Notas iniciais
Heeyyy! Primeiro capítulo eu espero que vocês gostem ^-^

Fazia algumas horas que eu estava tentando dormir, mas nenhum sinal de sono me aparecia, apenas mais dor de cabeça. Levantei da minha cama tentando fazer o mínimo de barulho para não acordar ninguém da casa. Infelizmente, ao dar o primeiro passo para fora da minha cama, algum objeto que eu provavelmente deveria ter jogado por ali me fez tropeçar e cair de cara no chão, senti algumas coisas caindo em cima de mim – Pareciam livros... Ué! Mas eu não leio livros! — Não demorou muito para que algumas luzes pela casa se acendessem, bufei ao ver a figura alta e magra do meu irmão entrando no meu quarto.

- Gee? – Perguntou me procurando pelo quarto, eu ainda continuava no chão tentando me livrar dos enormes livros que caíram em cima de mim após a queda.

- O que que é? – Falei de mau-humor assim que consegui ficar de pé e poder encarar meu irmão que estava com uma cara de sono.

- Ah, é que eu ouvi uns barulhos e—

- Gerard Arthur Way! – Minha mãe entrou gritando no meu quarto, revirei os olhos tentando ignorar o quanto aquela voz fina me irritava. – O que o senhor pensa que está fazendo hein? Você deve dormir! Quer acordar os vizinhos? – Continuou gritando furiosa.

- Olha só quem vai acordar os vizinhos... Você é quem vai acordar os vizinhos. – Sussurrei sorrindo o mais sínico o possível, para ver se aquela mulher se mancava.

- Vá dormir. Amanhã eu quero meus filhos com pelo menos aparência apresentável no jantar. – Falou séria. Ela ainda insistia nessa história de que eu deveria ir com ela, o papai e o Mikey como uma família feliz para aquele jantar patético na casa dos Iero.

- Mãe eu já falei que eu não v-

- Vai sim senhor! Ou eu posso tirar seu vídeo-game, computador, som e televisão. – Ela não disse o principal, sorri agradecendo aos céus por ela não tirar a coisa mais importante. – Ah, o celular também, claro. – Sorriu sínica. Bufei lembrando que sem tudo aquilo eu era apenas um garoto insignificante com livros.

-Mas eu... Eu não sou sociável. – Implorei que alguém tivesse pena de mim, mas minha mãe me olhou como se não desse bola para o que eu havia acabado de falar.

- Vá dormir! Amanhã você vai cortar o cabelo, você está parecendo uma menina! – Falou me olhando assombrada. Mexi meus cabelos que estavam quase alcançando o ombro. – Boa noite. Para cama, Michael. – Desligou todas as luzes e se retirou do meu quarto.

Era só o que me faltava, ser obrigado a ir para aquele jantar ridículo. Não sei por que todos os amigos dos meus pais faziam questão de nos convidar para esses eventos, eram realmente entediantes. Sem falar da parte que eu iria cortar o cabelo, para piorar a minha situação, se bem que eu realmente já estava precisando. Voltei a deitar na minha cama, demorei um pouco para conseguir cair no sono, era melhor dormir do que pensar de novo naquele jantar.

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Abri os olhos lentamente, sem nem querer acordar, nem um pouco. Meu irmão já havia me chamado inúmeras vezes para eu acordar e dizer que a minha mãe já estava perdendo a paciência comigo. Levantei sonolento cambaleando um pouco. Abri meu armário; lá tinham apenas aquelas roupas pretas, no máximo ainda tinha uma camisa cinza; peguei qualquer roupa, vesti e desci as escadas, encontrando a minha mãe e meu pai de braços cruzados e umas expressões bem zangadas. Boa coisa eu não fiz... E, afinal, quando é que eu fiz alguma coisa boa mesmo? Não lembro não.

- Fala ai. – Balancei a cabeça para que eles mandassem ver nos xingamentos, eu já estava preparado para ouvir. – Se for sobre o jantar eu já falei que eu não vou ir de jeito nenhum. – Balancei a cabeça negativamente para confirmar o que eu havia acabado de dizer.

- Celular? Notebook? Vídeo-game, todos eles... – Meu pai disse franzindo a testa e estendendo a mão. Arregalei os olhos balançando a cabeça negativamente, eles não tinham o direito. – Vai ou não?

- Vocês venc... Vocês... Vo... – Eu não conseguia admitir que eles haviam vencido.

- Nós já sabemos, agora passa para dentro do carro que você vai cortar esse cabelo. – Falou apontando para fora da casa.

Bufei só de imaginar o corte que a minha mãe pediria para eu fazer, ridículos. Entrei no carro do meu pai e coloquei o cinto de segurança, eu posso não seguir muitas regras, mas com meu pai dirigindo... Sem falar que eu já fui vítima de um acidente enquanto ele dirigia, acho melhor me prevenir. Chegamos ao salão de beleza – Sou só eu que achei estranho um homem entrando em um lugar desses? — e chegou o barbeiro para cortar meu cabelo. Falei para ele nem pensar em passar dos quatro dedos, se não eu iria ficar muito estranho.

Assim que eu acabei de cortar o cabelo, eu estava já me achando muito estranho. Voltei para casa e fiquei de frente a tela do computador xingando o mundo, porque a internet não estava funcionando e eu tinha que ficar jogando paciência. O tempo até que passou rápido, escureceu e logo minha mãe foi pedir para que eu me vestisse.

- Que roupa é essa? – Olhei abismado para aquela roupa toda esquisita que minha mãe colocou sobre a minha cama. – É sério, mãe.

- Okay, você pode colocar aquela sua camisa de botão preta. – Falou passando rapidamente os olhos pelo meu quarto.

Sorri em agradecimento aquela gentileza da minha mãe. Abri meu armário apressado e achei uma calça preta, uma camisa de botões preta e a minha gravata vermelha. Eu sei que a minha mãe vai me matar por eu ir assim, mas dane-se. Tomei um banho rápido, vesti aquela roupa que eu havia separado e desci as escadas.

- Já estão prontos? – Perguntei ao ver meus pais e meu irmão sentados no sofá de bobeira.

- Só estávamos esperando a dama ficar pronta. – Mikey disse rindo em seguida, dei um soco forte em seu braço. – Filho da mãe...

- Eu sou macho, idiota. – Fuzilei-o com os olhos e entrei no carro.

- Isso é o que vamos ver, Gee... Isso é o que vamos ver... – Mikey sorriu de um jeito estranho, ignorei-o e fitei a janela sério.

Chegamos na mansão dos Iero, não demorou nada para que a amiguinha da minha mãe abrisse o portão para que estacionássemos. Sai do carro com as mãos no bolso da calça, observando tudo, até percebi um garotinho nos vigiando na janela do andar de cima.

- Oi garotos, eu sou Linda Iero, é um prazer conhecer vocês. – A senhora Iero disse com um sorriso gigante nos lábios. – Podem entrar, fiquem á vontade, o jantar já vai sair.

Entramos na casa, tudo era bem organizado, de um lado um sofá com formato de L, do outro lado uma mesa para dez pessoas iluminada apenas por um lustre de cristal. Linda pediu para que eu e meu irmão nos sentássemos no sofá enquanto ela iria chamar alguém lá no andar de cima.

- Garotos, esse é o meu filho, Frank. – Disse ao entrar na escada acompanhada de um garoto baixinho com os cabelos negros e uma franja que tampava parcialmente seu rosto. – Querido, cumprimente os garotos!

- Oi... – Disse Frank tímido mesmo assim dando um pequeno sorriso.

- Olá! – Meu irmão fez questão de se levantar animado para falar com o garoto. – Meu nome é Mikey e o meu irmão amedrontador ali é o Gerard. – Falou apontando para mim.

- Ah, oi Gerard. – Sorriu e sentou-se no sofá alguns metros de distância de mim, nem liguei muito para isso então peguei meu celular e comecei a jogar uns joguinhos bem sem-graças. Frank e Mikey ficaram conversando sobre algumas coisas que eu nem tive interesse de saber sobre o que era.

Linda nos chamou para o jantar. Fiquei em silêncio, como sempre, apenas observando o jeito que Frank agia, agia como um adulto mesmo parecendo uma criança. Até que meu nome entrou na conversa dos meus pais com Linda.

- Gerard pode mostrá-lo a escola. – A voz de minha mãe falando alto meu nome foi ouvida.

- Eu o quê? – Olhei-a confuso, pois não sabia de que se tratava.

- Não se importa de mostrar a escola para o Frank, certo? – Minha mãe lançou-me um olhar como se fosse a minha obrigação mostrar a escola para Frank. Olhei para o pequeno ser que se sentava na minha frente que estava com as bochechas levemente coradas, estranhamente eu achei aquilo fofo.

- Tudo bem. – Sorri voltando a beber o refrigerante.

Após o jantar, meus pais ficaram conversando com Linda Iero, e eu fui ficar um tempo sozinho no jardim da casa. Sentei no banco perto das roseiras e retirei novamente o aparelho de celular do bolso traseiro da calça assim que ouvi um barulho que indicava que alguma mensagem havia chegado. Era uma mensagem de uma menina da minha sala, francamente, já estava mais que óbvio que essa menina gostava de mim, mas eu tentava ainda ser gentil com a pobrezinha. “Gee, você sabe que prova vai ter segunda? Bejos”

Prova? E desde quando eu estudava para prova? Revirei os olhos sem dar muita importância para a mensagem da garota, eu não sabia qual era a matéria então para quê responder?

- Oi... – Dei um pulo de susto assim que vi Frank com um sorriso de orelha á orelha sentado do meu lado. – Era a sua namorada? – Perguntou mantendo o sorriso simpático.

- Não. – Fiz uma cara de nojo e Frank deu uma risadinha baixa, tentei não sorrir quando ele deu aquela risadinha, mas foi meio impossível. Deus, o que é que ta acontecendo? Voltei a ficar sério, e fiquei analisando o garoto que estava sentado ao meu lado balançando as pernas sem parar, feito uma verdadeira criança. – Quantos anos você tem? – Perguntei tentando parecer no mínimo agradável.

- Dezesseis, e você? – Frank continuou sorrindo.

- Dezesseis. – Estreitei os olhos, não tinha como aquele ser ter dezesseis anos. Ficamos ali em silêncio, o que era constrangedor, pois eu não conseguia parar de olhar para Frank.

- Então... Como é a escola? – Perguntou. Ele parecia ansioso para ir para a escola. Eu não entendo esse povo.

- Gente chata, pessoas irritantes, meninas feias... – Suspirei pensando em mais adjetivos para aquele aglomerado de bosta que eu tanto odiava. Frank gargalhou parecendo não conseguir mais se controlar. – Mas é verdade! Eu não disse nada de errado! – Exclamei.

- Já te falaram que você é muito engraçado? – Perguntou respirando fundo.

- Não, eu também não acho isso. – Revirei os olhos. E voltei meu olhar para a pessoa de baixa estatura, seus olinhos esverdeados estavam fitando o nada. Fiquei bom tempo observando-o e analisando cada traço do seu rosto.

- Gerard, já ta tarde vamos querido. – Minha mãe saiu de dentro da casa junto ao meu pai.

- Tudo bem. – Me levantei do banco e Frank se levantou junto. – Eu passo segunda aqui para a gente ir á escola. – Falei para Frank que sorriu em resposta. – Falô! – Fiz um gesto com a mão.

No momento que eu menos esperava Frank se aproximou de mim e beijou minha bochecha, fiquei estático com os olhos levemente arregalados e senti minhas bochechas esquentarem, acho que fiquei tão vermelho quanto um pimentão. – Tchau Gee. – Sorriu de um jeito agradável.

- A-até... – Gaguejei e entrei no carro rapidamente. Coloquei a minha mão sobre a bochecha que aquele ser pequeno havia beijado e fiquei com um sorriso bobo olhando para a janela.

- Que foi Gerard? Ta com algum problema? – Meu irmão fez questão de me olhar com um sorriso mais falso do mundo.

- N-não. – Gaguejei. Meus pais se encararam e deram os ombros.

Cheguei em casa corri para o meu quarto e fiquei sentado na minha cama pensando em um milhões de coisas. Eu precisava de alguma ajuda urgente, ou então aquela pessoinha iria acabar me deixando maluco – eu não duvido nem um pouco -. Suspirei me jogando para trás na cama.

- Gerard, eu vi, tá? – Mikey entrou no meu quarto com um sorriso malicioso, desligou a luz do meu quarto e saiu.

... Nunca pensei que fosse dizer isso, mas, espero que segunda-feira chegue logo.

Notas finais
Então o que acharam?? =D