Everything Can Change All The Time
6 Capítulo 6 - Pain
- Bella, Bella, acorda Bella – alguém estava me sacudindo – Bella acorda – reconheci a voz da minha mãe – Bella acorda filha – sua voz estava soando preocupada, mas eu estava dormindo um soninho tão gostoso que era quase impossível pra mim despertar. – Filha, por favor acorde – ela estava começando a soar desesperada,abri meus olhos lentamente e vi sua expressão preocupada se suavizar enquanto eu me espreguiçava.
- Uau, meu corpo está estranho – eu disse ainda me espreguiçando, parecia que ele estava todo dormente. Claro só minha mente tinha acordado, meu corpo continuava dormindo, ri com a piada mental.
- Claro Isabella você dormiu por mais de 36 horas – minha mãe ainda estava com a voz tensa.
- 36 horas? – questionei e ela balançou a cabeça em afirmativa – Uau! Quebrei meu próprio recorde – sorri satisfeita.
- Eu estava morrendo de preocupação e você feliz por ter quebrado recorde – minha mãe ainda estava nervosa – Eu já tinha até pensado em levar você para um hospital, mas seu pai pediu que eu esperasse que você estava cansada e que sempre dormiu muito, mas eu não consegui ficar em paz e toda hora vinha aqui ver se você estava respirando. – ela dizia rapidamente.
- Calma mãe, eu estou bem – eu a abracei para tranqüilizá-la e beijei sua bochecha. – Eu só realmente dormi muito pouco nesses dias que estive fora de casa e estava muito cansada.
- Eu até pensei que você estava com a tal da síndrome da Bela Adormecida, eu vi isso outro dia em um programa que fala sobre doenças raras, estava entrando em pânico filha, se você não tivesse acordado agora eu ia chamar uma ambulância para te levar pro hospital.
- Você é tão exagerada dona Renée – eu ri da sua histeria.
- Exagerada não, preocupada – ela disse respirando fundo e eu a abracei mais uma vez, minha mãe era meio maluca, mas eu não conseguia imaginar minha vida sem ela. Ia ser tão difícil morar longe dela, realmente Isabella você está crescendo e está na hora da caminhar sozinha.
- Mãe que horas são e hoje é terça certo?
- São duas da tarde e sim hoje é terça – ela respondeu.
- Acho que preciso tomar um banho, estou meio vencida – eu dei um meio riso.
- Eu tenho certeza – ela disse rindo – Tome um banho e depois desça porque deixei o seu almoço separado.
- Nossa agora que você falou percebi que estou morrendo de fome – meu estômago roncou em protesto.
- Ontem até tentei te chamar pra comer, mas você simplesmente não reagia.
- Perdi alguma coisa?
- Nada de especial, seu namorado ligou várias vezes no telefone aqui em casa, disse que primeiro seu celular chamava e você não atendia, e depois já estava caindo na caixa postal, deve ter acabado a bateria.
- Jacob?
- Você tem outro namorado Bella? – ela perguntou rindo.
- Claro que não mãe – eu disse me levantando da cama, tive que me segurar na cabeceira, pois fiquei muito tonta. – Tudo girando – eu disse rindo quando consegui voltar ao normal.
- Não quer comer primeiro? – ela perguntou.
- Não, prefiro um banho. Não vou demorar, eu prometo.
- Ok, estou te esperando lá embaixo e quero saber tudo que aconteceu no fim de semana, ainda mais porque dormiu tão pouco. – minha mãe piscou pra mim e saiu do quarto, as vezes ela parecia uma adolescente.
Peguei meu celular na minha mochila e o conectei ao carregador, quando o liguei vi que havia várias mensagens do Jacob e também ligações, primeiro eu ia tomar banho, depois eu resolvia isso.
...
Sai do chuveiro e vesti um short leve e uma camiseta, penteei meus cabelos e os deixei solto para que secassem, meu estômago protestou de novo e já ia sair pela porta quando meu celular tocou.
Olhei no visor e vi que era Jacob.
- Alô – atendi.
- Oi Bella, estou tentando falar com você desde ontem, está tudo bem?
- Sim, acontece que eu cheguei de viagem e estava dormindo até pouco tempo atrás, eu ia te ligar porque minha mãe disse que você ligou aqui várias vezes.
- Estou precisando muito falar com você – sua voz soou meio aflita e isso despertou minha desconfiança.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não...quer dizer sim – ele estava confuso – Precisamos falar pessoalmente pode ser hoje daqui a pouco?
- Bem eu preciso comer porque desde que acordei ainda não comi nada, podemos nos encontrar as 5, você vem aqui?
- Pode ser a 5 sim, mas preferia que não fosse na sua casa – a voz de Jacob estava ansiosa, porque ele não queria vir aqui? Isso estava muito estranho – Que tal naquela lanchonete que costumávamos ir próximo a escola?
- Por mim tudo bem, eu te vejo lá.
- Ok, até mais.
- Até, bei... – ele desligou o telefone sem que eu terminasse a sentença e nessa hora um trilhão de idéias começaram a passar na minha cabeça e nenhuma delas era positiva, Jacob estava me escondendo algo e não era algo bom. A voz do meu estômago abafou a voz da minha mente, eu realmente precisava ir me alimentar agora ou morreria por inanição.
...
- Eu pensei que você tinha morrido sem me entregar meu presente – Seth disse quando cheguei a sala.
- Quem te disse que eu trouxe um presente pra você pirralho?
- Eu sei que trouxe Bells, você jamais esqueceria do seu irmãozinho – ele disse fazendo uma carinha que eu tinha vontade de apertá-lo, ele era tão fofo quando era bebê, porque teve que crescer?
- Pra ganhar seu presente você vai ter que me dar um abraço e um beijo – eu apontei pra minha bochecha e ele fez uma careta, estava contando os dias pra essa fase de Seth contra as demonstrações de afeto passasse logo. – Eu até fiquei com um pouquinho de saudades de você e sei que isso é recíproco.
- O que é recíproco?
- Que você também ficou com saudades de mim, nossa mãe é professora pirralho está precisando estudar mais, agora para de me enrolar e vem me dar um abraço e um beijo – eu disse e ele veio e me abraçou e deu um beijo rápido na minha bochecha.
- E o meu presente?
- Eu vou comer agora, depois pego pra você, não seja ansioso.
- Não vai me enrolar – ele cruzou os braços e fez um bico.
- Claro que não pirralho, agora volta a assistir seu Bob esponja – eu baguncei seus cabelos.
- Não estou assistindo Bob esponja, é Phineas e Pherb. – ele respondeu.
- Que seja – eu disse e fui pra cozinha. Encontrei minha mãe sentada com o notebook sobre a mesa.
- Trabalhando? – perguntei.
- Começando a montar minhas aulas pro próximo semestre, seu prato está no microondas.
- Obrigada – eu disse e fui até o microondas e acionei dois minutos para que a comida aquecesse.
- E então pode começar me dizendo porque dormiu tão pouco? – ela sorriu maliciosa – Apesar de ser uma mãe liberal Bella, eu espero que você não tenha perdido a sua virgindade com um veterano qualquer – ela disse e sabia que provavelmente minhas bochechas estavam atingindo um vermelho vivo.
- Claro que não mãe, eu continuo virgem, não foi esse o motivo de eu ter dormido pouco, foi culpa de todos aqueles veteranos malucos.
- Vocês não foram bem recebidos? – ela perguntou quando o microondas apitou, tirei meu prato e me sentei na cadeira de frente a ela e comecei a comer, eu realmente estava faminta.
- Na primeira noite um alarme de incêndio soou de madrugada no prédio, pensamos que prédio estava pegando fogo e saímos correndo quando chegamos ao ginásio descobrimos que era tudo uma pegadinha dos veteranos malditos.
- Que criativo – minha mãe disse empolgada, se fosse outra mãe teria ficada preocupadíssima. Contei tudo pra ela, omitindo alguns detalhes claro, por exemplo o selinho que dei no Edward enquanto dormíamos, aliás omiti toda a parte que dormimos juntos, era melhor assim.
...
- Satisfeitos? – eu perguntei após entregar o presente de Seth e Reneé.
- Eu adorei – Seth disse satisfeito com uma luva e uma bola que tinham um emblema do Red Sox, o time de baseball de Boston. – Vou marcar de jogar com os garotos.
- E você dona Reneé gostou do presente? Eu sei que é meio chato dar algo sobre o trabalho pra alguém...
- Chato nada filha, já ouvi falar maravilhas desse livro e a pedagoga autora traz uma nova abordagem pra área do ensino totalmente fantástica. Obrigada – ela me abraçou.
- Bem agora tenho que ir me arrumar porque vou me encontrar com Jacob, me empresta o carro?
- Ele é seu querida, o meu novo chega amanhã. Faça bom uso – ela disse.
- Obrigada mãe.
- Agradeça ao seu pai, porque ele que resolveu me presentear com um carro novo.
- Vou agradecer depois e lhe entregar o presente que trouxe pra ele também.
- Seja o que for ele vai adorar, agora vou deixar você se arrumar a chave e o documento estão na sala. – ela disse.
- Valeu mãe – eu agradeci e ela saiu do quarto.
Como estava um calor quase que insuportável optei bom um short jeans uma camisa mais larguinha do The Police que meu pai havia me dado porque ele era muito fã da banda e calcei meu inseparável all star. Peguei uma bolsa onde coloquei minha carteira e meu telefone, passei um gloss e estava apresentável para sair na rua.
...
Cheguei na lanchonete e antes mesmo de sair do carro já vi a moto de Jacob estacionada e ele andando de um lado para o outro impaciente, eu só estava 20 minutos atrasada, não tinha motivos para tamanho nervosismo.
Sai do carro e apertei o alarme, atravessei a rua e Jacob sorriu ao me ver e depois ficou tenso de novo. O que será que está acontecendo com ele?
- Que bom que chegou Bella – ele me abraçou e nós trocamos um beijo rápido.
- Como você está? – eu perguntei enquanto segurava sua mão e íamos para uma mesa mais no canto da lanchonete onde podíamos conversar mais tranqüilos, se bem que agora nas férias a lanchonete ficava bem vazia, pois o seu grande público eram os alunos. – Como foi na Califórnia?
- Ótimo e como foi em Boston?
- Muito bom tirando algumas coisas que os veteranos aprontaram.
- Também tivemos uma recepção de calouros feito pelo veteranos, mas foi bem legal, um festão – ele disse quando a garçonete veio nos atender, fizemos nossos pedidos e depois voltamos a conversar.
- Então o que os veteranos aprontaram pra vocês? – ele perguntou afagando minha mão sobre a mesa.
- Nos acordaram de madrugada nos fazendo acreditar que o prédio estava pegando fogo, nos jogaram água gelada, roubaram nossas coisas e só devolveram depois no nos extorquir e depois ainda atiraram farinha, ovo e várias outras coisas em nós tudo isso em uma única madrugada.
- Uau! Acho que foi bem mais animado do que na Califórnia – Jake disse rindo – Mas ninguém se machucou não, certo?! Você está bem?
- Sim, só fiquei com muita raiva.
- Posso imaginar – ele riu – Nós só tivemos a festa mesmo.
- Nós também tivemos uma festa no sábado, e foi bem interessante – eu preferi omitir a parte que tinha passado quase a noite toda grudada em Edward dançando com ele e a parte do babaca do Axel tentando me agarrar, porque o Jake era meio esquentadinho.
- Você está mais linda do que nunca hoje – ele afagou meu rosto e se inclinou e me beijou, agora sim estávamos trocando um beijo de verdade. Só paramos de nos beijar quando a garçonete trouxe nossos pedidos.
- Hum, isso foi muito bom – ele deu um sorriso largo e eu só assenti concordando. Comemos e continuamos conversando sobre nossos finais de semana até que uma dúvida passou na minha cabeça.
- Jacob você parecia tão ansioso pra falar comigo no telefone e não parecia ser sobre tudo que falamos até agora, o que você queria me dizer? – questionei.
- Bem eu nem sei se eu quero te contar mais o que eu ia contar – ele pareceu nervoso e começou a coçar a cabeça e a desviar seu olhar do meu, isso não era bom.
- Jake seja o que for agora eu quero saber – eu disse e ele pegou minhas mãos sobre a mesa.
- Acontece que eu não sei mais se quero falar, estamos tão bem – ele beijou minhas mãos, meu sexto sentido começava a trabalhar velozmente e eu já começava a pensar em mil coisas, com certeza Jacob estava me escondendo algo que eu não iria gostar de saber, mas agora eu precisava saber.
- Eu quero saber Jacob, você pareceu bem aflito no telefone, ai chegamos aqui e você simplesmente desiste? Eu quero saber, porque você não ia estar daquele jeito no telefone se fosse algo bobo, você nem quis conversar na minha casa – eu disse.
- Bella – ele respirou fundo e abaixou a cabeça na mesa. Ele estava começando a me deixar aflita já, o que ele queria me dizer?
- Fala logo Jacob, estou ficando impaciente – eu disse e ele levantou a cabeça e se inclinou me dando mais um beijo, eu correspondi no inicio, mas depois me afastei, porque não eram beijos que iriam me fazer esquecer de que eu queria saber o que estava havendo. – Eu ainda quero saber Jacob.
- Ok, eu vou falar, mas eu quero que não fique nervosa – ele segurou firme minhas mãos sobre a mesa e afagou com o polegar.
- Jacob o que houve? – eu estava tensa.
- Bem na sexta que eu cheguei na universidade, eu conheci umas pessoas, e nós saímos juntos aquele dia. Todos eram pessoas que irão ser da minha turma. – ele disse suando e eu ficando cada vez mais sem entender nada.
- Continua – eu disse firme.
- No sábado passei o dia todo com eles nas atividades da universidade e a noite fomos juntos para a festa. E...e...
- Sem gaguejar Jacob – eu disse já totalmente impaciente.
- Tinha uma menina nesse grupo que estava conosco e a gente... a gen...gen – droga eu já imaginava o que ele ia falar e ele continuava gaguejando.
- Diz logo Jacob – eu agora já não conseguia mais conter meu nervosismo.
- Eu fiquei com essa garota na festa – ele disse de maneira quase inaudível. – Mas Bella... – ele começou a dizer e eu puxei minhas mãos das suas.
- Não tem mas Jacob, você me botou um par de chifres antes mesmo de irmos de fato pra universidade – eu disse e uma lágrima já estava escorrendo por meu rosto, por mais que eu tentasse ser forte. O cara de pau ainda pensou em não me contar depois que chegou aqui e me deu alguns beijos.
- Não foi assim Bella, bem eu estava lá e ela estava me dando mole... – ele disse.
- Cala a boca pra não ficar pior seu estúpido – eu levantei da mesa e peguei um dinheiro em minha carteira e joguei sobre a mesa. – Pra minha parte da conta.
- Bella pega esse dinheiro, eu pago tudo – ele disse se levantando.
- Eu não quero nada de você, paga a droga da conta – eu disse saindo da lanchonete e agora as lágrimas estavam correndo livres por meu rosto. Desativei o alarme do carro e quando coloquei a mão na porta para abri-lá, uma mão travou meu braço.
- Bella vamos conversar – Jake disse.
- Não temos mais nada pra conversar Jacob – eu disse o encarando – Me solta agora, eu vou começar a gritar e bem meu pai ainda é o chefe de polícia da cidade. – eu disse.
- Por favor, Bella me dê apenas cinco minutos, depois disso se você quiser nós nunca mais precisamos nos ver – ele disse e eu respirei fundo.
- Cinco minutos contados a partir de agora – eu disse.
- Vem vamos sentar ali – ele apontou para um banco que ficava um pouco mais adiante e tentou pegar minha mão, mas eu o detetive.
- Não encosta em mim – eu disse e cruzei meus braços contra o peito e caminhei até o banco. Sentamos e Jacob ficou calado e depois escondeu o rosto nas mãos. – O tempo está correndo – eu o lembrei.
- Bella eu não queria trair você – ele disse.
- Não queria, mas traiu Jacob. Sempre conversamos tanto sobre isso merda. Se queria ficar com a garota podia me passar uma mensagem dizendo que queria terminar porque queria ficar com outra garota que ia doer menos do que a dor de ser enganada e traída. – eu disse voltando a chorar.
- Bella não foi intencional, quando eu vi nós já estávamos no dormitório dela – ele disse e aí tudo ficou ainda pior.
- Vocês transaram? – eu perguntei com ânsia. – Por isso me traiu? Porque nunca aconteceu entre nós?
- Claro que não Bella, eu te pressionei alguma vez? Eu sei que cada um tem seu tempo – ele disse e realmente ele não me pressionava de fato usando aquele tipo de coisa “prove seu amor dando pra mim”, mas às vezes quando as coisas ficavam quentes entre nós e eu parava ele sempre ficava um pouco irritado.
- Então você cansou de esperar e foi transar com a primeira que apareceu, muito nobre da sua parte Jacob. – eu disse sarcástica.
- Bella foi algo sem importância – ele disse e eu queria socar a cara dele, porque só um canalha era capaz de falar assim.
- Se isso pra você é sem importância pra mim não, muito bom isso acabar agora de uma vez e eu descobrir quem você é.
- Bella – ele tentou me tocar.
- Se encostar essa mão nojenta em mim, eu mesmo a corto a fora – eu ameacei e ele recolheu a mão.
- Você também não facilita as coisas Bella – ele reclamou e agora eu estava me segurando para não começar a estapeá-lo.
- Não facilito o que? Porque não transamos ainda, estou muito feliz por não ter tido minha primeira com você, já que pra você essas coisas são tão sem importância.
- Não é disso que estou falando. O que você me disse quando eu te falei que te amava? – ele me perguntou e eu fiquei calada tentando lembrar o que ele tinha falado.
- O que isso tem haver com você ter me colocado um par de chifres? – eu perguntei mostrando toda a amargura em meu tom de voz.
- Tem haver que você me respondeu: “Vamos tomar um sorvete? – ele disse e eu me recordei de realmente ter falado isso, eu te amo era algo muito forte e na hora que ele me disse, eu entrei em pânico, pois não estava preparada pra lhe dizer de volta que o amava – Você não me ama Bella, talvez você goste muito de mim, mas não me ama, eu sempre tive essa dúvida se você estava comigo só porque era uma situação confortável ou porque me amava.
- É com isso que você está justificando seu erro? – eu joguei de volta pro lado dele, porque eu não ia deixar que ele jogasse a culpa em mim.
- Não estou justificando meu erro, eu te peço perdão sinceramente, você não merecia ser traída. Me perdoa – ele esticou a mão de novo pro meu lado.
- Eu estou falando sério em relação a cortar a sua mão.
- Me perdoa – ele encolheu os braços – Por favor, talvez ainda possamos ter uma chance.
- Jacob você foi só para um final de semana pra Califórnia e já me colocou chifres, na hora que estivermos ficando direto fora e nos vendo pouco, eu não vou poder sair na rua por causa do peso da minha galhada – eu disse amarga.
- Bella foi só uma falha.
- Jacob cala essa droga de boca porque a cada momento você só me faz ter mais vontade de te bater – eu disse e as lágrimas voltaram a escorrer por meu rosto – Uma falha? Nós namoramos há dois anos e eu sempre prezei respeito entre nós, e isso que você fez vai contra tudo. E se fosse eu que tivesse “falhado”, você iria perdoar? – eu perguntei e ele ficou em silêncio. Claro que ele não iria perdoar, porque os homens ainda eram uns malditos machistas que achavam que as mulheres que eram obrigadas a aceitar tudo.
- Um dia você iria acabar “falhando” também Bella – ele disse quando eu vi minha mão já tinha atingido seu rosto.
- Não me compare com você, eu sei muito bem dos meus valores. – eu me levantei do banco.
- Não estou questionando seus valores Bella – ele disse se levantando e esfregando o rosto onde eu tinha acertado – Estou questionando seus sentimentos, você não enxerga o que está bem na frente do seu nariz – agora ele estava gritando.
- Jacob não comece a me culpar, acabou tudo. Não me procure mais e seja muito feliz com suas amiguinhas na Califórnia – eu virei as costas e sai correndo dali sem poder conter as lágrima que agora caiam incessantemente por meu rosto. Entrei no carro e dirigi sem rumo, eu só queria fugir de tudo, e eu ainda me preocupava em como ia manter meu namoro quando fosse pra faculdade, se o imbecil me coloca chifres antes mesmo das aulas começarem. Quando dei por mim tinha dirigido até um parque onde muitas vezes minha mãe me trazia quando eu ainda era criança. Estacionei o carro, desabotoei o cinto e então simplesmente desabei sobre o volante chorando tudo que me era possível.
Eu estava tão ferida, era tão ruim ser enganada, e o imbecil ainda diz que eu que iria traí-lo, o que ele quis dizer com eu não enxergar nada?
- A culpa não é sua Bella – disse pra mim mesma, eu não ia me culpar por ter ganhado um chifre. Eu queria tanto agora um abraço reconfortante, alguém que dissesse que isso ia passar.
Pensando nisso liguei meu carro e fui em direção a pessoa que podia fazer isso por mim.
...
Estacionei na garagem de casa e sai correndo pra casa de Edward, eu precisava dele. Bati na porta e Alice quem me atendeu.
- Bella o que houve? – ela perguntou assustada por eu ainda estar chorando.
- Nada, Edward está?
- Lá em cima – ela disse e eu já estava subindo os degraus e indo para o quarto dele. Abri a porta e vi Edward sentado na cama com o rosto vermelho e uns papéis na mão.
- Bella o que houve? – ele perguntou apressado – Porque está chorando? – ele abriu os braços e eu sem pensar duas vezes corri e o abracei apertado escondendo meu rosto contra seu peito e chorando ainda mais. – Calma – ele afagava meu cabelo e seu outro braço estava em volta de mim, ali com meu amigo eu chorava ainda mais, porque sabia que ele era pra todas as horas e não acharia ruim de estender seu ombro pra mim. – Shiii, tenta se acalmar e me dizer o que está acontecendo porque estou ficando preocupado – ele disse.
- Jacob – eu murmurei.
- O que aquele babaca fez com você? Ele te machucou? – Edward me puxou pra frente de seu rosto e começou a me avaliar pra ver se eu estava bem.
- Não fisicamente Edward, só me abraça, por favor – eu pedi chorando e ele me abraçou de novo bem apertado.
Fiquei assim mais um tempo só chorando na camisa de Edward que já dava pra torcer com certeza, e ele apenas ali afagando meu cabelo.
- Está melhor? – ele perguntou me puxando pra frente de novo, e eu balancei a cabeça em afirmativa e passei a mão no meu rosto tentando secar as lágrimas. – O que aconteceu? Ele terminou com você?
- Não, eu terminei com ele – eu disse.
- Se você terminou com ele porque está chorando tanto assim? – ele perguntou e passou os dedos em meu rosto limpando minhas lágrimas.
- Porque ele me traiu na Califórnia, e não foi só beijinho não. – eu disse amargamente. Jake tinha transado com uma desconhecida e ainda dito pra mim que aquilo era sem importância, agradecia tanto por não ter tido minha primeira vez com ele, porque vai que depois ele também me dissesse que não tinha tido importância.
- Eu vou dar uma surra naquele babaca, ele não podia ter feito isso com você – Edward se levantou da cama.
- Não Edward, não vale a pena, eu não quero vê-lo mais – eu segurei sua mão e o puxei de volta pra cama.
- Bella eu não suporto te ver sofrendo assim – ele segurou meu rosto entre suas mãos – Dói demais – ele murmurou.
- Vai passar, eu tenho certeza. É só que essa dor de ser enganada, traída é forte demais, estou com meu orgulho ferido – eu disse e mais algumas lágrimas voltaram a rolar – E sem contar que Jacob me mostrou ser alguém totalmente diferente do cara que eu achava que conhecia.
- Ele não te merecia – ele disse me fitando com aqueles olhos verdes que só agora percebi que estavam avermelhados, logo lembrei de que quando cheguei ele estava com o rosto vermelho. Edward tinha chorado? Porque? – Você vai achar alguém que realmente te mereça, eu tenho certeza disso, você merece ser muito feliz – ele voltou a falar.
- Edward eu entrei aqui tão desesperada que só agora me dei conta de algo, você estava chorando quando eu entrei aqui? – perguntei e vi que de repente ele ficou pálido e sua respiração acelerou – O que está acontecendo Edward? Porque você estava chorando? – perguntei passando a mão em seu rosto.
- Não é nada que você precise saber agora Bella – ele disse e respirou fundo – O importante aqui agora é você.
- Claro que não Edward, se meu melhor amigo está chorando deve ter um motivo muito importante e se você está sofrendo por algo eu também estou aqui pra você, eu preciso saber o que está acontecendo com você.
- Bella outra hora falamos disso – ele se levantou e pegou os papéis que quando eu cheguei estavam em suas mãos.
- Nada disso Edward Cullen, eu te conheço muito bem e exijo saber o que está acontecendo com você. Me diz Edward, por favor – eu me aproximei e toquei seu rosto que estava abatido.
- Bella – ele disse meu nome com uma melancolia tão grande que eu queria abraçá-lo e nunca mais soltá-lo. Nesse momento uma única lágrima escorreu do seu olho.
- Edward me diz, por favor – eu estava me segurando pra não chorar porque ver meu melhor amigo chorando por qualquer coisa que fosse doía em mim também.
- Eu vou morrer – ele disse e nesse momento o meu mundo simplesmente parou e tudo a minha volta se apagou e eu só enxergava o rosto de Edward.
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