Everything Can Change All The Time
20 Capítulo 20 - Kentucky
- Mais quantas horas de viagem, parece que não vamos chegar nunca – eu reclamei acho que pela quinta vez. Estávamos a caminho de Louisville, cidade situada no estado de Kentucky.
- De Norfolk lá são 10 horas de viagem Bella, já estamos viajando por 6 horas, fora a parada que fizemos para reabastecer algumas coisas no trailer e esvaziar os outros depósitos – Edward disse com sua voz paciente enquanto dirigia. – Vamos chegar lá só a noite, porque não vai descansar, dorme um pouco, ou deita lá e assiste tv que quando você menos perceber já vamos ter chegado.
- Vou fazer isso mesmo – eu tirei meu cinto de segurança – Desculpa por estar chata, mas estou de TPM – eu disse e me levantei para ir pra outra parte do trailer.
- Não tem problema, fica tranquila.
- Até mais – eu abri a porta de correr que ligava as duas partes e fui logo pro outro lado antes que eu enlouquecesse Edward.
Depois que fechei a porta isolando Edward da minha chatice me joguei na cama e liguei a tv, provavelmente hoje ou amanhã eu ficaria nos meus dias vermelhos e era capaz de eu ficar ainda mais irritante, mas antes de ser meu namorado, Edward sempre foi meu melhor amigo e ele sabe muito bem como eu fico nesses dias.
...
- Que droga de programa – eu troquei acho que pela trigésima vez de canal, mas também as emissoras não colaboravam exibindo só lixos. – Ah finalmente, vamos ver este – eu deixei no National Geographic, estava passando um documentário sobre a cultural chinesa. Eu gostava desse tipo de programa.
Meu celular tocou e eu atendi vendo que era da minha casa.
- Alô.
- Filha que saudade – minha mãe disse animada do outro lado eu até podia visualizar ela dando um pulinho assim que ouviu minha voz. – Como vocês estão? Pensei que ia me ligar pra contar tudo sobre esse namoro de vocês, mas depois daquela mensagem com a foto você não deu mais notícias, e eu não liguei porque sei o que vocês nos pediram quando viajaram.
- Eu estou feliz por um lado e tensa pelo outro mãe – eu disse e aumentei o som da tv pra que Edward não ouvisse a minha conversa com a minha mãe, por mais que ele estivesse ouvindo música lá na frente era melhor garantir.
- Sei disso filha, eu não contei pra ninguém assim como você me pediu, mas depois que seus amigos fizeram o teste e deu negativo eu nem tive coragem de te ligar, porque sabia que se antes seria ruim agora você se sentiria de uma maneira bem pior.
- Eu queria tanto ter descoberto antes que eu o amava que assim nós já estaríamos juntos há mais tempo, porque você nunca foi clara comigo mãe? Às vezes sou meio lenta pra entender indiretas, todo mundo sabia que eu era apaixonada pelo Edward menos eu.
- Filha você tinha que descobrir sozinha e não ser guiada pela opinião de ninguém, e bem se vocês já estivessem namorando não ia amenizar seu sofrimento agora, você sofreria de qualquer maneira com a possibilidade perdê-lo.
- O que eu faço mãe? Eu não sei mais o que eu posso fazer pra ajudá-lo.
- Filha eu realmente não sei, acho que o que você pode fazer, você já está fazendo, você está com ele e vocês estarem viajando é bom pra distraí-lo. Mas agora vamos falar de umas coisas mais felizes – ela disse rindo e eu até tremi imaginando as perguntas constrangedoras que viriam a seguir.
- Não sei se é bom mudar o tópico da conversa – eu disse tentando escapar.
- Está tomando seu anticoncepcional direitinho? Vou ligar pra sua ginecologista e pedi pra que ela te mande a receita por e-mail pra você comprar deve estar quase acabando os seus – minha mãe disse. Ela sempre foi meio maluquinha, mas muito preocupada comigo e com Seth, éramos os maiores amores de sua vida segundo palavras dela mesmo.
- Estou tomando sim mãe, e vai ser ótimo se ela puder me enviar a receita, estão quase acabando mesmo. Obrigado por pensar em tudo.
- E como foi?
- Como foi o que mãe? – eu perguntei, mas já imaginava sobre o que ela queria saber.
- Sua primeira vez filha. Edward foi carinhoso?
- Mãe eu não vou falar disso com você, aliás, não falo disso com ninguém. Não me constranja mãe.
- Só responde se foi bom ou não? Sou sua mãe e sua amiga – ela disse para tentar me convencer. Era ótimo essa coisa da mãe ser amiga, mas em alguns momentos mãe tinha que ser apenas a mãe mesmo e não amiga, principalmente no que diz respeito as intimidades com o namorado.
- Ótimo mãe, podemos mudar de assunto?
- Ahhh fico feliz por você querida – ela disse e eu peguei um travesseiro e coloquei sobre minha cabeça, era constrangimento demais pra uma pessoa só.
- Uhuuu... agora vamos mudar de assunto – eu disse em um tom mais exigente.
- Tudo bem – ela disse rindo – Onde vocês estão agora?
- Viajando a caminho de Louisville, Kentucky – respondi – Estou louca pra chegar logo.
- Nunca estive no Kentucky, se for um lugar interessante depois você me fala que vou ir passear depois com Seth e seu pai.
- Alguma novidade ai? – eu perguntei quase mordendo minha língua pra contar pra ela sobre Cléo, mas era melhor deixar Cléo se comunicar primeiro com a mãe dela, porque se eu contasse pra minha mãe, obviamente ela não hesitaria em sair correndo pra ir contar pra irmã.
- Nada especial, só coisas do cotidiano. – ela respondeu, conversamos por mais uns 10 minutos e então eu encerrei a chamada e voltei a olhar pra tv pra assistir o documentário.
...
- Ei preguiçosa, acorda nós chegamos – Edward estava me chacoalhando, mas eu continuava de olhos fechados e agarrada ao travesseiro dele, eu nem sei que horas peguei no sono enquanto assistia o documentário, mas foi o suficiente pra que finalmente chegássemos.
- Finalmente – eu disse abrindo meus olhos.
- Quero ir em um bar que é conhecido aqui, o que acha? – ele perguntou animado, eu estava com um humor péssimo e Edward parecia super feliz.
- Que bar?
- Whiskey bar – ele respondeu.
- Pode ir, eu prefiro ficar quietinha aqui – eu disse sincera tudo que eu não queria era sair, já estava começando a sentir cólica e sabia que provavelmente de madrugada eu seria surpreendida pela minha inimiga mensal.
- Está bem? – ele perguntou afagando meu rosto e afastando as mechas do meu cabelo.
- Sim, só um pouquinho de cólica, mas pode ir que eu vou ficar aqui quietinha, vou tomar um banho e comer algo, tomar um remédio e deitar de novo e vou ser uma péssima companhia.
- Amor você nunca é uma péssima companhia – ele me deu um selinho – Eu sei que você realmente se sente mal nesses dias, eu fico aqui com você.
- Baby pode ir, sério mesmo, só fica longe das vad... garotas oferecidas – eu disse.
- Claro que não vou sair e te deixar aqui.
- Estou te dizendo que é melhor ficar longe de mim, porque estou com um humor do cão e só vou te chatear. Você pode ir dar uma volta, ir ao bar, beber moderadamente claro que eu vou ficar bem aqui. – eu disse com toda sinceridade, porque não era justo ele ficar ali comigo enquanto podia passear.
- Vamos tomar banho e depois vemos isso – ele disse me ajudando a levantar.
...
Entramos debaixo do chuveiro e Edward massageou minhas costas e meus ombros, pois ele sabia que quando eu estava de TPM todo o meu corpo doía, mas minhas costas principalmente.
Ele era tão carinhoso, e eu não conseguia imaginar nem por um segundo sequer a minha vida sem ele, algo tinha que mudar logo nessa situação em que estávamos vivendo.
- Um filho pode ser doador de medula para um pai? – eu perguntei enquanto estávamos terminando o nosso banho.
- Hã... – ele ficou confuso
- Pode?
- Sei lá acho que sim, qualquer um pode ser doador, nem precisa ter relação sanguínea – ele disse desligando o chuveiro, ele abriu o box e pegou a minha toalha e me entregou e depois pegou sua própria toalha e começou a se secar.
- Mas as chances de um filho ser compatível são bem maiores. – eu disse.
- Sim, mas porque isso?
- Bem... – eu ainda estava criando coragem pra formular direito a idéia que tinha passado em minha mente, era algo que mudaria nossas vidas pra sempre, e eu tinha medo, mas eu tinha mais medo de perder Edward, não podia viver sem ele.
- Estou esperando a resposta baby – ele disse saindo do banheiro com a toalha enrolada na cintura e eu saí também enrolada na minha toalha.
- E se nós tivéssemos... – eu tentei dizer, mas aquelas palavras pareciam estar engasgadas em minha garganta, porque eu jamais imaginei isso nesse momento da minha vida, mas situações extremas pediam atitudes extremas – e se nós tivéssemos um filho – eu disse rápido e olhei pro rosto de Edward que se empalideceu e passou de assustado, depois para chocado, e depois para raivoso.
- Não existe essa possibilidade – ele disse duro e sai mexendo em suas roupas procurando algo pra vestir.
- Porque não? É uma chance para salvar você – eu disse.
- Nós temos 18 anos, só 18 anos, não vou deixar que você estrague ainda mais os seus planos por minha causa, você já está adiando Harvard um ano por minha causa, um filho mudaria a sua vida toda – ele disse realmente bravo com o tom de voz totalmente alterado.
- Eu posso esperar um pouco mais se isso for salvar você e você não atrapalha a minha vida, eu não posso ficar sem você – eu disse e acabei deixando que uma lágrima escorresse.
- Não Tente Me Convencer Porque isso não está em discussão – ele vestiu uma cueca boxer e uma calça jeans.
- Porque não? É uma chance que temos – eu disse.
- BELLA TIRA ISSO DA SUA CABEÇA – ele gritou e pegou uma blusa e com a raiva que estava vestindo pensei que ia até rasgá-la.
- É tão ruim assim a idéia de ter um filho comigo? – eu disse chorando.
- Ah você não entende, ou fingi que não – ele puxou os cabelos.
- Eu não entendo? Eu só estou tentando te salvar, e não perder você. Se isso pode ser uma solução não vejo porque não, claro que não estava nos meus planos ter um filho agora, mas se tudo estivesse em uma situação normal e daqui alguns anos se nós nos casássemos eu iria muito querer um filho nosso.
- Eu também iria querer, mas em outras condições, mas não assim, você se sacrificando por mim. Você tem que tocar a sua vida, adiar um ano pra Harvard não era o que eu queria pra você, porque eu sei o quanto você batalhou pra entrar na universidade, agora ter um filho aos 18 anos não é algo que eu vá permitir. Não quero que faça isso por mim.
- Mas Edward...
- E você está esquecendo de um detalhe Bella, eu tinha 6 meses de vida e um mês já se foi, uma gestação dura 9 meses e o bebê poderia nem ser compatível — ele disse como se tivesse zombando da minha inteligência e aquilo doeu em mim.
- O médico disse que era uma média de tempo não que quando completasse 6 meses você iria morrer, você ainda está bem, tem se cuidado, pode haver mais tempo.
- Não vou discutir mais isso com você, estou de saída – ele calçou seu tênis e pegou sua carteira.
- Nós ainda vamos conversar sobre isso – eu disse antes que ele saísse pela porta, ele estava irado, eu estava irada também.
- NÃO, NÓS NÃO VAMOS. – ele gritou – Não insista, por favor, eu te amo muito Bella e não quero ter que me afastar de você, mas se isso for necessário pra não estragar sua vida, não vai haver outra alternativa – ele disse e não me deu chance de responder e saiu do trailer.
Eu sentei na cama, ainda estava só de toalha. Eu chorei por mim, chorei por ele e chorei ainda mais com a possibilidade dele se afastar de mim. Eu só estava tentando encontrar uma alternativa para salvá-lo. Claro que nunca teve nos meus planos ter um filho aos 18 anos, mas eu faria isso por Edward, e esse filho seria muito amado.
...
Passaram-se duas horas e Edward não havia chegado, eu já tinha trocado de roupa e até que tentei comer alguns biscoitos e tomar um copo de suco, mas parecia que eu estava entalada depois do que tinha acontecido.
Tomei um remédio pra cólica porque parece que a dor havia aumentado depois do desentendimento com Edward, eu nem sabia mais o que pensar. Ele com certeza não iria aceitar a minha idéia por mais que eu brigasse e esbravejasse, mas eu tinha que concordar com ele que talvez nós não tivéssemos tempo suficiente.
- AHHHHHHHHH – eu gritei sozinha dentro do trailer porque eu estava ficando desesperada sem saber o que fazer, eu nunca me senti tão impotente de uma situação, eu a minha vida quase toda sempre tive ás rédeas da minha vida bem firme em minhas mãos. Tudo que eu queria, eu corria atrás e conseguia, sempre foi assim, eu meio que sempre controlei tudo, mas agora eu estava ali impotente diante de uma situação que estava me enlouquecendo.
...
Já era 1:30 da manhã e Edward não tinha dado nenhum sinal, eu pensei por diversas vezes em ir atrás dele, mas Louisville não era uma cidade pequena o qual eu pudesse o encontrar facilmente, eu só esperava que quando ele voltasse já tivesse esfriado a cabeça e pudéssemos tentar conversar.
...
Acordei às 3:30 da manhã com uma cólica forte e sabia que provavelmente minha menstruação tinha chegado. Olhei pro lado da cama e Edward estava deitado lá, todo encolhido na beirada da cama, estava nítido que ele ainda estava com raiva, porque caso o contrário ele não teria deitado o mais longe possível de mim na cama.
Acendi uma luminária que era mais fraca e fui nas minhas coisas atrás de absorvente. Antes de ir pro banheiro tomei mais um comprimido pra cólica, porque eu não estava agüentando.
...
Quando sai do banheiro fui perto da cama e Edward continuava dormindo na mesma posição, ele estava sem camisa e percebi o quanto ele estava suado. Ele estava pingando suor, não estava quente daquela maneira pra que Edward estivesse suando tanto assim. Encostei a mão na testa dele pra ver se ele estava com febre e fiquei aliviada porque apesar de seu corpo estar pingando de suor, sua temperatura parecia estar normal.
Apaguei a luminária e voltei pra cama e ao contrário de Edward, eu queria ficar próxima dele, por isso deitei bem próxima a ele, dei um beijo na ponta do seu nariz e fechei meus olhos pra tentar dormir, quem sabe amanhã podíamos conversar com mais calma.
...
- EU NÃO VOU – eu acordei com um grito, olhei pra cama e Edward não estava.
- JÁ DISSE QUE NÃO – sentei na cama e olhei e vi Edward em pé próximo a mesa gritando com alguém no telefone, o mais estranho era que o aparelho em suas mãos era o meu i-phone e não o dele.
- O que está havendo? – eu perguntei, mas ele me ignorou ouvindo o que a pessoa do outro lado falava.
- Você não precisa fazer isso, aliás, ninguém precisa fazer nada – ele disse e eu podia ver seu olhar irado. – Eu não vou passar por isso de novo... NÃO PRECISO – ele gritou – Pra que eu vou fazer isso? Pra que você vai se desgastar dessa maneira? Eu já estou me conformando – ele disse e meu coração se apertou em meu peito, com quem ele estaria falando – NÃO VOU – ele gritou de novo, ele estava ainda mais descontrolado do que ontem – Eu vim nessa viagem pra conseguir ter paz, então me deixem em paz. – ele desligou o telefone e o colocou sobre a mesa e fechou os olhos e respirou fundo.
Eu não sabia se eu já devia questionar quem era e o porque dele ter ficado irado daquela maneira, eu estava com medo de que ele continuasse descontando aquela raiva em mim.
- Hum... quem era? – eu perguntei. Ele pegou meu i-phone sobre a mesa e veio até mim e me entregou.
- Eu vou sair – ele disse não respondendo a minha pergunta. Olhei e vi que ele estava de bermuda, camiseta e tênis.
- Amor conversa comigo – eu pedi – Não vai fazer igual on... – ele simplesmente me ignorou totalmente e saiu do trailer.
- Eu não vou chorar, não vou chorar – eu repeti pra mim mesma, eu tentava ser compreensiva pela situação dele, mas ele estava sendo um babaca comigo.
Peguei meu i-phone e fui verificar as chamadas recebidas e vi que a última era da casa de Edward. Disquei pra casa dele, porque eu queria saber o que tinha acontecido pra deixá-lo daquela maneira.
- Alô – foi Carlisle quem atendeu.
- Oi, é a Bella – eu disse.
- Ah Bella, que bom te ouvir, Edward desligou na minha cara – ele disse e eu fiquei chocada, Edward nunca tinha feito aquilo – Onde ele está?
- Bem eu acordei com ele gritando no telefone, eu perguntei quem era e ele simplesmente saiu, por isso liguei, pra saber o que houve, eu nunca o vi com tanta raiva.
- Bem, ontem sua mãe comentou comigo que tinha falado com você, e que vocês estavam em Louisville, e bem eu estou indo pra Ásia na semana que vem pra ver um tratamento que está sendo desenvolvido lá pra pessoas que tem exatamente o mesmo tipo de doença do Edward, com as mesmas especificidades.
- E você acha que pode dar certo? – eu perguntei cortando sua fala com uma pontinha de esperança acendendo dentro de mim.
- Bem Bella, eu não sei, eu sei pouco sobre esse tratamento, por isso vou pra lá. Só que eu preciso que Edward refaça os exames, além de que eu preciso de exames mais atuais, o médico dele aqui também quer checar como está o quadro dele.
- Teremos que voltar? Por isso Edward estava com tanta raiva?
- Não, eu liguei para um médico amigo meu que trabalho em um hospital em Frankfort – ele disse, Frankfort era a capital do Kentucky – e como Louisville fica a mais ou menos 1 hora de Frankfort, eu conversei com ele pra que Edward realizasse os exames nesse hospital. Eu liguei no celular do Edward e só dava caixa postal, por isso liguei no seu, mas foi ele quem atendeu, e não foi nada receptivo. – Carlisle disse e pude ouvir o suspiro alto que ele deu – Bella eu preciso que Edward faça esses exames o convença pra mim, por favor. Você sempre conseguiu tudo com ele.
- Bem eu vou falar com ele quando ele aparecer, vou fazer o máximo se precisar eu levo ele amarrado – eu disse firme. Eu sabia que seria difícil convencê-lo, devido ao fato que ele também não estava muito bem comigo, porque indo contra ao que Carlisle havia dito de que eu sempre conseguia tudo com Edward, as coisas não estavam funcionando tão efetivamente desta maneira.
- Vou te dar o nome do médico e o endereço do hospital, ele precisa fazer esses exames hoje ou no máximo amanhã. – eu assenti e fui atrás de um papel e de uma caneta e anotei o endereço que ele havia me passado, garanti pra ele que eu faria o que estivesse dentro do meu alcance pra convencer Edward.
...
A manhã passou e Edward não deu nenhum sinal, eu estava ficando preocupada, mas se eu saísse atrás dele e ele aparecesse. Preparei um espaguete e almocei a cada minuto checando no relógio e imaginando onde Edward teria ido.
Já era três horas da tarde e ainda nada dele, resolvi entrar no chuveiro e tomar um banho pra tentar relaxar um pouco eu iria enlouquecer ali dentro.
Sai do banheiro e vesti uma camisa de malha do Edward que estava jogada sobre o sofá, uma calcinha e deitei na cama e liguei a tv, a minha única opção agora era esperar.
...
Senti alguém acariciando meu rosto, inspirei fundo e senti o cheiro de Edward, eu era capaz de conhecer esse cheiro fresco dele de quem acabou de sair do banho em uma sala cheia de pessoas.
Abri meus olhos e Edward estava sentado na cama, acariciando meu rosto.
- Desculpa – ele balbuciou.
- Não vai fugir agora? – perguntei me sentando na cama e vendo que ele estava usando só seu pijama, o cabelo estava molhado, olhei nas janelas e já estava tudo escuro, eu havia dormido mais do que eu planejei.
- Acho que não, eu senti sua falta – ele acariciou meu rosto e depois me deu um selinho.
- Também senti a sua – eu segurei sua mão – Mas nós temos que conversar – eu disse e temi que outra explosão da parte dele viesse em alguns segundos.
- Não pode ser depois? – ele perguntou beijando meu pescoço e eu puxei seu rosto para altura do meu.
- Tem que ser agora – eu disse firme – Porque você está se recusando a ir fazer os exames que seu pai pediu?
- Como você sabe disso?
- Porque eu liguei e perguntei pra ele, já que era a última chamada recebida no meu celular. Me diz logo o porque. – eu disse em um tom exigente pra que não houvesse margem que ele pudesse se recusar a responder a minha pergunta.
- Meu pai está parando a vida dele por minha causa, ele vai viajar pra Ásia atrás de algo que pode nem dar certo.
- Mas que também pode dar.
- Você acha que eu quero que todos se encham de esperanças e depois se frustrem? Desse jeito as pessoas que mais amo só vão sofrer mais e eu não quero vocês sofrendo mais do que já estão. Sem falar que se eu fizer aqueles exames e der lá que eu piorei, eu acho que não vou agüentar.
- Edward as coisas não são assim, seu pai está tentando fazer o que está dentro do alcance dele, assim como ontem eu tentei falar sobre o que está no meu alc...
- Shiii, disso eu não quero falar – ele colocou o dedo sobre meus lábios.
- Vamos ao hospital amanhã e você faz esses exames, por favor – eu pedi – Você acha que assim nos poupa de decepções, mas está enganado. Enquanto pudermos lutar por você ai sim nós nos sentimos bem meu amor – eu afaguei seu rosto. – Você faz os exames e eu vou estar com você – eu segurei suas mãos entre as minhas. – Faça por sua família, faça por mim, por favor. – eu pedi.
- Ok – ele suspirou fundo – Mas tem uma condição.
- Edward...
- Esquece essa história de gravidez, e estou falando sério, isso está totalmente fora de cogitação. Eu gostaria muito sim de ter um filho com você, mas não dessa maneira, e não vou mais estragar os seus planos. Não vamos mais falar disso e eu vou lá amanhã e faço esses exames – ele disse tudo de uma só vez e eu suspirei fundo, rendida, porque eu sabia de quando eu podia convencer Edward de algo e de quando eu não podia.
- Tudo bem, mas amanhã vamos bem cedo pra Frankfort.
- Claro, quanto mais rápido eu me livrar disso melhor – ele assentiu.
- Mas ainda temos mais um assunto pra conversar – eu disse quando ele tentou me beijar e eu fiquei segurando seu queixo.
- Que assunto?
- Essa história de você sumir e chegar só de madrugada sem me dizer onde estava, e hoje sumir o dia inteiro novamente sem falar aonde ia, eu fiquei louca. Onde você foi?
- Ontem eu andei, andei e acabei em um bar, não aquele que te falei ontem, um outro que tinha uns caras jogando sinuca e afogando as magoas.
- Você ficou bêbado?
- Não, eu bebi só duas cervejas, joguei uma partida com os caras e depois sai andando pela cidade, sem rumo certo.
- E hoje?
- Passei o dia quase que todo sentado na grama de um parque que tem aqui perto, eu precisava pensar. Desculpa por preocupar você amor, mas por mais que eu tente me controlar, às vezes tudo que está acontecendo me faz surtar.
- Da próxima vez que fizer isso Edward, eu vou arrumar alguma maneira de te castigar, pode ter a certeza disso.
- Me perdoa? Me perdoa por tudo, eu não queria ter gritado com você daquela maneira.
- Eu te perdôo, mas não é só pra mim que tem que pedir perdão por gritar – eu disse para lembrá-lo do que ele tinha feito mais cedo com o pai dele.
- É... eu sei, depois ligo pra ele, agora vem aqui que fiquei com saudades – ele me puxou e seus braços me envolveram enquanto sua boca quase que devorava a minha, uma de suas mãos foi até minha coxa a apertando e começou a deslizar sua mão pra cima.
- Parado ai – eu segurei sua mão.
- Hã? Que foi?
- Estou nos meus dias vermelhos, então não vai rolar, vai ter que se contentar com um beijinho só amor – eu lhe dei um selinho e levantei da cama e fui em direção ao frigobar enquanto Edward me olhava. – Não está com fome?
- Muita – ele assentiu e eu percebi o duplo sentido da sua frase, mas ignorei, ele ia ter que esperar mais dois dias.
Fizemos um lanche e depois deitamos na cama e Edward colocou em Two and a half man, ficamos rindo e conversando, e aqueles momentos mais tensos tinham sido se não esquecidos, pelo menos guardados. Porque era difícil deixar de ficar tensa ainda sabendo dos exames que ele teria que realizar amanhã, eu apoiei porque sabia que era o certo a se fazer, mas se aqueles exames mostrassem algum tipo de piora eu poderia também não agüentar.
...
Acordei com o corpo pregando e percebi que Edward estava me abraçando e ele assim como na noite anterior estava pingando suor, colei minha bochecha em sua testa, mas sua temperatura parecia estar normal, esse suor excessivo na parte da noite não era normal, pois não estava calor a este ponto, talvez eu pudesse perguntar isso ao médico que nos receberia em Frankfort hoje.
Me levantei da cama tentando não acordar Edward e fui ao banheiro, quando sai do banheiro vi que já eram 6 horas da manhã, troquei de roupa e decidi que era melhor já dar partida rumo a Frankfort, era melhor já estarmos lá quando Edward acordasse pra que ele não inventasse nada para não ir, eu sei o quanto era uma situação difícil pra ele, mas eu ia estar com ele me esforçando ao máximo pra ser sua força.
...
- Ei, bom dia dorminhoco – eu disse dando mais um gole no meu suco enquanto ele se sentava e passava a mão pelo caos do cabelo e dava seu sorriso torto pra mim.
- Bom dia – ele se espreguiçou – Porque não me acordou?
- Achei melhor você dormir mais enquanto viajávamos – eu disse e tomei o resto do meu suco.
- Onde estamos? – ele perguntou se levantando da cama.
- Frankfort claro, há uma quadra do hospital.
- Estava com medo de que eu saísse de novo? Escapasse?
- Eu sei que você não faria isso – eu disse e ele ia pegar um biscoito meu e eu dei um tapinha na sua mão – Tem que estar de jejum pra fazer os exames, toma um banho pra depois irmos até o hospital.
- Tem hora que eu não acredito nas coisas que você faz.
- Não fique bravo comigo, eu só quero o seu bem – eu levantei e passei os braços ao redor de sua cintura.
- Não vou ficar bravo – ele beijou minha testa – Agora vou tomar banho logo, pra fazer logo esses benditos exames e assim nós vamos embora logo. – ele entrou no banheiro e logo ouvi o chuveiro sendo ligado.
...
- Em que posso ajudar? – a recepcionista do hospital nos perguntou, era uma senhora de meia idade já com alguns cabelos grisalhos.
- Dr. Brian Colin está nos aguardando, Isabella Swan e Edward Cullen – eu disse.
- Aguardem um momento, por favor – ela disse e pegou o telefone e Edward e eu demos um passo atrás. Segurei a mão de Edward e ela estava suando frio, preferi não dizer nada, apenas comecei a afagar sua mão fazendo círculos com meu polegar, para tentar acalmá-lo.
- Ele espera por vocês na sala dele, é no terceiro andar, sala 380. – a recepcionista disse – Podem usar o elevador.
- Muito obrigado. – eu disse porque Edward permanecia totalmente introspectivo ao meu lado, nos guiei para o elevador e apertei o botão para nos levar ao terceiro andar.
Quando a porta se abriu a primeira placa que vi foi indicando centro de tratamento oncológico infantil a direita. Saímos do elevador e fomos guiados pelas placas até chegar a sala 380, havia uma recepcionista lá também.
- Dr. Brian Colin – eu disse a senhora da recepção.
- Edward Cullen e Isabella Swan? – a senhora perguntou.
- Sim – eu afirmei.
- Podem entrar, o Dr. Colin está aguardando. – ela indicou a porta.
Bati na porta e o Dr. Colin, murmurou um entre e eu quase tive que puxar Edward pra dentro.
- Edward e Isabella? – ele questionou e eu afirmei e apertei sua mão que estava estendida pra mim e tive que dar uma cotovelada em Edward para que ele fizesse o mesmo. – Sentem se, por favor – ele apontou as cadeiras em frente a sua mesa e nós nos sentamos e ele voltou pra sua própria cadeira.
- Então podemos ir logo com isso – era a primeira que Edward falava algo desde que entramos nos hospital.
- Bem Edward seu pai me pediu uma série de exames, você está em jejum?
- Sim – ele respondeu.
- Seu médico na Flórida também me encaminhou todos os exames que eles julgam necessários.
- Não é só um exame de sangue? – perguntei.
- Bem, Edward fará alguns exames de sangue, mas também fará uma tomografia, pra ver se está tendo aumento do baço que é algo que pode acontecer nestes casos. E seu médico também me pediu alguns outros tipos de testes mais específicos, eu espero que tenha o dia livre.
- Eu posso acompanhar? – eu perguntei sentindo Edward rígido ao meu lado.
- Isabella você pode ficar aqui no hospital, mas não poderá entrar com Edward para fazer os exames. – Dr. Colin respondeu.
- É melhor você ir passear Bella, melhor pra você – Edward disse se levantando, eu sabia que ele tinha pressa em sair logo dali.
- Não vou arredar meu pé daqui sem você, eu vou aguardar aqui no hospital – eu disse.
- Bella... – ele ia contestar.
- Isso não está em discussão – eu o vetei.
- Vamos Edward vou pedir pra a enfermeira te acompanhar – Dr. Colin se levantou e abriu a porta. – Espere aqui se quiser Bella. – ele disse, mas o tom de voz me deu a entender que o se quiser era pra que eu esperasse realmente aqui.
- Obrigada. – eu disse, seria bom porque eu queria lhe fazer algumas perguntas.
- Tem certeza de que quer ficar o dia todo aqui? – Edward perguntou segurando meu rosto entre suas mãos.
- Vou esperar você, e a noite podemos ir passear o que acha?
- Uma boa idéia – ele colou sua testa na minha – Te amo.
- Também te amo – eu disse e fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo, só paramos quando o médico pigarreou atrás de nós.
- Tchau – Edward me deu mais um selinho e saiu acompanhado pelo Dr. Colin.
...
Dr. Colin voltou e disse que Edward já havia sido encaminhado para os exames e que era pra eu ficar tranquila.
- Bem eu pedi pra você esperar aqui porque Carlisle pediu que eu falasse algo com você, que você é quem convence o Edward quando é preciso – Dr. Colin disse.
- Nem sempre eu consigo. Mas do que eu teria que convencer Edward?
- A esperar o resultado dos exames, ele tem que voltar ao hospital amanhã de manhã que é quando os resultados ficaram prontos – ele disse e meu coração se apertou.
- Porque? Você acha que dependendo do resultado ele terá que ficar internado? Ou vai ter que passar por...
- Calma Bella – ele disse e eu respirei fundo – Dependendo dos resultados, o médico de Edward quer que ele comece a fazer uso diário de uma medicação, mas não vamos falar disso agora, melhor esperar o resultado.
- Bem, eu tenho algumas perguntas.
- Pode fazer.
- O senhor é oncologista, certo?!
- Sim, eu e Carlisle nos formamos juntos em Clinica Médica e depois eu fiz minha especialização em oncologia e ele em neurologia, e ele se tornou um dos melhores neurocirurgiões do país, já vi Carlisle reverter casos que o paciente tinha 90% de chance de não sair vivo do bloco cirúrgico. Ele está tendo um momento difícil agora com o filho, conversei bastante com ele, ele até disse que seria bem mais útil se tivesse se especializado em oncologia.
- Eu sei que ele está sofrendo, eu quero fazer medicina também, acho que quando você é médico você acaba se sentindo um pouco Deus por ser capaz de salvar algumas vidas, mas quando a situação foge do controle, a sensação de impotência deve ser muito ruim.
- Carlisle disse mesmo que você foi aprovada em Harvard, parabéns.
- Obrigada – eu disse. Eu estava gostando de conversar com Dr. Colin dessa forma mais amigável e não tão formal e engessada como os outros médicos fariam.
- Então vamos as suas perguntas. — ele disse.
- Bem nas duas últimas noites eu acordei e vi que Edward estava pingando de suor, mas não estava calor a este ponto e ele também não estava com febre.
- Sudorese noturna, é um dos sintomas da leucemia. – ele disse.
- Bem eu pensei que os sintomas só começariam a aparecer daqui a algum tempo – eu disse e minha mente já começou a fervilhar pensando na possibilidade de Edward ter piorado.
- Bem Bella, Carlisle me explicou o caso de Edward, não é que os sintomas só vão aparecer daqui um tempo, os sintomas vão aparecendo aos poucos, mas daqui alguns meses eles vão interferir no organismo dele com força total.
- Quais são os principais sintomas?
- Anemia, fraqueza, cansaço, sangramentos nasais e nas gengivas, manchas roxas e vermelhas na pele, gânglios inchados, febre, sudorese noturna, infecções, dores nos ossos e nas articulações são sintomas característicos da leucemia.
- Bem pelo que eu saiba os únicos sintomas que ele apresentou até agora são febre e agora está começando estas sudoreses noturnas. Talvez ele não tenha piorado.
- Isso só poderei te dizer depois do resultado dos exames. Mas sugiro que quando os sintomas começarem a ser mais freqüentes, que vocês voltem pra casa pra que ele seja melhor cuidado.
- Tem mais alguma recomendação?
- Evite tudo que pode causar lhe algum tipo de infecção, alimentação deve ser saudável pra que o organismo dele se torne mais resistente. Com a leucemia os glóbulos brancos não trabalham efetivamente na defesa do organismo como deveriam trabalhar. – ele estava dizendo e alguém bateu na porta.
A secretária do Dr. Colin veio avisar que ele devia ir atender um paciente na emergência. Eu saí da sala e segui para uma sala de espera onde havia tv e revistas, havia algumas pessoas lá, cada uma perdida no seu próprio universo. O clima nessa ala do hospital era quase que insuportável, parecia que a dor de todas iam se irradiando, eu já estava ficando deprimida de estar ali naquele local. Se eu quisesse ficar inteira pra quando Edward precisasse de mim, eu não podia ficar aqui, eu precisava aliviar a minha mente.
Peguei o elevador após me informar onde era lanchonete do hospital e segui pra lá.
Comprei uma lata de coca cola e um saquinho de balas e sentei em uma mesa mais no canto, peguei meu i-phone e me conectei na internet. Eu precisava me distrair enquanto esperava por Edward.
Entrei na rede social mais usada do mundo, aliás, tinha muito tempo que não entrava aqui, havia várias atualizações, mas não queria vê-las agora. Fui até as mensagens e a primeira que quis ler foi a de Ang. Na mensagem ela dizia que estava adorando a França, que Paris era um sonho e que seu curso de história da arte era ainda mais maravilhoso do que ela havia imaginado. Ela também agradeceu a forcinha que Edward e eu demos pra que ela e Eric ficassem aquela noite na festa, disse também que eles se falavam praticamente todos os dias pelo skype e que Eric planejava visitá-la no Réveillon. Eles deviam realmente estar se gostando porque sair da Austrália e ir passar o Réveillon na França não era uma viagenzinha qualquer.
Li outras mensagens de outras amigas da escola, coisas bobas, mas foi bom saber como a vida de todos estava indo depois da nossa formatura no ensino médio.
Fiquei distraída com as mensagens que nem vi a hora passar, só me dei conta quando meu celular tocou e vi o nome de Edward piscando na tela, eu nem sabia que ele tinha trago o celular dele.
- Oi anãzinha, onde você está? – ele perguntou.
- Na lanchonete, já acabou, eu vou encontrar com você – eu disse já me levantando.
- Eles pediram pra eu almoçar que depois eles fazem o restante dos exames.
- Ainda está de jejum? – perguntei.
- Depois que terminei o exame de sangue só tomei um copo de leite, não estava me sentindo bem. Você já almoçou?
- Não, nem vi que já era a hora do almoço. Você ainda está no terceiro andar?
- Sim, estou sentado aqui na recepção.
- Então já estou indo, me espera amor. Beijo – eu encerrei a chamada e disparei para o elevador, o tom de voz de Edward estava fraco e ele dizer que não estava se sentindo bem me deixou mais alarmada.
...
Vi Edward recostado na cadeira, os olhos fechados e a cabeça tombada pra trás e ele estava bem pálido.
- Amor tudo bem? – perguntei passando a mão em seu rosto e ele abriu os olhos me fitou e balançou a cabeça positivamente.
- Só estou meio fraco, até perdi as contas de quantos tubinhos de sangue tiraram de mim.
- Consegue levantar para irmos ao restaurante do hospital almoçar? – perguntei segurando sua mão.
- Podemos almoçar em algum restaurante fora daqui? Esse cheiro de hospital me deixa enjoado – ele pediu.
- Claro, daqui a quanto tempo você tem que estar aqui?
- Uma hora.
- Ok, vamos em algum lugar aqui do lado mesmo – eu disse e o ajudei a levantar, passei o braço em sua cintura e ele colocou o braço sobe meu ombro e fomos andando devagar até o elevador.
...
Chegamos ao restaurante e eu pedi uma salada, filé de peito grelhado, arroz e batatas grelhadas. Edward apesar da minha insistência comeu pouco, dizia que seu estômago realmente não estava legal. Eu disse que ele precisava se alimentar porque tinha ficado de jejum por muito tempo e feito muitos exames, mas parece que se ele insistisse era capaz de ele colocar tudo pra fora em seguida.
- Toma só mais um copo de suco então – eu coloquei mais um copo de suco de laranja a sua frente.
- Ok – ele respirou fundo e depois tomou o copo de suco o virando todo de uma vez. – Não vejo a hora de irmos embora daqui.
- Amanhã de manhã teremos que voltar ao hospital para pegar os resultados dos exames.
- Não teremos não, eu prefiro nem saber os resultados – ele disse.
- Dr. Colin pediu, disse que seu pai e seu médico disseram que era necessário, pois se houver algumas alterações nos seus exames, você terá que começar a usar uma medicação.
- Que medicação?
- Isso não sei te falar, mas eu prometo que amanhã logo depois que pegarmos o resultado nós podemos ir embora, então, por favor, facilita pra mim e não crie objeção pra ir lá amanhã – eu segurei sua mão sobre a mesa – Eu estou com você, sempre.
- Eu sei – ele beijou as costas da minha mão.
...
Voltamos pro hospital e Edward foi encaminhado de novo pra continuar seus exames. Eu vaguei pelo corredor e acabei parando em frente a enfermaria da oncologia infantil.
- Pode entrar – uma voz me fez dar um pulo enquanto eu estava parada na porta. Olhei pro lado e vi o Dr. Colin me encarando.
- Tenho medo, medo de não ser forte o suficiente pra lhe dar com isso. – eu disse sincera.
- Você vai sair daí de dentro mais forte, é incrível ver o quanto essas crianças ainda têm sede de viver apesar do que elas estão passando, elas me ensinam a cada dia a ter mais esperança e a reclamar um pouco menos da vida.
- Ter mais esperança é sempre bom, eu vou entrar – eu disse recebi um aceno de Dr. Colin e ele se afastou. Abri a porta e meus olhos vaguearam por todo o ambiente, havia algumas crianças com alguns voluntários que faziam algumas brincadeiras no canto da enfermaria. Elas gargalhavam e eles continuavam a brincadeira. Havia alguns deitados dormindo, alguns com certeza estavam fazendo quimioterapia e haviam perdido o cabelo, todos estavam bastante pálidos e pareciam bastante fragilizados e aquilo fez meu coração doer, ao saber que crianças que teriam um futuro pela frente estavam passando por algo tão difícil sendo tão novos. Mas quando eu via alguns rindo das brincadeiras, era que eu pensava que às vezes apenas algo pequeno pode nos fazer feliz, mas somos tão ambiciosos e egoístas que não sabemos valorizar isso.
Vi uma garotinha sentada sozinha em sua cama lendo um livro e resolvi me aproximar, fiquei me perguntando porque ela não estava junto com os outros na brincadeira já que ela estava acordada.
- Oi – eu disse e ela tirou os olhos dos livros e me fitou.
- Oi – ela me lançou um olhar curioso.
- Sou Bella – eu estiquei a mão em sua direção.
- Sou Nicole – ela estendeu a mão que estava ligada há alguns fios e a uma agulha, por isso apertei suavemente sua mão.
- Porque não está ali brincando com os outros Nicole?
- Prefiro ler – ela apontou pro livro – Você também é voluntária?
- Não, só estou visitando mesmo. Quantos anos você tem?
- 9 e você?
- 18, o dobro da sua idade – eu disse rindo.
- Você gosta de ler?
- Muito, posso ver o que está lendo? – perguntei e ela me entregou o livro. – Cinderela, li muito esse quando eu era mais nova, porque pequena eu ainda sou – eu disse e ela riu.
- Acho que sou maior que você – ela disse.
- Eu acho que também não é pra tanto.
- Quer ver – ela começou a se levantar.
- Tem certeza que pode fazer isso? – perguntei com medo de que ela se machucasse.
- Sim – ela disse e ficou em pé ao meu lado. – Nossa eu quase sou maior – ela disse olhando nossos ombros, ela era uns quatro centímetros mais baixa que eu.
- Bem você com certeza vai ficar maior, já que eu já parei de crescer. – eu disse e a ajudei a sentar na cama vendo que ela tinha ficada ainda mais pálida. Ela devia levantar pouco daquela cama, e era normal sentir tontura quando se ficava de pé.
- Você pode ler pra mim? – ela perguntou – Sinto dor de cabeça e meus olhos ardem um pouco quando leio mais que três páginas.
- Claro, vou puxar essa cadeira aqui – eu disse pegando uma cadeira e puxando a pra bem próximo a cama. – Começo de onde você parou ou do inicio?
- Do inicio – ela assentiu e eu comecei a ler o livro que como todo conto de fada começava com o famoso “Era uma vez...”.
...
- Ah eu também quero um príncipe – Nicole suspirou fundo quando eu li a última frase “E viveram felizes para sempre.” Eu não sei quanto tempo fiquei ali lendo o livro, porque toda hora parava a leitura porque Nicole e eu íamos comentando durante toda a leitura.
- Vai ter que esperar ficar mais velha, acho que seu pai não deve querer que você tenha um príncipe agora. – eu disse rindo.
- Não quer mesmo – ela riu – Papai acha que eu sou muito bebê ainda.
- Mas você é – eu concordei – Onde estão seus pais?
- Papai está trabalhando e a mamãe foi ver minha irmãzinha que fica com a minha avó enquanto eu estiver aqui. Mas a noite ela vem me ver e o papai também.
- Quantos anos tem sua irmãzinha?
- Três. Sabe Bella, logo eu vou ficar boa, e vou voltar pra minha casa e quanto eu tiver a sua idade eu vou achar o meu príncipe. Você não quer um príncipe? – ela perguntou e eu escutei a porta da enfermaria abrindo e olhei pra ver e vi Edward parado me observando.
- Já encontrei meu príncipe – eu respondi e estendi a mão em um convite para que Edward se aproximasse, ele hesitou, mas finalmente caminhou até onde eu estava e segurou minha mão.
- Acabou – ele murmurou baixinho.
- Ok, nós já vamos – eu disse porque sabia o quanto ele queria sair correndo deste hospital.
- Seu príncipe é mais bonito do que o da Cinderela – Nicole disse e eu ri e Edward também.
- Nicole esse é Edward meu príncipe, Edward essa é Nicole.
- Amiga da Bella – Nicole disse estendendo a mão pra Edward e vi que ele ficou nervoso quando viu os fios e agulha no braço dela, mas ele estendeu a mão e a cumprimentou.
- Prazer Nicole – ele disse.
- Bem Nicole eu tenho que ir agora, mas amanhã eu passo aqui pra te dizer tchau antes que eu e o príncipe continuemos nossa jornada.
- Você vai poder ler pra mim de novo?
- Vamos ver – eu me aproximei e beijei sua testa.
- Tchau – Edward e eu dissemos e eu vi que ela esperou que Edward se aproximasse.
- Vai lá – eu sussurrei baixinho pra ele, ele foi até ela e deu um beijo em sua testa.
Entrelacei seus dedos nos meus e seguimos em silêncio para fora do hospital. Aliás, o silêncio perdurou até chegarmos ao trailer.
- Preciso muito tomar um banho pra tirar esse cheiro de hospital de mim – ele finalmente falou, eu não havia dito nada porque queria respeitar seu espaço.
- Quer sair pra comer ou quer que eu prepare algo aqui? – perguntei.
- Sair – ele respondeu – Não vou demorar no banho – ele foi até onde eu estava e me deu um selinho e foi pro banheiro.
...
Saímos e jantamos em um restaurante simples, e optamos assim como no almoço por um refeição mais saudável, eu estava determinada a afastar Mc Donald’s, Burguer King e todos esses fast foods do nosso cardápio se fosse para o bem de Edward.
Quando voltamos ao trailer, colocamos nossos pijamas e deitamos na cama pra assistir tv. Edward sentou entre minhas pernas e recostou seu corpo no meu enquanto eu lhe fazia um cafuné, tínhamos conversado muito pouco, eu sabia o quanto ele estava aflito, por isso eu resolvi apenas ficar ali com ele apenas sendo o apoio que ele precisava no momento e não eram de palavras que ele precisava, precisava apenas do meu colo. Reparei os dois roxos no seu braço, com certeza de tanto furá-lo tinham feito aqueles hematomas, preferi não comentar também.
- Isso é muito bom – ele disse e vi que ele fechou os olhos.
- Você é um mimado – eu disse brincando e dei um beijinho no seu pescoço enquanto continuava afagar sua nuca.
- Você que está me mimando, a culpa é sua – ele entrelaçou nossos dedos e depois beijou minhas mãos.
- Eu só faço isso porque eu amo você, esqueceu? – dei um beijinho em sua bochecha.
- Jamais vou esquecer.
- Você é o meu amor, primeiro e único – eu disse e ele se sentou na cama se virando de frente pra mim.
- Só me promete que será feliz independente do que aconteça daqui pra frente – ele disse e eu senti um aperto no peito.
- Nós seremos felizes – eu disse segurando suas mãos – E não fale mais nada – eu aproximei meu rosto do seu e o beijei, tentando esquecer o que ainda nos esperava amanhã.
Notas finais
Primeiramente queria agradecer a IngridN pela linda recomendação, muito obrigada de verdade, isso me incentiva muito a escrever.
Queria agradecer a todas que sempre deixam seu comentário e pedir pra que não costuma comentar deixar um comentário de vez em quando só pra incentivar mesmo...
Nesse cap usei uma ideia de algumas leitoras dos comentários. Espero que tenham gostado. Ajudem a divulgar a fic...
Bjs
Fale com o autor