Everlasting Love
8 Eight
Notas iniciais

Acordei com uma festa na bochecha e uma voz rouca perto do meu ouvido, estava num sono tão profundo que o som parecia longínquo mas a cada segundo que passava tornava-se mais nítido, mexi-me ligeiramente debaixo dos lençóis e ouvi uma ligeira risada.
– Vá lá, acorda bela adormecida. – disse Adam sentando-se na beira da cama.
– Temos uma aula hoje lembraste?
– Hmmm que horas são? – respondi sonolenta.
– Ahm, são sete da manhã.
– O quê?! – exclamei.
– Shiu, não acordes, os outros, até te trouxe o pequeno-almoço à cama. – disse mostrando um tabuleiro com várias coisas.
– Chantagista. – sorri roubando uma uva.
– Resultou, não resultou? – sorriu.
–Yep. Mostra o que tens aí.
Após concluir o pequeno manjar, enquanto Adam ia à cozinha arrumar tudo, decidi vestir-me, optei por um bikini às riscas brancas e vermelhas na parte de cima caicai e cueca preta, vestindo por cima uns calções de ganga e uma t-shirt justa preta. Estava a pentear-me quando Adam bateu à porta entrando a seguir pedindo licença.
– Pronta?
– Sim. Que tal? – disse dando uma voltinha antes de pegar na mala de praia e no chapéu.
– Acho que consegues desviar a atenção, dos surfistas, toda para ti. – disse rindo.
Como a praia era perto da casa de Liv fomos a pé, sempre a rir e a conversar, Adam carregava a prancha debaixo do braço e vestia uns calções de banho pelo joelho pretos da Billabong com alguns desenhos e uma t-shirt vermelha que definia os seus músculos. A praia estava com algumas pessoas a maioria famílias e surfistas mais no lado sul da praia, segundo Adam era o spot mais requisitado da zona, por isso nós iriamos ficar num neutro onde todos podiam surfar. Pousei a mala na areia e retirei de lá de dentro a toalha estendendo-a numa espreguiçadeira debaixo de um guarda-sol de palha, e despi as peças de roupa desnecessárias para fazer praia.
– Já vamos treinar? –perguntei olhando para um Adam que despia a camisola, e como se de um filme tratasse vi esse momento passar em câmara lenta. Observei cada parte do seu tronco bem definido e nem disfarçar consegui.
– Sim, anda daí. – sorriu sem perceber o quão pasma estava da beleza dele. Agradeci, mentalmente, às minhas bochechas por não ficarem vermelhas que nem um pimento naquele momento.
Ficamos alguns minutos a aquecer à beira da rebentação e depois entramos na água, na zona mais baixa, onde eu iria treinar a colocar-me em pé na prancha. A primeira tentativa foi um total desastre, escorreguei e cai em cima da prancha fazendo com ele se risse das minhas figuras, tentativa após tentativa, finalmente, consegui equilibrar-me.
–Óptimo é assim mesmo. Agora vais tentar fazer isso na onda. – disse demonstrando primeiro.
– Oook. – disse com um pouco de receio, remei até à zona das ondas e fiquei à espera de um boa, quando esta veio ergui-me e consegui, por momentos, surfa-la, mas logo cai em cima de Adam afundando-nos aos dois. Voltei à superfície a rir-me enquanto retirava os cabelos da frente da cara.
– Estás bem? – perguntei.
– Acho que sobrevivo. –riu. – Estavas a ir tão bem... –disse retirando uma alga da minha bochecha.
– Pois, eu avisei que era má. – sorri.
– Só precisas de treinar mais um pouco...
– Mas não agora, vamos sair já tenho frio. – disse abraçando-me.
– Sim, vamos lá. – e pegou na prancha e rodeou-me com o braço livre.
Encaminhamo-nos para o nosso lugar e Adam pegou logo na minha toalha envolvendo-me nela e abraçando-me de seguida para que eu aquecesse, apesar de estar calor as temperaturas ainda não estavam de Verão e digamos que a água estava bem fresca.
– Obrigada. – disse sorrindo.
– De nada, estavas toda arrepiada. Estás melhor? – perguntou olhando-me nos olhos.
– Sim, és um bom aquecedor.
– Já tenho emprego? – questionou rindo ligeiramente.
– Quem sabe? – disse rindo também.
– Isso é um talvez, já é bom. – disse retirando-me uma mecha de cabelo para trás da orelha, ficando lá com a mão e fixando o olhar entre os meus olhos e os meus lábios. Sabia que isto ia acontecer, mais tarde ou mais cedo, ambos sentíamos algo de bom quando estávamos juntos e não era apenas a amizade que construíramos nos últimos meses era algo mais, mas como sempre eu tentava esconder esse sentimento com medo de perder o que tinha com ele. Assim que senti os seus lábios tocarem os meus, senti de novo a onda eléctrica percorrer-me a espinha, ergui a minha mão direita e toquei-lhe na face enquanto o deixava aprofundar o beijo, numa questão de segundos, assim como, tinha começado o beijo acabou, deixando-nos sem saber o que dizer ou fazer.
– Também és um bom beijoqueiro... – disse sorrindo levemente tentando aliviar o ambiente instalado.
– Concordo. – sorriu provocadoramente.
– Parvo. – disse batendo-lhe ligeiramente no peito desnudo.
*
O dia passou rápido, e sem dar conta, já eram quase seis da tarde quando ambos chegamos a casa um pouco mais cúmplices que o costume, mas divertidos como sempre.
– Olá Liv. – disse, assim que entramos em casa.
– Olá meninos, desaparecem assim? – disse como se de uma mãe se tratasse.
– Nós avisamos a Mel. – disse Adam – Além de que só fomos à praia.
– Eu sei, estava só a brincar convosco. Convidei uns amigos a virem cá, a maioria vocês já conhecem. – sorriu. – Venham, está tudo na piscina.
– Eu já lá vou ter. – disse indo até ao quarto pousar a carteira e colocar o telemóvel a carregar.
Assim que cheguei ao jardim vi várias pessoas a apanhar o pouco sol que restava, outras dentro da piscina a jogar vólei ou, simplesmente, sentadas na relva a conversarem. Fui ter com a Mel precisava, urgentemente, de falar com ela sobre o sucedido na praia, mas como estava tanta gente ia parecer mal roubá-la por uns minutos.
– Mel, depois preciso falar contigo. – disse sentando-me ao pé dela.
– Ok. –sorriu – Devias ter chegado mais cedo foi tão engraçado ver o Nate a cair quando estava a entrar na piscina!
– Já ouvi dizer que sim. –ri.
– Não gozem, sim? – ouvi Nate dizer amuado atrás de nós fazendo-nos rir ainda mais, acabei por ir à água junto com Mel enquanto fugíamos do seu namorado.
Após o jantar arrumamos a cozinha enquanto os rapazes foram levar o lixo até aos contentores, estava tão distraída a limpar o balcão que só ouvi a Mel a chamar-me quando esta gritou.
– Diz.
– Vamos falar agora. – disse puxando-me até à cama da rede gigante que havia no jardim. – Olívia anda também.
– Ok, ok. – disse esta deixando para trás a máquina a lavar.
–Então o que se passou na praia? – perguntaram.
– Aprendi a surfar, quer dizer mais ao menos... –disse ligeiramente nervosa.
– Não vale enrolares, diz lá. – disse Liv.
– Ok, ok... ahm... O Adam beijou-me...nós beijamo-nos...foi isso.
– Uuuuh, bem me parecia que eram mais que amigos. – acusou.
– Eu logo vi que ia dar nisto quando vos apresentei. – disse a minha melhor amiga.
– Tu fizeste de propósito? – perguntei.
– Claro que não, mas também não vou dizer que não idealizei que vocês pudessem ficar juntos. – disse com um ar inocente.
– Ah, só mesmo tu! – exclamei divertida.
– Mas vá, tu gostas dele isso é nítido já pensaste no que vais fazer? -questionou Liv.
– Não sei, eu gosto de estar com ele, mas também não queria estar numa relação séria.
– Podias fazer como eu e o Dean, nós ficamos juntos de vez em quando mas nada sério. – sugeriu.
– Talvez, vou ver como correm as coisas. – afirmei.
– Fazes bem. Mas agora vocês viram o pão que é o Damon?! – perguntou Mel assim do nada.
– Vimos sim. – rimo-nos em conjunto.
Os rapazes acabaram por chegar nesse mesmo momento e vendo-nos tão divertidas decidiram juntar-se a nós, Mel sentou-se no colo do seu mais que tudo, encostados a uma árvore deixando-me a mim e a Liv sozinhas a baloiçar. Ficamos o resto da noite a conversar e contar o que tínhamos feito nesse dia e a combinar mais coisas para os dias seguintes até o sono chegar e irmos dormir.
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