Eve: Minha Maligna Namorada.
5 Questão de amizade.
- AH! É isso ae! ACABOU!!! — gritou Filip jogando o caderno para cima.
Só havíamos ficado eu e meus 4 amigos na sala, era o ultimo dia de aula, para os 4, o último dia em um longo período de tempo em que acordariam cedo e ouviriam alguém mais velho dizendo o que eles supostamente deveriam saber. Para mim era um pouco diferente. Seria a ultima vez em que veria Eve, depois disso só em fevereiro, afinal, por que alguém tão bonita e enturmada como Eve sairia comigo nas férias se nem os meus amigos mais próximos saiam?
Eles estavam em êxtase, podia até ouvir o bater de seus corações ao ritmo de Hightway to hell do AC/DC. Éramos cinco nerds com caras de mal atravessando o corredor do segundo andar da escola, Alex balançando os ombros com sua eterna cara de mal enquanto Filip e seu desajeitado óculos fundo de garrafa fazia o mesmo do outro lado só que de maneira desajeitada, Ace tocava violão enquanto andávamos, éramos agora alunos do terceiro ano, éramos os maiorais.
Mas eu não pensava em nada disso, pelo menos não naquela hora. Minha cabeça estava no andar de baixo, focada em alguém de blusa vermelha e com uma tiara preta na cabeça. Como sempre cercada de pessoas. Como sempre, sorrindo.
Ao passar pelo aglomerado de pessoas da nossa sala das quais não falo muito eu a vi, ela estava conversando com Siqueira, um garoto alto que participava no nosso time de vôlei. Dei uma olhada para ela e ao não ser correspondido me virei para frente.
- Hey! Michael! Espera...
Olhei para trás e lá estava ela vindo em minha direção, aquela baixinha me hipnotizava.
- Me leva pra casa?
- Ta. — Disse com um sorriso bobo na cara.
Meus amigos me olharam com um sorriso malicioso mas logo dispersaram.
Filip foi embora correndo depois de explodir uma bexiga d'agua na frente da secretaria, ele realmente tentava parecer mal, mas falhava terrivelmente. Alex e Ace ficaram tocando violão, Rodney continuou do meu lado esperando Eve se despedir de todos os vários amigos dela.
Por volta de meia hora depois nos partimos. Juntos conversamos sobre o que faríamos nas férias, músicas, séries entre outras coisas.
- E seus pais Rodney? Do que eles trabalham?
- Meu pai vende cachorro quente no shopping, minha mãe é gerente de banco.
- Ual, que diferentes! E mesmo assim se encaixam. — Disse meio espantado.
- É, como nos! — Disse Eve.
Até hoje não entendi a quem se referia aquele "nos". Mas mesmo assim a olhei rindo.
- E os seus pais Eve? Do que trabalham? — Perguntei, ela fez uma pausa.
- Bom... Meu pai trabalha juntando um exercito e minha mãe fazendo receitas.
- Como assim "um" exercito? Ele é general ou algo assim? E ela é farmacêutica? — Perguntou Rodney.
- É por ai...
Passamos na frente de um restaurante.
- Michael, Eve, eu fico por aqui! Tenho que comer pra ir pro meu curso de tarde.
- Ok Rodney, cara, vai ser estranho não te ver nas férias!
- Digo o mesmo Michael, que ano em!
- É, quem sabe não nos vemos ainda até o fim do dia?
- É, quem sabe. Até Michael, até Eve.
- Até japonês! – Disse ela sorrindo.
Ele foi embora, continuamos os dois até a casa dela. Passamos pela rua de acesso onde semanas atrás eu havia mordido minha querida colega e logo chegamos a um portão vermelho.
- É aqui.
- Casa bonita.
- É, bem legal e tals.
- Hum.
- E então? Isso é um adeus?
- Nem, Fevereiro eu to de volta pra te atormentar, e pode ter certeza que atormentar está no meu sangue!
- Que fofo.
- Eu sou né?
- Bom, então até Eve
- ESPERA! – Disse ela gritando e então me virei.
- O que foi?
- Nem vai me dar um abraço?
- Claro que do.
E então nos aproximamos, ela ficou na ponta dos pés e então encostou a cabeça no meu peito, antes de colocar os braços em torno dela e fechar os olhos a vi com um sorriso um pouco diferente, como que vindo de outro lugar que não o cérebro, quem sabe do coração?
O corpo dela era quente e macio, nunca havia dado um abraço tão bom em toda minha vida, meus músculos fraquejaram e então pude sentir os batimentos do coração dela.
- Abraço gostoso. – Disse ela me apertando com os pequenos braços em volta do meu corpo.
Não respondi nada, apenas aproveitei o momento. Ao abrir os olhos me deparei com os grandes olhos de Eve me observando. Estava com um tom castanho claro quase amarelo, a parte que deveria ser branca estava rosada.
Ela me soltou e ficou me olhando. Nos abraçamos de novo e por fim ela encostou no portão. Cheguei mas perto.
- Vem me dar outro abraço.
Me aproximei.
- Espera! Esta sujo aqui. – Disse ela pegando na minha camisa e me puxando mais para perto, aparentemente analisando a sujeira.
Ela se inclinou para ver melhor, olhei meio desconfiado, ela levantou o rosto e me olhou nos olhos.
- Deixa pra lá, me enganei. – Disse ela largando a minha camisa.
- Ah, legal, bom, já vou indo.
- Ok, boas férias Michael.
- Boas Férias Eve.
Ela pulou em mim e se dependurou no meu pescoço terminando em um abraço.
Estava andando para o ponto de ônibus quando chega uma mensagem no meu celular.
Vou sentir falta de seus abraços,vc perdeu uma coisa, ou melhor, não ganhou, qria ter te dado, qm sabe outro dia? Dpnde da mnha cara de pal. Bjs
Leio a mensagem e continuo andando, olho para a minha camisa onde Eve estava segurando, não havia nenhuma sujeira. Estava pensando quando dei de cara com Santana, uma amiga de Eve.
- Oi Michael.
- Oi Santana.
- Ano maluco não?
- Pois é.
- Hum, bom, não tinha pensado em convidar, mas, já que você esta aqui, quer ir no meu aniversario?
- Bom, pode ser.
- Vai lá, ai se despede de alguns amigos, chama o Rodney se quiser.
- Pose ser, mas sei lá, não conheço muita gente, não quero ficar numa festa conversando só com o Rodney.
- Ah, aproveita pra se enturmar, vai um tanto de gente, vai o Roberto, o Vinicius, o Pepsi, a Babee, a Eve, o Siqueira...
- Ahn, onde é mesmo essa festa?
- Tem o endereço nesse papel aqui, vai lá amanhã, sério, vai ser bem legal.
É ela tinha razão, foi bem legal. Deu no que deu, flagrado com a filha do próprio capeta na garagem de sua casa alguns meses depois, e quando digo capeta não me refiro ao sentido figurado, Eve era filha de uma entidade diabólica que nesse momento estava esbravejando comigo e com a filha (deve se lembrar do começo da história ainda não é?), tudo a minha volta começa a pegar fogo e estou apavorado, mas sabe qual é a verdade? Que apesar de tudo isso aquela festa e tudo que aconteceu depois dela valeu a pena, Santana tinha razão, foi uma festa muito legal, e acho que é a próxima coisa que devo contar para vocês. Foi à um mês atrás, e foi assim:
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