- Renesmee?

Alec chegara em casa falando mais alto do que o necessário. Imaginei que já estivesse bêbado, pelo menos Andrew estava dormindo.

- Sim? – respondi indiferente.

- Sim?! – ele não havia gostado do meu tom – Isso é maneira de receber um marido depois de um dia de trabalho?

- Bebedeira e jogatina. – completei de maneira inaudível.

- Você já foi uma esposa melhor sabia? – disse ele se equilibrando para tirar os sapatos.

- Talvez na época que você agia como um marido, sim. – respondi prontamente – Desculpe, mas estou farta de perder energia com você, Alec.

- Mas o que é isso agora? – ele falou ainda mais alto.

- Ora essa! Não é nada. Exatamente nada. Este casamento de fachada me consume a cada dia e você nem liga.

- Eu tenho outras coisas a fazer além de ficar babando você, para isso que existem seus fãs. – ele falou ironicamente.

Odeio quando ele cita meu trabalho como se eu devesse ter uma super autoestima só por ser reconhecida pelo meu trabalho.

- Não interfiro nos seus negócios, então não me encha o saco com suas observações ridículas. – falei no auge da irritação, fechei o livro que estava lendo e ia subir pra ver se Andrew tinha acordado com a confusão, mas Alec me pegou brutalmente pelo braço esquerdo no meio do caminho e esbravejou me chacoalhando com tanta força que quase caio.

- NÃO ME ENFRENTE MULHER! – ele estava vermelho de raiva.

Mesmo com todo medo pela agressividade dele e com os olhos cheios de lágrimas consegui chutar a perna dele e me libertar do seu aperto aos prantos. Carmen havia chegado na hora e me amparou antes que eu me desequilibrasse. Ela olhava indignada pra ele, mas nada podia fazer enquanto o covarde a olhava com fúria. Recuperei o fôlego e pedi que Carmen voltasse aos seus aposentos, ela hesitou, mas foi segundos depois.

- Nunca mais, OUÇA BEM ALEC! – ele não me olhava, mas sabia que estava me ouvindo — Nunca mais pense em me tocar novamente entendeu?

Um momento de silêncio que pareceu interminável foi quebrado assim que comecei a subir as escadas.

- Você não pode me deixar! – Alec falou num tom de voz mais normal.

- Ah eu posso, querido. – falei com toda ironia possível – A questão é que eu não tenho razões para me separar de você se não estamos mais juntos neste casamento há algum tempo. Pena que só vim perceber agora que temos um filho lindo que não merece passar pelo drama de uma separação.

- Você já tinha cogitado esta opção? – ele perguntou pela primeira vez na defensiva.

- Mas é claro que sim! — falei com a voz embargada – Prefiro a humilhação de ser uma mulher separada do que a humilhação diária de viver com você.

- Mas eu te amo, Renesmee!

- Você nem sabe sobre o que está falando! Amor é cuidado e preocupação, não posse e agressão. – disse passando as mãos pelos braços que doíam pelos apertos de minutos antes.

- Per...

- Me poupe Alec! Vá se curar dessa ressaca e me deixe em paz. Pense bem antes de me tratar assim novamente, não reagirei tão passivamente.

Subi rapidamente as escadas e me tranquei no primeiro quarto de hóspedes que vi. Não reconhecia mais o homem que tinha me casado poucos anos atrás. Soltei o livro que estava lendo antes da chegada do idiota bêbado e passei quase uma hora dentro da banheira deixando que a temperatura da água e o cheiro dos sais de banho me acalmassem.

Vesti um roupão qualquer e fui pra cama. Tentei dormir, mas não obtive muito sucesso, então decidi voltar a minha leitura. Estava na metade da segunda obra de Jacob e andava com o livro pra lá e pra cá, até levei para o trabalho e lia nas pausas da seleção de elenco para o musical. Era a única coisa que poderia me manter focada agora.

Jacob definitivamente tinha talento para a poesia. Suas palavras e suas metáforas se ligavam formando imagens em minha mente e certas vezes me fazendo imaginá-lo pronunciando aquelas frases e me olhando com aqueles olhos intensos.

Eu tentava afastar estas ideias, mas não era fácil, já eu que eu estava extremamente carente e desiludida. Ao mesmo tempo ele me lembrava como eu ainda era romântica. Voltei a ler e tentei esquecer o que tinha acabado de acontecer.

Três dias antes...

- Tem certeza que vai precisar de mim hoje? – eu não estava num dia muito bom.

- Todos os sócios sempre vão com as suas mulheres quando é John quem vai presidir a reunião. Mesmo sendo um homem durão ele preza muito aqueles que mostram fortes vínculos familiares. – ele falou sem emoção.

- Ok então. – respondi pensando se Alec se considerava uma pessoa com fortes vínculos familiares.

Quando a noite chegou eu comecei a me preparar para o evento. Fiz o que pude para melhorar meu humor e parecer automaticamente agradável. Acho que funcionou, já que todos pareciam querer conversar comigo e sempre davam preferência aos meus comentários.

Percebi que Alec não estava gostado muito da situação, quando ele me olhou sério tomando sua terceira dose de whisky. Tentei conversar com as esposas dos sócios, a maioria delas parecia bastante fúteis e esnobes à primeira vista, mas conforme fui puxando assunto, elas começaram a se soltar e conversar mais sobre assuntos femininos.

Quando esgotamos nosso acervo de novas coleções de inverno, estilistas, fofocas e uma lista de perguntas que tive que responder sobre o meio artístico, eu vi aquele que eu desejei que não fosse meu marido sair do banheiro completamente desequilibrado.

Alec estava no ponto para dar um escândalo. Corri até ele e pedi ajuda de um garçom para que nos acompanhasse até o carro, mas Alec entendeu mal. Pensou que eu estava me insinuando para o garçom e começou a gritar com o rapaz que não fazia ideia do que estava acontecendo.

Um dos seus sócios, que eu julgava ser seu amigo, se aproximou para ajudar, mas não conseguiu evitar que Alec jogasse um copo cheio de bebida no rosto do garçom. Irritada e morrendo de vergonha, consegui arrastá-lo até o carro e voltei para me explicar, mas na hora percebi que ele acabara de perder o negócio.

Voltamos para casa em silêncio. Eu encarava a paisagem e ele dormia, estirado no banco de trás do carro importado. Apesar de toda vergonha que acabara de passar, senti pena dele, dei-lhe um banho, o vesti e o ajudei a se deitar. Ele capotou e eu não consegui dormir.

No dia seguinte, na madrugada seguinte para dizer a verdade, Andrew nos acordou chorando muito. Assustei-me com seu desespero e ele disse que tivera um pesadelo terrível.

Irritado com o barulho que Andy estava fazendo Alec simplesmente gritou com menino e o mandou voltar para o seu quarto. Nunca tinha ficado tão perplexa e nunca tinha visto Andy tão magoado antes.

Tirei meu filho daquele quarto e o levei para biblioteca. O coloquei em meus braços, sentei em frente à lareira e cantei um pouco enquanto o ninava. Ele resistiu um pouco, mas logo seus soluços pararam e ele pegou no sono.

Graças a Deus aquele mostro não estava mais em casa quando voltei ao quarto, pois pude controlar meus nervos e evitar uma grande briga. Claro que não deixei de mostrar minha indignação pelo tratamento dele para com o nosso filho, mas preferi ignorá-lo.

Outro dia chegou e eu decidi voltar à leitura das obras de Jacob. Não havia motivos para fugir delas já que me faziam muito bem e os meus dias não estavam indo nada bem.

Fim do flashback

Nessie POV — Presente

Eu finalmente conseguira dormir no meio da madrugada, depois de rolar muito na cama. Geralmente mecho-me muito quando durmo só. Não tinha colocado nenhum pijama ou camisola, não quisera sair daquele quarto para nada horas antes.

Percebi a chegada de um novo dia pela claridade atrás das minhas pálpebras, me forcei a dormir mais um pouco. Bem não foi difícil já que adoro dormir nas primeiras horas do dia. Logo entrei num estágio de sono profundo.

Eu estava dormindo em cima de uma bagunça de lençóis e edredons, agarrada com um travesseiro, típico de quando estou insegura, e com a cabeça apoiada em outro. O quarto não estava claro como antes, o que me deixava mais relaxada.

Ouvi a porta do quarto sendo aberta e não me mexi, imaginei que fosse Carmen me trazendo alguma roupa para quando eu acordasse, mas descartei a hipótese quando senti um leve toque na parte posterior da minha perna. Apostei em Andy, mas logo soube que não era ele quando o colchão cedeu muito mais do que eu esperava no momento que alguém apoiou seu corpo nele.

O toque que havia começado próximo a panturrilha esquerda continuou percorrendo minha perna até a base da minha coluna que estava completamente exposta. Algo suave como veludo fez todos os pelos do local se eriçarem e eu finalmente virei o rosto sem entender. Primeiro havia pensado que seria Alec tentando pedir desculpas, mas me surpreendi quando vi uma rosa vermelha passando pelo meu ombro, numa mão morena.

Jacob estava sentado num dos lados da cama passando uma rosa muito vermelha pelo meu braço. Assustei-me quando o vi por cima do ombro. Mas ele apenas colocou um dedo sobre meus lábios antes que eu pudesse falar alguma coisa.

Ele estava descalço, com uma calça folgada e sem camisa. Seu tórax era forte e másculo. Percebi que nos observávamos mutuamente, seu rosto estava tranquilo e seu olhar mirava meu corpo meio coberto.

Meu corpo todo agora parecia se arrepiar ao seu toque e ele parecia gostar daquele efeito em mim. Jacob me puxou para si de maneira delicada, deixou a rosa em algum lugar e me encarou muito de perto. Nossos rostos quase se tocavam quando ele começou a passar seu rosto no meu, chegou ainda mais perto, passou a mão no meu cabelo enquanto beijava levemente meu pescoço e me puxava em sua direção com a outra mão na minha cintura.

Sentir sua respiração acelerada como a minha e aquela pele quente em contato com a minha, exposta ao frio da noite, me causou mais arrepios. Seu rosto voltou para o meu e desta vez senti lábios muito suaves tocarem os meus.

Sem conseguir resistir, me envolvi com todas as sensações sem nem pensar por um instante e retribuí o beijo soltando os lençóis e colocando meus braços sobre os ombros largos de Jacob. Logo o beijo ficou mais urgente e ele me deitou de volta vindo ao meu encontro.

Fim do sonho

- Deus! – sussurrei assim que abri os olhos.

O sol começava a aparecer no horizonte quando eu tentava me levantar e processar o que tinha acabado de sonhar. Repreendi-me por ter sonhado tais coisas e tentei por na minha cabeça que Jacob era apenas um rapaz muito bonito e com um intelectual preparado e talentoso.

Repeti esta frase mentalmente algumas vezes quase como um mantra. Aproveitei que tinha acordado cedo, me organizei para o primeiro dia de ensaios para o musical e levantei Andy mais cedo também, para que pudesse deixá-lo na escola antes de ir trabalhar.

Tinha colocado uma calça para me sentir mais a vontade, mesmo sabendo que esta era uma peça um pouco polêmica para uma mulher, mas eu ficava ainda mais feliz por desafiar opiniões num dia como hoje. Estava com uma blusa estampada com um pouco de transparência e um salto.

Cheguei alguns minutos antes do horário marcado e conheci melhor as dependências do nosso galpão de ensaios. Sim, era um galpão. Achei estranho de início já que era de costume alugar coberturas de prédios com salas e salões ainda não alugados ou vendidos, porém percebi que neste galpão teríamos mais liberdade e que o preço seria reduzido.

Logo todos estavam reunidos no canto esquerdo do galpão onde tínhamos várias salas pequenas para armazenamento e prova de roupas. Atrás de onde estávamos sentados, tínhamos um local marcado para as costureiras e todos os materiais de vestuário. A nossa frente havia uma grande mesa para os diretores, coreógrafos, preparadores vocais e roteiristas.

Tal espaço ocupava um terço do local. No outro extremo, várias salas estavam organizadas para a produção e no centro tínhamos um espaço equivalente a três salões. Procurei por Jacob enquanto conversava com alguns atores, mas apenas o vi quando o diretor chegou à mesa. Os dois conversavam animadamente quando sentaram à mesa na nossa frente, percebi que os atores principais estariam na mesa e me dirigi para lá.

Mesmo sentados praticamente nos opostos da mesa, Jacob fez questão de me encarar por alguns segundos e acenou sorridente quando o olhei. Neste momento confirmei que estava um pouco mais nervosa do que de costume. Não era apenas a felicidade de começar um novo projeto, mas também a ansiedade de ver Jacob.

Depois das boas vindas do diretor, do anúncio dos papéis, da distribuição dos roteiros iniciais, da apresentação das dependências, dos horários de ensaio e das possíveis músicas, fomos liberados mais cedo para o almoço.

Tinha acabado de pegar minha bolsa e me despedido do diretor quando Jacob se aproximou. Sorrindo como sempre, beijou minha mão e perguntou como eu estava.

- Estou feliz de voltar ao teatro. – foi o que conseguir falar sem gaguejar.

- Imagino que sim. – ele disse – Afinal foi no teatro que você começou, certo?

— Oh, sim. – sorri.

Ficamos alguns segundos em silêncio, um daqueles momentos que você não sabe o que dizer, então apenas olha para outro lugar, mexe na bolsa ou no cabelo.

- Er..

- A propósi... – falamos ao mesmo tempo.

- Desculpe, você primeiro. – ele disse com um sorriso ainda mais fofo.

- Bem, eu gostaria de agradecê-lo pelo gentil presente que você me enviou dias atrás. Achei de muito bom gosto.

- Ah, fico contente que tenha gostado. – Jacob olhou para os próprios pés – Você já leu alguma coisa?

- Já li todos. – falei pausadamente.

- Sério? – ele levantou o olhar rapidamente e parecia não acreditar.

- Claro que sim. Seus livros são ótimos, Jacob.

- É uma honra poder entretê-la. – disse ele com uma pequena reverência.

Sorri com sua atitude.

- Espero aprender bastante com você quando contracenarmos.

- Será um prazer.

Apenas esta pequena conversa fez meu coração bater mais forte. Fui almoçar me sentindo bem mais leve que na noite passada, todavia decidi repetir outro mantra: “Isso não pode acontecer novamente, você não pode se sentir assim”.

Notas finais
N/A: OLÁ BRASILEIRAS O/
SIM! Vocês que comentaram no último capítulo e não desistiram desta fic mesmo quando esta autora se ausentou por séculos ^^
Espero que tenham gostado deste novo capítulo, escrevi com muito carinho. Próxima semana teremos outro ;)
Beijos meninas o/
Jessy
N/B: UAU, encontro lindo dos nossos lindos. Quero mais, quero que esse sonho da Nessie vire realidade! Desculpem a demora, mas a culpa é completamente minha! Segurei o capítulo por um tempo que eu não pretendia. Mas obrigada as meninas que não nos abandonaram e mesmo depois de mil milênios, comentaram no anterior.
Beijos e até o próximo.
Ray Lima.