Notas iniciais
Hello, mais um capítulo! Espero que estejam a gostar desta história.

Tinha sido há três dias atrás que eu soubera a notícia que Adam iria estagiar em Seattle numa empresa de arquitectos que seu pai recomendara, primeira reacção choque, segunda choro e a terceira felicidade pela oportunidade que o meu namorado ia ter. Assim que passei estas três fases resolvi passar os melhores momentos ao lado do homem que eu amava, e apenas o tinha até Janeiro depois ambos ficaríamos longe um do outro e a nossa relação podia continuar ou até mesmo acabar devido à distância.

– Em que pensas babygirl? — perguntou Adam mexendo-me nos cabelos, ambos estávamos sentados num cadeirão do seu quarto.

– Que vou morrer de saudades tuas. Não vou aguentar tanto tempo sem ti. — sorri fracamente.

– Eu sei, mas por isso mesmo é que temos de aproveitar cada minuto ao lado um do outro. — disse acariciando-me a face. – Vá, não penses mais nisso.

– Vou tentar. — e voltei a encostar a cabeça no seu ombro começando a ler de novo os apontamentos no livro assim como Adam dirigiu a sua atenção para o seu continuando sempre com as suas leves carícias nos meus cabelos.

Ficamos a estudar até ao fim do dia e quando já quase não havia luz natural pousamos os livros no chão e fomos para a sua cama, onde aconchegados vimos um pouco de televisão. Brinquei com a sua mão entre as minhas enquanto estava encostada no seu peito, cruzei os nossos dedos e senti um leve beijo no meu pescoço que me fez arrepiar.

– Essa barba arrepia-me. — sorri.

– É esse o meu objetivo. — disse abafando a sua voz na minha clavícula.

– Atrevido. — disse virando a cara em direção à dele que estava a centímetros.

– Mas tu adoras. — sorriu de lado.

– Convencido. — e ambos sorrimos unindo os nossos lábios para um beijo calmo e cheio de segundas intenções.

*

O meu último dia com Adam chegara, em algumas horas ele estaria a embarcar para Seattle no outro lado do país para o seu estágio numa das melhores empresas de arquitetos. Apesar de ele sempre me dizer que podia ficar mais perto numa empresa menos boa eu sempre o apoiei para que ele aceitasse a grande oportunidade, não queria que ele a perdesse por mim. Passei a noite com ele e agora após acordar na sua cama envolta no seu abraço dei por mim a sentir um enorme aperto no coração, aquelas malas espalhadas no quarto, os armários vazios e as nossas fotos guardadas numa caixa.

– Bom dia amor. — ouvi a sua voz rouca pelo sono.

– Hey. — disse olhando naqueles olhos onde me perdia tantas vezes.

– Estás bem? — perguntou preocupado ao olhar-me.

– Sim, não te preocupes comigo. Vamos comer? — disse abrindo um sorriso para tentar animar-me.

– Já? Pensei que podíamos ficar aqui mais um bocadinho. — ia dizendo ao mesmo tempo que se deitava por cima de mim. — Sabes a dar miminhos um ao outro. — sorriu.

– Hmm, isso é tentador. — sorri matreiramente — Mas realmente estou cheia de fome. — ri ao ver a cara de desilusão dele.

– És má, sabias? — disse brincando com o meu cabelo.

– Tu gostas.

– Pois gosto. Vamos lá preparar qualquer coisa para esta esfomeada. — riu.

Observei o meu namorado a retirar as nossas canecas do armário do topo e o leite do frigorífico enchendo-as de seguida sempre com um sorriso na cara, apesar do nosso semblante feliz estávamos de rastos com a nossa separação mesmo sabendo que a nossa relação não acabara sabíamos o risco que estávamos a correr ao namorar à distância ia ser muito doloroso, mas ambos íamos lutar por nós.

– Amor onde está o meu telemóvel? — ouvi Adam perguntar no seu quarto enquanto se preparava para ir para o aeroporto.

– Aqui. — disse mostrando-o na minha mão.

– Obrigada. — sorriu dando-me um beijo.

– Estás pronto?

– Sim, só me falta uma mala.

– Mais uma? — exclamei

– Sim, onde possa colocar-te. — disse abraçando-me.

– Tonto. — ri.

– Menino Adam, já está tudo pronto. — ouvimos Garrett, o motorista, dizer.

– Obrigada Garrett, bem vamos lá.

A viagem até ao aeroporto não demorou muito apesar do trânsito que se fazia sentir, como o motorista era experiente sabia quais as ruas a evitar e aquelas que lhe convinham mais para o destino. Assim que Adam levantou o bilhete e colocou as malas na passadeira para o seu voo, dirigimo-nos para a sala de embarque lá encontravam-se os nossos amigos com quem tinha combinado esta pequena despedida.

– Vê se te cuidas meu menino. — ouvi Mel dizer enquanto o abraçava.

– Eu sei que é gay, mas vou ter saudades tuas. — disse Nate.

– Sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas foi bom ter-te conhecido. — disse Olivia.

Entre despedidas ouvimos a voz avisar que já era possível embarcar no avião, o momento chegara seria a última vez que ia estar com ele pelo menos nos próximos anos.

– Vou ligar-te sempre que puder. — ouvi-o dizer. — Amo-te tanto, nunca te esqueças disso.

– Eu sei, também te amo muito. — disse já com as lágrimas a escorrer na cara enquanto o abraçava e o beijava.

– Tenho que ir agora. — disse algum tempo depois pegando na sua mala de mão e começando a dirigir-se para o portão de embarque mas antes mesmo de entregar o bilhete correu até mim e beijou-me como se não houvesse amanhã, um beijo digno de filme. — Para sempre teu. — colocou a minha mão sobre o seu peito e por fim desapareceu do meu campo de visão.