Every Road

8 Capítulo 7 - Beach


A batida apressada na porta me despertou, eu estava quase dormindo no sofá. Stew correu para abrir, olhei para o lado e vi seu irmão pulando no sofá, eufórico. Olhei para a janela, já havia anoitecido. 20h42min era o que o relógio indicava.

Era o sexto dia na casa do Stew, sua mãe havia ligado para meu pai e ele havia concordado que era melhor eu ficar lá até melhorar, mas eu já estava melhor, e começava a querer ir embora, me sentia incomodando. No tempo que passei na casa do Stew, não fiz absolutamente nada, além de ajudar sua mãe e assistir desenho com o seu irmão mais novo, enquanto Stew trabalhava (essa era uma das coisas que mais me abismou, no tempo que estive fora, Stew arranjou um emprego em uma bicicletaria) e nos reaproximamos muito. Claro que as coisas não ficaram bem do dia para a noite, mas já era um começo.

Falamos de muita coisa, menos sobre garotas. Eu me sentia mal sabendo que gostava da mesma garota que meu melhor amigo.

Minha atenção voltou para a porta, assim que uma criatura alta e ruiva passou. Ele estava sorridente e ainda tinha aquele mesmo jeito jogado de andar.

— Teddy!

— Matthew!

— Stew! — disse Stew, tentando ser engraçado. Não conseguiu.

Teddy me cumprimentou depois se jogou no sofá. O irmão de Stew olhou feio para ele e fez uma careta estranha, acho que eles não se gostavam muito.

— Estava dormindo? Quanto tempo que não te vejo! Por onde andou? Ta tenho que falar rápido, não dá para ficar, vai ter um lual em duas horas lá na praia, que tal vocês aparecerem? Vai ser legal... — Stew assentiu de cara. Olhei bem para ele, Teddy continuava falando rápido e atropelando tudo com as palavras, também continuava o mesmo magricelo. Eu queria ir, mas não sabia se iria.

— Não sei...

— Você vai sim, olha só, você passa dez anos for...

— Quatro — corrigi.

— Fora e agora vai querer se isolar? Claro que vai!

Eu realmente não queria ir, estava sem ânimo, mas sabia que Teddy não deixaria ninguém em paz. Relutante, disse: — Eu vou.

Tedy, sozinho, soltou um grito e alegria, nos passou o endereço e finalmente foi embora. Era tarde, eu precisava ir para casa. Coloquei a roupa que eu estava antes — aquela mesma suja e cheia de vomito — e fui para casa.

A noite estava linda, o céu completamente estrelado, a temperatura perfeita e eu podia ouvir o barulho das ondas. Uma noite perfeita para ficar o tempo todo olhando para o céu, sem fazer absolutamente nada.

O vento que batia no meu rosto me deixava bem. De verdade, eu estava bem. Acreditava que estaria mais abalado, mas tudo parecia no seu lugar, Stew, Sam, Emy... Eu não havia parado para pensar como qualquer um de nos, mas seria melhor que tudo ficasse como está.

O sorriso da Sam (o sorriso de uma garota de quinze anos) refletia na minha mente, eu não sabia — ou não queria saber — o que sentia por ela, ao certo. Às vezes eu gostava muito dela, às vezes eu queria deixar tudo como está.

A verdade é que eu estava muito confuso. Muito.

Tentei esquecer tais assuntos e só chegar em casa vivo. Faz bem se preocupar cada vez com uma coisa, e os problemas menos relevantes primeiro. Assim que cheguei em casa arranjei outro problema relevante, poderia deixar pro fim da fila, mas esse era urgente: Estatelada no sofá, com um vestido florido e os cabelos castanhos e cacheados caídos para trás, estava uma mulher completamente desconhecida, ela parecia bem confortável. Sai da casa de novo, andei até o fim da rua, verifiquei na placa se era a rua certa, andei até a porta da casa, verifiquei três vezes se era a casa certa e entrei novamente.

Bom, tudo estava certo, eu estava no lugar correto. Bati o pé no chão, fingindo que foi um acidente, para chamar a atenção dela. Assim que me viu, largou o copo que estava na mão e correu um pouco desajeitada, para me cumprimentar. Estendeu a mão para mim, depois uma tentativa falha de me abraçar, depois apertamos as mãos novamente.

— Você deve ser o Matt, seu pai falou muito sobre você enquanto esteve fora — enquanto ela falava, ele saía da cozinha segurando uma taça com alguma bebida e desabotoava um avental. Uma cena estranha, considerando meu pai ser meu pai. — Eu sou Lorena, mas pode me chamar de Loren, como quiser — ela sorria sem graça. — Você que sabe! — Eu a olhava seriamente, me perguntando o que ela fazia ali. Meu pai caminhava serio, olhando para baixo. Ele parou ao lado da Lorena e passou a mão pela cintura dela, ele a puxou para mais perto dela e continuou me olhando serio. Era tão notável o medo da desaprovação. A essa altura, nenhuma palavra precisava ser dita, mas mesmo assim fizeram questão: — Matt, estamos juntos. — disseram em coro.

Continuei serio por mais alguns segundos. Eu nunca ouvi meu pai falar dela, nunca a vi, não sabia nada sobre ela, ela era bonita, muito bonita, é, eu não conseguiria por nenhum defeito nela (não aparente), então sorri.

— Vocês precisam conversar, eu vou pra cozinha — ela sorriu para nós e saiu andando.

— Então, quando isso começou? Desde quando vocês se conhecem? Conte-me tudo! — os dois riram, pois eu estava falando igual a ele.

— Ela é perfeita — e ele suspirou. Lastimável. — Nos conhecemos há alguns meses, ela... Ela demonstrou nos últimos dias que gostava de mim. Matt, eu não sei explicar só aconteceu e cara... — Esse é meu pai?

— OK, enquanto você estiver feliz, por mim está tudo bem... — bati no ombro dele e subi pro quarto e me joguei debaixo do chuveiro, como eu sentia falta da minha casa... A água massageava as minhas costas e eu me sentia mais relaxado a cada segundo. Deixei meu corpo deslizar para trás e logo eu estava sentado no chão, olhando pro teto. O tempo parecia não passar, mas meu pai soltou um "você está bem" do lado de fora da porta.

Levantei-me e me troquei rapidamente, tentei escolher a minha melhor roupa para essa noite. Sentia que ela iria não iria ser normal, só não sabia se isso era bom ou não. Desci as escadas apressado e estava quase pulando pela porta — um jantar para conhecê-la poderia esperar, não? Enganado! O cheiro da comida era maravilhoso, algo surreal. Eu não podia sair sem pelo menos bater o olho na mesa. E que arrependimento! A comida estava tão bonita, tão suculenta. A carne assada estava tão dourada, chegava brilhar. A salada tão colorida. Vendo meu sofrimento, Lorena, que pelo visto, era uma ótima cozinheira, resolvei me irritar mais ainda, dizendo: — Não quer provar um pouco não? Você poderia ficar.

— Tentador, mas não. Preciso ir — e precisava mesmo. — Conversamos depois!

Eles sorriram para mim enquanto eu atravessava a porta, senti um clima entre eles, era melhor deixá-los sozinhos mesmo. Andava apressado pelas ruas quase desertas, quase correndo. De vez em quando passava por bares e boates lotadas de pessoas. Era uma noite fria, vazia, não sabia qual o motivo, mas todas as minhas esperanças se disseram alguns minutos mais cedo. Eu já tinha a certeza que seria mais uma noite qualquer. Tudo piorou quando cheguei na praia, haviam dois grupos de pessoas — um com uma cobertura improvisada, lá estava Sam, já embriagada e fumando alguma coisa, algo estranho já que eu nunca havia a visto nessas situações. Alguns metros de distância, outro grupo com mais ou menos vinte pessoas, eles estavam ao relento, com bebidas e uma fogueira, tão fraca que estava quase apagando — e, quem eu menos queria ver, saiu de um deles na minha direção. Amy.

Ela correu com os pés na areia e saltou na minha direção, logo depois que consegui me reestruturar, ela selou seus lábios junto aos meus, em um beijo apaixonado, como um daqueles casais de filme. Deslizei minha mão pelo seu corpo, agindo como se estivesse gostando de tudo aquilo, o que não era verdade. Beijar Amy no mesmo local que Sam estivesse não me atraia nem um pouco. Na verdade, isso tudo fazia eu me sentir ainda mais idiota, depois da conversa de alguns dias atrás com Sam.

— Eu quero conversar com você — disse ela, assim que nos separamos, minha mão continuou na sua cintura. Imediatamente direcionei meu olhar para Sam; ela estava com uns dez garotos, todos rindo, apresentando estar tão embriagados quanto ela. Ela virava uma garrafa na boca, tomando todo o conteúdo, os rapazes gritavam eufóricos. Assenti para Amy. — Depois daquela noite, eu não consegui parar de pensar em você — não, não, não, não, não prossiga, pensei. — Matt, você é incrível, e eu acho que eu estou mesmo gostando de você. Ficar com você é o que eu mais quero. Depois você sumiu claro que não sou aquelas garotas controladora. Matthew, o que eu quero dizer é que eu te amo e quero ficar com você. Pra sempre! — Se ela não estivesse me olhando, eu estaria chacoalhando a cabeça negativamente e rindo, mas não conseguiria. Não agora. Fiquei a fitando por alguns segundos enquanto ela mordia os lábios e agradecia por ela ter parado de tagarelar.

Meus olhos deslizaram cuidadosamente para Sam, era quase impossível não ficar a olhando. Mesmo bêbada e toda atrapalhada, ela ainda era formosa, linda. Ela tentou levantar da cadeira que estava sentada e se desequilibrou. Uma mão boba a segurou, então ela riu para o garoto e logo depois abraçou outro. Não era o tipo de coisa que eu sonhava em ver, mas eu merecia aquilo por ser tão idiota e egoísta. Meus outros atos não foram diferentes dos atos idiotas e egoístas. Beijei Amy tão apaixonada como ela estava antes.

Não a beijei por mim, pois não via mais nenhum tipo de atração em Amy (exceto em certas circunstâncias). Não foi por Amy, eu não sentia pena alguma dela, ela não era o tipo boa garota que estava sendo. Foi por Sam, eu não estava pronto para vê-la com outro garoto, imaginá-la com Stew já era demais para mim.

Separamos-nos um pouco e nos juntamos ao pessoal da fogueira. Stew estava lá, sentado em um banquinho, com uma garota alta e loira sentada no colo dele, ele piscou para mim, depois sorriu, então voltou a beijá-la. Eu me apoiei a um coqueiro e passei a mão na cintura da Amy, apertando seu quadril contra o meu, ela sorriu e voltou a me beijar.

Em Washington eu já havia ficado com muitas garotas, muita delas, menos atraentes que Amy, mas com nenhuma eu senti tanta indiferença quanto ela (Amy). Ficamos juntos o resto da noite, bebemos um pouco, mas continuei sóbrio, já Amy, completamente bêbada. Diversas vezes quase perdeu o equilíbrio. Depois das 2h AM. A maioria dos casais foi para casa ou motéis baratos em alguma esquina por aí, só havia sobrado dois garotos, aparentemente da nossa idade, mas estavam tão bêbados que mal conseguiam ficar em pé e Amy e eu. Ela insistia para que fossemos para um lugar mais reservado, mas eu pedi para que ficássemos lá por mais alguns minutos e não era preciso dizer o por que.

Já se passava das quatro, metade dos amigos da Sam foram embora — "amigos — e a outra metade estava caindo pro lado, só ela que continuava firme. De repente ela se levantou e começou a correr na direção do mar, gritando alguma coisa. Eu só podia ouvir de relance, mas era algo como "Matt, espere por mim". Meu coração acelerou e minhas mãos tremeram, o mar estava muito agitado e com ondas perigosas, eu mal podia vê-la, devido à má iluminação.

Ajeitei Amy, que estava dormindo abraçada a mim na areia e corri pro mar, na mesma velocidade que ela. Eu não podia ver muito, mas sentia a força de água. Sua sombra aparecia e desaparecia de uma hora pra outra. Ela se levantava na água, mas outra onda aparecia e a derrubava novamente. Ela não tinha mais forças para ficar em pé e, o mar a sugava para dentro. Eu precisava ser rápido.

O mar, que agora estava na minha cintura, me castigava tanto quanto à Sam, que não estava a mais de dez metros de mim. Toda tentativa de aproximação falhava, pois as águas traiçoeiras me empurravam de volta. Eu gritava a plenos pulmões, minha garganta estava ardendo, junto com meus olhos. Eu não tinha coragem de fechá-los e arriscar perde-la de vista.

— Samantha! — gritei o mais alto que pude e, dessa vez, ela ouviu. Virou-se para mim, seus olhos apavorados quase me derrubaram.

— Matt, você está aí! — e apontou para mim. — Mas lá — e ela apontou para o norte, onde uma onda maior que ela a engoliu.

Sam se perdeu na água, não pensei duas vezes antes de pular para buscá-la. A força de mar era indescritível e por alguns segundos o medo de não voltar me tomou, mas quando consegui agarrar seu braço, o apertei com toda a força que ainda me restava e comecei a lutar para voltar.

Foi difícil, mas consegui. Quando a água estava no meio da canela — e Sam gritava "me solta, você está me machucando" inúmeras vezes —, eu a joguei na areia, apresentando um pouco de agressividade. Minhas bochechas estavam estufadas e eu ainda tentava recuperar o ar, meus joelhos fraquejavam, mas eu ainda estava irritado.

— Como você pode fazer algo tão idiota?! Você poderia ter morrido se não... — berrei o mais intimidador que pude, mas fui interrompido pela sua voz calma e doce.

— Se não fosse por você...

Já fraco demais, cai na areia fofa, ao seu lado. Fiquei com a cabeça virada pro lado contrário dela, não queria olhá-la, nem parecer doce. Pude ouvir o seu choro, mas não demonstrei afeto. Depois de uns cinco minutos, ela passou a mão nos meus cabelos que começavam a secar e murmurou: — Me desculpa. Por tudo. — não respondi, mas ela continuou. — E eu quero que esqueça tudo aquilo que eu falei sobre gostar de você, não que... Foi bobagem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.