque não estou conseguindo entender direito.

“morrer”, verbo, falecer, deixar de viver. “vou”, algo que ainda não aconteceu, irá acontecer. “Eu”, alguém, e esse não era eu e sim... Edward, meu mundo estava despencando ao me dar conta do que ele havia dito, mesmo tendo entendido não estava fazendo sentido.

- Bella, Bella – voltei ao presente com Edward estralando os dedos em frente ao meu rosto.

- Claro que vai seu engraçadinho, todos vão um dia – eu disse brava por ele estar fazendo piada com algo tão sério – Não faz essas brincadeiras comigo Edward.

- Bella todos vão morrer um dia sim, mas eu vou morrer em aproximadamente 6 meses. – ele disse e outra vez senti perder todo o sangue do meu rosto e o ar escapou dos meus pulmões.

- Para com isso Edward – eu disse após recuperar o fôlego – Não brinca assim, ninguém pode prever quando vai morrer. – eu disse e senti uma lágrima escorrer por meu rosto – Eu já chego aqui toda triste e você vem com essas brincadeiras seu idiota – eu dei um tapa no braço dele.

- Bella me escuta – ele segurou minhas mãos – Eu jamais brincaria com algo tão sério – ele disse e as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Eu senti um aperto grande em meu peito e sabia que ele estava dizendo a verdade – Eu estou doente – ele disse com a voz embargada e naquele momento eu senti como se tivessem tirando meu coração do meu peito tamanha foi a dor. Começamos a chorar os dois, eu olhava nos olhos de Edward e chorava ainda mais, me lancei em cima dele e o abracei apertado e fechei meus olhos, torcendo pra que isso fosse um pesadelo e pra que eu acordasse na minha cama.

...

Não sei quanto tempo ficamos abraçados apenas chorando, mas agora eu precisava saber direito o que estava acontecendo.

- Edward – eu o soltei do abraço e afaguei seu rosto, eu me perdia olhando aqueles olhos, que são tão lindos – Me explica direito toda essa história pra que comece a fazer sentido porque minha cabeça até agora não conseguiu assimilar direito.

- Eu estou com leucemia – ele disse e outro aperto forte no meu coração – Estágio super avançado e com algumas características raras – eu estava tentando processar as informações em meu cérebro, eu precisava me acalmar e tentar ajudar meu melhor amigo.

- Mas Edward a medicina já avançou tanto, já existe vários tipo de tratamento pra essa doença – eu me recusava a falar o nome da maldita doença da qual meu amigo estava acometido.

- Bella o médico disse que a única solução pra mim é o transplante de medula, que fazer quimioterapia só me faria sofrer e não adiantaria nada já que a doença está bem avançada – ele disse, então havia esperança.

- Faça o transplante – eu disse.

- Bella você vai ser uma médica, já deve ter uma idéia que as coisas não são fáceis assim. O médico já estava desconfiado do que eu tinha e por isso minha mãe, meu pai e Alice que são meus parentes mais próximos fizeram o teste e hoje eu peguei os resultados – ele apontou para os papéis que antes estavam na mão dele – Nenhum deles é compatível, se eles que são a relação sanguínea mais próxima que eu tenho não são compatíveis, não há esperança – ele disse e uma lágrima escorreu por sua bochecha, sem pensar eu segurei teu rosto entre minhas mãos e beijei o local onde aquela lágrima escorria.

- Nós vamos dar um jeito, eu vou fazer o teste também, seus outros parentes também podem fazer. – eu disse já pensando em todos que eu poderia pedir pra fazer o teste.

- Bella eu não quero ficar me iludindo, não precisa mandar todo mundo e fazer teste por mim. O médico disse que eu possuo algumas características raras e que realmente será difícil encontrar alguém compatível. Não tem jeito eu vou morrer.

- Para com isso Edward – eu comecei a chorar de novo ao ouvir as palavras dele – Sempre tem um jeito, e como esse médico pode saber que você tem só 6 meses?

- Não é 6 meses certo, é uma média. Acontece que a doença se manifestou em mim de uma maneira diferente. Como sempre fui uma pessoa saudável, que tinha uma alimentação boa, e que sempre me cuidei, meu organismo é forte e por isso a doença ainda não se manifestou de maneira tão grave, mas meus anticorpos estão em um número baixíssimo e depois de vários exames...

- Foi por isso que estava todos os dias sumido na semana passada? – perguntei.

- Sim estava fazendo exames, e o médico me disse depois dos resultados desses exames que avaliando todo meu organismo que em aproximadamente 6 meses outras partes do meu organismo podem começar a ser afetadas pela doença e meu organismo será incapaz de se defender, ele falou que é um caso raro que a doença as vezes se manifesta mais rápido e vai matando aos poucos.

- Para de ficar falando de morte – eu pedi voltando a chorar depois de ouvir as palavras de Edward.

- Não dá pra parar Bella, eu não posso fugir disso, eu bem que gostaria, MAS EU NÃO POSSO – ele levantou da cama completamente aturdido.

- Porque não me contou que isso estava acontecendo Edward eu podia estar com você esse tempo todo.

- Eu não queria te envolver nos meus problemas. – ele disse ficando perto da janela e de costas pra mim.

- Não são só seus problemas Edward – eu fui até ele e afaguei seus ombros – Você é meu melhor amigo, mesmo que você não queira eu estou envolvida. Eu sou sempre vou estar com você.

- Bella, por favor me deixa sozinho – ele pediu com a voz embargada e outra vez uma pontada no meu peito. Porque ele queria ficar sozinho? Tudo que eu queria agora era ficar grudada nele, não deixá-lo um minuto sequer.

-Mas Ed....

- Não Bella, por favor, vai pra sua casa. Depois nos falamos, vá pra casa.

- Ed...

- DROGA BELLA – ele gritou e isso me assustou – Eu estou pedindo pra ficar sozinho, por favor, respeite minha vontade. – ele disse e as lágrimas voltaram a escorrer por meu rosto.

- Ok, quando prec... – eu não consegui terminar de falar e sai correndo da casa dele, meu coração estava em pedaços minha cabeça a mil ainda sem acreditar em tudo que estava acontecendo. Entrei na minha casa e vi meu pai, minha mãe e Seth na sala, passei por eles correndo ainda chorando, subi e me tranquei no meu quarto me joguei na minha cama e chorei ainda mais.

Não demorou muito batidas desesperadas quase derrubavam minha porta.

- Bella o que houve filha? – era a voz da minha mãe. – Bella responde, por favor. – eu não conseguia parar de chorar e também não queria falar com ninguém – Isabella abre essa porta filha? O que aconteceu? Você se machucou?

- Eu estou bem mãe, só quero ficar sozinha, por favor – eu consegui dizer, pelo menos fisicamente eu estava bem – Outra hora conversamos.

- Ok filha, qualquer coisa estou aqui. Vou respeitar sua decisão – ela disse e ouvi os passos caminhando pra longe do meu quarto. Continuei chorando e pensando em todas as palavras de Edward, isso ainda tinha que ser um pesadelo, um longo pesadelo, mas um pesadelo, eu não podia perder meu melhor amigo, não podia haver essa possibilidade. Ele é importante e essencial pra mim, não posso viver sem ele, nós nos conhecemos desde o berço, eu me recuso a acreditar que isso está acontecendo com ele.

Ele sempre foi forte, saudável, eu até muitas vezes implicava com ele o chamando de geração saúde, o tipo que pede suco natural muitas vezes quando todo mundo quer um copo de coca gelada. Ele sempre fez tantas atividades físicas, surf, ciclismo, natação, judô, futebol americano e basquete, eu nunca conheci alguém mais saudável que Edward, só ultimamente que ele estava tendo essas gripes fortes e muita febre. Claro sua estúpida, já era culpa da doença, leucemia baixa a imunidade do organismo.

Porque ele? Porque meu Edward? Ele não merecia passar por isso e eu não iria conseguir viver sem ele, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida, ele esteve comigo em todos os momentos, os bons e os ruins, sem nunca hesitar.

...

Continuei apenas chorando e pensando em Edward, nada mais tinha importância agora. Ouvi uma batida na porta e fiquei em silêncio, pois eu não queria falar com ninguém.

- Bella abre a porta, eu te trouxe um copo de leite e biscoitos, estou preocupada, você precisa se alimentar – minha mãe disse – Bella seja o que for que esteja acontecendo você precisa comer, já é meia noite.

- Deixa ai na porta que daqui a pouco eu pego mãe, eu prometo. – eu disse, eu não estava com fome e nem queria conversar com minha mãe agora, e era isso que ela iria me forçar a fazer se eu abrisse a porta com ela ali.

- Promete mesmo?

- Prometo. – eu disse e ouvi que ela se afastou. Levantei da cama e fui ao meu armário e peguei uma caixa que ficava guardada no fundo do armário. Coloquei sobre a cama e comecei a procurar por fotos de Edward e eu quando crianças.

A primeira foto que encontrei foi de nós dois ainda bebês cada um no seu cadeirão com a cara toda suja de sopa, segundo minha mãe esse foi um dia que Esme precisou sair e ela ficou com nós dois, nós tínhamos apenas 3 meses de diferença e Edward era o mais velho.

A próxima foto nós estávamos engatinhando em uma competição de bebês promovida por Carlisle e Charlie. Continuei vendo muitas fotos e me dando mais conta ainda que Edward esteve presente em todos os momentos da minha vida, não foi meu pai que me ensinou a andar de bicicleta sem rodinhas foi o Edward que já tinha aprendido primeiro que me segurou, até que eu fosse capaz de ir sozinha.

Eu não conseguia parar de chorar enquanto via as fotos, meu amigo não podia morrer, tinha que haver uma solução, e todos os planos que nós temos juntos? Nossa ida pra Harvard, nós sonhamos tanto com isso.

Depois de um tempo olhando as fotos resolvi ir pegar o leite e os biscoitos, ou se a minha mãe passasse por ali e aquilo ainda estivesse ali, ela colocaria a porta abaixo. Abri a porta e vi que o corredor estava todo apagado, peguei a bandeja e coloquei sobre a mesa de cabeceira, até tentei tomar um pouco do leite, mas meu estômago deu um nó e se eu insistisse iria acabar vomitando.

Voltei a ver as fotos e não sei em que determinado momento acabei dormindo, ainda com meu rosto encharcado de lágrimas.

...

- Bella abre a porta, a mamãe pediu pra te chamar – Seth estava gritando do lado de fora do meu quarto, me acordando, eu tinha dormido tão mal, acordado várias vezes, sem falar nos pesadelos que as palavras de Edward traziam durante o meu conturbado sono, eu sempre despertava assustada querendo que nada fosse real, mas ai encontrava as fotos ao meu redor e via que realmente tudo estava acontecendo – Bella, Bella você está viva? – Seth continuava me irritando, minha cabeça parecia que ia explodir. – BELLA

- Sai daqui Seth, eu quero ficar sozinha.

- Mas a...

- Só sai Seth, por favor – eu pedi levando minhas mãos as têmporas e as massageando.

- Então fique aí chata – ele murmurou e saiu da porta do meu quarto. Eu queria ir falar com Edward queria ficar perto dele, aliás, eu não queria mais me desgrudar dele, aproveitar cada minuto. Pensar nisso me fez voltar a chorar. Abracei meus joelhos e chorei até que não restassem mais lágrimas.

- Bella filha diz pra mim o que está havendo – acordei com a voz da minha mãe na porta, eu devia ter cochilado de novo – Bella responde ou chamo alguém pra arrombar essa porta.

- Eu estou bem mãe, só quero ficar sozinha – eu disse, pois sabia que era capaz mesmo dela chamar alguém para derrubar minha porta.

- Você precisa comer algo Bella – ela disse.

- Estou sem fome mãe.

- Bella me diz o que aconteceu, por favor.

- Depois mãe, eu prometo que depois eu falo.

- Mas filha você não pode ficar trancada ai.

- Mãe eu quero ficar sozinha, por favor. – eu choraminguei.

- Ok Bella, vou trazer um lanche pra você e você tem que me prometer que vai comer – ela disse e eu olhei a bandeja intocada que ela tinha me trago ontem.

- Ok mãe – eu disse e a ouvi se afastando. Me levantei e peguei o copo de leite sobre a bandeja e fui até o banheiro e o virei na pia. Levantei meu rosto e me fitei no espelho, meu rosto estava todo vermelho e inchado.

Andei de volta até minha cama e coloquei o copo sobre a bandeja, peguei um biscoito e comecei a comer muito lentamente, só pra não sentir fraqueza ou algo do tipo, já que eu não estava com fome nenhuma.

Meu celular tocou e eu fui o procurar, nem sabia onde eu o tinha deixado ontem. O achei debaixo da minha cama e não fazia idéia de como ele havia ido parar ali. Olhei no visor e vi que era Ângela, apesar de ser uma amiga muito querida eu não queria falar com ninguém agora, e eu tinha certeza que iria desabar se começasse a falar com Ângela, por isso resolvi desligar o celular, eu não era capaz de falar com ninguém.

Peguei outro biscoito e lentamente o comi. Alguns minutos depois ouvi mais uma batida na porta.

- Bella seu sanduiche esta na bandeja aqui, mamãe falou pra você comer. – Seth disse.

- Já vou – eu disse, mas só me levantei após eu ter ouvido que ele havia se afastado. Peguei a bandeja e só de ver aquele sanduíche meu estômago embrulhou, eu realmente não estava em condições de comer nada. Peguei o copo de suco de laranja na bandeja e o bebi lentamente.

Eu não podia ficar sem fazer nada, eu precisava de respostas eu não podia me conformar com apenas a opinião de um médico. Peguei meu notebook e digitei o nome da maldita doença e comecei a ler vários artigos científicos sobre ela, os tratamentos, os casos raros, assim como era o de Edward e achei um depoimento de alguém que parecia ser o mesmo caso de Edward. Comecei a ler seu relato, era um garoto francês de apenas 16 anos. No relato havia diagnósticos e assim como Edward a única solução seria o transplante, ele tinha ido a médicos na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Ao chegar na última frase do relato minhas lágrimas começaram a escorrer.

“Pierre Luis morreu oito meses depois de diagnosticada a doença, apesar de ter 3 irmãos nenhum deles era compatível.”

Não, o mesmo não podia acontecer com Edward, alguém seria compatível, ele iria fazer o transplante e ficaria bem e nós continuaríamos a realizar tudo o que sonhamos desde crianças.

Voltei a pesquisar sobre o transplante de medula, vendo quais os procedimentos, e como funcionava a doação, existia uma fila para aqueles que assim como Pierre Luis não tinha nenhum parente compatível disposto a fazer a doação, a única solução era a fila, e muitas pessoas morriam a espera.

Ler tudo só me fazia chorar, tinha que haver algo, a medicina evolui tanto, tem que haver algo a mais. Comecei a buscar por novos tratamentos e tratamentos experimentais. Achei algumas pesquisas, mas todas em teste e ainda não disponibilizadas para a população, havia apenas um medicamento no estado de Ohio que ajudava a amenizar os sintomas quando os anticorpos e as plaquetas já estavam extremamente baixos. Fui pesquisar em sites sobre a medicina da Ásia e na Índia que eram muito avançadas, talvez eles já tinham um tratamento diferenciado.

- Bella – uma batida na porta e era meu pai, só agora me dei conta que desde que eu cheguei de Harvard eu ainda não o tinha visto. Mas o que ele estava fazendo em casa a essa hora?

Olhei o relógio na minha mesa de cabeceira e vi que já eram 8 da noite, eu nem havia me dado conta das horas passando enquanto navegava atrás de respostas.

- Bella – ele voltou a chamar – Abre a porta pra mim filha, você está bem? Estamos preocupados.

- Eu estou bem pai, eu estou indo tomar banho – eu menti, mas eu ainda não queria falar com ninguém, não sem ter uma resposta, Edward precisava de mim, e eu devia fazer o que estava ao meu alcance.

- Ok, você vai descer pra jantar ou você quer que sua mãe traga a comida? – ele perguntou. Charlie era mais compreensivo em entender que eu queria ficar sozinha, pois eu havia puxado isso dele, minha mãe quando estava com problemas tinha a necessidade de falar e desabafar com todos e Seth tinha puxado a ela, já eu tinha puxado a meu pai, quando estava triste ou com problemas pelo menos no inicio tinha a necessidade de ficar sozinho pra pensar, chorar ou o que seja.

- Se ela puder trazer – eu disse e fitei o sanduiche intocado na bandeja, eu não sentia fome, mas eu sabia que tinha que comer, mas eu não conseguia.

Continuei lendo alguns artigos, pouco tempo depois meu pai deixou a bandeja na porta e eu em seguida abri a porta e trouxe a bandeja pro meu quarto, acho que minha mãe devia saber que eu não estava conseguindo comer, porque me mandou uma sopa de legumes, talvez isso descesse.

Me estiquei e meu corpo protestou de dor, eu precisava de um banho, já era quase 11 da noite e eu tinha tomado banho no dia anterior bem mais cedo, talvez a água quente do chuveiro me ajudasse a relaxar pelo menos por uns minutos, pois o peso sobre mim estava quase que insuportável, eu simplesmente sentia que não havia a possibilidade de eu perder Edward, ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida, eu faria qualquer coisa por ele, mas eu não podia ficar sem ele, só de pensar nisso eu sentia um aperto no peito que parecia me sufocar.

...

Enquanto deixava a água quente escorrer minha mente mesmo que involuntariamente me trazia várias lembranças de mim e Edward, como quando ele me defendeu de um menino metido a valentão que vivia perturbando todas as garotas quando estávamos no jardim.

“- Me da o seu biscoito – o chato do Ricky pediu, todo dia ele tentava roubar o nosso lanche, por isso ele era tão gordo assim, comia o dele e o nosso.

- Não – eu disse, já estava cansada de deixar esse menino chato mandar em mim.

- Me dá agora sua baixinha – ele puxou meu rabo de cavalo.

- Não dou não, esse é meu – eu disse brava, minhas bochechas estavam ficando vermelhas de raiva.

- Cala a boca e me da o biscoito se não você vai ver comigo – ele me ameaçou e eu mesmo sendo mais baixa que ele o encarei frente a frente.

- Eu não vou fazer isso – eu disse olhando pra cima o encarando.

- Você pediu isso – ele me empurrou e como era muito mais forte eu cai no chão. Quando eu me levantei ele veio pra me empurrar de novo, mas alguém entrou na minha frente e deu um chute nas partes baixas dele e Ricky caiu de joelhos gemendo de dor.

- Bella você está bem? – Edward meu herói me perguntou, aquela foi a primeira vez que eu senti uma paixonite por Edward, mas logo passou porque nós éramos só amigos mesmo.”

Sai do chuveiro e vesti uma camisa velha que estava ali e um short que estava bem velho também, olhei pra sopa e vi que eu precisava encará-la.

...

Depois de tomar umas cinco colheradas da sopa eu voltei pra minhas pesquisas, ainda havia muitos artigos pra ler.

...

- Bella, Bella – eu devia estar sonhando, pois estava ouvindo a voz de Edward – Bella sou eu, abre pra mim. – Abri meus olhos e vi no relógio ao lado da cama que já eram 10 da manhã, eu nem havia me dado conta a hora em que tinha ido dormir. – Bella, por favor – agora eu tinha certeza que era Edward pulei da cama e abri a porta. Ele me fitou dos pés a cabeça e eu não deixei ele falar nada, eu apenas lhe abracei.

- Que bom que está aqui – eu disse sem soltá-lo e o puxando pra sentar em minha cama.

- Sua mãe foi na minha casa pedir pra vir aqui falar com você, falou que desde terça você está aqui trancada nesse quarto, hoje já é quinta Bella.

- Nem estava ligada em datas – eu respirei fundo e vi que eu realmente tinha perdido um pouco a noção do tempo.

- Bella você não pode ficar presa nesse quarto chorando por causa daquele imbecil do Jacob – O QUE? Eu estava gritando em meus pensamentos. Ele estava pensando mesmo que eu estava assim por causa do idiota do Jacob? Eu nem sequer estava mais me lembrando dele – O que ele fez foi realmente péssimo, ele não merece você, você não pode...

- Cala a boca Edward, para de falar estupidez – eu o cortei e ele me olhou atônito – Você acha mesmo que eu chorei dois dias diretos e estou aqui desde terça por causa do Jacob? Se você acha isso você é um babaca. Se eu estou assim é por você. Depois de tudo aquilo que você me disse como você esperava que eu ficasse? Você é o meu melhor amigo, eu te amo tanto, e não posso viver sem você – eu disse e as lágrimas estavam escorrendo de novo por meu rosto – Você é uma das pessoas mais importantes da minha vida. No segundo seguinte que você me contou que está doente, todo o resto foi esquecido, eu nem estava me lembrando do Jacob, só importa você.

- Bella – ele respirou fundo – Eu não quero que sofra por mim.

- Isso é inevitável Edward – eu disse fungando, ele levou a mão ao meu rosto e secou minhas lágrimas. – Me abraça – eu pedi e ele apertou forte seus braços ao meu redor, eu continuava chorando e percebi que ele também.

- Quero que saiba de algo – ele disse ainda me abraçando – Haja o que houver você sempre foi minha melhor amiga e uma das pessoas mais importantes da minha vida.

- Não fala no passado Edward, por favor, você ainda está aqui – eu o soltei e segurei suas mãos – Nós vamos lutar juntos, eu andei pesquisando...

- Obrigada – ele me cortou e me deu um beijo na testa – Agora, por favor, desce e toma um café, você não pode ficar sem comer, eu não vou me perdoar se algo acontecer a você – ele estendeu a mão pra mim.

- Ok, só me deixa escovar os dentes – eu disse segurando sua mão pra me levantar, depois a soltei e fui pro banheiro escovar os dentes e lavar o rosto, passei uma escova no cabelo, mas me aparência estava detestável.

Desci com Edward para cozinha e estranhei da casa estar vazia.

- Você por acaso sabe da minha família? – perguntei.

- Bem depois que eu cheguei aqui sua mãe disse que ia levar Seth ao pediatra, porque a consulta estava marcada há alguns dias, mas disse que eu pagaria caro se eu não te convencesse a sair do quarto – ele deu o sorriso torto, o meu sorriso torto, eu não podia parar de ver esse sorriso.

- Hum.... O que temos para o café da manhã? – perguntei abrindo a geladeira e tentando tirar da minha cabeça os pensamentos nebulosos.

- Sua mãe disse que tinha guardado panqueca pra você – ele disse, e agora com ele aqui eu até senti fome, tê-lo perto de mim, fazia parecer que nada tinha mudado que ainda éramos a Bella e o Edward cheio de sonhos e apenas com problemas bobos.

Peguei um prato na geladeira com algumas panquecas e as coloquei pra esquentar no microondas peguei a calda de chocolate e dois copos de suco na geladeira.

- Eu já tomei café Bells.

- Se você não me acompanhar eu me recuso a comer – eu disse e ele concordou apenas balançando a cabeça. Comemos e eu até tentava aliviar o ambiente falando coisas sem importância como filmes e músicas, mas em diversos momentos a nuvem negra estava ali.

- Edward seu pai está em casa hoje?

- Sim, hoje é a folga dele, você sabe disso.

- Eu quero falar com ele – eu disse e sua postura se tornou rígida.

- Falar o que Bella?

- Edward eu quero entender direito o que está acontecendo com você, o que você tem, pode não ser a especialidade do seu pai, mas ele como médico vai saber me falar de uma forma melhor.

- Bella é melhor você ficar só com as informações que eu te dei, você saber mais só vai te fazer ficar pior. – ele disse.

- Edward eu passei ontem o dia todo pesquisando tudo a respeito, eu quero saber, pois eu preciso arrumar um meio de te ajudar.

- Bella não há n...

- Edward só me deixa falar com seu pai, por favor – eu peguei sua mão sobre a mesa.

- Ah o que eu não faço por você garota – ele pegou minha mão e a beijou.

- Então vamos logo – eu disse me levantando.

- Vai assim? – ele perguntou e só então me olhei e vi que eu estava sem condições de sair de casa daquele jeito.

- Estou feia? – questionei só pra encher o saco dele mesmo.

- Você nunca está feia Bella, isso é impossível pra você – ele me fitou com aqueles olhos verdes profundos, que me faziam ficar até meio desnorteada – Agora vai logo se trocar – ele disse e eu subi correndo as escadas.

...

- Bom dia querida – Carlisle disse quando chegamos ao seu escritório, ele estava lendo o jornal.

- Bom dia, desculpe incomodar, mas eu queria conversar com você – eu disse.

- Bella você nunca incomoda e sabe disso, sobre o que quer falar?

- Edward você poderia esperar lá fora – eu pedi.

- Bella é de mim que vão falar – ele disse e fui até perto dele.

- É porque não quero ouvir sobre esse assunto olhando pra você, porque dói em mim – eu disse baixinho pra ele, seria difícil pra eu ouvir Carlisle me dando todos os detalhes da doença de Edward e eu ficar ali vendo seu rosto sem poder ajudar.

- Ok, estou te esperando lá na sala – ele deu um beijo na minha bochecha e saiu fechando a porta do escritório e eu me virei para Carlisle e ele indicou uma cadeira em frente a sua mesa para que eu me sentasse e naquele momento todo o peso voltou e eu estava chorando de novo.

- Bella se você está sofrendo assim, imagine como eu estou – eu levantei meu rosto e vi Carlisle chorando – Meu filho é tão jovem, ele tem uma vida inteira pela frente – fiquei sem saber o que fazer nesse momento, se o meu sofrimento era enorme imagina o quanto Carlisle e Esme estavam sofrendo, minha mãe sempre disse que não há maior amor do que dos pais pelos filhos, que este é totalmente incondicional.

Não havia nenhuma palavra que eu pudesse dizer pra ele naquele momento que fosse o reconfortar, na verdade eu viera aqui buscando essas palavras, mas em minha total alienação, eu esqueci que além de um médico, aqui estava um pai que amava demais seu filho e que não queria o perder.

Estiquei minha mão sobre a mesa e segurei a de Carlisle, ele pareceu chorar ainda mais, talvez esses dias todos ele estava segurando para passar força pra Esme que devia estar desesperada e acima de tudo para Edward.

...

Depois de alguns minutos Carlisle parecia ter desabafado o suficiente através do choro e agora estava em sua postura médica.

- Me diga Bella o que quer saber? – ele perguntou.

- Tudo – eu respondi.

- Edward já te explicou algo?

- Ele disse que está com leucemia, mas que o caso dele é raro, disse que precisa de um transplante e que nem você, Esme e Alice são compatíveis. Eu tive fazendo uma pesquisa e vi que existe uma fila, mas que pode demorar muito. Não entendi direito a parte dos seis meses, ele parece tão bem, como o médico pode estipular esses prazos?

- Não é um prazo correto Bella, foi feito uma série de exames e com isso ele fez uma avaliação de como o organismo está sendo afetado e em que velocidade ele vai continuar afetando até que debilite por completo e o organismo simplesmente pare de funcionar. Os leucócitos de Edward estão extremamente baixos e as plaquetas também, toda a defesa do organismo dele está debilitada. O que podemos fazer é que ele tenha uma dieta saudável que aumente pelo menos um pouco esses elementos, e ele vai começar a tomar um remédio amanhã, na verdade um coquetel de vitaminas, para que evite doenças simples como resfriado, porque o organismo debilitado dele pode não ser capaz de combater um resfriado muito forte. Depois de todos os exames o médico dele viu que em aproximadamente 6 meses a doença vai ter progredido drasticamente e então se ele não fazer o transplante até lá ele pode... – as palavras travaram na boca de Carlisle e eu também não queria ouvi-las.

- Meus pais e eu podemos fazer o teste para saber se somos compatíveis? – perguntei.

- Claro – ele respondeu – Vou te passar os dados que você vai precisar e onde tem que ir pra fazerem o teste.

- Amanhã mesmo nós vamos lá – eu me levantei – Desculpa o incômodo e obrigado por tudo.

- Eu é que agradeço você por gostar tanto assim do Edward, é muito bom ver o quanto nossos filhos são queridos.

- Edward é muito especial pra mim.

- E você é muito especial pra ele, tenha certeza disso – ele disse com os olhos firmes em mim. Me despedi dele e encontrei com Edward na sala.

- Quer passar o dia comigo vendo TV? – Edward perguntou quando cheguei na sala, ele estava deitado sobre o sofá.

- Pelo menos é um programa interessante? – perguntei me sentando no sofá e ele arredou me dando espaço no sofá.

- Maratona de two and a Half man, vai passar o dia todo – ele disse.

- Então vale a pena ficar o dia todo vendo TV – eu disse, enviei uma mensagem pra minha mãe dizendo que só iria pra casa no fim da tarde que estava na casa de Edward.

...

Edward e eu passamos o dia deitados no sofá, na hora do almoço a Senhora Gonzáles que só ia 3 vezes por semana na casa do Edward nos chamou, ela era mexicana, e sempre queria nos fazer comer pimenta, mas nós sempre nos recusávamos, porque pimenta mexicana me faria beber 5 litros de água.

Depois do almoço voltamos pra sala, eu sentei no sofá e Edward deitou colocando a cabeça no meu colo e eu amei passar a tarde rindo das piadas do Charlie no seriado e perdendo meus dedos nos cabelos revoltos de Edward.

- Tenho que ir pra casa agora – eu disse a ele.

- Mas está tão bom aqui – ele disse ainda com a cabeça em meu colo.

- Folgado.

- Só um pouquinho – ele riu e se levantou do meu colo. – Obrigada pela tarde Bella.

- Eu sei que minha presença é adorável mesmo – eu disse rindo.

- Com toda a certeza – ele disse enquanto me levava até a porta.

- Te vejo amanhã – eu fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha. Sai da casa de Edward e corri pra minha casa, vi que o carro do meu pai já estava na garagem, então ele já havia chegado.

Entrei em casa e Seth estava na sala assistindo TV como sempre, as aulas precisam começar logo ou aquele menino vai começar a fazer parte do sofá, igual aqueles piratas amaldiçoados no filme Piratas do Caribe.

- Ei pirralho onde estão a mamãe e o papai? – perguntei.

- Lá em cima – ele disse e eu subi correndo as escadas – Bella... – Seth começou a dizer, mas eu tinha outras prioridades agora.

Bati na porta do quarto dos meus pais e minha mãe murmurou um entre.

Entrei no quarto e meus pais estavam sentados na cama, meu pai estava a abraçando e olhos de minha mãe estavam um pouco vermelhos.

- Vocês já sabem? – perguntei.

- Estive com Esme agora a tarde e ela me contou tudo, porque não me disse filha? Eu fiquei esses dois dias louca tentando entender o que estava acontecendo com você – minha mãe disse e eu sentei na beirada da cama deles.

- Mãe eu não queria falar com ninguém precisava tentar assimilar a idéia, eu não consigo acreditar até agora. É o Edward mãe – eu disse já senti uma lágrima descendo, esses últimos três dias eu tinha chorado o suficiente pro ano inteiro.

- Vem cá filha – meu pai abriu o outro braço e eu fui pra perto dele, ele estava abraçado a mim de um lado e a minha mãe do outro.

- Porque justo com ele? – eu continuei chorando.

- Bella tem questões que não está no nosso poder responder, mas você precisa ser forte filha, Edward vai precisar de você – meu pai disse.

- Eu sei e eu queria falar sobre isso com vocês – eu disse passando a mão no rosto e secando as lágrimas. – Esme te falou sobre o transplante mãe?

- Sim, ela ainda está sofrendo mais, por nem ela, nem Carlisle e nem mesmo Alice serem compatíveis. Eu queria poder dar mais força pra ela, mas tudo que fiz foi chorar junto com ela, eu conheço esse garoto desde que ele nasceu, é como se fosse um filho pra mim também – minha mãe disse.

- Realmente toda essa situação é muito triste, Edward é um rapaz tão jovem ainda – meu pai disse.

- Pai não fala assim, que é como se não tivesse esperança – eu pedi – Eu queria que nós fizéssemos o teste pra ver se somos compatíveis, sei que as chances não são muitas, mas eu quero fazer tudo que estiver ao meu alcance.

- Nós podemos fazer? – meu pai perguntou.

- Sim, conversei com Carlisle e ele me deu todas as informações, podemos ir amanhã mesmo fazer o teste?

- Claro filha, amanhã de manhã mesmo nós vamos fazer o teste – minha mãe disse.

- Obrigada – eu abracei meus pais – Edward é meu melhor amigo, eu não quero perdê-lo.

- Nós sabemos disso filha – minha mãe afagou meu rosto. Fiquei ali com meus pais um bom tempo, pois naquele momento o que eu mais queria era o colo do meu pai e da minha mãe pra me confortar.

...

No outro dia cedo eu, meu pai e minha mãe fomos até o hospital e fizemos os exames, o resultado só sairia no outro dia a tarde, eu sai de lá roendo as unhas de ansiedade.

...

Passei a parte da tarde em um campeonato de vídeo game com Seth, Edward e Alice. Jogamos em dupla, eu e Edward contra Alice e Seth, e Edward e eu acabamos derrotados. O que fez que a noite eu e Edward levássemos os dois pra comer pizza.

Nos momentos que estava com Edward eu tentava aproveitar cada minuto e não lembrar da situação que estávamos vivendo.

...

- Aqui está – meu pai chegou em casa no fim da tarde no outro dia com o resultado dos exames – Querem que eu abra?

- Não, me dá que eu abro – eu tirei os envelopes das mãos deles, eu comecei a abrir o envelope e então travei, eu não tinha coragem. – Pode abrir pai – eu entreguei de volta.

- Ok – ele abriu o primeiro envelope – Renee esse é o seu – ele disse e começou a ler só pra si mesmo.

- E então? – eu e minha mãe perguntamos juntas.

- Incompatível – meu pai disse com pesar em sua voz.

- Merda – eu murmurei baixo e meu pai me fitou, mas não disse nada.

- Também sou incompatível – ele disse após abrir outro envelope, eu sabia que as chances eram mínimas, mas ainda assim me doía ver que talvez a única maneira que eu tinha de ajudar Edward estava se esvaindo.

- Só falta o meu – eu respirei profundamente. Meu pai abriu o envelope e leu silenciosamente, o encarei ansiosa, mas pelo seu olhar frustrado e triste eu já sabia a resposta.

- Você também é incompatível Bells – ele disse e caminhou para perto de mim, ele passou a mão no meu rosto e só então me dei conta que as lágrimas estavam escorrendo – Calma Bella, ele está na fila, ainda pode aparecer alguém compatível, não fique assim.

- Eu...eu preciso vê-lo – foi a única coisa que eu disse enquanto saia de casa.

...

Quando eu ia bater na porta da casa de Edward ele saiu.

- Ei – dissemos os dois juntos.

- Estava vindo conversar com você – eu disse.

- Estou indo caminhar na praia, vem comigo? – ele estendeu a mão pra mim.

- Claro – eu segurei em sua mão e ele entrelaçou nossos dedos, Edward já estava sem chinelos, eu apenas tirei os meus e os deixei em frente a porta da casa dele.

Atravessamos a rua e começamos a caminhar na areia da praia, caminhamos por um tempo sem falar nada, cada um perdido em seus pensamentos, até que eu decidi falar, o que eu tinha ido na casa dele dizer.

- Meu pai pegou os exames hoje e...

- E vocês não são compatíveis – Edward completou — Imaginei já que você não tinha me dito nada agora. Mas não se martirize por isso Bella, você fez o que pôde.

- Eu queria tanto ser compatível, eu faria tudo por você e você sabe disso.

- Claro que sei – ele me deu seu sorriso torto – Eu também faria tudo por você.

- E então como vai ser agora? – perguntei enquanto continuávamos caminhando.

- Meu médico disse que é pra eu ter uma vida normal, só aquilo de ter uma alimentação saudável e tentar o máximo não adoecer, gripe e coisas do tipo. Enquanto isso aguardo na fila do transplante e vou tomando o coquetel de vitaminas, ele disse que eu devo fazer tudo que eu já estava planejando.

- Ah que bom, então ainda podemos planejar nossa ida pra Harvard, pois eu não queria ir sem você, vamos nos divertir muito lá.

- Bella eu não vou pra Harvard – ele disse e eu parei de caminhar e ele se virou ficando de frente pra mim.

- Mas você não disse que ia fazer tudo que já estava planejado?

- Eu não, o médico disse, eu tenho outros planos em mente agora – ele disse sorrindo.

Notas finais
Bem não matem essa autora pela demora...
Bem agradeço aos vários comentários que tive no capítulo passado. Valeu de verdade...
E entrem no twitter que sempre deixo as informações de postagem da fic lá... https://twitter.com/bellama02620909
Bjs
Recomendem a fic....