- Carmen! – era a terceira vez que eu chamava a minha assistente para assuntos domésticos.

Ela devia estar ocupada engomando uma pilha de roupas. Provavelmente correu até a sala, pois já que não falava com naturalidade.

- Chamou Senhora? – disse a latina de sobrancelhas grossas, com um sotaque inconfundível, que parou na minha frente.

- Sim Carmen. O meu vestido verde de veludo, aquele Pierre Cardin que eu ganhei semana passada, está pronto para ser usado hoje no concurso?

- Sim, senhora Renesmee. Cuidei dele no início da semana.

- Muito bom. E o Andy, já acordou?

- Ainda não Senhora, está dormindo como um anjo. – ela falou com carinho do meu bebê de 05 anos, Andrew, que ela cuidava com muito carinho.

Eu sou Renesmee Cullen, uma atriz de sucesso desde 1950, aos 18 anos, quando eu fui descoberta por um produtor que me chamou para um teste e eu ganhei o papel principal de um filme de sucesso. Fui bastante criticada pelos conhecedores de cinema e por muitos atores, mas com o tempo estudei bastante me dedicando de corpo e alma à profissão e consegui meu espaço.

No começo de tudo foi muito difícil, pois meus pais não estavam de acordo com a minha escolha pelas artes cênicas, que já era uma certeza na minha vida desde os dez anos quando fui ao teatro pela primeira vez.

Edward e Isabella eram pais carinhosos e dedicados que sempre direcionaram toda a minha simpatia para o balé e o piano sem saber que estavam me dando o necessário para o meu início de carreira.

Minha mãe se realizava e babava com a minha postura e talento para a dança, coisa que ela não tinha. Já meu pai se deliciava me dando aulas de piano, instrumento que ele tocava com maestria. A família era grande com muitos tios e primos que meus avós faziam questão de reunir semanalmente.

Enquanto ainda vivia com os meus pais, minhas tias Alice e Rose sonhavam com o mundo glamuroso das celebridades. Tudo isso se agravou quando compramos nossa primeira televisão, daí por diante eu sabia o que queria ser: atriz.

Uma missão nada fácil já que as moças daquela época que decidiam seguir essa carreira não eram bem vistas. Meus pais pensavam da mesma forma e o resto da família tinha como hobby tecer críticas e mais críticas às “meretrizes” que apareciam nos folhetins, embora tentassem seguir os cabelos volumosos e as cinturas marcadas.

No início da adolescência eu fugia de algumas aulas de balé e da escola para ter aulas de interpretação numa companhia de teatro independente.

Eram as melhores horas da semana onde eu sorria, recitava, aplaudia e chorava dentro dos personagens. Eu até me interessava por um garoto que era o melhor de lá, mas não pude sequer conhecê-lo porque um mês depois descobriram meu segredo e eu fiquei de castigo durante um bom tempo.

Meus pais esconderam o que tinha acontecido pela vergonha de ter uma filha que queria ser uma atriz.

Certa vez eu assistia a um musical na TV e estava encantada com toda a movimentação de atores e suas lindas vozes. Antes de acabar a transmissão anunciaram uma bateria de testes para a seleção de novos atores. Eu sabia exatamente o que fazer. Peguei o endereço do teste e contei com a ajuda de um namorado para comparecer no dia e horário marcado.

Eu tinha 17 anos e dei minha alma na pequena apresentação que continha dança, interpretação e canto. Fui elogiada, mas não passei. Mesmo assim não desanimei e seis meses depois, um produtor que havia presenciado meu teste me convidou para outra audição onde eu ganhei o papel principal do filme que me revelou.

Faltavam duas semanas para o fim do colegial e um mês para o começo das gravações. Depois do término do período escolar, eu aproveitei a emoção dos meus pais para dar a notícia. Eles ficaram chateados, mas reconheceram meu talento e até me parabenizaram pela colocação, todavia não permitiram que eu realizasse meu sonho por causa do preconceito que ainda era presente na família e na sociedade americana.

Revoltei-me com a falta de coragem deles de enfrentar todos pela minha felicidade e chorei por dias. Já tinha 18 anos quando decidi tomar uma atitude arriscada e definitiva. Liguei para James Frisson, o produtor, e contei-lhe minha situação. Ele disponibilizou um lugar para mim numa república de atores.

Fugi naquela mesma noite deixando minha família, meus amigos e um namorado para correr atrás de um sonho.

Todos me renegaram e me viam como a ovelha negra da família. Sofri muito nos primeiros meses sem a presença daqueles que eu amava, mas segui na luta. Como já disse, o filme foi um sucesso e me rendeu vários papéis em diversas produções.

Anos depois estreei um musical na Broadway, mais um grande sonho realizado, que fez uma turnê pela Europa onde conheci meu marido, Alec Volturi.

Ele era um empresário importante do ramo do petróleo e muito rico também. Ainda jovem herdou a fortuna da família e a responsabilidade de cuidar dos negócios quando seus pais morreram numa viagem de barco.

Com seus 30 anos era um homem charmoso e atraente, mesmo assim eu não me apaixonei por ele enquanto ele fez de tudo para casar-se comigo. Apoiava minha carreira e ainda era milionário, casei por conveniência em 1952.

Os primeiros meses juntos foram bons. Eu vivia como uma princesa cercada por luxos, mimos e viagens. Parei de atuar por um tempo quando fiquei grávida, os dias mais felizes desde que soube que teria uma companhia.

Quando Andrew nasceu eu descobri o que era amar alguém de verdade e com todas as forças de sua alma. Aquele pequeno bebê era minha luz, meu amor.

Contratei Carmen quando Andrew parou de amamentar. Alec era louco pelo filho, mas começou a beber e esquecer que tinha uma esposa jovem em casa. Atualmente não o suporto mais e só permaneço ao seu lado por causa de Andrew que o ama demais e pela péssima reputação de uma mulher desquitada. Isso acabaria com a minha carreira.

Ele chega bêbado todos os dias, falando besteiras e chutando os móveis. Não me dá mais atenção e eu até acho que ele sai com outras mulheres. Ele nem me trata mais como esposa e eu não tenho outra opção além de agüentar essa vida de fachada infeliz enquanto todos pensam que eu vivo um conto de fadas.

Agarro-me as únicas coisas que me motivam: meu filho e minha carreira.

Notas finais
N/A: Olá Girls! o/ Mais uma fic em parceria com minha Best/Beta Ray Lima, mais uma da companhia Jessy/Ray Productions kkkkkkk Aí vai de presente para vocês o prólogo da minha segunda fic, escrita com o maior carinho. Sempre quis escrever uma fic de época então aos poucos fui desenvolvendo essa ideia e escolhi os anos 60/70 justamente pelo boom fashion que ocorrei na época com a ascensão de vários estilistas como Channel. Resolvi então aliar a moda ao romantismo dos poetas Laureate e colocar um pouco de poesia na fic. Agradeço a RayLima que embarcou com tudo comigo nessa nova aventura no mundo das fics e a LekaEscritora que fez essa capa linda. Preparem-se para fortes emoções! Espero que gostem tanto quanto eu quando estava escrevendo. :* amores, Jessy N/B: Mais uma parceria entre Jessy e Ray! Gente, essa fic linda promete viu? Jake lindo como poeta e Nessie linda como atriz? Amor proibido? Quer melhor? Acho que não tem! Comentem e acompanhem meninas, porque eu garanto que será maravilhosa! Ray Lima