Era uma vez, num reino encantado, uma princesa chamada Amy Lynn Lee. Ela dominava toda aquela terra, que do portão principal do seu castelo, dava para perceber. Julgada como eleita entre as irmãs, Laure Lee — no castelo, costumavam a chamar de Lori — e Bonnie Lee, Amy tinha o dever de reinar a paz sob todo o seu território, chamado Evanescere. O rei, John, era cauteloso. Cuidara da sua família com a maior de todas as formas, o amor. Ele sempre procurava uma forma de resolver os problemas em meio de conversas calmas e claras. Casado com Sarah Cargill, a rainha, reinaram as terras de Evanescere durante décadas. "Sem ódio e sem tristeza", ensinava John Lee às três filhas, que tanto queria-lhes bem. John e Sarah também tinham um filho chamado Robert Lee, este cuidava da caça à traidores do reino, e Carrie Lee, que estava em viagens à negócios com outros reinos. Carrie era a mais velha entre os filhas de John e Sarah. Certo dia, numa tarde fria, Amy perambulava pelo castelo. Espiou numa janela os soldados e guardas circularem pelo patil. O castelo do reino era reforçado pela melhor segurança que já se viu. Os guardas não lamentavam em ficar dia e noite sem comer, nem beber. Fazia sol e Amy não tinha nenhuma condição diária. Foi então, gastar seu tempo com o que ela mais gostava de fazer — tocar piano. Num lento caminhar, Amy levantava com seus delicados dedos a sua grandiosa saia tripla. Ela vestia um robe de seda avermelhado e um cinturão na altura do punho. Sua saia vinha a tocar no chão e era revestido por três camadas de tecido fino e manufaturado. Suas roupas sempre vinham a combinar com mesmos tons mas, Amy preferia sempre cores mais escuras. No terceiro andar do castelo, Amy alcançou uma sala com porta de madeira grossa e ferro, que davam um tom de extrema pose de classe para com a arquitetura do castelo. Ela abriu a sala e mirou os olhos no grandíssimo objeto que situava no meio do salão vazio, um piano de corda. Ela andou rapidamente até ele. Passou sua mão direita por todo o teclado e arrepiou-se. "Quão demorado tempo passou-se até que finalmente pude sentir-me aliviada com a música novamente?" Se perguntou deixando escapar um tímido sorriso. Ela fechou os olhos e repetiu o que fizera, desta vez em sentido contrário. Amy espreitou a sala, sabia que havia algo ali que a deixava intimidada. Talvez um objeto que da última vez que ela estivera ali não estava, ou apenas o clarear do sol que invadia uma única janela, que ficava no final da sala. Amy caminhou até lá. Olhou diante a janela e avistou o reforço de guardas que verificavam aquele lugar. Amy colocou uma fina mecha de seu cabelo atrás da orelha, puxou-a para frente do nariz logo após. Ela espantou-se. Seu cabelo que deslizava lisamente até a cintura, estava feito em tranças grossas e formais. Um penteado tão fino quanto os fios de cabelo dela. Uma de suas tranças, a do meio, tinha deformado-se. Ouviu-se um estalo no chão. Amy suspirou brevemente, era sua coroa no chão. Ao apanhá-la, percebera que um dos cristais que nele ficava tinha caído. "Impossível!", Amy exclamou para si mesma. Olhou para todos os lados desesperada e finalmente notara o algo que ela suspeitara a estar adicionado naquele salão. Era um espelho, que ficava encostado na parede direita do salão, onde o iluminar do sol que passava pela janela terminava. Amy foi até ele para olhar-se. Como a pele da Amy era branca como a neve, mau dava para observa-la por inteira. Percebeu a trança desfeita e viu que não era tão grave quanto pensava. Amy posou em frente ao espelho. Colocou suas duas mãos em frente da cintura e as fechara como forma de expressão real de repouso. Ela estava composta por alguns detalhes em suas vestes — pequenas pedras cristalinas faziam um detalhe muitíssimo formal ao seu realismo. Seu cinto davam duas voltas pela cintura e era da mesma cor que o robe, sendo assim, quase não notáveis; ela usava duas botas negras que subiam até um pouco abaixo de seus joelhos -, John sempre permitia as filhas vestirem o que bem desejassem, desde que não fugisse das normas formais e de altíssima realeza. Amy olhou novamente para sua trança desfiada. Quantas horas Lori Lee teria passado para produzir aquilo? Amy soltou um suspiro. "Quando ela ver isto, vai querer refazer a trança." Pensou Amy. Ela voltou para o piano e sentou-se no banquinho em frente a ele. Encostou seus leves e macios dedos nas teclas do piano. Ela fechou os olhos e se deixou aos pensamentos bons. Tudo que é bom ela pensou, deixou que os maus pensamentos fossem embora e se perderem ao ecoar das notas, que eram muito bem tocadas. Amy parou de tocar por um estante. Ela admirou o banquinho de madeira ao qual estava sentado. Estava metade usado por ela. Sempre que desocupadas, Amy e Bonnie visitavam esta sala para tocarem piano juntas. Elas haviam criado uma música, que só para elas era tocada, e era tocada por elas mesmas. "Uma única lágrima", se chamava a música. Elas tocaram uma vez para o pai, John, em um dia que muito doente ele pediu a companhia das três filhas e da Sara. Onde estaria Bonnie naquela hora? Amy continuou a tocar a música mesmo sem a conseguir faze-la por completo. Havia uma diferença enorme ao tentar fazer algo sem sua irmã. Amy nunca seria tão próxima da Lori Lee quanto foi à Bonnie. Para Amy, Bonnie era a salvação. John Lee tivera sua primeira filha — Lori — com Sarah à vinte e cinco anos atrás. Dez anos mais tarde, Amy veio como secundária na linha do trono. Por terciária, nascera Bonnie Lee, com três anos depois. John e Sarah sempre pensavam no futuro das filhas e para isso, elas teriam que ter a máxima segurança possível. Rocky Gray — um sujeito careca, muito sério e de boa confiança — era o guarda que se posicionava à frente dos portões principais do castelo. Sempre que, de carroagem, as três irmãs precisavam sair do terreno do castelo, Rocky Gray era sempre o que submetia-se a ir na frente para garantir total segurança. Naquele mesmo dia, na manhã, John deu a ideia de Amy e suas irmãs passearem pelos rochedos e lagos perto dalí. Amy rejeitara, pois queria ficar e tocar piano com a Bonnie. Lori acompanhou sua mãe neste mesmo passeio. Amy parou de tocar, olhou assustada para trás. Um estrondo feito pela porta ter batido fortemente na parede, fez com que Amy se espantasse. Era Bonnie que escancarara a porta de tal jeito. Bonnie vinha correndo em direção à irmã. Amy também correu para abraça-la. Bonnie chorava enquanto Amy a levava para o banquinho do piano. — O que te sucedera? — questionou Amy. — Eles querem me levar para o reino do mar gelado! — exclamou Bonnie em resposta. Ela soluçava sem querer. Suas lágrimas eram tantas que manchavam claramente em seu vestido verde. Amy chocou-se. Espantada, pusera suas mãos na boca escancarada. Amy deixou escapar lágrimas. O mar gelado era um lugar além do reino de Evanescere. Lá era tão frio que nenhum humano conseguiria sobreviver durante um só dia. Só os caídos ou expulsados de algum reino seria levado para lá por mandatos de proteção. Mas, a cada vinte anos, uma pessoa era sacrificada pela pacificação dos reinos. Nos casos mais primitivos, pessoas especiais de alguns reinos eram levados como sacrifício à mais temida criatura do mundo, denominada como Non-Sêmàt. Segundo algumas lendas, Non-Sêmàt era uma criatura — com forma de um leão pálido e monstruoso, algumas vezes, ele transformava-se em forma humana para enganar pessoas e acabar tomando as almas destas -, mas, após um grandioso sacrifício, a criatura retornaria para seu lugar e voltaria apenas se fosse libertado por algum louvador das trevas. Anos se passaram e Non-Sêmàt retornou na terra para atentar mais uma vez. Desta e de mais outras, com certeza, liderado por alguém ou algo que o tivera invocado — sacrificando da própria própria alma. Amy engoliu em seco. Mau podia pensar no que fazer ou dizer. Estava inativa, assombrada. Ela só ouvira falar desta tal crueldade uma vez, e agora estava virando realidade. Mas com a Bonnie era difícil de entender, quase impossível. Amy abraçou Bonnie rapidamente enquanto chorava com a irmã. As duas tremiam e com certeza pensavam na mesma coisa: a razão de terem escolhido a Bonnie. Amy queria consolar a irmã, abria sua boca mas dela nada saía. Até pensava Amy que aquilo poderia ser um sonho. Era uma dor que ela não desejava nem para alguém do reino inimigo — o reino de Épicanium -, nem para qualquer um outro. — Eles me invadiram os ouvidos com insultos à minha existência! — protestou Bonnie — Eu não quero ficar sozinha. Amy gemeu em choro quando ouvira o que a irmã falara. — Estar sozinha? — indagou Amy Lee enxugando as lágrimas que seus olhos derramavam tão desesperadamente — Não importa o que te disseram você não vai estar sozinha! Eu estarei do seu lado por todo o sempre!* — Amy quase gritava ao falar. Mas não era por razões de Amy ser a eleita para tratar do reino de Evanescere que ela poderia simplesmente proteger a irmã. Ela sabia que tinha que superar aquilo, sabia que não podia fazer nada para melhorar, sabia que o que ela tava falando era por intenção de acalmar a si mesma, quanto a irmã. Mas ela não aceitava aquela dor. Queria passar por cima, mesmo sabendo que seria impossível. Ela voltou a chorar. — Será que poderás eu pensar positivamente em algo? — indagou Bonnie. — Retire o que disse. Ainda acredito que você pode**. — rebateu Amy para irmã. Engoliu o choro e segurou o braço da irmã e a levou para fora daquela sala, queria levá-la para conversar em um lugar onde só elas e os céus poderiam ouvir o que tinham pra falar. Amy e Bonnie abandonaram a sala do piano e caminharam até... — Até cansarmos! Prometo que não chorarás mas nenhuma única lágrima — falou Amy para Bonnie logo após ela ter perguntado "vamos andar muito?"

* Frase da música Like You.

** Frase da música Disappear.