Every Road
7 Capítulo 6 - Down
Loren's P.O.V.
Percorri todo o corredor escuro andando calmamente. Não estava assustada ou algo do tipo, me sentia perfeitamente bem. Cheguei na sala bem iluminada no fim do corredor, ela tinha algumas janela bem espalhadas e lampadas potente. No canto da sala, sentado em uma cadeira de couro preto estava aquele homem alguns centímetros mais alto que eu, com cabelos loiros e pele castanha, o homem estranho que segurava uma arma de pequeno porte. Seu olhar assassino me seguia, enquanto eu caminhava até ele, então sua arma estava na minha mira. Ainda assim, não me senti em perigo. Se fosse para me matar ele não teria me chamado.
Andei até ele e me sentei no chão, mostrando minha calma. Ele me examinou de cima à baixo.
— Posso saber o motivo de vossa senhoria ter me chamado aqui? — e soltei um leve riso. Eu estava brincando com fogo.
— E ainda faz piada — disse ele, soltando uma leve risada, depois se levantou e curvou a cabeça sobre a minha. Sua voz engrossou e ele estava gritando. — Não vê que sua vida está na minha mão?!
Não falei mais nada, Wren era de fato meio irritadinho. Todos na sala — capangas dele — estavam de prontidão para me matar.
Wren se sentou novamente e olhou para a janela exasperado. Continuei olhando para seu rosto sem ousar fazer nenhum movimento. Ele ficou mais alguns segundos sem falar nada, às vezes eu sentia que ele não tinha tudo em seu perfeito funcionamento. Depois — felizmente ou não — ele se virou novamente para mim e me examinou novamente.
— Loren, você é uma boa mentirosa — pela primeira vez temi pela minha vida. — Quero que você faça um trabalhinho por mim, quem sabe eu não perdoo sua divida.
Ele sorria maliciosamente para mim e olhava pro meu corpo, torcia para meu raciocínio estar errado. Eu retribuía com um olhar com estranhamento para ele. Mesmo estando agora com medo, ele não podia saber. Ficaria na cara demais..
— Acho que já perdi a conta de quantas vezes já paguei minha divida, Wren.
Ele balançou a cabeça concordando. Sua calma era completamente falsa. Wren levantou sua arma e a apontou para mim.
— Vai aceitar ou não? — Digamos que eu não tinha muita escolha.
— Pode falar — me entreguei à ele.
— Você vai me ajudar a me vingar de um pivete.
Matt's P.O.V.
Eu me sentia ridiculamente ridículo. Andava pela rua me perguntando como eu podia ser tão idiota. Sam estava... certa. Eu havia brigado com Stew, brigado com Sam, dormido com Amy, tudo por causa de um erro idiota. Meu celular começou a tocar no meio da rua, mas o deixei cair propositalmente em um bueiro. Continuei andando até em casa sem falar nada, quando cheguei, também não falei nada com meu pai. Subi diretamente pro meu quarto, tirei a roupa e me joguei embaixo do chuveiro, deixei meu corpo escorregar até o chão e deixei a água caindo sobre mim.
Eu me sentia mal, muito mal, não queria voltar a vê-los novamente. Stew havia a ajudado, enquanto eu havia a abandonado. Eu podia ligar para eles, tentar conversar, mas eu sempre precisava ser esse idiota. Sempre. Fiquei meia hora debaixo do chuveiro, sem reação nenhuma. Meu pai não foi me incomodar, se desse sorte, já teria saído pro trabalho. Sai do chuveiro, ainda nu e molhado me joguei na cama, fiquei lá, olhando para a janela por algum tempo. O sol já estava no seu auge e as pessoas estavam vivendo do outro lado da janela. Era como se naquela casa não existisse vida. A água do meu corpo escorria pelo lençol bagunçado embaixo de mim, mas aquele sentimento ruim continuava. Eu não sabia se iria me sentir bem novamente. Tanto mal que causei para aqueles que julguei mais gostar. Eu gostava. Não podia negar que ainda era apaixonado por Sam, aquilo era evidente até para mim. Também sentia falta de Stew, nunca tive um amigo como ele. Senti falta dos antigos verões e praia, e tudo aquilo tão bom. Eles haviam terminado por minha causa, eu não conseguia deixar as pessoas bem. Por que eu havia voltado?
Me levantei, vesti uma cueca e fui para a sala. Chegando no último degrau tropecei, como se ainda fosse aquele garoto desastrado e fiquei mais alguns minutos no chão. Comecei a chorar novamente, mas não voltei a me mover. Depois de alguns minutos me levantei. Ainda tinha alguns pingos de gota pelo corpo e pelo cabelo, que fizeram meu trajeto até a cozinha. Peguei um copo e o Whisky do meu pai que estava no armário. Ainda tinha uma garrafa cheia.
Coloquei suavemente a garrafa sobre a mesa e peguei o maior copo que consegui encontrar. Não coloquei doses como aquelas de bar, enchi o copo até a ponta e bebi tudo de uma vez. Minha cabeça doía por dentro e por fora. Tudo sobre mim estava dolorido, e a cada gole, tudo piorava. A sensação péssima de incômodo foi piorando a cada copo, mas eu não parava. Em dez minutos eu tinha tomado três copos. Em meia hora, a garrafa que estava cheia, já estava pela metade. Me levantei, dei alguns passos e cai no chão. Voltei a chorar. Um gosto estranho tomou minha boca, então eu estava vomitando pelo chão. Andei até o chuveiro e tomei outro banho, sem tirar a cueca. Outra meia hora se passou. Eu estava faminto, me arrastei até a panela e comi o máximo que pude, sem aguentar, vomitei novamente. Eu nunca havia ficado tão ruim em toda a minha vida. Dessa vez me lavei na pia da cozinha mesmo, molhando ainda mais a casa. Voltei a encarar a garrafa de Whisky e logo já estava com outro copo na boca. Mais outro. Mais outro. Mais outro. Continuei bebendo, vomitando, chorando e tomando banho o resto do dia. Em uma tentativa não sucedida de voltar para o quarto no fim da tarde, cai do topo da e fiquei desacordado no pé da escada.
Acordei algumas horas depois na minha cama, devidamente vestido e limpo. Meu pai estava no pé da cama de braços cruzados e feição dura, tudo o que eu não queria era um sermão. Olhei para a janela e a luz do dia invadiu meus olhos, achei que fosse explodir. Outro dia havia começado. Tentei me levantar, mas minha cabeça quase explodiu. Meu pai me trouxe um copo de água e me aconselhou a ficar deitado, também disse que na semana eu devia ir procurar um emprego para comprar outra garrafa de Whisky para ele. Sem querer dormi novamente enquanto ele falava e torci para que estivesse brincando.
Acordei no fim da tarde, me vesti e desci as escadas. Meu pai estava na sala vendo TV, por isso não me viu passar por ele e sair de casa. Minha cabeça ainda parecia estar prestes a explodir, mas tentei ignorar esse fato. O efeito da bebida era pouco ainda e eu não sabia se queria ficar livre daquele álcool e enfrentar minha mente sóbria novamente. Fui para o primeiro bar que encontrei, e sem um centavo no bolso, pedi três doses de Whisky. O garçom me trouxe na hora, e em alguns minutos eu havia acabado com as três. Tudo voltava a girar a minha volta, agora era eu e minha consciência bêbada, que era bem mais fácil de enfrentar. Pedi mais três doses, e o garçom me trouxe relutante. Minha garganta doía, meu estômago roncava. Eu estava excessivamente fraco. Já muito longe da consciência me levantei para sair do bar e cambaleei até a porta. As mãos do garçom seguraram meu braço e me impediram de passar, eu estava muito fraco para lutar, mas continuei me chacoalhando para ele me soltar. Por fim uma outra mão estranha me segurou, então o garçom me soltou. Alguém estava pagando a minha conta, mas eu estava bêbado demais para distinguir quem era, só torcia para que não fosse o tal Wren. Ou quem sabe, seria melhor se fosse ele e acabasse comigo de uma vez. A pessoa começou a me arrastar por um caminho diferente da minha casa, eu estava fraco demais para saber de quem era a voz ou aquele rosto. Soltei um riso, minha situação estava deplorável.
Acordei outra vez, — e por sinal era o que eu mais tinha feito — e dessa vez não sentia mais dor nenhuma. Estava em uma casa que me era familiar, as paredes azuis, os móveis rústicos e o barulho do mar tão alto que não podia não se ouvir. Me levantei calmamente e caminhei até a sala branca, que ficava ao lado do quarto. A TV estava alta, passava um desenho infantil e havia somente uma pessoa que eu conhecia que ainda assistiria desenho infantil.
— Stew — falei me aproximando da pessoa mais velha que estava no sofá. Ele se virou rapidamente para mim e se levantou, deixando o pequeno irmão no sofá. Ele caminhou até mim, ainda serio, ou talvez um pouco assustado. Eu estaria se tivesse o levado para minha casa depois de tudo o que aconteceu.
Olhar para Stew, face à face, depois de anos era muito estranho, ainda mais com tudo o que já havia acontecido. Ele era o mesmo, mas tão diferente. Eu me sentia envergonhado por estar ali, mesmo que o que ele fez foi legal
— Como você tá?
— Um pouco dolorido, mas bem — soltei um riso aliviado, depois o abracei para tentar esquecer os últimos quatro anos. — Me desculpa.
Ele não reagiu muito bem ao abraço, não o retribuiu, Stew nunca foi do tipo que abraça um amigo. Na verdade, nem eu era, mas eu precisava dizer o quanto eu estava arrependido. Só não conseguia falar.
— Tá tudo bem, Matthew — disse ele, tentando prender o riso. — Agora me solta, isso tá ficando meio gay — soltei ele e dei um murro no seu ombro. Quase cai com a força que precisei, mas ele me segurou. — Senta ali para assistir desenho, crianção. Vou fazer alguma coisa para você comer — me sentei como ele falou. Considerando como Stew era bom cozinheiro que pensei em ir embora, voltar pro bar e entrar em coma alcoólico.
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