Depois daquele baque, vários convidados saíram correndo, assustados com o que poderia vir a seguir, mas, a grande minoria deles, ficaram lá, curiosos sobre o destino da doce Beatrice, que agora estava atirada no chão, com um poço de sangue em sua volta. Suzane estava sentada no chão, sem se importar com os comentários maldosos que gerava; agora ela só tinha um objetivo em mente: sair daquela família antes que a matassem também.

Sua mente estava girando, vários nomes ecoavam em sua cabeça, dentre eles, Christopher Jane. Ela se perguntava o por quê de tudo aquilo, será que ele queria somente atrair o caos pra família por que Suzane não o teria escolhido? Ou ele, assim como ela, era obrigado a fazer essas coisas? Quanto mais pensava, mais lágrimas escorriam de seus olhos, e se arrependida por ter o conhecido.

Giovanni a observava, arrasada, e isso o deixava com um peso nas costas: tudo que Don Vinton falara era verdade, mas isso não a abalou, pelo contrário, a deu mais motivos para fugir dali. O que a abalou foi a morte repentina da mãe pelo homem que dizia a proteger, não só hoje como para sempre, seu avô, Cappo Luiggi Stracci.

Ele caminhou lentamente até sua direção, quando encontrou com Lindsey em sua frente, balançando negativamente sua cabeça.

– Deixe ela e suas tristezas, você não ajudará em nada, só piorará a situação em que a coitada se encontra. — Em seus olhos tinha uma expressão de rancor. — Não esperava isso tudo de você, Giovanni, de todo mundo, menos de você.

– Se eu não a ajudar, quem o fizer quando ela piorar e amanhecer morta? — Giovanni continuou com sua caminhada; olhava para todos os cantos em busca do Cappo, mas como água, ele já tinha evaporado a minutos.

Suzane continuava chorando, desta vez com as pernas encolhidas e com seu rosto no meio delas, ainda continuava perto do corpo de sua mãe.

– Vejo que a princesa precisa de ajuda. — Giovanni disse com um sorriso fraco. — Posso me sentar ao seu lado?

Ela continuava chorando, e ele entendeu como um "sim", pois ela não se opôs contra seu rival.

– Isso também aconteceu comigo quando a Claric... Quero dizer, Alessandra morreu. Eu era louco pela aquela mulher, e ela correspondia esse meu amor — Ele sorria ao se lembrar das juras de amor que trocavam. -, mas depois, você chegou e trouxe aquele amor que já estava esquecido dentro de mim. Sei que vocês não são a mesma pessoa, e sinto muito se te forcei em alguns momentos, é que você.. E ela... São tão iguais.

– Não é a toa que somos gêmeas, sua anta. — A velha Suzane e sua ironia estavam de volta, isso fez com que Giovanni soltasse uma pequena gargalhada. — Que foi? To com cara de palhaça? Comediante de stand up? Trouxa.

– A minha Claricce está de volta. Você se recuperou rapidamente — Ela o interrompeu.

– Eu me recuperei rapidamente? Não ache que isso não dói, por que queima dentro de mim. Em apenas um dia, recebi a notícia de que eu tinha uma irmã gêmea interesseira cujo o filho foi morto por você, e que eu sou a herdeira de uma coisa que eu não quero ser, me recuso. Meu avô matou minha mãe, a mulher que eu considerava minha heroína, e isso tudo foi na minha frente, sem ao menos demonstrar algum remorso, algum sentimento. Eu não estou bem, Giovanni, e não é você que vai fazer eu melhorar.

– Não imaginava que... — Giovanni parou, pensativo. — Me desculpe por isso também, eu tô indo. — Ele deu um salto e começou a caminhar lentamente esperando a resposta de sua amada.

– Já foi tarde. — Ela continuava com os olhos cravados no chão, elaborando um plano pra sair o mais rápido dali.

Ele se virou para encará-la pela última vez, e percebeu que ela não era a culpada por tudo aquilo, ela era apenas mais uma vítima dos Stracci; Ela tinha dupla identidade, não falava quase nada em italiano e era obrigada a suportar mafiosos conspirando ao seu redor. Não que isso fosse fácil, era mais como uma rotina para os veteranos. E foi nesse momento, em que Giovanni estava perdido em meio aos seus pensamentos que o seu olhar encontrou os de Suzane, e vendo o que ia acontecer em seguida — quando os números 00:00 finalizaram uma contagem da qual nunca deveria ter existido — , conseguiu apenas pronunciar uma palavra.

– CORRE! — Suzane rapidamente se recompôs e levantou-se para correr, quando a bomba explodiu, e junto a ela, Suzane sentiu o estrondo em suas veias.

Quando foi levantada pela aquela enorme força, toda sua vida passou diante de seus olhos, e como se fosse em câmera lenta, via os homens que antes a cercavam com curiosidade estampada nos olhos explodirem, e isso a fez como se sentisse que 6kg de chumbo estivessem soltos em seu estômago.

Numa fração de segundos seu corpo tocou algo duro, e ela presumiu que era o chão, parecia que ela fora espancada por uma gangue, e depois de assistir toda aquela cena de gritos e mortes, pode ouvir os gritos. Mas, só depois quando estava prestes a desmaiar pôde perceber que eram seus gritos, desesperados e amedrontados.

Ela abriu os olhos lentamente, e a primeira coisa que fez foi colocar a mão em sua nuca, sinalizando dor. Cappo Stracci estava a sua frente, seus olhos estavam colados no chão, e estava andando de um lado pro outro como se estivesse pensando. Ao seu lado, já dormindo, Suzane viu Giovanni já adormecido, e se perguntou onde estavam as gêmeas Rhodes. Estranhou o fato de não estarem lá, já que todo evento dos Stracci as Rhodes sempre estão lá, sendo convidadas ou não. Sendo bem-vindas ou não. Sendo odiadas ou amadas.

De repente um médico apareceu na porta exibindo um sorriso que Suzane o classificaria como simpático. Em seu crachá exibia uma foto com o mesmo sorriso, mas com uns sete anos mais novo. RAYME. Dr. Rayme. Suzane rapidamente retribuiu o sorriso.

– Como anda minha paciente mais bonita? — Cappo Stracci lançou um olhar ameaçador contra ele. — Bem, está se sentindo melhor? A queda foi grave, então tive que lhe dar muitos remédios para dormir e para amenizar a dor.

– Queda? Que queda? — Ah, a bomba!– Foi uma queda e tanto, garanto que se não fosse eu a vítima teria rido bastante, doutor. Não se preocupe, estou bem. Me sentindo novinha em folha, falando nisso, quando irei embora?

Espero que o mais rápido possível.

– Logo, logo, Stracci. Logo, logo. — Ele pronunciou seu sobrenome com um italiano perfeito; os americanos assim como Suzane se atrapalhariam para pronunciá-lo, mas parecia que o doutor misterioso não tinha problemas com isso. Ele era o suspeito número 1 de Suzane. Quando foi responde-lo, era tarde de mais, ele já tinha ido embora como um gato silencioso entre as escuras e silenciosas ruas de algum condomínio qualquer.

Cappo Stracci caminhou até Giovanni em passos largos e silenciosos, e assim que chegou perto de seu sobrinho, lhe deu um tapa em seu ouvido, fazendo-o acordar assustado o suficiente para dar um salto.

– O que foi tio? O que aconteceu? — Seus olhos estavam lacrimejando. — Ah, Claricce acordou.

– Vamos discutir os termos, como havíamos ensaiado antes.

– Que termos? — Suzane perguntou.

– Os termos. — Assegurou Giovanni.

– Puta que o pariu, já estou cansada de ser cobaia de vocês e não saber de porra nenhuma, exceto "Oi, meu nome é Claricce Stracci, você quer comprar algumas armas?".

Cappo Stracci pegou o pulso de Suzane com força e o apertou, fazendo-a gemer de dor.

– Cappo acha que alguém do F.B.I. está infiltrado, e que esse alguém pode ser você, Claricce. — Giovanni disse com um ar triste.

– E por que acha isso? — Ela tentava nao dar atenção a dor. — Ah, claro, meu nome é James, mas pode me chamar de Bond.

– Nick morreu hoje de manhã, e junto a ele estava essa carta. Nada me engana mais, Suzane, você não é uma de nós até que se prove ao contrário.

– 007. — Ela repetia na tentativa de irritar o velho. Lentamente ela abriu a carta e pôde ver o por quê de todo aquele medo.

Caros amigos Stracci,

Ou devo dizer inimigos? Bem, deixamos claro que todo o mal é derrotado pelo bem, e um exemplo disso é seu querido Nick morto. Mas não se preocupe, ele é apenas a ponta do ice-berg, ainda virão mais mortes.

Como por exemplo, sua bela neta Claricce, da qual vamos estuprar loucamente antes de matá-la. Parem de tentar bancar os reis do mundo, pois nele só existe um rei, o presidente dos Estados Unidos.

Vamos matar quem ousar atrapalha-lho, e não é um rostinho bonito como a de sua neta qua vai nos atrapalhar.

Abraços e até breve,

F.B.I.

P.S.= Estamos mais perto do que você possa imaginar, Luiggi. Cuidado com sua família, podemos ser um deles.

Percebendo o pânico de Suzane lendo aquilo, Stracci pegou a carta e a amassou.

– N-N-Não fui eu que escrevi isso.

– Agora sabemos. — Giovanni disse e olhou discretamente para Luiggi Stracci. Ela sabe de mais. Ela pode ser perigosa.

Notas finais
ECS está na sua rota final, não percam!!