RENESMEE POV

- Mamãe?

Acordei com a voz de Andrew me procurando. Ainda estava com a roupa da festa de ontem. Tinha chegado tarde em casa e fui olhar meu bebê dormir. Sempre ficava mais calma vendo sua respiração tranquila e seu rostinho angelical. Acabei adormecendo.

- Oh, estou aqui meu anjo. – beijei sua testa e sentei ao pé da cama em quanto ele coçava os olhinhos e se espreguiçava.

Andy perguntou sobre o pai e eu disse que ele saíra para trabalhar, mas a verdade é que ele não tinha dormido em casa.

Envergonha-me saber que um casamento está em ruínas. Já não sinto muita falta de Alec, até prefiro não vê-lo só pra não presenciar sua autodestruição pelo álcool.

Preparei Andy para o café e o deixei com Carmen enquanto tomava um banho. Tirando a maquiagem do rosto especial para eventos, senti como se retirasse a máscara, onde os pseudos elogios são certos, a falsidade e o interesse predominam.

Parece que meu talento é mesmo conseguir manter as aparências. Impassível por fora, devastada por dentro. Tem sido assim nos últimos anos. Só consigo me realizar como pessoa na pele dos meus personagens e quando estou com meu filho, meu maior incentivador.

Cercada pelas paredes frias da mansão que habito, o clima reflete bem a situação de uma mulher solitária.

Depois do café da manhã, levei Andy à escola – fazia questão de participar da vida dele — e decidi andar um pouco pelo centro de NY. Usando um chapéu discreto e óculos escuros, consegui não ser reconhecida.

A caminho de casa passei em frente a uma livraria bem tradicional que tinha como destaque na vitrine as obras de Jakob Black. Logo reconheci o poeta da noite anterior.

Ele era um jovem bonito, culto e de sorriso fácil. Não parecia muito interessado no puxa-saquismo da noite anterior, tinha humor refinado e era muito educado.

Ele tinha dito que me mandaria toda sua obra autografada. Sempre gostei de poesia, por um momento fiquei curiosa para conhecer seu estilo.

Os dias passavam lentamente e eu já começava a ficar nostálgica por saber que o projeto do musical estava próximo e logo eu não teria tanto tempo para viver o meu melhor papel, o de mãe.

Andy estava numa sala do primeiro andar tendo aula de piano e eu assistia televisão na sala principal, quando Alec apareceu à porta. Não era comum ele chegar cedo em casa, mas fiquei contente em vê-lo entregando a pasta e o sobretudo à Carmen.

- Que bom que está em casa, amor.

- Consegui sair mais cedo do escritório hoje. – ele disse me beijando rapidamente sem me olhar de fato – Onde está Andy?

- Lá em cima, na aula de Piano.

Alec sorriu e foi subiu as escadas. Andy correu para seus braços assim que sentiu a presença do pai. Era tão bom vê-los juntos que não pude impedi-los de acabar com a aula e fomos jantar em família.

Andy falava pelos cotovelos quando o pai estava perto. Os dois brincaram no jardim até tarde, mais uma vez não quebrei o momento mandando Andy dormir, apesar de saber que ele teria escola no dia seguinte.

Já estava no quarto quando Alec chegou depois de ter colocado Andy na cama.

- Hey. – disse ele entrando no quarto e se despindo.

- Olá querido. – me aproximei, mas ele não deu muita atenção.

Tomou um banho demorado e deitou-se ao meu lado quando eu estava quase dormindo. Aconcheguei-me nos seus braços e não falamos mais.

Ele mexia no meu cabelo quando acordei, curti o carinho por alguns minutos. A vida seria muito melhor se fosse sempre assim.

- Merda! Perdi a hora! – resmungou ele olhando para o relógio e se levantando.

- Amooor! – falei manhosa – Fica em casa, só hoje!

- Não posso! – ele disse sério – Tenho uma reunião importante com os chefes dos Emirados Árabes.

- Ah. – deixei minha decepção bem clara.

- Você deveria estar feliz por mim, todos sabem que eles são o futuro do petróleo mundial. – ele respondeu a minha exclamação.

- Estou feliz por você Alec, – falei contrariada – torço pelo seu sucesso sempre, mas sei exatamente como este dia vai acabar. Seu caminho será o cassino para comemorar com os novos sócios, ou se conformar com a perda de um grande negócio, tomando todas, enquanto eu passarei mais uma noite sozinha. Apesar dos pesares, torço pela primeira opção.

- Mas será que você só sabe reclamar?! – disse ele saindo do banho.

Permaneci calada.

- Eu te dou tudo que uma mulher gostaria de ter, te apoio na sua carreira, amo nosso filho, eu faço tudo para que ele, de maneira confortável, tenha condições de ser um grande homem.

- Conforto e estabilidade não substituem amor, Alec. Amar também é cuidar, é estar perto, é perceber as necessidades e desejos dos outros. Sei que você ama Andy, mas você mal o vê, apesar de saber como ele sente sua falta. Não só ele. – falei as últimas palavras sem encará-lo.

- Tenho uma rotina muito estressante, Renesmee, você não entende? – disse ele friamente.

- Desculpe, mas eu entendo perfeitamente como é ter uma vida solitária. Só não sei até quando vou aguentá-la. Você mal me toca, não me vê como esposa, como quer que eu fique?

- Amor... – ele começou.

- Não me chame assim, se você não me vê dessa forma! – falei alterada – Isso não é amor Alec, e eu não estou feliz com esta situação! – disse saindo do quarto.

Fui caminhar um pouco. Andei com os pés na grama do jardim chorando dolorosamente por ter certeza que ele não me queria mais. Vi seu carro deixando a mansão e pedi que Carmen levasse Andy para a escola.

Minutos depois, um dos empregados da casa veio me comunicar de uma entrega que eu deveria receber em mãos. Permiti que entregador entrasse até o jardim.

A entrega era uma caixa de madeira branca, muito bonita por sinal, com um cartão que dizia:

“Que minhas humildes palavras te inspirem tanto quanto tua beleza e teu talento que, assim como as mais sublimes criaturas deste mundo, me deram motivos para escrever.” JB

Sabia exatamente de quem se tratava.

Corri para o meu quarto assim que me despedi do entregador. Coloquei a caixa sobre a cama, reli o cartão e me acomodei para ver o que tinha lá dentro, mesmo sabendo que eram os dois livros de Jacob Black.

Abri devagar a caixa que era forrada com veludo preto. Em cima dos dois livros previstos, repousava um botão de rosa vermelha.

A delicadeza do presente me encantara, mas as palavras daquele jovem laureate me fizeram querer vê-lo novamente, porém eu não poderia simplesmente encontrá-lo por aí e não sabia como fazê-lo.

Notas finais
N/A: Olá meninas ^^
Começo meu comentário desculpando-me pela eternidade que passei sem postar :/ Mas as oportunidades na minha vida profissional apareceram em cadeia do ano passado para este.
Consegui algum tempo livre nas últimas semanas e voltei a escrever nossa querida Evy o/ Adiantei pelo menos três capítulos até agora e de acordo com o número de comentários posso postar outro capítulo até domingo ;)
Portanto não deixem de dar suas opiniões, afinal são sempre importantes para o andamento das histórias.
Espero que gostem, o capítulo foi escrito e betado com carinho ^^
:* Jessy
N/Beta: Meninas, depois de 200 mil anos, Evy linda está de volta! A Jessy não pretende demorar muito, e já tenho mais um capítulo lindo pronto pra ser betado, que no máximo até domingo eu entrego a nossa querida autora.
Espero ansiosamente os comentários.
Beijos
Ray Lima