Every Road
5 Capítulo 4 - Talk
Notas iniciais
Matt's P.O.V.
Antes que mais alguém viesse me importunar, sai pela janela e desci para a garagem. O primeiro lugar em que procurei a chave do carro foi no armário velho onde meu pai guardava parafusos e ferramentas, ele costumava guardar lá a chave, e lá estava ela. Nem tudo mudou. Entrei no carro sem falar nada, acendi um cigarro e comecei a tragar. Meu pai não foi me procurar, então fiquei cerca de quarenta minutos na garagem sem fazer nada. Me lembrei novamente como eu odiava cigarro, não via nada atrativo naquilo. O silêncio parece bem atrativo quando você está cansado, mas na situação em que eu me encontrava, ele só fazia me corroer. Ficar sozinho significava imaginar, pensar, me iludir. Eu só não podia me dar a chance em acreditar em tais besteiras novamente.
Lá pelas nove da manhã, abri a garagem fazendo menor barulho possível e sai antes que meu pai me impedisse, dirigi pouco acima da velocidade permitida, com a janela aberta e a a cabeça levemente inclinada para fora. Meus olhos estavam parcialmente fechados por causa do vento, eu me sentia bem. Dei uma volta rápida pelos lugares que eu ainda não havia passado ontem, mas nada muito longo, em todo esse tempo, nostálgico não é uma coisa que eu costumava ser.
Depois disso, já de cabeça cheia, fui atrás de uns amigos que também não andavam em boa companhia. É sempre bom manter todo o tipo de contato, principalmente quando você precisa salvar algumas vidas. Comprei algumas gramas de maconha com um antigo amigo, que agora, infelizmente, era usuario. Ele era até bonito antes de cair no vício, mas agora não parecia nem um pouco atraente. Sem muita dificuldade fui embora — É incrível a facilidade que você pode comprar uma quantidade de droga que pode até mesmo te matar.
Estacionei o carro na porta da Sam e fechei as janelas. A casa dela continuava a mesma coisa. Às vezes tudo parecia tão diferente de quando eu parti, mas de vez em quando eu me sinto naquele mesmo lugar de antes. Fechei a janela do carro e liguei o som. Repousei a cabeça para trás para ouvir a musica que estava tocando, eu não conhecia, mas era legal. Fechei os olhos, voltando alguns anos atrás e imaginando como tudo seria agora se eu não tivesse ido até aquela festa. Eu me sentia como uma daquelas garotinhas adolescentes com crise existencial. Um peso nas costas dos outros. Se não fosse por mim e aquele dia tudo estaria bem novamente, e essas situações poderiam ser evitadas.
Parei de me sentir como uma garotinha em um blog quando vi o irmão da Sam saindo da casa dele e caminhando pela rua. O garoto era alguns centímetros mais baixo que eu e bem mais magro. Ele usava uma camiseta cinza e uma calça jeans comum. Seu cabelo tinha um corte completamente estranho. Tudo nele parecia estranho.
Liguei o carro rápido e avancei na sua direção, torcendo para que ele ainda me reconhecesse. Quando o alcancei comecei a reduzir a velocidade até perceber que estava sendo seguido. Ele olhava para o lado constantemente, aparentemente assustado. Alguns segundos depois, quando ele já estava desmaiando de medo, e eu desmaiando de rir, abaixei o vidro. Ele me reconheceu imediatamente — ainda bem — e sorriu pra mim.
— Oi, Matthew.
Até mesmo a voz daquele garoto era estranha, o que ele andava fazendo?
— Oi, entra aí.
— Hm, não vai dar, eu tenho que sair — ele olhava para os lados o tempo todo enquanto falava, e gesticulava muito com as mãos. Era estranho falar com ele.
Entendi rápido que as coisas não seriam do jeito fácil, então sem muita conversa, levantei o saquinho verde que estava caído do meu lado para ele. Um sorriso amarelo se formou no canto da boca dele, e sem meio termo, ele entrou no carro. O caso do garoto era pior do que eu imaginei. Me senti aflito pelo que estava fazendo, mas continuei. Ele perguntou onde estávamos indo, mas não respondi, continuei dirigindo pela área negra da cidade. Rápido chegamos em um terreno baldio, desci do carro e contornamos o lixo e fomos parar em um casebre. Eu, o irmão da Sam e o saco de maconha.
— Então, o que viemos fazer aqui? — disse ele com os olhos grudados no embrulho. Fui tomado pela fúria imediatamente e pulei no pescoço do garoto.
O joguei na parede e o segurei pela gola da camisa, então o ergui do chão. Ele era alguns anos mais novo que eu.
— Qual o seu problema, pivete? Sua irmã tá encrencada por sua causa e por causa dessas merdinhas suas — ele tentava falar algo, mas começava a ficar vermelho. Tentou reagir a mim, mas eu era mais forte. Quando vi que o garoto não aguentava mais, o joguei no chão. Ele ficou lá arfando por alguns segundos, enquanto eu tirava um isqueiro do bolso para queimar a maconha.
Senti a dor em seus olhos ao ver a folha queimar, mas não me importei. Quando cansei de tortura-lo, sai do casebre e parti em direção ao carro. O garoto se levantou e correu atrás de mim.
— Você é estupido — disse ele, logo após escorreu em um saco de lixo e ficou deitado no chão, arfando. — Minha irmã dava pro seu melhor amigo mesmo sabendo que você gostava dela e você ainda vem a defendendo.
O garoto tinha ido longe demais. Avancei novamente na sua direção e depositei meu pé no seu estomago. Seu grito pode ser ouvido por todo o terreno. Ele não sabia brincar com as palavras, devia ficar calado. Depois disso chutei novamente seu estomago, quando ele estava prestes a chorar, murmurei "Isso foi para respeitar sua irmã", então entrei no carro e fui embora.
Stew's P.O.V.
Repousei minhas costas na parede gelada e fui me arrastando até o chão. Deitei minha cabeça para trás, tentando recapitular tudo o que havia acontecido nos últimos dias. Era muita coisa até mesmo para mim. Todo aquele sentimento ruim de quando Matt foi embora, voltou. Eu começava a me sentir melhor e superar tudo, mas ele estava de volta e isso não acabaria tão cedo. Sem duvida, ter ficado com Sam depois que ele partiu foi uma das piores coisas que já fiz na minha vida, tanto por ele quanto por mim.
Uma gota de água escorreu do meu cabelo encharcado e bufei. Todo aquele calor estava me matando lentamente, e não era o único. Traguei o cigarro que estava aceso ao meu lado e meu telefone vibrou. Pensei em atender, mas ignorei, era o melhor. Continuei ali, sem nenhum movimento, naquela posição deprimente, jogado em um canto da casa, longe de qualquer luz, sem vida, mas pelo menos estava sozinho. Ultimamente eu não suportava mais a companhia de ninguém.
Me senti mal porque eu não era o único que estava nessa situação. Talvez alguém está muito pior do que eu. Uma ponta de nostalgia me apertou, me lembrar de como tudo era tão bom antigamente, quando todo mundo se dava bem, Amy, Sam, Matt, eu, Alexandro. Sentia falta de como nos sentíamos juntos e gostávamos um dos outros, quando não nos odiávamos. Provavelmente isso nunca vai voltar, ter ficado com Sam só dificultaria tudo. Eu gostava dela, muito. Eu me sentia bem quando estava com ela, o sorriso dela, cada detalhe dela me fazia sentir bem, mas talvez eu não a fizesse tão bem, e seria egoísmo fingir que não via isso. Agora que Matt voltou, tudo só iria piorar.
Curvei a cabeça para trás novamente para tentar respirar quando uma sombra inusitada apareceu na porta. Levantei rapidamente quando a vi, mas não atrevi avançar, não estava esperando vê-la, ainda mais agora. Ela atravessou a porta e parou na mesma, colocando as mãos para trás para apoiar o corpo. Ela estava coberta pela sombra, tudo o que eu podia ver era uma calça jeans e uma camiseta branca, mas mesmo sem roupa eu poderia reconhece-la.
Era estranho aquele silêncio horrivel que havia se formado. Ela não disse nada, nem eu, mas não era essa a intenção. Uma sensação ruim nos perseguia agora, como se algo tivesse sido arrancado cruelmente de nós, algo que nunca mais teríamos.— Stew — sua voz parecia agoniada. — Precisamos conversar.
A partir daquele momento ela não precisava falar mais nada. A pena em seu tom de voz já esclarecia tudo, e no fundo, era aliviador.
Há muito tempo percebi que eu não fazia mais bem para Sam, eu estaria sendo idiota se ficasse insistindo nessa história.
Brigavamos semanalmente, creio que nada nunca esteve bem, não via motivo para ainda insistir.
— Eu acho que não dá mais — as palavras saiam com dificuldade e eu temi que ela se sentisse mal.
Sem demandas assenti para ela, me virei de costas e peguei o telefone. Pelo espelho pude ver sua expressão confusa, sem duvidas, considerando tudo o que vivemos, ela não esperava essa reação. Nem eu. Não sabia o que estava fazendo, mas chorar na frente dela não era uma coisa que EU faria.
— Alô, Alexandra? — Atrás de mim, Sam se perguntava o que eu estava fazendo. Alex me respondeu calmamente, perguntando o que eu queria. — Está livre amanhã à noite?
Sam chacoalhou a cabeça em negação se perguntando como ela pode passar tanto tempo com um idiota como eu, avançou na minha direção e deu alguns tapas em mim, me virei e coloquei a mão no rosto para me proteger. Ela estava tomada em ódio pela minha falta de sensibilidade.
— Você é um grande filho da puta — disse, agressiva, então saiu.
Sorri aliviado por saber que ela devia se sentir melhor e me joguei para trás de novo.
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