Eve: Minha Maligna Namorada.

6 A festa pt. 1 (Questão de ciúme)


Vou subindo a avenida da casa de Santana, um sorriso brotava no meu rosto, estava meio nervoso ainda, eram duas da tarde, será que eu chegaria cedo de mais?

Todas as minhas duvidas evaporavam assim que lembrava quem estaria na festa.

Em mais ou menos meia hora cheguei lá, era um prédio branco com apenas uma porta de entrada que dava em um corredor, lá havia duas escadas de acesso e um elevador. O utilizei para chegar ao oitavo andar, lá fui até o apartamento 89 e abri a porta.

Uma cachorrinha branca de pelo enrolado veio voando lá de dentro, ela começou a latir e pular em mim, agarrou na minha calça e começou a puxar.

- Luiza! Para com isso vai rasgar a calça do menino! — Gritou Santana. — Ah! Oi Michael, que bom que veio. — Disse ela sorridente.

- Oi Santana, cheguei muito cedo?

- Não, já tem até algumas pessoas aqui.

Entrei e encontrei algumas das meninas da sala, Bruna, Rafaela e Thatiana (Não, o nome é parecido, mas essa não é a minha ex-namorada, essa é a Thatiana, a minha ex é Thatiane e não ficaria no mesmo cômodo que eu sem gritar para o mundo sobre como eu sou um monstro e como acabei com a vida dela, mas isso é outra estória). Além delas dois garotos de outra sala estavam lá.

Sentei-me e comecei a conversar com as pessoas em volta, eram pessoas bem divertidas e riam bastante, o apartamento não era muito grande e quanto mais pessoas chegavam, mas ele parecia ficar menor.

Por volta das três e meia Rodney chegou, ficamos conversando sobre inutilidades, Babee uma garota que havia chegado um pouco antes e era meio nerd começou a conversar conosco.

Algum tempo depois saíram os salgadinhos e eu comecei a comê-los com uma alegria inocente estampada no rosto, aquilo por si só já tornava o dia bom. Mas nunca se sabe o que se pode acontecer no minuto seguinte certo?

Nesse caso foi uma entrada. A campainha toca, Santana grita que a porta está aberta, um pequeno corredor na frente da porta me impedia de ver quem estava entrando, mas eu meio que já sabia, conhecia o cheiro.

A cachorrinha voa do sofá para cima das pessoas que adentravam a casa. Vejo Siqueira tentando se desvencilhar da peste, Santana vai ajuda-lo mas antes que ela chegue ouve-se uma voz vinda de trás do garoto atacado.

- Luiza, quieta.

A cadela para, todos ficam em silencio. Eve sai de trás de Siqueira sorrindo.

- Que foi?

- Ela nunca obedece. — Disse Santana.

- Deve ser meu perfume, ou isso ou eu falo com cachorros o que é meio improvável né?

El riu, ou outros acompanharam. Sua risada, seu sorriso, sua voz. Ela dominou o local. Pelo menos para mim. Dei um oi discreto, um beijo na bochecha, mas ela mal falou comigo, foi dançar com Vinícios japonês e Pedro, vulgo "Pedrinho".

As horas foram passando, a tarde foi escurecendo. Eve continuava linda e brilhante em seu vestido preto com detalhes vermelhos. Sempre acompanhada de alguém, hora por Pedrinho, garoto com que disseram que ela combinava uma vez, hora com Siqueira, a quem a todo o momento ela puxava conversa, hora com Vinícios, que eu não disse ainda, mas é o ex-namorado dela.

Passou algum tempo também com o "Pepsi", é claro que esse não é o nome dele, mas todos o conhecem assim (não me pergunte o por que), mas desse não senti aquele ciúme básico. Ele era bem feio e desinteressante.

A noite foi caindo, Santana se ajeitou com Roberto um garoto da outra sala em um cantinho, lá eles fizeram... O que jovens da nossa idade fazem.

A namorada de Rodney veio busca-lo para levar pra casa.

Thatiane falava sobre o namorado para as amigas. É, o amor estava no ar.

Menos para mim.

As músicas pops tocavam alto, os vizinhos vinham bater na porta, Rodney havia ido embora e provavelmente estava se divertindo agora, Santana havia ido para um canto próximo ao quarto com Roberto. Eve continuava perto de Siqueira. Meu horário estava chegando, eu teria que ir embora em breve.

- Michael?

Era ela, ela me olhava, aqueles olhos.

- Eve oi? Tudo bem? Como vai?

Ela ri.

- Vou bem bobo, bom, é que vou sair com o Pedrinho, a Babee e o Siqueira. Não sei se você vai estar aqui quando eu voltar, então queria falar tchau.

- Vou junto.

- Não, fica. Vamos lá buscar um pijama para que eu durma aqui e depois voltamos, quero conversar um pouco com eles.

- Mas eu já vou embora.

- Eu insisto, fica ai. Quem sabe não voltamos cedo.

Ela deu as costas e saiu. Fiquei parado olhando para a porta. Ainda me corroendo por dentro, ouvi as conversas em volta.

"Bebee já ficou com o Pedrinho, quem sabe não acontece de novo?", "Você viu isso? Babee e Pedrinho junto com Eve e Siqueira, que você acha que vai acontecer nessa saída?", "Olha só, forma certinho, dois casais".

Comecei a ficar tonto e a comer os salgadinhos, havia prometido voltar para casa as oito, faltavam vinte minutos para esse horário, eu iria embora e Eve chegaria com Siqueira e os dois estariam juntos em alguns minutos, não queria voltar pra casa, não queria que tudo acabasse assim, não queria perder Eve.

O relógio começa a se mover de maneira lenta e agonizante, os ponteiros vão deslizando sobre a sua superfície, em pouco tempo constato. Oito horas, o jogo acabou.