Everybodys Fool
2 Enchanted
Notas iniciais
Em negrito trechos da música Enchanted Owl City
Vespa: um tipo de lambreta.
Jacob POV
Lá estava eu roncando como uma morsa, ainda com os óculos pendendo do meu rosto e um livro que devia estar na minha mão direita pouco antes que eu caísse no sono.
Meu pai costumava dizer que eu tinha a vida que qualquer um pediu a Deus, lia o dia todo e recebia do governo para “ler uns versinhos” em público. Eu não o culpava por não entender o trabalho de um artista. Ele era operário e trabalhava em duas metalúrgicas para dar conta das despesas das minhas irmãs, Rachel e Rebecca, e as minhas despesas também.
Formamos uma família simples e de origem humilde, minha mãe morreu quando éramos muito pequenos, desde então meu pai cuida da casa e de nós. Rebecca conseguiu um bom partido e se casou bem jovem com um gerente de uma fábrica de tecidos. Meu pai não foi muito a favor no início, mas ela estava apaixonada pela beleza do rapaz e principalmente pela conta bancária, meu pai não conseguiria lutar contra isso.
Rachel já é mais responsável e cuida de tudo em casa para aliviar a barra do nosso pai, Billy. Ela namora Paul há alguns anos e eles se gostam de verdade, mas ainda não têm condições de se casarem. Está cada dia mais parecida com a nossa mãe, o que orgulha meu pai já que ele nunca a esqueceu e nunca olhou para outra mulher.
Bem, de acordo com a vizinhança eu era um vagabundo boêmio até ganhar o título de “Poeta Laureate”. A maioria deles nem sabe o que é isso.
A minha história com a poesia não é muito original, mas é repleta de paixão.
Tudo começou quando eu era apenas um garoto na escola e estava procurando chamar atenção de uma menina nova na sala. Eu não era o único que tinha notado como ela era linda, então meus colegas mais desinibidos faziam questão de estar sempre ao lado dela, como sombras.
Mesmo assim ela parecia não se importar muito com nenhum deles, ninguém parecia suficiente. Isso me deixou intrigado, ela tinha que ter um ponto fraco. Certo dia quando passei perto de sua mesa no refeitório a escutei conversando sobre poesia com as amigas.
Como a maioria dos meninos eu me interessava mais pela área de exatas, mas comecei a ler e me interessar pelo mundo da literatura. Fazia questão de ser visto por ela lendo algum ator famoso como Shakespeare ou Baudelaire, mas nada disso encurtava a distância entre nós.
Resolvi me expor ainda mais. Escrevi um pequeno poema, meu primeiro, e pedi ajuda da professora de literatura para apresentar no sarau mensal da escola. A apresentação foi um sucesso, finalmente consegui me aproximar do meu amor platônico e ainda ganhei uma bolsa para representar a escola em recitais.
Assim eu fui me interessando cada vez mais e aprimorando minha escrita, consegui entrar na Universidade de Columbia e recebi algum destaque com prêmios representando a faculdade. Apesar de toda dificuldade para me manter estudando, Billy nunca me deixou na mão.
A vizinhança sempre me criticava por ser o único filho homem e não trabalhar para ajudar na renda da família. Tomos concordam que os homens têm por obrigação trabalhar para sustentar a casa enquanto a mulher tem que cuidar do lar e dos filhos.
Estereótipo de quem está acostumado com uma vidinha mais ou menos. Sempre sonhei alto e nunca liguei muito para o que as pessoas diziam de mim. Eu até desafiava as pessoas quase involuntariamente, o que deixava meu pai maluco.
Mais uma vez levado por uma paixão entrei num grupo de dança de salão da faculdade. Billy não era preconceituoso, mas não gostou nada quando soube que o filho estava dançando por aí.
“O que as pessoas vão falar Jacob!” Ele sempre tentava colocar juízo na minha cabeça, mas não reclamou quando eu trouxe minha linda parceira de dança e namorada para almoçar. Eu sempre conseguia o que queria porque sempre corria atrás e não me deixava abater pelas dificuldades.
No último ano da faculdade foi o período que eu mais ousei, no auge dos meus 22 anos eu me declarava um boêmio convicto. Sempre estava nos lugares da moda, bebia bastante e fumava apenas pela influência dos ídolos da época. Até que um dia eu fui assistir a um lançamento no cinema e a protagonista me deixou de boca aberta.
Voltei pra casa sem conseguir tirar aquele rosto da minha mente, sonhei com aquela que mais parecia um anjo com olhos intensos e marcantes. No dia seguinte passei em frente ao cinema só pra anotar o nome da atriz principal, desde então Renesmee Cullen não deixou minha mente.
Passei dias correndo atrás de qualquer informação sua em revistas ou jornais já que não tínhamos condições para comprar uma televisão. Consegui algumas fotos, mas pouquíssima informação pessoal.
O último período da faculdade exigia uma obra publicada e ao contrário do que os meus amigos apostavam, eu não só consegui concluir meu primeiro livro de poesias, enquanto eles preferiam escrever romances, como recebi um prêmio de destaque na Universidade e uma proposta de publicação nacional.
Parei de beber e de fumar. Assim que me formei e publiquei meu primeiro livro praticamente me enclausurei em meu próprio quarto durante um ano, só saia de lá quando era estritamente necessário. Lia bastante e escrevia como um louco tendo Renesmee como inspiração. Minha mente se fixava no belo rosto dela, e de minhas mãos saiam palavras sem que eu ao menos pudesse perceber o sentido. Era como se ela tivesse o poder de me dominar apenas com um olhar, um olhar que eu nunca vi pessoalmente, mas que eu não conseguia esquecer. Rachel dizia que eu estava obcecado e que ia enlouquecer, mas eu não ligava.
Meses depois da publicação do meu primeiro livro eu fazia um relativo sucesso recebendo mais prêmios e convites para festas badaladas onde tive a oportunidade de mostrar o rascunho do meu novo trabalho a uma das maiores editoras do país que logo me contratou por três anos e lançou meu segundo livro que me deu ainda mais notoriedade e me rendeu o título de Poeta Laureate.
Recebi um bom dinheiro a partir de então e pude ajudar mais a família. Troquei os móveis da casa comprei uma vespa e finalmente a sonhada televisão onde eu vi a primeira entrevista da minha deusa que estava pra laçar seu terceiro filme que lhe renderia muito sucesso.
Meses depois de sua aparição na TV eu tomava café na sala quando vi o anúncio de uma seleção de pessoas para um musical que teria a participação dela no papel principal e na escolha dos outros atores e dançarinos.
Dei um pulo do sofá e peguei um papel qualquer e uma caneta para anotar o endereço do local onde os testes seriam realizados, felizmente não era tão longe daqui quanto eu imaginei.
Eu tinha um mês para bolar alguma coisa que me fizesse entrar para o musical e ao mesmo tempo rezar pra não começar a tremer na frente dela.
(...)
Faltava uma semana para o teste e eu continuava na mesma.
Contei com algumas amigas para ensaiar um pouco, mas não consegui montar nada. Isso me deixava desesperado, afinal eu não sabia nem cantar ou interpretar como muitos atores.
Enquanto me preparava para mais um evento eu lutava para acertar a gravata borboleta. Botei gel no cabelo apesar de preferir que ele ficasse arrepiado mesmo, mas esse povo chique que vai estar na festa não deixa um só fio de cabelo fora do lugar.
- RACHEEEL! AJUDA-ME AQUI!
Ouvi a chegada da minha irmã que já parecia saber do que se tratava.
- Mas você não aprende mesmo, não é Jacob?
- Não ligo para essas frescuras. – falei dando de ombros.
- Você não deveria encarar assim. Queria eu ter esta oportunidade de freqüentar as festas da alta sociedade. – ela falou com os olhos brilhando.
- Qualquer dia te levo junto de penetra. – falei piscando.
- Você é tão louco que eu nem duvido. – ela disse balançando a cabeça – Prontinho!
- Obrigada Rach.
- Aprenda logo esse nó! – ela falou com ar de riso saindo do meu quarto.
Arrumei o paletó e saí de casa para pegar a condução rumo ao centro da cidade. Tentei descer do ônibus menos amarrotado possível e corri para me misturar entre os riquinhos que desciam dos seus carões particulares.
O segurança que conferia a entrada de todos na festa me olhou desconfiado, mas depois que eu mostrei o convite ele me deixou entrar no magnífico Teatro Municipal de New York cheio de intelectuais para o prestigiado lançamento da coletânea de poesias de um poeta conhecido em todo país que tinha falecido no ano passado.
Conversei com alguns amigos da área e até que vi passar pelo hall do teatro a minha musa inspiradora. Sim, Renesmee Cullen em pessoa e pura beleza estava lá a vinte metros do meu olhar atônito e encantado.
Este era o efeito que ela causava em todos, admiração pelo seu charme e elegância. Ela deslizava pelo salão entre um cumprimento e outro. Seus olhos levemente esverdeados iluminavam o ambiente contrastando com a maquiagem preta nas pálpebras e o vestido de veludo verde petróleo. Sua pele alva era mostrada nos ombros caídos da peça verde e seu sorriso deslumbrante tornava impossível não desejar os lábios grossos pintados com um vermelho fosco.
Lá estava eu novamente esta noite
Forçando a risada, fingindo sorrisos
Mesmo velho lugar, cansativo e solitário
Paredes de insinceridade
Olhos se deslocando e espaços vazios
Desapareceram quando eu vi seu rosto
Era a primeira vez que eu a via de perto e meu corpo inteiro reagiu a sua presença. Minhas mãos tremiam e minha boca estava aberta como se eu estivesse parado no meio de uma frase. Deixei alguns colegas no meio da conversa assim que vi um garçom se dirigir com uma bandeja de canapés à minha deusa.
- Pode deixar que eu leve amigo.
- Mas... – ele me olhou de cima a baixo, mas parecia mesmo ocupado.
Insisti e ele logo cedeu, peguei a bandeja e me preparei para a aproximação quando um idiota vem me interceptar.
- Jake! – era James, naturalmente bêbado como nos tempos de faculdade – Cara, que bom te encontrar aqui! Estava relembrando os tempos da faculdade esses dias e fiquei pensando em como nos divertíamos. Você é mesmo que um irmão pra mim cara!
Deixei a bandeja nas mãos dele já que James frustrou meus planos de chegar perto dela sem ser percebido. A roda de pessoas que estava em volta dela ficou nos encarando e eu tive que me afastar rapidamente.
Passei o resto da festa observando-a de longe até que vi um editor que já trabalhou comigo conversando com ela. Aproximei-me o mais depressa que pude e controlei a respiração quando cheguei perto dos dois para não deixar claro o meu nervosismo. Aproveitei que Renesmee dava atenção a uma senhora aparentemente muito rica e falei com Embry.
- Embry? – perguntei como se não tivesse notado sua presença antes.
- Jacob! – ele se surpreendeu a me ver. – É bom lhe ver aqui meu caro! – ele disse apertando minha mão.
- É bom encontrar você também. Este evento está tão parado. – falei vendo a quantidade de artistas e escritores introspectivos a minha volta somados a bacharéis idosos e bêbedos.
Para minha surpresa e satisfação antes que Embry pudesse responder, ela comentou alegre:
- Concordo plenamente!
Vi um sorriso asfixiante formar-se em seu rosto e perdi a fala mais uma vez. Embry percebeu o “efeito Renesmee” em mim e nos apresentou, não consigo lembrar-me da voz do meu colega neste momento, mas a imagem daquela mão estendida esperando pelo meu beijo é inesquecível. Inesquecível também, mas incomparável foi o toque dos meus lábios na sua pele suave com aroma de perfume Francês que ainda habita minhas narinas.
Sabe quando você fica tão nervoso que você acaba esquecendo os detalhes do que aconteceu no outro dia? Foi o que eu vivenciei neste dia que a encontrei. Lembro-me apenas do seu andar suave, dos seus gestos cheios de classe e do seu sorriso estonteante que me tirou o fôlego inúmeras vezes. Conversamos futilidades e coisas da vida como tempo e política, Embry falou das minhas obras e ela mostrou certo interesse o que me deixou soltando fogos por dentro.
A conversa começa
Como passar bilhetes em segredo
Tudo o que posso dizer é que foi encantador conhecê-la
Prometi-lhe mandar minha obra completa autografada e ela ficou lisonjeada, falou do musical que ia participar e eu mostrei todo meu interesse pela área então ela me convidou para assistir aos testes e tentar uma vaga caso fosse do meu interesse. Não me lembro de mais detalhes ainda menos das palavras que ela usou, mas voltei para casa absorto em sonhos e imagens que incluíam sempre o seu rosto.
Estou perplexo, corando por todo o caminho até em casa
Vou passar a eternidade me perguntando se você sabia que
Eu estava encantado em conhecê-la
Não consegui dormir com sua graça ainda preenchendo o meu ser. Curioso por saber mais dela, curioso por saber como é estar sempre com Ela.
A pergunta persistente me manteve acordado
Duas da manhã, quem você ama?
Pergunto-me até se eu estou bem acordado
Agora eu estou andando para lá e para cá
Desejando que você estivesse na minha porta
Eu abriria e você diria
"Ei, foi encantador conhecê-lo"
Oh, fiquei encantado em conhecê-la também
E este sou eu rezando para que
Esta seja a primeira página
Não onde a história termina
Meus pensamentos vão ecoar o seu nome
Até eu ver você de novo
Estas são as palavras que eu guardarei
Enquanto eu estava indo tão cedo
Eu estava encantado em conhecê-la também
Por favor, não esteja apaixonada por outra pessoa
Por favor, não tenha alguém esperando por você
Eu nunca fui apaixonado por outra pessoa
Eu nunca tive alguém esperando por mim
Porque você é a realização de todos os meus sonhos
E eu só queria que você soubesse
Estou tão apaixonado por você.
Notas finais
Desculpem-me pela demora na postagem deste capítulo meninas, mas a faculdade e o trabalho então exigindo de mim e de Ray mais do que nós podemos oferecer, mesmo assim não esqueci de vocês e aqui vai o primeiro capítulo da nossa nova fic. o//
Essa fic é de época, como já foi dito, e além disso nosso Jake é um poeta então ele vai falar de uma forma mais romântica e lírica inclusive pela fascinação dele pela nossa Nessie *-*
Quero comentários e várias opiniões. Vocês sabem como seus palpites são importantes! ;D
:* Girls e prometo que postarei assim que der!
Jessy
N/B: Gente do céu, que musica linda! Adorei tudo aqui. O capítulo ta fofo, a musica é linda e até a demora pra postar! Kkkkkk, brincadeirinha.
Mas enfim, não vou me demorar muito, porque tenho coisas pra fazer.
Capítulo lindo e se vcs comentarem bastante o próximo vem mais rápido!
Beijos e até o próximo!
Ray Lima
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